Ruína de Yeda e omissão da imprensa

Os leitores dos jornalões editados em São Paulo e Rio de Janeiro já conhecem com muitos detalhes cada falcatrua cometida no Senado Federal. Até os pecadilhos dos parlamentares, coisas consideradas (por eles próprios) "menores", como ceder passagens aéreas para familiares, vão logo parar nas manchetes – o último desses casos envolve o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Se alguém perguntar aos leitores o que está acontecendo no Rio Grande do Sul, porém, é provável que a resposta seja evasiva. De fato, a gestão Yeda Crusius (PSDB) à frente do governo gaúcho é uma tragédia de graves proporções e não está merecendo dos grandes jornais uma cobertura à altura do desastre – político e gerencial – em curso nos pampas.

É bem verdade que nos últimos dias, especialmente depois que o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS), protocolou, em 5 de agosto, uma ação de improbidade administrativa na Justiça Federal de Santa Maria contra a governadora e outros oito réus, os jornalões do Rio e São Paulo decidiram dar uma colher de chá e publicaram reportagens sobre o assunto. Tudo muito insuficiente.

Sim, insuficiente, porque o descalabro começou antes mesmo de Yeda Crusius botar os pés no Palácio Piratini, em janeiro de 2007. Durante a campanha, a então candidata se indispôs com seu vice, Paulo Afonso Feijó (DEM), porque ele defendia as privatizações como saída para resolver os problemas financeiros do estado. Desautorizado, Feijó permaneceu na chapa, foi eleito e depois rompeu politicamente com Yeda. Ainda durante a campanha, o marqueteiro Chico Santa Rita abandou o comando da estratégia de marketing acusando a governadora de deixar de pagar os salários da sua equipe. Em seguida, já eleita, mas antes de tomar posse, Yeda pediu ao então governador Germano Rigotto (PMDB) que enviasse à Assembléia Legislativa um projeto para cortar despesas e aumentar o ICMS. Tal projeto foi derrubado em 29 de dezembro de 2006, em uma votação que teve como articulador político o vice-governador. Só que contra, e não a favor do projeto de Yeda…

Consequências eleitorais

A crise, permanente, se arrasta desde a campanha eleitoral de 2006. De lá para cá, Yeda jamais conseguiu momentos de tranquilidade política no Piratini. A grande imprensa do Sudeste vem noticiando tudo com muita discrição e sem contextualizar o problema. Aliás, um problemão. O ruinoso governo de Yeda de certa forma quebra a espinha dorsal do discurso tucano da "excelência da gestão", que deveria ser o diferencial da candidatura presidencial do partido em 2010. Pior ainda, no campo político, a governadora conseguiu se isolar de tal maneira que DEM e PMDB, tradicionais aliados do PSDB no estado, já pularam da canoa de Yeda. Se ela insistir em se candidatar à reeleição, qual será o palanque do presidenciável tucano em terras gaúchas? José Serra (ou Aécio Neves) estarão ao lado de Yeda, única governadora brasileira que tem taxa de rejeição superior à de aprovação? Difícil, a julgar pela defesa tímida que os próceres tucanos vêm fazendo do governo da correligionária gaúcha. E alguém leu análises sobre isto nos jornalões?

Boa parte das matérias, aliás, conseguiram inverter a questão, atribuindo ao PSOL uma importância que nem mesmo a deputada federal Luciana Genro (RS) poderia almejar. Sim, porque o desastre político do governo Yeda tem como protagonista a própria governadora, que em um raro espetáculo de inabilidade política conseguiu perder apoio de aliados tidos como muito fiéis, a exemplo do DEM e do PMDB. Definitivamente, não foram as denúncias da filha do ministro Tarso Genro que colocaram Yeda nas cordas, foi a própria governadora que preferiu se postar no corner. E isto também ficou de fora da cobertura dos jornalões sobre o caso.

Cobertura descontextualizada

A falta de contextualização vai além dos aspectos político-partidários. O Rio Grande do Sul vive uma crise estrutural há muito tempo, com problemas especialmente nas finanças do estado e na sua economia. O PIB gaúcho, que representava em 2008 quase 7% do nacional, permanece neste patamar há pelo menos 10 anos. Ao contrário da região Nordeste, altamente beneficiada pelo crescimento dos últimos anos, a economia do Rio Grande vive uma situação que já antes da crise econômica mundial beirava à estagnação.

A situação econômica do Estado deveria necessariamente aparecer nas matérias e reportagem sobre a crise do governo Yeda porque é parte explicativa dos problemas enfrentados pela governadora. De fato, a tentativa, talvez um tanto açodada, de zerar o déficit do Rio Grande em quatro anos foi uma das causas de boa parte dos problemas da governadora. Em casa que falta pão, como se sabe, todos gritam e ninguém tem razão.

Com a cobertura fragmentada e direcionada para os momentos mais espetaculares – as denúncias, o anúncio do processo, os rompimentos com os aliados –, a imprensa do eixo Rio-São Paulo acaba prestando um desserviço aos seus leitores, que ficam com a impressão de que Yeda Crusius é apenas uma vítima do radicalismo do PSOL ou da fúria do Ministério Público. Há uma ótima história para ser contada por trás de um governo ruinoso, mas a mídia parece não querer contar. Por preguiça ou por motivos obscuros. Em ambos os casos, perde o leitor.

* Luiz Antonio Magalhães é Editor Executivo do Observatório da Imprensa.

Cidade baiana é exemplo em ações pelo direito à comunicação

Nas margens baianas do rio São Francisco, Juazeiro é acostumada a receber os ventos de transformações sociais no Brasil. Foi nesta cidade, na divisa com Pernambuco, que o conterrâneo João Gilberto se inspirou no canto das lavadeiras para sintetizar na voz e no violão o som que viria a mudar hábitos culturais e conquistar o mundo sob o nome de Bossa Nova. Nos dias atuais Juazeiro sintetiza na organização social demandas avançadas na luta pelo direito à comunicação no País: reúne Comissão Regional Pró-Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), tem capítulo sobre comunicação na Lei Orgânica e acolhe intercâmbio do comunicador comunitário com o ambiente universitário, poder público e organismos internacionais.

“Desde a Conferência Estadual da Bahia, em 2008, muitas entidades se sensibilizaram a enxergar a comunicação como prioridade”, comenta Paulo Victor, assessor da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e membro da Comissão Pró-Conferência Nacional local. Comunicadores comunitários e populares, sindicalistas, produtores independentes, radialistas, movimentos de luta pela terra, estudantes, professores universitários, jornalistas, agentes de saúde e grupos culturais são os atores elencados por Paulo Victor que enfrentam o desafio de potencializar o bom momento local com o processo mais amplo em nível nacional. Nos dias 10 e 11 de setembro, Juazeiro abre a maratona de Conferências Livres pelo interior da Bahia com um Seminário Preparatório e a preocupação é latente: “A Confecom é importante, mas a conjuntura de instabilidade nos deixa desacreditado muitas vezes”, concluí Paulo.

No âmbito local, as políticas públicas avançam a passos largos. A Prefeitura incluiu um capítulo apenas sobre comunicação na Lei Orgânica do Município e os diálogos para implementar o Conselho Municipal estão em fase de conclusão. “É um governo novo, recém instalado, que tem uma relação com os movimentos sociais respeitosa e harmônica nas questões relacionadas à democratização das comunicações. Isso tem apontado diretrizes importantes para repensar a comunicação e fugir das imposições dos meios de massa”, comenta Fernando Veloso, secretário de Comunicação do município.

Formação do comunicador comunitário

Nos dias 7 e 8 de agosto, o Campus III da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), também localizado em Juazeiro, acolheu I Encontro de Formação em Comunicação Comunitária do Sertão do São Francisco. O evento foi resultado de um mapeamento do setor na região coordenado pela professora Céres Santos e contou com o apoio do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), Sesc/Senac, Instituto de Radiodifusão da Bahia (Irdeb), Assessoria de Comunicação do Governo Estadual (Agecom), além da parceria da Ong Cipó Comunicação Interativa e do Sindicado dos Trabalhadores de Rádio, TV e Publicidade (Sinterp).

Érica Daiane, militante da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos) é uma das estudantes responsáveis pela pesquisa na Uneb e a partir do mapeamento defende: “A ausência da formação ocasiona a existência de algumas rádios comunitárias de direito, mas que não se configuram como tal na prática cotidiana. Conclui-se que a falta de sensibilização quanto ao uso deste instrumento em benefício do desenvolvimento local, através da conquista da cidadania, é um obstáculo na democratização da comunicação e da informação mesmo onde já existem meios com este propósito”.

Érica também enfatiza que o projeto tomou como base as rádios comunitárias e os sistemas de alto-falantes existentes em dez cidades, bem como as ações desenvolvidas pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e pelo Setor de Comunicação e Audiovisual da Diocese de Juazeiro (Sedica). Para ela a tendência é a universidade ampliar os laços com as organizações sociais, já que a graduação da Uneb oferece disciplinas voltadas para educação, movimentos sociais e comunicação comunitária.

Durante as atividades do I Encontro de Formação os comunicadores das cidades de Curaça, Remanso, Juazeiro, Canudos, Campo Alegre de Lourdes, Pilão Arcado, Uauá, Sobradinho, Sento e Sé puderam debater temas como mecanismos de sustentabilidade diferenciados das rádios comerciais, municipalização dos processos de concessões desde que deliberadas por conselhos locais, criminalização por parte da Polícia Federal, além de oficinas e painéis, como o ministrado pelo “vizinho” pernambucano Ricardo Mello, sobre a experiência no desenvolvimento de políticas públicas na cidade de Camaragibe, região metropolitana de Recife. Mello alertou que as práticas não se consolidaram na estrutura administrativa e foram abandonadas após o eleição de prefeito comprometido com o conservadorismo na cidade. A experiência, entretanto, resultou no livro Comunicação de interesse público: a escuta popular na comunicação pública – Abrindo caminho para uma nova política”, produzido pela Universidade Federal de Pernambuco.

Exemplo de mobilização

Nas palavras de Andreia Neri, representante do Unicef, a região avança para se tornar referência na mobilização da comunicação ao lado da região sisaleira. “O comunicador comunitário é parceiro estratégico para construir uma imagem positiva do semi-árido e promover maior entendimento dos direitos através do controle social”, defende Andreia. Já Mário Sartorelo, coordenador do Irdeb, ressalta que a atividade em Juazeiro representa um coletivo de instituições e entidades que desenvolvem o projeto Ondas Livres, voltado para formação dos comunicadores e atende às reivindicações das Conferências Estaduais de Cultura e Comunicação.

Marcos Vinicius, jornalista e integrante da rádio comunitária Sertaneja FM exalta que a formação é fundamental para disseminar uma nova cultura de comunicação e relembra o recente episódio de uma associação comunitária no distrito de Itamatinga que foi priorizada frente à um grupo comercial no pedido de outorga no Ministério das Comunicações pelo simples fato de preencher os trâmites de forma mais correta que o concorrente. “Antes de 2005, as rádios comunitárias da região eram oriundas de sonhos pessoais. Depois, se tornaram projetos coletivos”, resume Vinicius sobre o momento local.

Sarney multimídia: Rasgando a fantasia

José Sarney e Silvio Berlusconi têm muita coisa em comum: adoram o poder e adoram controlar a mídia. Não contente em silenciar o Estadão com a ajuda de um desembargador muy amigo, 12 dias depois o presidente do Senado determinou a substituição da diretora de Comunicação da Casa, funcionária de carreira, por um assessor-confidente que o acompanha há algumas décadas.

Com isso Sarney passa a controlar diretamente a TV Senado, a Rádio e o jornal diário, o portal de informações e todo o relacionamento da Câmara Alta com os meios de comunicação, o que não é pouca coisa. O golpe de força foi ostensivo e Sarney não perdeu tempo para arranjar justificativas. A crise política chegou a tal ponto que seus protagonistas já não se preocupam com as aparências, o jogo pesado continua embora todos falem em acordos e "acordões".

José Sarney sempre tentou se apresentar como um conciliador, mesmo quando desempenhava a função de líder civil do regime militar. Agora rasgou a fantasia.

As continuadas agressões à liberdade de expressão, no lugar de acalmar os espíritos só os exacerbam. O país fica intranqüilo quando sua imprensa é ameaçada. Ela não pode ser culpada pelas infrações, prevaricações e alianças espúrias montadas nos porões do Senado. Não é difícil explicar a fúria de Sarney e aliados contra os meios de comunicação. Sarney pretendia encerrar sua carreira política como um grande estadista e vai ficar muito mal perante a história. Seus comparsas Collor de Mello e Renan Calheiros ficarão ainda pior, escorraçados que foram pelo trabalho dos jornalistas.

O mais curioso é que os três cavaleiros anti-mídia são coronéis da mídia em seus respectivos currais. Esta é uma aberração que poucos gostam de examinar.

Anvisa realiza audiência sobre publicidade de alimentos no dia 20

Reproduzido M&M Online

A publicidade de alimentos com quantidades elevadas de açúcar, gordura e/ou sódio e de bebidas com baixo teor nutricional volta a ser debatido em Brasília na semana que vem. Na quinta-feira, 20, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realiza uma audiência pública sobre o assunto, da qual devem participar entidades, empresas e organizações interessadas no assunto. A Anvisa mantém o tema em sua agenda com a intenção de que ela seja regulamentada até o fim deste ano.

Advogado diz que acusações já foram arquivadas pelo STF

Em carta no blog do bispo Edir Macedo, seu cliente, o advogado Arthur Lavigne disse que as acusações de lavagem de dinheiro contra os líderes da Universal já foram arquivadas pelo STF em 2006, a pedido da Procuradoria Geral da República.

Relata a carta: "Essas acusações nada mais são do que uma repetição do conteúdo de outro procedimento instaurado em 1999, para apurar crime de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal que tinha como investigados, à época, praticamente as mesmas pessoas que agora o Ministério Público quer colocar novamente como réus".

Segundo Lavigne, a acusação "do momento" nada mais é do que a repetição de mesmos fatos que o STF arquivou. "Ela mais uma vez revolve fato ocorrido em 1992, quando alguns religiosos ligados à igreja obtiveram empréstimo no exterior para o pagamento da compra da TV Record do Rio. Ao longo desses anos, este empréstimo no exterior foi pago mediante prestações que acabaram sendo novamente consideradas como desvio para lavagem de dinheiro."