TV pública digital terá licitação internacional

A direção da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) anunciou a empresários que abrirá licitação internacional para construir a rede de transmissão nacional da TV digital pública. Após ouvirem a apresentação da estatal, empresários calcularam que a rede deve custar ao menos US$ 300 milhões (cerca de R$ 510 milhões).

O modelo previsto é o de PPP (Parceria Público-Privada). A EBC fará licitação internacional para escolher a empresa ou o consórcio que construirá a infraestrutura de transmissão e ela pagará ao empreendedor pela transmissão dos canais públicos. A remuneração terá uma parcela fixa e outra variável, que dependerá da qualidade do serviço prestado. Interrupções na transmissão serão descontadas no pagamento.

Até o final do mês, a EBC colocará a proposta de edital de licitação em consulta pública. Depois disso, o edital será examinado pelo Tribunal de Contas da União. A EBC espera lançar a licitação no final de abril e quer que os sistemas de transmissão de São Paulo e Belo Horizonte sejam inaugurados ainda no governo Lula. O edital dará a estimativa do governo para os valores a serem investidos.

O modelo de rede de transmissão terceirizada proposto pela EBC foi baseado em outros países, como Japão, França e Espanha. A japonesa Marubeni e o grupo francês TDF, que têm redes de transmissão de radiodifusão em seus países, participaram da reunião com a EBC, na sede do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O banco financiará o vencedor da licitação na compra de equipamentos e serviços produzidos no Brasil, e informou às empresas que os empréstimos podem chegar a 80% do valor do projeto. Após o encontro com a direção da EBC, os empresários tiveram audiências individuais com técnicos do BNDES para conhecer as condições do empréstimo.

Cobertura nacional

O projeto da EBC prevê que, até 2014, a rede cobrirá os 273 municípios com população acima de 100 mil habitantes, que concentram 121 milhões de habitantes. O governo espera, com a TV digital, conseguir o alcance nacional para os canais estatais que não conseguiu com a televisão analógica.

As linhas gerais do projeto foram apresentadas pela presidente da EBC, Tereza Cruvinel. O vencedor terá contrato para explorar o serviço por 20 anos que, segundo a diretoria jurídica da estatal, poderá ser estendido para até 35 anos.

Além de gerar programação televisiva, a EBC atuará como distribuidora dos demais canais públicos federais no sistema digital. Receberá a programação das TVs Câmara, Senado e Justiça e, ainda, dos canais que serão produzidos pelos ministérios da Educação e Cultura e os entregará ao operador da rede pública de TV digital.

A rede terá três canais digitais nacionais, com programação gerada em Brasília, e um canal local, em cada capital. A tecnologia digital permite que um canal transmita oito programações diferentes simultâneas.

EBC e BNDES apresentam projeto de Operador de Rede Pública Digital

Dirigentes da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e técnicos do BNDES promoveram, nesta quinta-feira, dia 10, no Rio, um workshop para empresários do Brasil e do exterior, do setor de rádiodifusão, aos quais apresentaram o projeto do Operador de Rede Digital Pública. Trata-se da implantação e operação de uma plataforma de transmissões em sistema digital que será utilizada por todas as emissoras públicas e estatais federais, barateando custos e acelerando a migração para a nova tecnologia. Com financiamento do BNDES, deve ser constituída uma Parceria Público-Privada (PPP), com escolha da empresa parceira através de licitação prevista para 2010. Mais de duas dezenas de representantes de empresas nacionais e estrangeiras atenderam ao chamado e pediram audiências individuais para tirar dúvidas sobre o projeto. Uma consulta pública sobre o edital será veiculada na Internet pela EBC, que já realizou uma primeira consulta, em fevereiro deste ano, sobre aspectos técnicos do projeto, elaborado pelo professor Gunnar Benedicks Junior, do Instituto Mackenzie de São Paulo, uma das maiores autoridades brasileiras em TV Digital.

A Lei de criação da EBC prevê que ela apresente as condições operacionais para a Rede Nacional de Comunicação Pública, tarefa que será cumprida com a criação da plataforma comum. Devem transmitir suas programações através desta plataforma as TVs legislativas (Câmara e Senado), do Poder Executivo (NBR), do Judiciário (TV Justiça), a TV Pública federal (TV Brasil), da própria EBC, e novas redes estatais previstas pelo decreto da TV Digital: Canal da Educação (MEC), Canal da Cultura (Minc) e Rede da Cidadania (canais que serão geridas pelo Ministério das Comunicações).

Televisões estaduais, como as educativas que hoje formam rede com a TV Brasil em sistema analógico, também poderão optar por integrar a plataforma, que numa primeira fase alcançará mais de 60% da população brasileira. Até mesmo emissoras privadas poderão, eventualmente, realizar co-location, ou seja, alugar plataformas de transmissão ao invés de montar estrutura própria. Este é o sistema que funciona no Japão, por exemplo.

No evento, a diretora-presidente da EBC, Tereza Cruvinel, fez uma exposição sobre a empresa, sua origem, sua estrutura e finalidade. O diretor de Serviços José Roberto Garcez falou das razões estratégicas do projeto e o diretor-jurídico da empresa, Luis Henrique Martins dos Anjos, dos aspectos legais e das razões de EBC e BNDES de optar pela constituição de uma Parceria Público-Privada, através de licitação, como manda a lei das PPPs. O professor Gunnar fez uma apresentação ilustrada do projeto técnico, composto por uma central de transmissão que ficará em Brasília, por retransmissoras regionais e centrais locais de retransmissão.

Programação da etapa nacional terá painéis preparatórios e 15 GT’s

[Título original: Programação e painéis da Conferência]

A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom) terá uma programação de painéis que dará subsídios aos debates dos 15 grupos de trabalho que estarão reunidos para discutir a comunicação no Brasil. A conferência está programada para o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, entre os dias 14 e 17 de dezembro.

Ao todo, serão quatro painéis no dia 15, terça-feira. Às 9h começa o painel internacional, com a presença do deputado argentino Gustavo Granero, também secretário-geral da Federação Argentina dos Trabalhadores de Imprensa, representando a sociedade civil, e do norte-americano Eli Noam, professor de finanças e economia e diretor do Instituto de Teleinformação da Universidade de Columbia, nos EUA, para representar a sociedade civil empresarial. Para Marcelo Bechara, presidente da Comissão Organizadora Nacional (CON), ambos podem contribuir para o debate brasileiro. “Convidamos os dois para que eles tragam experiências de outras realidades para o Brasil.”

Às 10h30 se iniciam os três painéis simultâneos de acordo com os eixos que norteiam a 1ª Confecom: Produção de conteúdo; Meios de distribuição; e Cidadania: direitos e deveres. Cada painel terá um representante indicado por cada segmento. “São pessoas com profundo conhecimento da comunicação”, elogia Bechara. “E o formato com mediação serve para tornar a conversa mais dinâmica e estimular a interlocução entre os painelistas”, destaca. Os painéis contarão com os seguintes participantes.

Eixo 1:
– Sociedade civil: Murilo César Ramos, professor da Universidade de Brasília
– Sociedade civil empresarial: Walter Vieira Ceneviva, vice-presidente executivo do Grupo Bandeirantes e jurista
– Poder público: Silvio Da-Rin, Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura e documentarista
Mediadora: Renata Fan, jornalista

Eixo 2:
– Sociedade civil: Celso Schröder, secretário-geral da Fenaj
– Sociedade civil empresarial: Frederico Nogueira, vice-presidente do Grupo Bandeirantes
– Poder público: Marcelo Bechara, consultor jurídico do Ministério das Comunicações
Mediador: Samuel Possebom, jornalista

Eixo 3:
– Sociedade civil: Luiza Erundina, deputada federal
– Sociedade civil empresarial: César Rômulo Silveira Neto, superintendente-executivo da Telebrasil
– Poder público: José Romão, jurista e pesquisador e ex-diretor do Dejus/Ministério da Justiça
Mediador: Lalo Leal, professor da USP

Abaixo, a programação completa da 1ª Confecom

Dia 14 de dezembro de 2009
9h – Abertura do credenciamento
17h – Plenária de votação do regimento interno da etapa nacional
19h – Abertura solene e homenagem a Daniel Herz

Dia 15 de dezembro de 2009
9h às 11h – Credenciamento de suplentes
9h – Painel internacional
10h30 – Painéis simultâneos por Eixo-Temático
12h – Intervalo para almoço
14h – Grupos de Trabalho (turno I)
19h – Jantar

Dia 16 de dezembro de 2009
9h – Grupos de Trabalho (turno II)
12h – Intervalo para almoço
14h30 – Plenária final (turno I)
19h – Jantar

Dia 17 de dezembro de 2009
9h – Plenária final (turno II)
12h – Intervalo para almoço
13h30 – Plenária final (turno III)
16h – Encerramento

Entidades da área da saúde lançam manifesto sobre a Confecom

A Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz) lançaram o "Manifesto da Saúde", documento direcionado aos delegados da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). As duas organizações apresentam o documento como "sua contribuição e seu entendimento do papel estruturante da Comunicação na organização, mobilização e criação da consciência necessária às mudanças que garantirão a construção de uma sociedade mais justa e menos desigual no país".

O manifesto foi articulado em dois eventos, um seminário realizado pelo Icict sobre a Confecom e a área da saúde, no Rio de Janeiro, e o Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, no Recife.

As duas entidades apontam uma ligação intrínseca entre os direitos à saúde e à comunicação. Diz o texto do manifesto que "o direito à saúde inclui a construção de políticas públicas que contribuam para a ampliação da consciência cidadã, que hoje se encontra sob risco pela mercantilização, de forma descontrolada e pouco responsável, dos espaços midiáticos, dominados por interesses econômicos freqüentemente dissociados do interesse público".

No documento, os pesquisadores e trabalhadores da área da saúde defendem a constituição de "mecanismos institucionalizados que promovam uma maior participação e controle social da mídia". Também afirmam a necessidade de "formulação de um sistema nacional e público de comunicação que, sem excluir o setor privado, fortaleça o caráter público desse campo".

Veja a íntegra do manifesto.

Boa parte da produção de filmes nacionais não é vista

Reproduzido da Folha de S. Paulo

 

Dos 67 filmes nacionais lançados até novembro, apenas 11 fizeram mais de 100 mil espectadores. De acordo com os dados da Ancine, 46 deles venderam menos de 50 mil ingressos.

Entre as pessoas que foram ver filmes brasileiros, 80% optaram pelas comédias "Se Eu Fosse Você 2", "A Mulher Invisível", "Os Normais 2" e "O Divã". Foram esses títulos os responsáveis pelo aumento da participação do filme brasileiro no mercado geral de cinema.

O chamado "market-share" deve chegar, neste ano, a cerca de 15,5%. É o maior índice desde 2003, quando, com o sucesso de filmes como "Carandiru", "Lisbela e o Prisioneiro", "Os Normais" e "Maria, Mãe do Filho de Deus", chegou-se a 21,4% de ocupação, a maior dos últimos 15 anos.

Todos esses filmes tiveram a participação das majors de Hollywood, que entram na produção por meio de incentivos fiscais.