Críticas sobre regras para campanhas na internet devem ser feitas à Câmara, diz Azeredo

[Título original: Eduardo Azeredo: 'Críticas contra lei eleitoral estão sendo erradamente lançadas ao Senado']

"As críticas estão dirigidas ao endereço errado". A afirmação é do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que, numa entrevista por telefone à Agência Senado, afirmou, na manhã desta sexta-feira (4), que deveriam ser dirigidas à Câmara dos Deputados, e não ao Senado, as críticas contra normas que restringem o uso da internet durante as eleições.

O projeto de lei da reforma eleitoral (PLC 141/09) foi votado pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), na última quarta-feira (2). Relatado pelos senadores Eduardo Azeredo e Marco Maciel (DEM-PE), o texto tem recebido críticas em razão das normas que impõe ao uso da internet nas eleições. De acordo com Azeredo, há senadores criticando o texto aprovado sem jamais tê-lo visto.

– O projeto votado pela Câmara é que tem o texto que dá margem a dúvidas e que não foi objeto de nenhuma emenda das 110 apresentadas pelos senadores. Vou apresentar uma emenda em plenário, mudando o artigo 57-D, na próxima terça-feira (8). A emenda vai deixar claro que blogs, sites, artigos assinados, isso tudo está liberado. É livre. A única restrição que se deve manter é com a questão dos debates pela televisão que são transmitidos pela internet, para garantir a igualdade de disputa.

Azeredo disse ainda que a emenda ao artigo 57-D ainda está sendo redigida, em Belo Horizonte, onde ele se encontra.

– Minha alternativa é uma alteração no texto, dando liberdade à internet, que é o entendimento que sempre tivemos.

– Senador, quem entrar na internet fazendo propaganda para candidato vai estar livre de restrições? – questionou a Agência Senado.

– Sim, sim. Defendo a liberdade de opinião, com a responsabilidade de cada um. E também reconheço que essa reforma eleitoral está muito aquém do que deseja a sociedade brasileira.

Para a OAB, restrição à Internet em eleição é inconstitucional

A Ordem dos Advogados do Brasil classificou a proposta que limita a cobertura dos sites de internet no período eleitoral como uma “forma de censura”, que “fere a liberdade de expressão, sendo flagrantemente inconstitucional”. Marcus Vinicius Furtado Coelho, presidente da Comissão Nacional de Legislação do Conselho Federal da entidade, informa que irá propor uma ação direta de inconstitucionalidade questionando a proibição de críticas a candidatos.

“A liberdade de opinião foi construída a duras penas em nosso país. Nada justifica o seu cerceamento, a introdução da censura prévia", afirmou.

A Reforma Eleitoral, aprovada pelas comissões de Constituição e Justiça e de Ciência e Tecnologia do Senado na última quarta-feira (02/09), equipara os veículos online com rádios e TVs. Com isso, os sites são obrigados a seguir uma série de regras, como a proibição de opinião e de entrevistas com apenas um candidato.

Texto pode ser modificado

O texto, que seria votado ainda na quarta-feira, deverá ser apreciado pelo Plenário apenas na próxima semana. Após críticas da sociedade civil, senadores se mobilizam para modificar o texto e liberar a Internet. Alguns deles, ironicamente, se manifestaram pelo Twitter. Aloizio Mercadante (PT-SP), por exemplo, prometeu a apresentação de uma emenda.

“A lei em vigor veda propaganda política 48 horas antes da eleição. Mas na web não pode caber essa restrição. Na internet proibir é proibido”, twittou.

O relator da reforma, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), estuda a inclusão de uma referência a liberdade de imprensa, mas sem a revogação do artigo sobre a Internet.

Desobediência civil

O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), também pelo serviço de microblog, prega a “desobediência civil”.

“Vamos brigar feio pela liberdade na internet nas eleições. Na derrota, o caminho é a orientação de Thoreau para leis estúpidas: desobedeça”, escreveu.

Azeredo quer liberar internet na campanha eleitoral

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) disse nesta quinta-feira (3) que "não há limitação no uso da internet em caso de matérias jornalísticas, blogs e twitters". Relator do Projeto de Reforma Eleitoral (PLC 141/09) na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), o parlamentar mineiro afirmou à Agência Senado que "isso tudo está liberado".

Ao explicar o teor da emenda de relator que deverá apresentar ao projeto em Plenário, Azeredo rebateu as críticas que vêm sendo feitas ao PLC 141/09, aprovada em reunião conjunta da CCT com a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), na quarta-feira (2). Essas críticas estão centradas, principalmente, na suposta tentativa do Senado de impor limites à campanha eleitoral na internet.

– Quem está fazendo essa crítica, está fazendo por desconhecimento ou por má-fé – disse o senador.

Azeredo explicou que, de acordo com sua emenda, em caso de debates na internet as regras deverão ser as mesmas aplicadas à televisão e ao rádio, "pois a internet se comporta, neste caso, como esses veículos".

Na entrevista, Azeredo confirmou a apresentação da emenda durante a votação do projeto em Plenário, prevista para a próxima terça (8). Para que as modificações na legislação eleitoral vigorem já no pleito de 2010, têm que ser aprovadas pelas duas Casas do Congresso até o dia 30 de setembro e sancionadas pelo Executivo até 3 de outubro, um ano antes das eleições de 2010.

TRT penhora ações da Intelig por conta de dívidas de Tanure com trabalhadores da Gazeta Mercantil

Reproduzido do Telecom Online

[Título original: Justiça mantém penhora das ações da Intelig para garantir pagamento de dívidas trabalhistas]

As ações da Intelig continuam penhoradas para o pagamento de dívidas do empresário Nelson Tanure. Em decisão publicada nesta quinta-feira, 3, a desembargadora Maria Aparecida Duenhas, do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, indefere o pedido de liminar impetrado pelos advogados de Tanure, que solicitaram o desbloqueio das ações como forma de viabilizar a transferência do controle da Intelig para a TIM.

As ações estão penhoradas para garantir o pagamento de ações trabalhistas de 380 ex-funcionários do jornal Gazeta Mercantil, administrado por Tanure até maio, quando a publicação deixou de circular. Em seu despacho, a desembargadora reconhece a sustentação feita pela defesa de que o bloqueio põe em risco a venda da Intelig para a TIM, mas destaca que os valores sociais do trabalho e da dignidade da pessoa humana se sobrepõem.

A decisão mantém o impasse no negócio fechado em abril entre a Docas, dona da Intelig, e a TIM. Na transação, a TIM assumiria 100% do capital social da Intelig por meio de troca de ações, repassando a uma empresa controlada pela Docas Investimentos 6,15% das ações ordinárias e 6,15% das preferenciais da TIM Participações. (Marineide Marques)

Editoras aprovam restrições impostas à compra da Fernando Chinaglia pelo Grupo Abril

Seis editoras brasileiras divulgaram um comunicado nesta sexta-feira (04), aprovando as restrições importas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) à aquisição da Fernando Chinaglia Distribuidora pelo Grupo Abril.

No dia 26 de agosto deste ano, a fusão – anunciada em setembro de 2007 – foi aprovada por unanimidade pelo Cade. No entanto, algumas medidas foram impostas, já que com a transação formou-se a maior distribuidora do país. O Grupo Abril é dono da Dinap (Distribuidora Nacional de Publicações), que detém cerca de 70% do mercado, enquanto a Fernando Chinaglia detém 30%.

Assinam o comunicado as editoras Globo, Panini, Escala, Carta Editorial, Editora Confiança e Editora Três. Para elas, as imposições estabelecidas pelo Cade "são importantes medidas para o mercado editorial brasileiro".

"Como o processo de fusão se apresentava em estágio adiantado e praticamente irreversível, o grupo, desde outubro de 2007, manteve contatos frequentes para garantir os princípios do livre mercado e evitar o monopólio no segmento de distribuição de publicações brasileiro", informa a nota.

Entre as restrições, estão a proibição, por dez anos, de qualquer empresa do Grupo Abril estabelecer exclusividades relacionadas a esse mercado com os distribuidores regionais e/ou com as editoras; vender as filiais da Fernando Chinaglia localizadas em São Paulo e Rio de Janeiro em até 120 dias, mantendo o fluxo de títulos atualmente distribuídos por três anos; não alterar as condições contratuais atuais com as editoras por três anos; garantir condições de isonomia com a Abril no serviço de distribuição oferecido, sem discriminações aos clientes interessados.

Além disso, o Cade determinou que os softwares e bases de dados existentes para a distribuição nacional e regional deverão ser abertos a todos os interessados. Para as editoras signatárias, "essas medidas são importantes para a tentativa de devolver ao mercado de distribuição de revistas em bancas sua normalidade concorrencial".

Elas afirmam, ainda, que manterão vigilância permanente para reclamar a intervenção do Cade caso esse objetivo venha a ser ameaçado.