Indústrias e anunciantes fecham acordo sobre anúncios dirigido ao público infanto-juvenil

[Título original: Anúncios deixam de ser dirigidos a crianças]

A partir de hoje aumentam as restrições à publicidade brasileira dirigida ao público infanto-juvenil. A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), em parceria com a Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), vai anunciar uma espécie de código de conduta com o apoio de 24 companhias. Entre elas estão Coca-Cola, Unilever, Nestlé e Sadia.

O centro do acordo, cuja adesão foi voluntária, é que as empresas deixarão de fazer publicidade diretamente para crianças e pré-adolescentes, e os pais passarão a ser o público-alvo. A decisão de compra ficará mais nas mãos dos pais, apesar do conhecido poder de convencimento dos pequenos consumidores.

A Abia usou diversos estudos científicos para convencer os associados à entidade e à ABA da importância de criar restrições à publicidade de alimentos e bebidas para as crianças. Países como EUA, Canadá e parte da União Europeia já criaram regras para tirar o público infantil do foco das empresas e agências de publicidade.

Algumas multinacionais, como Nestlé, Unilever e a Kraft Fojosdireitoaco, já adotavam no Brasil uma linha muito parecida de comunicação, de acordo com o código de conduta das matrizes. A Nestlé, por exemplo, abandonou a divulgação da linha infantil de alimentos nas escolas e deixou de fazer a degustação dos lançamentos nos supermercados. Até a Walt Disney aderiu à guerra contra os alimentos não saudáveis e limitou o licenciamento de seus personagens aos produtos que se enquadrem em certos critérios para caloria, gordura, gordura saturada e açúcar.

Além de vetar a comunicação feita a crianças e pré-adolescentes, o anúncio de hoje regulamenta uma prática que já vinha sendo adotada por multinacionais: dar destaque às características nutricionais do produto.

No Brasil, o Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar) começou a criar regras para a publicidade infantil em 1978. Em 2006, o Conar ficou mais rígido. Desde então, a publicidade não pode estimular crianças e jovens ao consumo excessivo de alimentos e bebidas nem menosprezar a alimentação saudável. Frases como "peça para o seu pai comprar" foram proibidas e alusões a propriedades funcionais passaram a ter que ser comprovas.

Hoje, o alvo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são as propagandas de produtos com açúcar, gordura e sódio. Há quem defenda até o fim dos comerciais de comidas com altos níveis dessas substâncias das 6h às 21h e o veto à associação entre brinquedo e alimento em qualquer horário.

Quem aderiu ao programa: AmBev, Batavo, Bob's, Burger King, Cadbury, Coca Cola Brasil, Danone, Elegê, Ferrero do Brasil, Garoto, General Mills, Grupo Bimbo, Grupo Schincariol, Kellog's, Kraft Fojosdireitoaco, Mars Brasil, McDonald's, Nestlé Brasil, Parmalat, Pepsico Alimentos, Pepsico Bebidas, Perdigão, Sadia e Unilever

Servidores do judiciário federal manifestam-se pela Confecom

A última reunião ampliada da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) em Brasília incluiu em sua pauta a discussão sobre o processo de construção da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Entre os vários pontos incluídos no Plano de Lutas, estão os que ressaltam a importância da participação da Fenajufe e dos seus sindicatos de base nas mobilizações nos estados e em nível nacional, em conjunto com as várias organizações sociais e sindicais.

Os delegados aprovaram uma moção de repúdio à justificativa apresentada pela maioria das entidades empresariais que abandonaram a Comissão Organizadora e também reivindicando que a Confecom seja um verdadeiro espaço de debates e definição de políticas públicas para a democratização da comunicação.

A moção será encaminhada às entidades que compõem a Comissão Nacional Organizadora e aos ministérios envolvidos: Casa Civil, Comunicações, Ciência e Tecnologia, Cultura, Educação, Justiça, Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e Secretaria-Geral da Presidência da República.

A coordenadora de comunicação da Fenajufe, Sheila Tinoco, orienta que os sindicatos encaminhem essa moção às comissões estaduais pró-conferência e às entidades envolvidas no processo da Confecom em seus respectivos Estados.

Confira o conteúdo da moção:

“Os delegados do Judiciário Federal e Ministério Público da União, presentes na Reunião Ampliada deliberativa, nos dias 15 e 16 de agosto, em Brasília, dando continuidade à aprovação do Plano de Lutas e moções da XV Plenária Nacional da Fenajufe, representando 30 sindicatos estaduais, frente à conjuntura da construção e realização da Confecom consideram e entendem:

– Que a convocação da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, realizada pelo governo Lula, atende não só a reivindicação dos movimentos sociais como repara uma dívida histórica do Estado brasileiro em relação à democratização da comunicação;

– Que as Conferências representam um dos instrumentos sociais da classe trabalhadora, que tem o propósito de colaborar na elaboração de políticas públicas para o país, não se configurando o fim em si mesmas e não substituindo a luta de classe;

– Que a postura das entidades dos movimentos sociais que compõem a Comissão Organizadora Nacional sempre foi de dialogar e viabilizar a elaboração do Regimento Interno, visando a construção da primeira Confecom com respeito e defesa de todos os princípios constitucionais;

– Que durante todo o processo instituído da Conferência e da Comissão Organizadora o Governo tem se manifestado com o compromisso na realização da Confecom, caminhando sempre para uma construção tripartite, com caráter amplo e democrático;

– Que foram realizadas no governo atual mais de sessenta Conferências e muitas inéditas, com ampla participação da sociedade civil;

– Que o objetivo das Conferências é apontar ações e diretrizes que representem a vontade da sociedade civil servindo de referência para o governo na construção de políticas públicas;

– Que a Fenajufe representa mais de cem mil servidores públicos e integra o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC, junto com outras entidades que compõem a Comissão Organizadora, entre elas CUT, Fitert, Abraço, CFP, Fenaj, entidades que lutam pela democratização dos meios de comunicação e pela construção de uma conferência cidadã e dos trabalhadores.

Os delegados presentes nesta Reunião Ampliada da Fenajufe repudiam:

– A justificativa apresentada pela maioria das entidades empresariais que abandonaram a Comissão Organizadora, em nota que não retrata a realidade do debate interno da Comissão Organizadora Nacional;

– Processo de embarreiramento construído pela maioria das entidades empresariais na Comissão Organizadora, desde sua instituição em que impuseram condições mínimas para participar da Confecom, estabelecendo restrições de temas a serem debatidos e exigindo quorum qualificado de 2/3 mais 1 para votação na Comissão Organizadora e no processo da Confecom;

– Qualquer quórum que configure poder de veto para qualquer segmento, inviabilizando a aprovação de propostas e diretrizes para a construção de uma política pública de comunicação, e percentual que não garanta o processo democrático e republicano que deve caracterizar a 1ª Conferência Nacional de Comunicação”.

Ministério da Cultura inicia debates preparatórios

O atual cenário da regulação das comunicações no país foi tema da primeira palestra preparatória para a realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Cobnfecom), em dezembro deste ano. O debate aconteceu na última sexta-feira (21), na sede do Ministério da Cultura (MinC). As palestras ocorrerão todas as sextas-feiras, até 25 de setembro, das 9h às 12h30.

Nesse primeiro debate, participaram, pelo MinC, o chefe de gabinete da secretaria executiva, Carlos Vieira Filho, e o coordenador geral de TV e Plataformas Digitais da Secretaria do Audiovisual, Octávio Penna Piranti, além do diretor da TV Cultura, Gabriel Priolli, e o professor de Comunicação Social da Universidade de Brasília (UnB), Murillo César Ramos.

Carlos Vieira Filho informou sobre a criação de um Grupo de Trabalho no ministério pela dimensão e importância da comunicação e da cultura para a promoção da inclusão social. “A cultura e a comunicação andam juntas e têm uma origem muito forte. Se existe alguma separação é metodológica e para o Ministério da Cultura essa questão da comunicação sempre foi uma questão central. Dessa forma, foi criado um Grupo de Trabalho para acompanhar esses ciclos de palestras visando discutir temas, aprofundar questões e trazer uma contribuição estruturada para a pauta da Conferência Nacional de Comunicação”, esclareceu.

O professor Murillo César Ramos fez uma explanação sobre os dispositivos constitucionais pertinentes à comunicação e à telecomunicação, destacando a importância da discussões partirem da Constituição, que são as primícias fundamentais de qualquer política pública. “Eu quero descer no chão da Constituição, para mostrar que as questões fundamentais estão no chão da Constituição”, explicou.

Gabriel Priolli, da TV Cultura, ressaltou que no âmbito da Confecom uma grande contribuição será possível nesse momento se simplesmente produzir uma reforma constitucional. “Se a perspectiva for querer fazer uma grande reforma universal, acho que vai ser muito difícil. Se o assunto se centrar nas discussões dos dispositivos constitucionais, na questão do seu ajuste e na questão da sua aplicatividade, nós teríamos elementos de mudança profunda no cenário”, justificou.

A primeira Conferência Nacional de Comunicação, que terá como tema Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital, será realizada de 1º a 3 de dezembro, em Brasília.

Costa anuncia a adesão da Argentina ao padrão nipo-brasileiro de TV digital

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse hoje que a Argentina decidiu pela adoção do sistema nipo-brasileiro de TV digital. A assinatura do convênio está prevista para a próxima sexta-feira (28), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra com a presidente argentina, Cristina Kirchner, em Bariloche. Será o segundo país a adotar o mesmo padrão já implantado no país. O primeiro foi o Peru.

Costa fez o anúncio durante a solenidade de assinatura dos termos de consignação dos canais digitais para emissoras de televisão de Manaus. Manaus é a vigésima terceira cidade e a décima oitava capital brasileira a transmitir sinais digitais de TV.

Segundo o ministro, além da Argentina, a Venezuela deve anunciar a adoção do padrão digital nipo-brasileiro em outubro. Outros países da Amárica Latina, como Chile e Equador, também com estão com as negociações avançadas. Ele prevê que, com a adesão de quatro a cinco países ao mesmo padrão na América Latina, a produção de aparelhos de TV no Brasil deve dobrar, de 10 milhões para 20 milhões, para abastecer os novos mercados. “E essa produção sairá, principalmente, da Zona Franca de Manaus”, disse.

As emissoras que receberam do Ministério das Comunicações a consignação de canais digitais na capital amazonense são a Rádio TV do Amazonas (afiliada TV Globo); Rádio e Televisão Rio Negro (afiliada TV Bandeirantes); Televisão A Crítica (afiliada TV Record); Fundação Televisão e Rádio Cultura do Amazonas (afiliada da TV Cultura); e Sociedade de Televisão Manauara (afiliada SBT). A Rádio TV do Amazonas anuncia o início das transmissões digitais em caráter permanente para a próxima segunda-feira, 31 de agosto.

Deputados vão à Anatel discutir qualidade de serviços de telecom

Os deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática vão se reunir com técnicos da Anatel para avaliar o cumprimento pela Telefônica dos planos de curto, médio e longo prazos definidos junto ao órgão regulador para garantir a estabilidade da rede de banda larga no Estado de São Paulo. A reunião, prevista inicialmente para esta semana, teve que ser adiada para a próxima terça-feira (01/09), às 15h30, devido a problemas de agenda.

O presidente da CCTCI, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), informou durante reunião da comissão na semana passada (19/08) que a visita acontecerá em conjunto com deputados da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, que também debateu o assunto em audiência pública no mês de julho. Os deputados querem ter a certeza de que os investimentos e o planejamento necessários para manter a qualidade do serviço estão sendo feitos pela operadora.

Segundo ele, é importante também que o tema seja tratado conjuntamente pelas duas comissões, para que haja mais agilidade no repasse de informações, evitando “retrabalho”.

Autor do requerimento que solicitou a audiência pública sobre o tema na CCTCI, o deputado Julio Semeghini (PSDB-SP) manifestou especial preocupação com os pequenos municípios do Estado, onde a banda larga ainda está em implantação, e que foram diretamente afetados com a suspensão da comercialização do serviço.

Os deputados aproveitarão a visita à Anatel para discutir também outros problemas do setor de telefonia, como o alto índice de reclamações dos usuários registrado nos órgãos de defesa do consumidor.

A comercialização do serviço de banda larga foi suspensa pela Anatel no fim de junho, depois de sucessivos problemas na rede, que levaram a interrupções do serviço. A agência cobrou da empresa um plano de estabilidade para que o Speedy volte a ser comercializado.