Mulheres serão 40% do total da delegação da sociedade civil à Confecom

O esforço do movimento feminista em diferentes estados brasileiros levou a um resultado interessante em termos da composição da delegação da sociedade civil na etapa nacional da Conferência de Comunicação. Dos 632 delegados/as eleitos/as nos estados, 255 – ou seja, 40,35% – serão mulheres. Garantir uma representação na Confecom não muito distante do total de mulheres na sociedade brasileira – mais de 51% – não foi, no entanto, tarefa fácil.

Há muitos anos o movimento feminista participa da luta pela democratização das comunicações em nosso país. No entanto, as principais lideranças da sociedade civil nesta área ainda são homens. Basta olhar para a representação da sociedade civil na Comissão Organizadora Nacional. De sete titulares, somente duas são mulheres.

“As conferências têm um papel primordial de fazer com que a sociedade civil organizada, através das entidades ou não, se aproprie de debates que outrora eram somente exercidos por aqueles detentores do saber. Avanços aconteceram, mas a todo momento os movimentos sociais – feministas, de mulheres, de promoção da igualdade racial, LGBTT, de pessoas com deficiência, de comunidades tradicionais, juventude, geracional, etc – vêm a público relembrar que, em todo o processo de conferências, seminários, encontros públicos, privados e partidários é importante que sua composição tenha um olhar diferenciado nas delegações para a questão de cotas para as mulheres, negros, gays, lésbicas e demais grupos vulneráveis”, explica Sandra Mariano, da Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras).

Para inverter este jogo no conjunto da delegação que irá a Brasília nos dias 14 a 17/12, o movimento feminista se organizou. As mulheres foram destaque de participação em muitas comissões organizadoras estaduais, e mostraram, ao longo do processo, que o movimento tem propostas concretas para transformar as comunicações no país. Foram diversas as conferências livres organizadas pelas mulheres, assim como seminários e debates preparatórios. Uma plataforma de propostas está sendo elaborada pela Rede Mulher e Mídia para ser apresentada na etapa nacional.

“O processo foi bastante horizontal, pois queremos acabar com as verticalidades. E as mulheres trabalharam pra caramba. Aliás, continuam trabalhando”, afirma Terezinha Vicente Ferreira, da Articulação Mulher e Mídia.

Assim, ocupando um espaço pra lá de disputado – em função do baixo número de delegados/as para a sociedade civil na Confecom – as mulheres conseguiram ultrapassar 40% do total, compensando resultados estaduais que praticamente desconsideraram a questão de gênero na composição de suas delegações. Apesar do indicativo aprovado na última plenária da Comissão Nacional Pró-Conferência com as comissões estaduais de que as delegações buscariam uma composição equilibrada entre homens e mulheres, o processo eleitoral de alguns estados ignorou essa questão.

É o que se nota no resultado da eleição de Sergipe, por exemplo, em que 90% da delegação é de homens. No Amazonas e no Maranhão, 80% dos representantes da sociedade civil na Confecom serão do sexto masculino. No Espírito Santo, Minas Gerais e Piauí, 75%. No Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Tocantins, 70%. Em Pernambuco e em Santa Catarina, 65%.

“Isto gerará um desequilíbrio na hora de discutirmos as propostas [do eixo de comunicação] tão bem discutidas e consolidadas no 2º Plano Nacional de Políticas para as Mulheres”, avalia Sandra Mariano.

A composição passa a ser mais equilibrada em estados cuja representação das mulheres obteve no mínimo 40%: Acre, Amapá, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia e Roraima. A igualdade se concretiza em Alagoas, Goiás, Pará e no Distrito Federal, que elegeram metade de mulheres na delegação.

O destaque fica, no entanto, para Paraná e São Paulo. Os dois estados elegeram 60% de mulheres para representar a sociedade civil na Confecom, fruto de um trabalho intenso dessas militantes – que em São Paulo, por exemplo, foram exemplo de construção coletiva na organização da etapa estadual – e que agora promete trazer novos bons resultados pra comunicação brasileira.

“O andamento do processo em SP foi amplamente democrático, tudo discutido na comissão paulista pró-conferência, e todas as tarefas foram realizadas por nós – lembrem-se que não tivemos recurso algum nacional ou estadual”, conta Terezinha. “Sindicalistas, feministas, de religião de matriz africana, jornalistas, radialistas, negras, lésbicas, enfim o espaço é pequeno para demonstrar a pluralidade da nossa delegação, que foi tirada por um processo democrático sem disputa de chapas”, relata Sandra.

Ministro das Comunicações será sabatinado no programa “Roda Viva”, da TV Cultura

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, será entrevistado no "Roda Viva" na próxima segunda-feira (7). Com apresentação de Heródoto Barbeiro, o programa será transmitido ao vivo pela IPTV Cultura-, a partir das 18h30, e exibido pela TV Cultura, às 22h, sem qualquer corte ou edição.

A primeira Conferência Nacional de Comunicação será realizada entre os dias 14 e 17, em Brasília, e terá como responsável o ministro Hélio Costa. Nesse evento, milhares de delegados de todo o país, representando a sociedade civil e o poder público, irão propor ao governo federal as bases de um marco regulatório para o setor de comunicação no país.

Durante a entrevista ao "Roda Viva". o ministro deve falar sobre diversos assuntos ligados à sua pasta, incluindo aqueles que causam polêmica, como concessão de rádio e tevê, de acesso à internet de banda larga e de telefonia. Também devem ser abordados temas como política nacional de comunicação, quem pode ou não ser proprietário de uma emissora e quais as obrigações e os direitos que estão envolvidos.

A bancada de entrevistadores será formada por Nelson Hoineff (presidente do Instituto de Estudos de Televisão), André Mermelstein (editor das revistas Tela Viva e Teletime), Renato Cruz (repórter do jornal O Estado de S. Paulo) e Elvira Lobato (repórter especial da Folha de S.Paulo). 

UCA: governo começa a entregar netbooks na próxima semana

Reproduzido do TeleSíntese News

Finalmente, na próxima semana, o governo começa a entregar os 150 mil computadores educacionais Classmate, de tecnologia Intel, comprados pelo governo para equipar 300 escolas, de todas as regiões do país, que farão parte da segunda fase, ampliada, da experiência-piloto do programa Um Computador por Aluno (UCA). A informação foi dada hoje pelo assessor especial da Presidência da República, Cezar Alvarez, em evento da Abinee (Associação da Indústria Elétrica e Eletrônica).

Os netbooks educacionais foram comprados da Digibrás, segunda colocada no leilão realizado no final do ano passado pela FDE, do MEC — a brasileira Comsat, primeira classificada, acabou fora da disputa, porque o lote de computadores, com tecnologia da indiana Encore, montados no Brasil, não passou no teste de certificação do Inmetro, e o recurso apresentado pela empresa não foi acatado pelo TCU. Para ser classificada, a Digibrás chegou ao preço ofertado pela Comsat, de R$ 82,5 milhões, e seu computadores passaram o teste de homologação.

(Da redação)

Conselho Consultivo admite que só backhaul do STFC é reversível

O Conselho Consultivo da Anatel finalmente aprovou hoje sua posição sobre os bens reversíveis das concessionárias. Mesmo assim, sem unanimidade na questão mais polêmica, a ligada ao backhaul, resultante da troca dos PSTs (Postos de Serviço de comunicações), em abril de 2008. A discussão começou em março e se arrastou até hoje.

O texto oficial, que será entregue ao Conselho Diretor da agência na próxima semana, defende que somente voltará para a União, ao final do prazo de concessão em 2025, a estrutura do backhaul que serve ao STFC (Serviço Telefônico Fixo Comutado), enquanto na opinião de dois conselheiros, Ricardo Sanchez e Walter Faiad, a reversibilidade deve valer para toda a infraestrutura.

Segundo Sanchez, o bem reversível não pode ser vinculado pelo uso que tem, especialmente num setor tão dinâmico como de telecomunicações. “Se a sociedade está pagando pela implantação do backhaul, terá que receber tudo de volta”, defende. Ele ressalta que o grande custo de uma infraestrutura é o direito de passagem e não a fibra óptica, que é barata.

Além disso, questiona Sanchez, até 2025 o STFC pode ter acabado e, nesse caso, o que a sociedade vai receber de volta? Ele defende que a Anatel faça um controle rigoroso dos bens acertados. “Pela lógica do texto, se fosse uma concessão de
rodovia, a União receberia apenas as vias onde passam os ônibus e caminhões e as demais ficariam para a empresa”, comparou.

Já para o conselheiro Luiz Perrone, autor do parecer, a separação do que é usado pelo STFC no backhaul é fácil de ser feita e a Anatel já tem experiência disso na questão dos satélites da Embratel, em 2001, quando definiu que apenas os transponders que servem à telefonia fixa são reversíveis. Ele argumenta que o custo do backhaul também está sendo bancado pelas operadoras, já que estão instalando capacidades maiores do que os recursos provenientes dos PSTs podem cobrir.

Perrone defende que a Anatel faça uma auditoria contábil para saber o quanto está sendo gasto na implantação do backhaul a mais do que os R$ 700 milhões equivalentes aos PSTs que foram trocados. “Tudo o que for pago pelos recursos dos PSTs é reversível, o excedente não”, disse. Ele admite que se sobrar recursos, as empresas terão que investir no aumento da capacidade ou ampliação da rede. Mas acha que se os recursos forem insuficientes, terão que ser descontados em outras obrigações das concessionárias. Esse ponto, inclusive , já gerou embates entre operadoras e Anatel.

No seu parecer, Perrone ainda sugere à direção da agência que reveja toda a regulamentação sobre bens reversíveis das prestadoras, levando em consideração que, o mais importante, é assegurar a continuidade e atualidade do serviço ao final das concessões, e não apenas ou necessariamente os equipamentos.

Confecom inicia credenciamento para cobertura midiática do evento

Brasília – O credenciamento dos meios de comunicação para cobertura da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom) será aberto nesta segunda-feira, dia 7 de dezembro. A 1ª Confecom está programada para acontecer entre 14 e 17 de dezembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF).

As solicitações de credenciamento devem ser encaminhadas para o endereço eletrônico assessoria.imprensa@confecom.com.br até as 20h de quinta-feira, dia 10 de dezembro. Não serão consideradas solicitações enviadas após este prazo. O credenciamento está sujeito à aprovação.

A solicitação de credenciamento deve ser feita por cada meio de comunicação (jornal, revista, agências de notícias, televisão, rádio e blog) e encaminhada por e-mail institucional. Segundo o tipo de veículo, há um limite do número de profissionais a serem credenciados por órgão de imprensa:

    * Jornais – 2 repórteres e 2 fotógrafos;
    * Revistas – 2 repórteres e 1 fotógrafo;
    * Blogs – 2 repórteres e 1 fotógrafo
    * Rádios – 2 repórteres;
    * Televisões – 2 equipes (cada equipe com um repórter, um cinegrafista e um auxiliar);
    * Agências de notícias – 2 repórteres e 2 fotógrafos.

A solicitação de credenciamento deverá trazer a identificação dos profissionais, a saber:

    * Número de documento de identidade (com foto)
    * Número de registro profissional
    * Função a exercer na equipe de reportagem
    * Endereço do veículo para o qual trabalha

A comissão organizadora nacional da Confecom instituiu ainda o perfil do “comunicador comunitário”, que fará a cobertura da conferência para as rádios e canais comunitários.

O credenciamento do “comunicador comunitário” obedecerá as mesmas regras explicitadas acima, mas em lugar do registro profissional, será obrigatório informar o número de registro da rádio ou do canal comunitário no Ministério das Comunicações, além do CPF do comunicador comunitário. Neste caso, serão considerados pedidos enviados por e-mails particulares.

Em relação ao primeiro dia da 1ª Confecom (14 de dezembro), será realizado credenciamento especial, conforme praxe da Presidência da República, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá abrir o evento. Os profissionais já credenciados para a cobertura regular do Palácio do Planalto não precisarão submeter-se a esse credenciamento.