Juca Ferreira quer modernização dos direitos autorais

Reproduzido da Agência Brasil

[Título original: Ministro diz que país não terá indústria cultural forte sem lei de direitos autorais moderna]

Brasília – O ministro da Cultura, Juca Ferreira, afirmou hoje (5) que sem uma lei de direitos autorais “modernizada”, os artistas brasileiros vão continuar a ser prejudicados e o país não conseguirá ter uma indústria cultural forte.

“Precisamos evoluir para uma lei sem ferir o direito patrimonial dos empresários e garantindo o acesso pleno da população. Queremos evoluir para uma posição consensual”, disse, ao participar de entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro. Juca Ferreira cobrou ainda transparência e controle público durante o processo.

De acordo com ele, cerca de 30 audiências públicas já foram realizadas pelo governo em capitais brasileiras e a pasta já prepara um projeto de lei sobre o assunto para ser enviado ao Congresso Nacional ainda este ano.

“Há uma consciência de que é preciso modernizar. Não há nenhum controle sobre esse recolhimento e, por isso, os artistas o chamam de  caixa-preta. A lei é do tempo em que nem existia videoteipe. Os que se beneficiam do sistema atual virão para cima da gente e nós sabemos disso”, afirmou. (Paula Laboissière)

Secretário do Ministério da Cultura fala em democratização das concessões de TV

Durante o 1° Encontro Internacional da Diversidade Cultural, em Salvador, Bahia, o Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SID/MinC), Américo Córdula, declarou que o controle da mídia no país concentra-se nas mãos de "cinco famílias" e essas não colaboram na divulgação da cultura local.

O Secretário demonstrou preocupação com a política de concessões de TVs e declarou que este é um "problema para o qual o governo ainda não encontrou caminhos".

Em entrevista ao portal Terra, Córdula defendeu o estabelecimento de cotas para exibição de produções nacionais em TV e rechaçou a acusação de que isso acabaria por mercantilizar a cultura, conforme reivindicação de alguns movimentos. "A cota é uma forma de regulação, de mostrar nossa produção (…), e deixamos em aberto, ninguém se preocupa em mostrar", explicou.

Ele observou também que esforços para produção cultural não surtem efeito se os meios de comunicação não aderirem às campanhas de divulgação. Na avaliação do secretário, a expansão e valorização da cultura ocorre por meio de um trabalho conjunto. "Temos que trabalhar junto, estamos trabalhando na proteção das diversidades culturais, mas a gente não tem o canal de divulgação da cultura. Não se trata de reserva, mas de abrir espaços para poder distribuir nossos conteúdos".

Indagado pela reportagem se não seria uma contradição o Brasil estabelecer cotas para jogos eletrônicos e produções enquanto luta por abertura para vender os seus produtos em outros mercados, Córdula ressaltou que nada está definido em relação às restrições mercadológicas. Ele informou, ainda, que o estabelecimento de cotas é estudado desde a gestão de Gilberto Gil, mas que a pressão das famílias que controlam os meios de comunicação fez o movimento perder força. "As cinco famílias que controlam a mídia conseguiram derrubar isso com seus lobbys", disse.

Sobre concessões, o Secretário avaliou que o esquema deve ser alterado para que produções regionais sejam levadas ao grande público. Com isso, ainda segundo Córdula, seria criado um repertório cultural mais vasto, contrariando a exibição conhecida de "mais do mesmo".

Para que o conteúdo seja então diversificado, o Secretário sugere uma divisão de poder de controle dos meios de comunicação. "Acho que se você colocar a mídia na mão de cinco, tá errado também. Você deixa de fora uma produção enorme. Mas também não podemos ficar à mercê dos grupos porque isso não funciona", declarou ao Terra.

Proposta de ministro reduz controle sobre rádios e TVs

Um projeto de lei de autoria do ministro das Comunicações, Hélio Costa, propõe diminuir o controle do Estado e do Congresso sobre a venda de emissoras de rádio e TV. O projeto seria votado ontem na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas a votação foi adiada para a semana que vem.

Ele propõe que as rádios com potência de até 50 KW e as emissoras de TV que não são cabeças de rede possam ser vendidas sem autorização prévia do Poder Executivo e do Congresso, desde que não possuam acionista estrangeiro.

As emissoras teriam apenas que comunicar a troca de controle ao Executivo, no prazo de 45 dias a contar do registro da venda na junta comercial ou no cartório de pessoa jurídica.

Segundo empresários do setor, mais de 80% das emissoras de rádio do país têm potência inferior a 50 KW, o que significa que poucas continuarão sob o controle do governo.

Uma das restrições à proposta está em que a legislação impõe limites à concentração de propriedade de rádio e TV. Para especialistas, o projeto reduz o poder do governo de fiscalizar.

Desde 1962, é obrigatória a autorização prévia do presidente da República para a venda do controle acionário de emissoras de TV e a do ministro das Comunicações para a venda de rádios. A partir de 1988, tornou-se obrigatória também a aprovação prévia pela Câmara e pelo Senado.

O projeto de Costa prevê que empresas que mudaram de controle acionário sem a aprovação prévia possam regularizar a situação, sem penalidade.

Costa apresentou o projeto em 2005, como senador, e logo depois assumiu o cargo de ministro. Em 2006, o projeto foi aprovado pela Comissão de Educação do Senado, onde o relator foi Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia, cuja família é proprietária de rádios e TV no Maranhão.

O projeto tramitou no Senado, sem chamar a atenção, até entrar na pauta da CCJ, onde seu relator é o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), acionista da TV Bahia, afiliada da Globo, e defensor do projeto de Hélio Costa.

Costa afirmou que continua defensor do projeto. Na exposição de motivos enviada ao Senado, alegou que a regulamentação da radiodifusão é da década de 60 e não condiz mais com as necessidades do setor.

A proposta defende ainda que as empresas sejam desobrigadas de enviar anualmente ao governo o comprovante de seu quadro societário.

Segundo a Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e de Televisão), a proposta tem prós e contras. “Reduz a burocracia, mas pode propiciar negociações em desacordo com a lei.” Para a organização não-governamental Coletivo Intervozes, o projeto diminui o poder do Congresso de fiscalizar a radiodifusão, anistia empresas que mudaram de dono ilegalmente e reduz a transparência.

Comissão discutirá acesso a banda larga e adoção de software livre

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática vai realizar audiências públicas para debater os efeitos, implicações e a viabilidade técnica e financeira da implementação do Plano Nacional de Banda Larga; e para discutir a adoção de programas abertos de computador, conhecidos como software livre, pela administração pública direta e indireta.

As audiências foram propostas pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e ainda não têm data marcada.

Software livre

De acordo com a deputada, o uso de programas de computador baseados em padrões abertos e não proprietários é uma tendência consolidada no mercado de tecnologia de informação. "A participação do mercado nesse tipo de software amplia-se a cada ano, tanto na iniciativa privada quanto no setor público."

Erundina lembra que o uso prioritário de software e de padrões de licenciamento aberto é uma política do governo federal, o que acelera a ampliação do uso desse tipo de solução em âmbito nacional.

Banda larga

Já sobre a banda larga, a parlamentar afirma que o domínio dos diferentes recursos tecnológicos pelo País é condição necessária para o desenvolvimento, sendo que uma das ferramentas estratégicas para se alcançar esse patamar é a inclusão digital. "O acesso precisa ser por meio de banda larga, com vistas à navegação com qualidade, porém o uso de internet de alta velocidade ainda é restrito."

Durante a audiência pública, a comissão vai discutir assuntos relacionados à administração da rede de banda larga, a participação estatal e o papel da iniciativa privada no Plano Nacional de Banda Larga. Esse plano prevê a implantação de uma rede de fibra ótica em todos os municípios do País.

Estudo técnico

O Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara vai concluir até o fim do ano a análise sobre a política mais adequada para garantir o acesso de todo brasileiro à internet banda larga. Ao final do estudo, os 23 deputados que compõem o grupo poderão apresentar projetos ou encaminhar sugestões para o governo.

Convidados

A audiência sobre software livre será realizada em duas etapas.

Serão convidados para o debate:

– o diretor de Tecnologia do Banco do Brasil, José Francisco Alvarez Raya;
– o diretor-presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Marcos Vinícius Ferreira Mazoni;
– o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna dos Santos;
– o presidente da Microsoft do Brasil, Michel Levy;
– o presidente da organização ODF Alliance Brasil, Jomar Silva;
– o diretor-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), José Curcelli;
– o presidente da Federação Nacional das Empresas de Informática (Fenainfo), Maurício Laval Pina de Sousa Mugnaini;
– Omar Kaminski, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná;
– Sérgio Amadeu da Silveira, doutor em Ciência Política e professor da Fundação Cásper Líbero;
– representantes do Banco Central e da Receita Federal do Brasil.

Para a audiência sobre o plano de banda larga, serão convidados:

– o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ronaldo Sardenberg;
– o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins;
– o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna dos Santos;
– o presidente da Telecomunicações Brasileiras (Telebrás), Jorge da Motta e Silva;
– o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Fixo Comutado (Abrafix), José Fernandes Pauletti;
– o presidente da Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet, Eduardo
Fumes Parajo;
– o presidente da Associação Brasileira de Pequenos Provedores de Internet e Telecomunicações, Ricardo Lopes Sanchez;
– o presidente da empresa Informática de Municípios Associados (IMA), Pedro Jaime Ziller de Araújo.

Câmara adia decisão sobre concessões de TV

Reproduzido de Telaviva News

Um pedido de vista conjunta feito por oito deputados adiou a deliberação sobre a renovação de seis concessões de televisão, entre elas a da Rádio e Televisão Record em São Paulo e a da RBS TV Santa Rosa no Rio Grande do Sul. As renovações estavam na pauta da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados na última quarta-feira, 4. O pedido de vista atinge também os processos envolvendo as emissoras Televisão Cultura (SC), TV Bauru (SP), TV Tocantins (GO) e Televisão Guaíba (RS).

A vista conjunta foi solicitada pelos deputados Antônio Carlos Chamariz (PTB/AL), Beto Mansur (PP/SP), Bispo Gê Tenuta (DEM/SP), Glauber Braga (PSB/RJ), Gustavo Fruet (PSDB/PR), Luiza Erundina (PSB/SP), Márcio Marinho (PR/BA) e Paulo Roberto Pereira (PTB/RS). Os pareceres dos relatores dos casos são todos favoráveis à renovação. (Mariana Mazza)