Conferência Livre de Sergipe reúne cerca de 150 pessoas para discutir Comunicação

Com um misto de ansiedade, clamor e muito nó na garganta,  foi dada a largada para o processo  da Conferência de Comunicação em Sergipe, com a desenvolvimento da 1º Conferência Livre de Sergipe, evento  desenvolvido  pela Comissão Organizadora Estadual, que reuniu mais de 150 pessoas para discutir, formular e construir propostas para um novo modelo de comunicação no estado e no país.

Com palestrantes como Rosely Goffman, representante do Conselho Federal de Pisicologia, Jonas Valente, militante do Coletivo Intevozes de Comunicação e Josemary,  membro da Associação Brasileiira  de Rádios e Tvs Educativas , o tema de Comunicação foi dividido em 3 subtemas: Meios de Distribuição, Cidadania: Direito e Deveres  e Construção de Conteúdo.

Para Jonas Valente, as etapas preparatórias são extremamente importantes para subsidias as dicussões para a etapa estadual e nacional, além emponderar as pessoas sobre um tema que nunca antes fora discutido, a comunicação.

Sempre percebi que tudo isso era injusto, que a comunicação sempre foi tratada como uma mercadoria e estou muito feliz em ter direito de falar sobre o que sinto de tudo isso, desabafa João Moreira, membro da entidade Unegro.

Esse é o momento para discutirmos e colocarmos todas as aflições e angustias sobre a área de comunicação, mesmo que seja de forma intuitiva, haja vista que o tema de comunicação ainda é muito novo para a grande parte da nossa população, ressalta George Washington, presidente do Sindicato dos Jornalistas.

No dia 12 de novembro, mais uma Conferência Livre será organizada pela TV Educativa Aperipè, e nos dias 19, 20 e 21 de novembro acontecerá a Conferência Sergipana de Comunicação, em Aracaju, com expectativa  de congregar 300 pessoas oriundas de todas as partes do estado.

TV pública pode promover a igualdade de gênero, dizem especialistas

Rio de Janeiro – A imagem estereotipada da mulher na TV brasileira é ainda um desafio a ser superado, assim como o baixo protagonismo feminino na construção do processo midiático. Esta é a opinião de representantes de movimentos sociais, do governo e de especialistas em comunicação que participam do 6º Seminário Nacional A Mulher e a Mídia, no Rio de Janeiro neste fim de semana. Neste contexto, o papel da TV pública na promoção da igualdade de gêneros foi um dos temas do evento ontem (7).

A presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Tereza Cruvinel, que participou da mesa, disse que a comunicação pública deve ter uma preocupação permanente com a questão da igualdade de gêneros, para promover uma mudança de postura em relação à mulher. “É necessário o tempo todo combater os cacoetes, evitar reproduzir os vícios de linguagem e ideológicos na forma de tratar a mulher”.

Segundo ela, o protagonismo da mulher na mídia cresceu nos últimos anos, embora ainda haja muito a ser mudado. “Nesses seis anos de seminário Mulher e a Mídia, do qual participo desde a primeira edição, percebi um amadurecimento da sociedade na discussão sobre a importância da comunicação em relação à mulher.”

A coordenadora de Núcleo da TV Cultura, Âmbar de Barros, lembrou que a programação de uma televisão pública não é determinada por parâmetros comerciais e valoriza uma representação da mulher mais diversa e democrática. Mas ela acredita que ainda falta maior participação das mulheres nas tomadas de decisões dentro das empresas de comunicação. “Os homens ainda são maioria nos altos cargos, mas isto é um reflexo da nossa sociedade.”

Durante o debate, os participantes falaram da falta de um diálogo permanente entre os movimentos sociais e as televisões públicas com relação à escolha da programação. Outro ponto que norteou as discussões foi a necessidade de mais canais públicos para que um maior número de pessoas tenha acesso a programas mais plurais. Hoje os canais públicos são transmitidos apenas em alguns estados do território brasileiro.

A presidente da Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), Regina Lima, disse que não basta criar um ou dois programas voltados para a mulher, mas é preciso que toda a grade da programação seja pensada de forma que contemple o olhar das mulheres.

A ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM), Nilcéia Freire, explicou que esta sexta edição do seminário tem como foco qualificar as discussões sobre a equidade de gênero nos meios de comunicação para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecon), a ser realizada entre os dias 14 e 17 de dezembro. “É fundamental criar políticas públicas que incorporem a perspectiva de gênero em todo o processo de comunicação e criem maior acesso das mulheres aos meios de comunicação.”

Projeto de Hélio Costa liberaliza comércio de outorgas de rádio e TV

O projeto de lei do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que visa diminuir o controle do Estado sobre as concessões de rádio e TV do país pode ser aprovado pelo Senado na próxima semana. A proposta está na pauta da próxima reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O projeto foi apresentado por Costa em 2005, quando ainda era senador pelo estado de Minas Gerais, e só agora tramita em caráter conclusivo. Se aprovado na CCJ, pode ir direto para análise da Câmara dos Deputados, que ainda não tomou conhecimento da proposta.

A matéria, identificada como PLS 222/05, propõe dar aos concessionários de rádios com potência de até 50KW (a maioria das existentes) e de emissoras de TV que não sejam cabeça-de-rede a possibilidade de venderem suas outorgas sem a necessidade de aprovação do Congresso e do Poder Executivo. Exceção só seria feita às empresas que possuírem algum acionista estrangeiro.

O projeto conta com o aval da Comissão de Educação do Senado, que o aprovou em 2006, tendo como relator o então senador Edison Lobão (PMDB) atual ministro das Minas e Energia, cuja família é proprietária de rádios e TV no Maranhão. Nesta quarta-feira (4), o texto entrou na pauta da CCJ, mas não foi votado. A sessão da comissão terminou antes de sua apreciação. A proposta está sendo analisada pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que fez um pedido de vistas ao projeto no fim do mês de outubro, por orientação de seu partido.

O objetivo do projeto, segundo Hélio Costa, é diminuir a burocracia que existe nos casos de transferência de outorgas. “Entendemos que, mesmo após as alterações introduzidas pela Lei nº 10.610, de 2002, os controles estabelecidos sobre a vida societária das empresas prestadoras de serviços de radiodifusão são desnecessários. Mais do que isso, revelam-se prejudiciais à atividade, pois que inibidores do investimento em serviço de tamanha relevância social. Ademais, cumpre lembrar que, desde a década de sessenta, em que o marco jurídico do setor foi estabelecido, o número de emissoras multiplicou-se, tornando excessivamente onerosa, senão mesmo impossível, ao Estado a execução dessas funções”, diz o então senador, na justificativa da matéria.

Além disso, Hélio Costa argumenta que, com tais alterações, “pretende-se não apenas diminuir o excesso de burocracia que onera especialmente as pequenas emissoras, como também favorecer o aumento do fluxo de investimentos na prestação desses serviços. Em um tempo em que a convergência tecnológica impõe relevantes desafios às empresas de comunicação, é fundamental dotá-las de capacidade para atrair novos capitais, como forma de preservar serviço de tamanha importância para nossa sociedade.” Segundo sua proposta, as emissoras teriam apenas que comunicar a troca de controle societário ao Executivo, no prazo de 45 dias a contar do registro da venda na Junta Comercial ou no cartório de pessoa jurídica.

Obscuridades

O projeto, porém, abre a possibilidade de se aumentar a já conhecida falta de transparência no setor. O Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social elaborou um parecer sobre a matéria criticando seu teor. Para a entidade, ao desobrigar a maioria absoluta dos radiodifusores de anuência prévia para mudanças de controle societário, o projeto dá espaço para que seja feitas modificações que ferem a legislação do setor, especialmente em relação à concentração da propriedade dos meios, criando fatos consumados difíceis de reverter.

Outra crítica do Intervozes refere-se a um artigo do projeto que propõe acabar com o tempo mínimo para que o concessionário possa fazer uma transferência de outorga. Essa modificação, segundo o coletivo, pode facilitar a transformação de concessões em mercadorias. “Se já é questionável a possibilidade hoje prevista de transferência direta da outorga após cinco anos, que dá grande lucro às empresas por meio da venda de um bem público (o uso do espaço no espectro eletromagnético), é absolutamente inaceitável que uma empresa se proponha a prestar um serviço público e repasse essa obrigação antes de completados cinco anos da outorga”, diz o parecer do grupo.

Para os atuais concessionários que agiram ilegalmente, transferindo suas outorgas para terceiros sem anuência do Executivo e Legislativo, Hélio Costa propõe a regularização de suas situações, a partir da aprovação de seu projeto. O Intervozes classificou como injustificável tal medida, pois se configura em uma espécie de anistia às ilegalidades cometidas pelas empresas.

“Dizer que a notificação de propriedade é inibidora do investimento significa dizer que a transparência é inibidora dos investimentos. Em outras palavras, que os investimentos são mais incentivados quanto mais obscuras as alterações societárias”, arremata o Intervozes a respeito do espírito geral do projeto de Hélio Costa.

Outras conseqüências

Quem também acompanha a tramitação do projeto é o Ministério da Cultura. Uma das preocupações do órgão é a dificuldade que pode ser gerada para se identificar uma produtora ou uma obra audiovisual independente. Hoje uma das formas de se aferir tal questão é observando se uma produtora tem em seu quadro societário a participação majoritária de uma empresa de radiodifusão.

Além desta questão, a falta de controle do Estado sobre a venda de outorgas pode também aumentar o número de emissoras nas mãos de parlamentares, o que é vedado pela Constituição, mas desrespeitado na prática. Essa foi uma das razões que fez o senador Pedro Simon (PMDB-RS) adiantar, por meio de sua assessoria, seu voto contrário ao projeto de Hélio Costa.

Simon foi o autor de um parecer, em 2007, que propõe a não aprovação de pedidos de renovação de concessões de emissoras que tenham parlamentares em seu quadro societário. A proposta do senador foi aprovada na CCJ e encontra-se na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado desde maio deste ano, sob a relatoria de Cícero Lucena (PSDB-PB)

Transferências

Um decreto de 1963 (nº 52.795) permite que um concessionário transfira uma outorga a uma outra entidade, desde que o faça com prévia autorização do Governo Federal e após os primeiros cinco anos da exploração do serviço.

Este tipo de transferência, que no caso das emissoras comerciais se constitui em uma venda da outorga, movimenta um lucrativo mercado, exatamente pelo fato de o investimento na licitação para a obtenção da licença representar um custo baixo e o retorno com a venda ser consideravelmente alto. Apesar de ser legal, a transferência é criticada, pois permite a comercialização do uso de um bem que pertence ao conjunto da população: o espectro de radiofreqüências.

Entidades apresentam propostas sobre sistema público

Responsáveis por apenas cerca de 10% das emissoras de rádio e TV do país, os meios públicos de comunicação seguramente serão objetos centrais de discussão na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). É o que já vem acontecendo nas etapas preparatórias realizadas nos estados. Nas conferências livres e nas etapas estaduais, é recorrente o surgimento de propostas que buscam criar mecanismos de fortalecimento dessas mídias. Entidades de representação nacional também lançaram documentos propositivos a fim de fomentar a discussão sobre o tema. Muitas das propostas visam atacar duas grandes fragilidades dos veículos do campo público de comunicação: o financiamento e a gestão. A falta de dinheiro para ampliar a produção e melhorar a estrutura das emissoras educativas existentes nos estados é notória, assim também como a falta de abertura para a participação da população em muitas delas. Como a mídia brasileira privada foi historicamente privilegiada, pouco se avançou nessas questões ao longo do tempo.

A proposta de criação de uma reserva financeira para apoiar os meios públicos tem surgido com força. Na visão da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) deveria ser criado um Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Comunicação Comunitária. “O fundo deve atuar no financiamento, a fundo perdido, dos equipamentos necessários a instalação da emissora”, descreve o documento publicado pela entidade. Esse dinheiro seria arrecadado, segundo a Abraço, do Orçamento Geral da União, do Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) e das taxas cobradas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

O Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social também vê importância na iniciativa. Sua proposta, porém, é a criação de fundos nacionais e estaduais de comunicação pública, formados pela contribuição que cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a partir do direcionamento de recursos do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) e por doações de pessoas físicas e jurídicas, entre outras fontes. Proposta semelhante foi pensada pela Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub). A diferença é que neste caso, ele está sendo chamado de Fundo Público Especial de Fomento à Radiodifusão Comunitária.

A proximidade entre as propostas que tratam comunicação pública e comunicação comunitária se explica por conta de um entendimento crescente entre diversos atores de que tanto os veículos ligados a entes públicos – em alguns casos, estatais –, como aqueles dirigidos comunitariamente fazem parte de um mesmo campo de atuação, diferente da comunicação comercial. Assim mesmo, é importante notar que, em muitos casos, as propostas para um e outro tipo de veículos são diferentes.

Ainda em relação à sustentabilidade, no bojo das discussões da Confecom tem aparecido a idéia de se criar uma contribuição das emissoras comerciais para os veículos públicos. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), por exemplo, defende o estabelecimento de contrapartidas sociais pelos concessionários.

Para o Intervozes, é necessário taxar as empresas de rádio e TV. “Entre os diversos benefícios recebidos pelas empresas de radiodifusão está a imunidade do pagamento do ICMS, um privilégio inaceitável para um setor que tem grandes lucros pela exploração de um bem público. A retomada da cobrança do ICMS constitui-se como medida justa e deve ser revertida ao financiamento da comunicação pública, de modo a respeitar o princípio da complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal previsto no Artigo 223 da Constituição. Este mecanismo de compensação é usual em outros países e fortalece suas estruturas públicas, como nos casos da França e de Portugal”, justifica a entidade, em seu documento de propostas para a Conferência de Comunicação.

A Abraço ainda defende que os governos distribuam de forma mais democrática as verbas empregadas em publicidade a fim de promover a radiodifusão comunitária. A entidade propõe a criação, pela Secretaria de Comunicação do Governo Federal, de editais específicos para as mídias comunitárias, destinando 5% da verba publicitária para as rádios comunitárias. O mesmo deve ser feito nos estados, no Distrito Federal e nos municípios.

Além disso, a associação defende uma mudança legal que permita a entrada de publicidade nos meios que representa. “É legitimo que uma rádio comunitária faça a publicidade do setor produtivo local, isto serve para garantir a sobrevivência do veículo e incluir os mesmos que são excluídos do sistema comercial, contribuindo para o desenvolvimento local. Mas não pode cobrar por mensagens de utilidade pública (assembleia de moradores, festas populares etc.), pois esta é a razão de ser de uma emissora comunitária”, diz, em seu documento.

Para a Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCom), uma outra iniciativa que poderia tornar os meios públicos mais sustentáveis seria a implementação de um “operador de rede único, que congregue todas as emissoras de TV do campo público, com direito de multiserviços, multiprogramação e à interatividade para a ampliação da transmissão e recepção de conteúdos que venham, de fato, a colaborar para a construção da cidadania no Brasil”, defende a associação. Essa proposta tem sido apoiada por outras entidades.

EBC

Criada em 2007, a EBC tem sido entendida pelas entidades sociais como um passo importante rumo à construção de um sistema público. Por isso, a maioria das propostas surgidas buscam fortalecer a empresa. Com esse intuito, o FNDC propõe, por exemplo, a implementação de conselhos de redação, produção e programação, com integrantes eleitos pelos seus pares. Defende a abertura para a participação da sociedade nas reuniões do Conselho Curador , com pautas e dias previamente divulgados, e adoção de consultas públicas como mecanismo de gestão.

Já a Abraço, acredita que deveria ser implantada na EBC “uma nova mentalidade de Rede Nacional. Empresa Brasileira de Comunicação, regionalizando a produção cultural, artística e jornalística. A Abraço propõe a criação de seis centros de produção, no Sul, no Sudeste, no Centro-Oeste, no Norte, no Nordeste I e no Nordeste II, com a divisão equânime da grade de programação, propiciando retratar a diversidade cultural, artística e jornalística do Brasil.”

Gestão

E a preocupação com a influência da população nos meios públicos não diz respeito apenas à EBC. “No Sistema Público de Comunicação, instituir conselhos em todos os organismos mantenedores de mídias públicas com prerrogativa de definir as diretrizes relativas às atividades da corporação e acompanhar a sua implementação. Estes espaços devem ser compostos observando a maioria da sociedade civil, a partir de eleição junto à população ou às suas representações. Deve ser exigida a implantação de comitês por veículo, gênero e programa de cada uma das iniciativas de comunicação dos organismos mantenedores de mídias públicas”, pensa o Intervozes.

Preocupação compartilhada pela Arpub, que pede o “aperfeiçoamento de mecanismos e ferramentas de controle público no âmbito das empresas de comunicação pública, sejam federais, estaduais ou municipais, tais como conselhos, audiências públicas, ombudsmen, ouvidorias, agências reguladoras, etc, como forma de aprofundar e consolidar em nossa sociedade uma cultura de maior controle social sobre os meios de comunicação públicos.”

E as propostas relativas à gestão dos meios também não dizem respeito apenas aos veículos analógicos. Uma das elaborações do Intervozes referentes ao mundo digital prevê a reserva de blocos de freqüências radioelétricas para uso das redes comunitárias de acesso à internet que utilizem tecnologia sem fio – a serem utilizadas por órgãos públicos e instituições sem fins lucrativos – que podem prover o acesso à rede mundial de computadores aos cidadãos de forma gratuita ou com baixo custo.

Rádios comunitárias

Para além das proposta já citadas, a Abraço fez uma série de propostas para mudar o atual quadro das rádios comunitárias de dificuldade de sobrevivência. Entre elas estão a garantia de digitalização dos sinais sem custos, o aumento do número de canais destinados às emissoras comunitárias, o aumento de potência dos transmissores para até 250 watts, a permissão da transmissão em rede, o fim do poder discricionário da Anatel, a reparação e anistia para os comunicadores processados e/ou punidos por operarem rádios comunitárias sem outorga e o fim da criminalização da rádios comunitárias e dos comunicadores populares.

A Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec) deve divulgar suas propostas para a Conferência na próxima semana.

*** NA BIBLIOTECA DO OBSERVATÓRIO DO DIREITO À COMUNICAÇÃO você encontra a íntegra das propostas das entidades envolvidas no processo da Conferência Nacional de Comunicação. Clique aqui.

Os donos da palavra

A imprensa brasileira tomou como uma intromissão indevida do Estado nos negócios privados e um risco para a liberdade de informação a nova lei de comunicações da Argentina, de iniciativa do governo de Cristina Kirchner. Mas há controvérsias.

Para muitos jornalistas argentinos, a lei é um passo para a democratização da comunicação e deveria ser seguida de uma normatização geral do setor também em outros países da América Latina, inclusive e principalmente o Brasil.

No livro Os Donos da Palavra, resultado de uma pesquisa do Instituto Imprensa e Sociedade, fica claro que a concentração dos meios é um dos entraves ao acesso generalizado e à verdadeira liberdade de expressão. Segundo esse estudo, consolidado e atualizado por Martín Becerra e Guillermo Mastrini, a concentração da propriedade dos meios de imprensa é uma realidade em todo o continente. No Brasil, esse fenômeno tem uma trajetória histórica bastante clara, e se torna ainda mais notável com o advento da TV a cabo.

Mesmo com o domínio do mercado e com a concorrência limitada, essas corporações dominantes não têm conseguido expandir a base de leitores de seus principais veículos: a venda de jornais diários per capita caiu 60% entre 2000 e 2004. A recente recuperação do mercado ocorre na faixa dos chamados títulos populares, destinados a uma classe emergente da pobreza que se convenciona chamar de nova classe média.

Agenda pública

Também nesse nicho se reproduz a tendência à concentração, com algumas mudanças recentes como a representada pela compra do Diário de S.Paulo, que pertencia ao grupo Globo, pelo empresário J.Hawilla.

De acordo com a análise de Mastrini e Becerra sobre a pesquisa do Instituto Imprensa e Sociedade, a concentração no Brasil se dá num nível muito superior ao que se considera alto nos estudos internacionais (ver padrões citados por Albarran e Dimmick, 1996).

Os pesquisadores observam que essa organização de conglomerados afeta a diversidade de versões sobre a realidade nacional, reduz o número de atores a influenciar a agenda pública e pode ser uma ameaça à democracia. Mas, para o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, a grande ameaça à liberdade de informação era o diploma de jornalista.

Ah, bom. Podemos dormir tranquilos.