Net e Sky respondem por 82,3% do mercado de TV paga no Brasil

Líderes na comercialização do serviço de TV paga no Brasil, Net e Sky detêm, juntas, 82,3% de participação no mercado. Os dados são da consultoria Teleco, especializada no setor de telecomunicações, com base em informações fornecidas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e pelas operadoras.

No caso da Net, que distribui o sinal por cabo, o número de assinantes chegou a 3,480 milhões no segundo trimestre de 2009, o que representa 51,3% do total nacional. A empresa foi criada em 1991 e tem entre seus acionistas a Embratel, a Embratel Participações, a Distel Holding, a GB Empreendimentos e Participações e a Globo -as três últimas são ligadas à família Marinho, das Organizações Globo.

Já a Sky, com transmissão via satélite, é controlada pela DirecTV Group e pela Globo Comunicações e Participações. No segundo trimestre de 2009, a empresa detinha 31% do mercado de TV paga do país.

Para o diretor da Teleco José Luiz Souza de Oliveira, a concorrência no setor foi reduzida pela ausência de novas licitações de licenças do serviço de TV a cabo e pela limitação imposta ao capital estrangeiro nas empresas do ramo. "O crescimento do setor está prejudicado, e o consumidor acaba ficando com poucas opções", diz.

O analista sênior de telecomunicações da IDC, Vinícius Caetano, também atribui à legislação parte da explicação pela falta de concorrência no setor. Segundo ele, empresas que oferecem internet banda larga poderiam aproveitar sua rede para fornecer também o serviço de televisão batizado de IPTV. Limitações impostas pela Anatel, porém, dificultam o desenvolvimento do setor.

Segundo ele, hoje apenas 13,5% dos lares brasileiros têm acesso à TV paga. Em São Paulo, o índice chega a 25%.

Hélio Costa diz que padrão tecnológico será escolhido até o fim do ano

[Título original: Padrão de rádio digital deve ser definido ainda este ano, diz Hélio Costa à Rádio Senado]

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou, em entrevista ao programa Estação Mídia, da Rádio Senado, que o governo deve definir até o final de 2009 o padrão que o Brasil adotará para o sistema digital para as transmissões de rádio.

Estão em fase de estudo dois padrões: um norte-americano (In Band on Channel – IBOC) e outro europeu (Digital Radio Mondiale – DRM). Segundo Hélio Costa, a tendência é que o governo faça a opção pelo europeu, visto que é o único que contempla transmissões nas faixas de AM e FM e também de ondas curtas.

Durante a entrevista, o ministro destacou as vantagens do rádio digital, como a melhor qualidade da transmissão e a possibilidade de uma emissora levar ao ar simultaneamente vários programas na mesma frequência. Hélio Costa também falou sobre os problemas para a implantação do rádio digital. Um dos obstáculos é o alto custo do aparelho receptor, o que pode atrasar a popularização da nova tecnologia.

A entrevista completa com o ministro Hélio Costa será apresentada nesta terça-feira (22/09), às 7h30, no Estação da Mídia. A Rádio Senado transmite sua programação para Brasília e regiões vizinhas na frequência de 91,7 MHz e também para Natal (106,9 MHz) e Cuiabá (102,5 MHz). Você também pode ouvir o programa por meio da internet, baixando o arquivo de áudio na página da Rádio Senado (www.senado.gov.br/radio).

Ministros criam Fórum Internacional ISDB-T

Reproduzido do TeleTime News

Os ministros das áreas das comunicações do Brasil, Peru, Argentina, Chile e Japão oficializaram nesta segunda, 21, a criação do Fórum Internacional ISDB-T. O evento, realizado em Lima (Peru), defendeu um marco regulatório comum para o desenvolvimento do padrão de TV digital adotado pelos cinco países. Os ministros buscam ampliar o número de adesões ao sistema, "estendendo convites aos vizinhos para que se juntem ao padrão de TV digital aberta", segundo o comunicado oficial. O evento vai até a próxima quarta e tem como compromisso final a realização de esforços "para estabelecer marcos regulatórios comuns, que permitam consolidar o sistema de televisão digital ISDB-T latinoamericano e aproveitar as economias de escala que serão gerados a partir daí", diz a declaração assinada pelos ministros. (Da Redação)

Assembléia Legislativa de São Paulo convoca conferência estadual

Reproduzido da Ciranda Internacional da Informação

[Título original: Confecom paulista sai por ato da Assembléia Legislativa]

O Ato Nº24 de 2009, da Assembléia Legistaliva de São Paulo, publicado hoje no Diário Oficial, convoca a I Conferência Estadual de São Paulo para o período de 30 de Outubro a 1º de Novembro. Com isso, os movimentos e entidades sociais que construiram a Comissão Paulista Pro-Confecom se mobilizam agora para levar as propostas geradas pela I Pré-Conferência no Estado ao debate com o Poder Público dentro de uma etapa oficial do processo deflagrado pelo decreto presidencial. A Conferência Paulista elegerá delegados e delegadas para a I Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada em Brasília, de 1º a 3 de Dezembro de 2009.

Duas grandes restrições à participação democrática de representantes paulistas impostas por deliberações do Poder Público no processo da Confecom estão gerando protestos das entidades representadas na Comissão Paulista. Uma delas foi gerada pelo Regimento Interno da Confecom nacional, que reduz o número de delegados de São Paulo em relação à proporcionalidade garantida aos demais Estados. Uma nota de repúdio foi publicada pela Comissão Paulista Pró-Confecom. A outra restrição surgiu agora, interna ao processo estadual, com o Ato da Mesa da Assembléia Legislativa.

Embora as propostas para a Confecom venham sendo acompanhadas por parlamentares das Comissões de Direitos Humanos, Educação e Cultura, o Legislativo estabeleceu que a Confecom Paulista será coordenada pela Comissão de Transporte e Comunicação, presidida pelo Deputado Comte Lopes, em conjunto com a Comissão representativa dos movimentos sociais paulistas.

O Ato reduz com isso a participação de parlamentares das demais comissões. O assunto será ainda tratado entre os que sentiram excluidos do processo e representantes da Comissão, em busca de alternativa, nesta segunda-feira (21). Também será definida a data para a primeira reunião com a Comissão Paulista, possivelmente a ser fixada para 23 de setembro, quarta-feira próxima.

A convocação da I Confecom Paulista pela Assembléia Legislativa ocorre após desdobrados esforços para que o Governo do Estado assumisse o processo, mas a reivindicação, formalizada pela última vez em carta ao Secretário de Comunicação do Estado, não foi atendida. (Rita Freire)

Leia a íntegra do Ato Nº 24/09

Banda larga como serviço público

Não é de hoje que muitos afirmam ser imprescindível a universalização do acesso à banda larga. Universalizar significa garantir a todos os cidadãos – independente das condições econômicas ou localização geográfica – os recursos necessários para o acesso à Internet, o que inclui computadores, conexões com velocidades decentes e, também, o conhecimento necessário para a utilização do pleno potencial da tecnologia.

O tema voltou às capas dos jornais e portais eletrônicos na última semana. Primeiro, em função da publicação do regulamento para a oferta de Internet pela rede elétrica. Segundo, porque o presidente Lula determinou aos seus auxiliares a elaboração de um plano para ampliar o uso pelos brasileiros da rede mundial de computadores.

São boas notícias, mas recomenda-se analisar os fatos com prudência. Assim, evitam-se ilusões e criam-se condições para melhorar as propostas atualmente em debate.

A oferta de Internet pela rede elétrica tem um inegável potencial. Afinal, a capilaridade das redes elétricas é maior do que a das redes das concessionárias de telecomunicações (Oi/Brasil Telecom, Telefônica e Embratel). Além de maior penetração, o uso da rede elétrica poderia ser um forte estímulo à competição na prestação do serviço, hoje monopolizado pelas concessionárias de telefonia fixa – à exceção dos bairros mais ricos dos grandes centros urbanos, onde existe a concorrência das operadoras de TV a cabo – que se aproveitam dessa situação para abusar dos direitos dos consumidores.

A Internet pela rede de energia elétrica, além de ser tecnicamente complexa em função das interferências entre os dois tipos de sinal, carece de um desenho regulatório favorável, que faça com que a exploração seja economicamente viável para quem fornece e acessível para quem consome.

Até agora, esse não parece ser o caso. Não à toa, o próprio governo admite que o uso da rede elétrica para a oferta de Internet não deve se tornar uma realidade nos próximos anos. Falta vontade política para enfrentar os interesses dos grandes grupos de telecomunicações, que não querem nem pensar em novos concorrentes de peso.

Já o Plano Nacional de Banda Larga, nome dado ao projeto em gestação no governo federal, é iniciativa das mais importantes, embora muito – muito mesmo – tardia. Até há alguns meses, o governo parecia convencido que a massificação do acesso à Internet poderia ocorrer pelas mãos do mercado. Mas aconteceu o óbvio: o acesso cresceu e continua a crescer devagar-devarzinho, com velocidades de conexão mais lentas ainda, que na maioria das vezes sequer poderiam ser consideradas "banda larga" caso fossem utilizados como referência os padrões internacionais.

O mercado, como sempre foi e sempre será, busca instalar-se onde há renda. Onde não há renda, não existe mercado. E não esqueçamos que quase 50% da população brasileira ainda pertence às classes D e E, uma barreira colossal para qualquer serviço com preços e tarifas definidos livremente pelas empresas, como é atualmente o caso.

Por isso, o plano em gestação é uma ótima notícia: a importância que essa nova forma de relacionamento com o mundo adquire para os diversos aspectos da vida cultural, social e econômica, tornou a Internet uma ferramenta diária para diferentes tarefas ou funções, do lazer ao trabalho. A não inclusão dos cidadãos nesse novo ambiente virtual reproduzirá ou aumentará a já inaceitável desigualdade socioeconômica existente no Brasil.

Assim, é preciso pensar o acesso à Internet como uma decorrência dos direitos fundamentais à liberdade de expressão, à informação, à cultura e à educação. Universalizar a banda larga é um imperativo ético dos nossos tempos.

Mas, embora seja uma ótima notícia, o desenho inicial do plano é tímido: fontes confiáveis indicam que a intenção é formar uma infra-estrutura pública a partir das redes das empresas estatais (Petrobrás, Furnas, Eletronet, etc) para servir aos órgãos do governo federal e dos governos estaduais e municipais. Não é pouca coisa, mas também está longe de garantir o acesso universal aos milhões de brasileiros que ainda não possuem Internet ou que pagam preços exorbitantes por velocidades tartarugas de conexão.

Corajoso mesmo seria (ou será) a criação de uma empresa pública para ofertar o serviço ao consumidor.

De qualquer forma, em meio às discussões para a formatação do plano, é hora da sociedade brasileira reivindicar que o Estado assuma a responsabilidade por garantir acesso residencial à Internet – afinal, porque os mais pobres devem usar telecentros ou similares e os mais ricos acessar a Internet em casa? -, classificando a banda larga como um serviço público essencial, com status semelhante ao da telefonia fixa e aos fornecimentos de água e energia elétrica. Como serviço público, podem ser impostas obrigações de universalização, de preços e tarifas.

Independente de possíveis variantes regulatórias, uma coisa é certa: a decisão política de universalizar o acesso à banda larga passa por assumi-la como um direito dos cidadãos e, conseqüentemente, um dever do Estado.