Conferindo a Confecom

Convocada no dia 10 de Setembro deste ano, a Conferência Estadual de Comunicação  em Sergipe é uma reivindicação histórica dos movimentos que pautam o setor. No intuito de garantir a convocação da Conferência no estado , estudantes, , movimentos sociais e profissionais da área se articularam através da Comissão Pró Conferência Sergipana de Comunicação, CPC-SE, que vem se reunindo e articulando suas atividades desde Abril deste ano.

A CPC-SE compõe a Comissão Nacional Pró-Conferência Nacional de Comunicação- a CNPC, uma articulação nacional formada no ano de 2007, composta por movimentos sociais e setores da sociedade civil no intuito de pressionar o governo federal a puxar a primeira CONFECOM, convocada publicamente pelo presidente Lula no início do ano, no Fórum Social Mundial.

Conferência de Comunicação? Mas pra quê?

Não existe sociedade realmente democrática sem um modelo democrático de comunicação social para o país. “Quem não se comunica se entrumbica”, já dizia o velho bonachão das buzinas e do bacalhau. A Comunicação Social no Brasil é completamente desregulamentada e cheia de vícios. As concessões de rádio e TV, patrimônio do povo brasileiro, são renovadas automaticamente sem nenhuma espécie de consulta à população. A legislação para o setor é arcaica, vertebrada nos tempos do regime militar, os veículos populares e alternativos, tais como as rádios comunitárias e servidores livres de internet, são alvo de perseguição por parte do Estado.

No estado de Sergipe não poderia ser diferente. Os principais veículos de rádio, televisão e impresso estão concentrados nas mãos da família Franco, dentre outros agrupamentos menores. As poucas rádios comunitárias que existem em nosso estado se encontram, em sua maioria, nas mãos da iniciativa privada, desprovida de qualquer modalidade de participação popular na hora de dizer o que a rádio precisa ou não fazer, nem a quem ela deve servir. A Fundação Aperipê, que compõe a rede pública do Estado, não possui nenhum mecanismo de participação, tal como um conselho paritário entre Estado e Sociedade Civil, ou qualquer modalidade de consulta para os ouvintes-telespectadores.

Dentre todas estas problemáticas, uma conferência para o setor se faz mais do que necessária, ela é urgente, e está chegando com vinte e um anos de atraso, sabem por quê?  “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;”. Uma frase curta com uma percepção idealista da sociedade, não é?  Não estamos falando de uma idéia solta no ar e na terra, estamos falando do item IV do Artigo 5 da Constituição Federal. É necessário complementar e regulamentar as idéias compostas nesta frase, e nada mais apropriado que uma Conferência para chamar a sociedade e discutir sobre o tema.

O Campo e as Batalhas

Tal como esperado, os barões da mídia brasileira não gostaram nenhum pouco desta história de Conferência. Impuseram uma série de limitações, tal como a proporção em pé de igualdade com a sociedade civil, onde cada setor terá a representação de 40% dos delegados, deixando os 20% restantes para a representação do governo. Ora bolas, quem é maior? A sociedade civil ou o empresariado? Pergunta simples, resposta óbvia. Sem contar também que o empresariado conseguiu a votação por quórum qualificado: Todo tema que for considerado sensível, só poderá ser discutido após a aprovação de 60% dos delegados, ou seja, se o empresariado e o governo presentes no espaço quiserem discutir.

Por outro lado, o ministro das Telecomunicações, Hélio Costa, não faz o menor esforço para que a discussão democrática seja garantida. Como um lobista da Globo, o pré-candidato a governador de Minas Gerais não está nem aí para a demanda dos movimentos sociais. Em sua gestão, mais de seis mil rádios comunitárias foram fechadas e mais de 30 toneladas de transmissores destruídos. O governo se alinha aos empresários na totalidade das propostas apresentadas, pulverizando qualquer possibilidade de avanços mais concretos para os movimentos sociais de comunicação.

Conflitos nas Estaduais

Dentre as últimas barbaridades cometidas pelo empresariado na Comissão Organizadora Nacional, podemos destacar a Resolução N 8 de outubro deste mês. Neste documento, fica vetada a discussão das propostas nos estados, o que significa que todos os apontamentos e propostas de políticas públicas no âmbito estadual serão votadas na nacional. O que isso significa para o Estado de Sergipe? Significa que, se por acaso, algum setor tiver interesse em apresentar uma proposta de ampliação dos espaços da TV Aperipê, esta proposta não será discutida nem votada na nossa Conferência Estadual e sim na etapa de Brasília. Sendo desta forma, dificilmente as proposta de âmbito estadual virão a ser apreciadas, dado ao grande número de textos trazidos por todos os cantos do país em um espaço de apenas três dias. Tudo isso para garantir que os empresários não percam privilégios nos seus estados, já que eles nunca estariam em pé de igualdade no número de entidades participantes.

Como se não fosse suficiente este quadro devastador, a forma como está sendo conduzida a Conferência Estadual em Sergipe, marcada para os dias 19,20 e 21/11, é demasiadamente crítica. Assim como em vários estados brasileiros, a Secretaria do Estado da Comunicação alega não ter recursos para realizar as etapas preparatórias regionais, não garantiu transporte e hospedagem para militantes e interessados do interior para a Conferência Livre, marcada para os dias 5 e 6 de Novembro, não demonstrando o menor esforço para ampliar a discussão da comunicação em Sergipe.  Alguns representantes das secretarias de estado, componentes da Comissão Organizadora Estadual, tratam a atividade de forma cínica e prepotente, alegando que ninguém do estado de Sergipe está disposto a perder o seu final de semana “para ouvir lorotas de comunicação”.

O que esperar então?

Não podemos esperar avanços concretos maiores nem louros da discussão democrática na Conferência, por conta de diversos problemas que foram levantadas dentro de todo o processo, por outro lado, mesmo com todos os obstáculos, a sociedade está se mobilizando em torno de uma pauta que até pouco tempo não fazia parte das rodas de conversa, o que precisamos agora  é que os movimentos sociais se articulem e se fortaleçam nesta experiência coletiva, e que se construa um novo modelo de comunicação pautado na concepção do direito humano e na construção de cidadania.

Relator altera cotas de canais nacionais no PL 29

O estabelecimento de cotas de conteúdo nacional na programação das TVs por assinatura continua passando por aperfeiçoamentos na Câmara dos Deputados. A política de fomento incluída no PL 29/2007, que unifica as regras para a oferta de televisão por assinatura no país, passou por mais mudanças na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), considerada a "comissão de mérito" do projeto. O relator da proposta, deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE) decidiu alterar as cotas de canais nacionais em cada pacote ofertado ao consumidor.

Agora, a regra proposta prevê que, de cada três canais de conteúdo qualificado – onde prevalecem conteúdos de teledramaturgia, como filmes e seriados -, ao menos um canal deve ser nacional. Mas, em termos absolutos, a mudança não alterará a conta de canais nacionais em discussão até o momento. O motivo é que o relator manteve a simplificação feita na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) com relação ao "conteúdo qualificado", que antes era dividido em dois tipos. Com a simplificação, a base de canais onde se aplica as cotas diminuiu e a nova metodologia aplicada tendo resultado equilibrado em relação ao número de canais que já havia sido negociado com os segmentos atingidos pelo projeto.

Limites para programadoras

Foi mantida a regra de fomento às programadoras brasileiras independentes (sem vínculo com qualquer outra empresa da cadeia de TV por assinatura), que terão assegurados o direito de programar um terço dos canais reservados pela política de cotas. O relator decidiu ainda colocar uma restrição à participação das programadoras na organização dos canais incluídos via cotas.

O novo substitutivo define que nenhuma programadora (ou empresas de seu grupo) poderá programar mais de um terço dos canais nacionais para efeito de cumprimento das cotas.

Assim, ao menos três programadoras deverão dividir a responsabilidade pelos canais nacionais incluídos pelo regime de cotas. Está mantida a previsão de que a Ancine deliberará em casos de problemas no cumprimento das cotas por parte das empresas.

Must carry

Foi mantido sem alterações o capítulo que trata do carregamento obrigatório de canais públicos. Também manteve-se inalterada a regra, já pacificada em discussões anteriores, que amplia o must carry para todas as modalidades de TV por assinatura – agora unificadas no Serviço de Acesso Condicionado (SAC) – fazendo com que todos os pacotes contenham os canais das radiodifusoras. No caso dos canais digitais, vale o may carry, onde as emissoras de televisão aberta podem negociar se o carregamento deve ser feito pelas TVs pagas ou não e em que condições.

PL 29/2007 traz 45 diretrizes novas que mudam o mercado de TV paga

Reproduzido do PAY-TV News

O substitutivo do deputado Paulo Henrique Lustosa ao PL 29/2007, apresentado nesta quarta, 28, à Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados, traz uma série de novidades importantes e resgata uma série de aspectos que já haviam sido colocados em discussões anteriores. Agora, com a aproximação das últimas etapas da tramitação, este noticiário elaborou um resumo das principais diretrizes estabelecidas pelo PL 29 e que tendem a se tornar as principais regras de uma futura lei para o Serviço de Acesso Condicionado.

A íntegra do resumo está disponível na homepage do site TELETIME ou no endereço www.paytv.com.br/arquivos/pl29_resumo.pdf). Trata-se de um resumo ainda em fase de ajustes e aberto a contribuições. Até o momento, estão claramente definidas 45 diretrizes que são, de alguma maneira, novas ou importantes para o mercado de TV paga.

Algumas mudanças já eram esperadas e são extremamente relevantes para a dinâmica da indústria, como a possibilidade de entrada de empresas de telecomunicações. Também são colocados limites à participação de empresas de telecom no mercado de conteúdo, cotas de programação para dar espaço a conteúdos brasileiros e produção independente e limites à publicidade. Outras mudanças são importantes, como o crescimento do poder de regulação da Ancine sobre o setor, e o estabelecimento de regras para empresas produtoras e programadoras de conteúdos.

A versão atual tenta conciliar o crescente mercado de distribuição de conteúdos por Internet e celular ao deixar de fora da regulação conteúdos sob demanda. Apenas canais e pacotes de programação são regulados.
(Samuel Possebon)

Brasil já tem mais de 36 mil escolas públicas com internet grátis

Reproduzido de Teletime News

O número de escolas públicas que já tem conexão de internet de alta velocidade gratuita totalizou 36.146 até 30 de setembro, segundo dados do Ministério das Comunicações. O aumento é resultado do Programa Banda Larga nas Escolas e de acordo com o Minicom, com isso se aproxima da meta do governo de conectar todas as escolas públicas urbanas do país até o fim de 2010.

De acordo com os dados da Anatel, o número de instituições de ensino básico beneficiadas até agora representa 55,71% das 64.879 escolas públicas urbanas existentes no país. A meta do governo é conectar 80% delas até o fim deste ano. Os balanços divulgados pela Anatel são fechados a cada trimestre. Entre julho e setembro deste ano, mais de 7 mil novas escolas foram conectadas.

Os dados apontam que os estados com mais escolas contempladas são Minas Gerais (4.301), São Paulo (3.704), Rio de Janeiro (3.619), Bahia (3.361) e Paraná (2.982). A meta é que até o fim de 2010 todas as escolas públicas urbanas do Brasil estarão cobertas com serviço gratuito de internet de alta velcoidade, beneficiando cerca de 37 milhões de estudantes. A vigência do Programa Banda Larga nas Escolas vai até 2025, com compromisso de ampliação periódica da velocidade de conexão.

Falta de recursos pode deixar São Paulo de fora da Confecom

Com o início das etapas nacionais nesta semana, mais um assunto polêmico surgiu nas discussões da comissão organizadora nacional da Confecom. Diversos estados têm feito apelos por recursos para a realização das conferências entre eles São Paulo. O estado mais rico da federação tem tido problemas em participar da conferência e quase não houve convocação estadual. A convocação acabou sendo feita pela Assembléia Legislativa do estado, que agora reclama não ter recursos para garantir a realização do encontro.

Por enquanto, não há qualquer disposição da comissão organizadora nacional de enviar verbas para o estado realizar o evento. O entendimento do presidente da comissão, o consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, é qu, quem convocou a conferência é o responsável por realizá-la. No caso de São Paulo, a responsabilidade é da Assembléia Legislativa.

O temor de que o estado acabe não realizando a etapa preliminar fez com que algumas entidades apelassem à comissão o envio de recursos. Mas, para Bechara, isso seria injusto com os outros estados que também estariam em dificuldades para realizar os eventos. "Não posso dar um tratamento especial a São Paulo e não atender os outros estados", afirmou.

Até o momento, apenas três estados receberão uma pequena ajuda financeira do governo federal para realizar a pré-conferência. São eles Tocantins, Rondônia e Santa Catarina. O motivo do tratamento diferenciado é simples: nesses três estados quem fez a convocação extraoficialmente foi a comissão nacional. Assim, o governo federal se sente responsável pela realização dessas etapas.

O estado do Amazonas passou pelo mesmo tipo de convocação nacional, mas no último dia do prazo o governo local fez uma convocação própria o que retirou a responsabilidade federal sobre a realização do evento. Tocantins, que passa por uma situação de instabilidade política com a troca do governador, também já sinalizou interesse em assumir o evento por meio da Assembléia Legislativa, mas a situação ainda não foi resolvida.

Caso algum estado deixe de fazer a etapa local, há uma previsão de indicação de delegados para que haja representatividade de todas as unidades da federação. Essa indicação garante uma participação simbólica de aproximadamente três representantes por segmento.