Liberdade de Expressão e seus 30 novos significados

Organizado pelo Instituto Millenium realizou-se em São Paulo no dia 1º de março de 2010 o I Fórum Democracia e Liberdade de Expressão congregando a fina flor do empresariado da comunicação brasileira e acolhendo representantes de grandes grupos de mídia da América Latina, em especial da Venezuela e da Argentina, além renomados nomes do colunismo político que brilham em nossos veículos comerciais. Pretendeu ser um contraponto à I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), cuja etapa nacional ocorreu em Brasília entre os dias 14 a 17 de dezembro de 2009. A Confecom envolveu mais de 20.000 pessoas em todo o país, recepcionou 6.000 propostas originárias das etapas estaduais e aprovou 500 resoluções.

A Confecom de Brasília trouxe à discussão temas como Produção de Conteúdo, Meios de Distribuição e os Direitos e Deveres da Cidadania, o Fórum de São Paulo propunha a defesa de valores como Democracia, Economia de Mercado e o Individualismo.

Todo cidadão brasileiro era bem-vindo para participar da 1ª Confecom. Para assistir ao Fórum Millenium era indispensável o pagamento de R$ 500,00 a título de inscrição. Na Confecom as seis maiores corporações empresariais de veículos de comunicação do Brasil fizeram questão de marcar sua ausência. No Millenium as ausentes se fizeram presentes. Dentre as quais destaco: Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional dos Jornais (ANJ), entidades que envolvem a Globo, o SBT, a Record, a Folha de S. Paulo, o Estado de S. Paulo, a RBS, Instituto Liberal, Movimento Endireita Brasil (MEB), e outras empresas que decidiram boicotar a I Conferência Nacional de Comunicação, numa demonstração de forte apreço pela democracia. Se essas entidades desejaram evitar o confronto na Confecom mostraram-se pintadas para guerra no Millenium.

Cotejando os temas abordados no Millenium e, principalmente, os conferencistas que lá foram vivamente aplaudidos, posso imaginar que se pretende agregar novos significados ao verbete “liberdade de expressão”.

São eles:

1. Liberdade de expressão é interditar todo e qualquer debate democrático sobre os meios de comunicação.

2. Liberdade de expressão só pode ser invocada pelos que controlam o monopólio das comunicações no país.

3. Liberdade de expressão é bem supremo estando abaixo apenas do Deus-Mercado.

4. Liberdade de expressão é moeda de troca nas eternas rusgas entre situação e oposição.

5. Liberdade de expressão é denunciar qualquer debate sobre mecanismos para termos uma imprensa minimamente responsável.

6. Liberdade de expressão é gerar factóides, divulgar informações sabidamente falsas apenas para aproveitar o calor da luta.

7. Liberdade de expressão é deitar falação contra avanços sociais, contra mobilidade social, contra cotas para negros e índios em universidades públicas.

8. Liberdade de expressão é cartelizar a informação e divulgá-la como capítulos de uma mesma novela em variados veículos de comunicação.

9. Liberdade de expressão é não conceder o direito de resposta sem que antes o interessado passe por toda a via crucis de conseguir na justiça valer seu direito.

10. Liberdade de expressão é explorar a boa fé do povo com programas de televisão que manipulam suas emoções e suas carências oferecendo uma casa aqui outro carro ali e assim por diante.

11. Liberdade de expressão é somente aprovar comentários aptos à publicação em sítio/blog da internet se estes referendarem o pensamento do autor e proprietário do sítio/blog.

12. Liberdade de expressão é ser leviano a ponto de chamar a ditadura brasileira de ditabranda e ficar por isso mesmo.

13. Liberdade de expressão é imputar ao presidente da República comportamento imoral tendo como fundamento depoimento fragmentado da memória de um indivíduo acerca de fato relatado quase duas décadas depois.

14. Liberdade de expressão é apresentar imparcialidade jornalística do meio de comunicação mesmo quando os principais jornalistas fazem de sua coluna tribuna eminentemente partidária.

15. Liberdade de expressão é fazer estardalhaço em torno de um sequestro que não ocorreu há quase 40 anos com a clara intenção de tumultuar o processo político atual.

16. Liberdade de expressão é assacar contra a honra de pessoa pública utilizando documentos de autenticidade altamente duvidosa e depois fazer mea culpa na seção “Erramos”.

17. Liberdade de expressão é submeter decisões editoriais a decisões comerciais de empresas e emissoras de comunicação.

18. Liberdade de expressão é somente dar ampla divulgação a pesquisas de opinião em que os resultados sejam palatáveis ao veículo de comunicação.

19. Liberdade de expressão é não ter visto “Lula, o filho do Brasil” e considerá-lo péssimo produto cinematográfico sem ao menos tê-lo assistido.

20. Liberdade de expressão é minimizar o descaso do poder público ante as enchentes de São Paulo e reduzir candidato à presidência a mero poste.

21. Liberdade de expressão é ter dois pesos em política externa: Cuba é o inferno e China é o paraíso.

22. Liberdade de expressão é demonizar movimentos sociais e defender a todo custo latifúndios vastos e improdutivos.

23. Liberdade de expressão é usar uma concessão pública para aumentar os níveis de audiência com o uso perverso de crianças no papel de vilões.

24. Liberdade de expressão é desqualificar quem não aprecia a programação servida pelo Instituto Millenium.

25. Liberdade de expressão é rejeitar in totum toda e qualquer proposição da Conferência Nacional de Comunicação.

26. Liberdade de expressão é apostar em quem ofereça garantias robustas visando manter o monopólio dos atuais donos da mídia brasileira.

27. Liberdade de expressão é obstruir qualquer caminho que conduza mecanismos de democracia participativa.

28. Liberdade de expressão é fazer coro contra qualquer governo de esquerda e se omitir contra malfeitorias de qualquer governo de direita. Ou vice-versa.

29. Liberdade de expressão é fugir como o diabo foge da cruz de expressões como liberdade, democracia, cidadania, justiça social, controle social da mídia.

30. Liberdade de expressão é lutar para manter o status quo: o direito de informar é meu e ninguém tasca.

* Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil, Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.org

“PNBL é bem vindo, mas poderia não ser necessário”

[Título original: Abramulti defende desagregação de redes em todas as plataformas]

Não se sabe ao certo quantos provedores de Internet há em todo o Brasil. Um levantamento realizado pela Abramulti (Associação de Provedores de Internet e Empresas de Comunicação Multimídia do Brasil) indica que existe pelo menos um em 4,5 mil municípios brasileiros. Como são enquadrados na categoria de valor adicionado, não precisam ter licença especial para funcionar. Somente os que prestam também serviço de telecomunicações é que necessitam de outorga do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), concedida pela Anatel. Os dados oficiais, da Agência Nacional de Telecomunicações, mostram que há cerca de 1,7 mil provedores SCM no país – número que inclui grandes operadoras, universidades, grandes provedores, departamentos estaduais de trânsito e de polícia e pequenos provedores. Como há pequenos provedores atuando em mais de uma cidade, é razoável supor que o número se encontre na casa dos milhares.

O número de provedores de SCM registrado pela Anatel cresceu 48,22% em 2008 e 35,26% em 2009. Esse aumento deve-se, em parte, a um esforço conjunto das associações de provedores e da própria agência para que as empresas deixem de atuar na informalidade, explica Manoel Santana Sobrinho, dirigente da Abramulti. Para ele, a idéia de que há muitas cidades sem acesso à internet, no Brasil, não é real. "Os provedores são pequenos, operam localmente, têm poucos funcionários e dão atendimento personalizado onde atuam", justifica Santana Sobrinho.

Na visão de Santana Sobrinho, a expansão dos serviços de banda larga no país, com melhoria de qualidade e queda nos preços, ocorreria naturalmente se as regras de concorrência previstas na legislação fossem aplicadas – e permitissem a essas empresas disputar o mercado em condições menos desiguais. "Enfrentamos imensas dificuldades em contratar nosso insumo principal, o link de internet", que é fornecido pelas grandes operadoras, com quem esses provedores disputam mercado, explica.

Você pode enumerar as conquistas importantes, nos últimos anos, das entidades que representam os provedores de acesso à internet?
Na realidade foram poucas conquistas e de pouco significado. A maior delas foi sermos reconhecidos como uma força nacional que promove a inclusão digital sem qualquer tipo de ajuda, subsídio e, muito pelo contrário, enfrentando imensas dificuldades em contratar nosso insumo principal, o link de internet.
No final de 2007, os provedores de internet, apesar de reconhecidos pela Súmula 304 do STJ como não sendo prestadores de serviços de comunicação, perderam a condição de optantes pelo Simples Nacional. Conseguimos a readmissão no Congresso e incluímos as pequenas operadoras de telecomunicações enquadradas como Pequenas e Médias Empresas (PMEs) também como optantes pelo Simples Nacional a partir de janeiro de 2009.
Outra mudança importante foi a alteração da Resolução 365 (para equipamentos de radiação restrita) pela Resolução 506. Isso permitiu maior tranqüilidade para as pequenas SCMs operarem nas freqüências não licenciadas. Mas criou outros problemas que a médio prazo vão inviabilizar o uso destas freqüências. Um exemplo é a permissão, sem autorização da Anatel, para que qualquer empresa faça uso delas fora de edificações. Estas empresas e até prefeituras não têm muito conhecimento de radiofreqüência e fazem uso indiscriminado de altas potências, causando imensas interferências.
As PMEs são isentas do pagamento do Fust e Fistel. Não por determinação da Anatel, mas porque demonstramos a eles que a Lei das Micro e Pequenas Empresas prevê o não pagamento de taxas e tributos federais.

Qual a sua opinião sobre o Plano Nacional de Banda Larga?
Desde o princípio nossa opinião é de que o plano é bem-vindo, mas poderia não ser necessário se as leis e normas já previstas para estimular a competição no mercado de telecomunicações e nunca regulamentadas de forma eficiente fossem cumpridas. Alguns exemplos:
1. Regulamentação da Interconexão de dados entre todas as empresas de telecomunicações (o conteúdo em si não pertence a ninguém, ele é criado por todos os usuários da internet), monitorada pelo plano de custos cuja implantação também é prevista;
2. Regulamentação da Exploração Industrial de Linhas Dedicadas (EILD) de forma a obrigar que as detentoras das redes de longa distância atendam as demais empresas com preços justos (monitoradas pelo plano de custos);
3. Regulamentação do uso dos pares metálicos locais (a desagregação de redes, prevista, permitiria a concorrência na banda larga e na telefonia) também monitorada pelo plano de custos;
4. Implantação de outras redes concorrentes, especialmente as de TV por cabo, mantendo-se a proibição para que as detentoras das redes locais operem também esta rede, criando concorrência entre redes. (Não há leilões de TV a cabo desde 2001);
5. Leilões das frequências com maior capacidade de banda por municípios, para permitir a desconcentração dos serviços móveis nas mãos de apenas três empresas;
Tudo isso está previsto na Lei Geral de Telecomunicações e nos primeiros regulamentos (inclusive regulamentos e contratos do STFC).

Vocês operam para ter lucro, ou seja, realizam atividades empresariais. Acha correto afirmar que fazem inclusão digital?
Tudo que é artificial de alguma forma será burlado, pois ninguém se expõe ao risco empresarial à toa. Caso contrário, aplicaria seu dinheiro em ações especulativas ou outras atividades com menor risco. No entanto, empresas menores que atuam localmente tendem a ter um comportamento menos capitalista, pelo fato de lidarem diariamente com os seus clientes no dia-a-dia. O que realmente regula o mercado é oferecer condições para a competição, este sim o fator preponderante para diminuição de preços e melhoria dos serviços e do atendimento.

Por que vocês criaram a Unotel, que funciona como cooperativa que oferece capacidade de transmissão a provedores internet de todo o país?
As poucas concessionárias locais querem dominar o mercado. Se elas tiverem a posse de todos os tipos de rede esta dominação estará completa e serão instaurados monopólios regionais ou os duopólios costurados entre elas. Atualmente, elas detêm as redes do STFC, de celulares, de DTH (TV por assinatura via satélite) e de TV a por assinatura (Cabo e MMDS) em algumas localidades, além de serem detentoras de quase 100% das freqüências de rádio disponíveis.
Se houver novos leilões de TV a cabo e as operadoras passarem realmente a deter as redes a cabo em todas as localidades, será apenas uma questão de tempo para que esmaguem quaisquer outras concorrentes, mesmo de grande porte, pois as outras ainda dependerão delas nas interconexões de telefonia, de celulares e de dados.
A rede da Unotel é apenas uma rede de longa distância, as redes de última milha estão caminhando para serem todas delas. E pequenas empresas como as nossas ainda não tem sequer uma freqüência licenciada para operar.

Há quem diga que é um exagero a afirmação de que há pequenos provedores em 4,5 mil municípios do país. Além do levantamento de vocês, há outro indicador de que esse número é plausível?
Costumo dizer apenas o seguinte: coloque os nomes de todas as cidades brasileiras em um jarro e retire 100 nomes de cidades. Se em pelo menos 80 dessas 100 cidades eu não puder lhe apontar quem é o provedor local, lhe pago um almoço. Brincadeiras à parte, não existe este indicador oficial e nem o interesse da Anatel de obtê-lo. Mas temos hoje 1,7 mil autorizações SCM das quais mais de 1,5 mil são MPEs que trabalham, como nossas empresas. Se cada uma delas operar em pelo menos três cidades não coincidentes já teremos as 4,5 mil cidades. Temos ainda mais de 1,8 mil provedores de banda larga não legalizados conhecidos, sendo que a maioria deles opera em cidades tão pequenas que obter a licença SCM se torna impossível.

Você afirma que “a expansão dos serviços de banda larga, com melhoria de qualidade e queda nos preços ocorreria naturalmente e sem distorções se as regras de concorrência previstas na legislação fossem aplicadas". O que quer dizer com isso?
Veja bem: um plano de custos dos serviços das concessionárias – previsto – permitiria saber os custos reais de venda de todos os serviços previstos para serem vendidos às demais operadoras, inclusive seria comprovado que o custo das redes de acesso de telefonia para uso da freqüência alta para banda larga (com a contratação ou não do telefone) é zero. Zero porque o custo de manutenção e expansão da rede de telefonia é o motivo de se cobrar assinatura de telefone no Brasil, pois esta assinatura prevê, entre outras despesas, exatamente a manutenção e expansão da rede de telefonia.
De posse do plano de custos dos serviços poderia ser regulamentada em bases reais a EILD (Exploração Industrial de Linhas dedicadas), a desagregação de redes, a interconexão de dados e telefonia (inclusive a celular). Na EILD, as linhas poderiam ser contratadas para o transporte telecom de longas, médias e curtas distâncias, melhorando a interligação de todas as empresas das redes locais até os pontos de troca de tráfego mais próximos. As concessionárias (aqui se encaixa também a Embratel, além de Telefônica e Oi) não deixariam de ganhar dinheiro com isto, apenas teriam que se esforçar mais na concorrência nos mercados locais.
A desagregação de redes, tanto a revenda de serviços (para as empresas ainda menores) quanto o line sharing (para empresas que empregam equipamentos próprios usando a freqüência alta para prestar banda larga), quanto o full unbundling – tudo isto deveria se aplicar a todos os tipos de redes: celular, TV a cabo, MMDS, telefonia fixa, WiMax, quarta geração do celular (LTE) etc. Todos ganhariam com isso, principalmente os usuários, e não se poderia questionar o equilíbrio econômico financeiro das concessionárias, porque quando compraram suas concessões essas regras já eram previstas. A interconexão de dados até hoje não existe. Ou se compra a banda das concessionárias e se “doa” o próprio tráfego a elas ou não entra no mercado.
Não devemos esquecer que tanto as redes que as concessionárias herdaram quanto as novas que construíram pertencem à União e que seu uso foi condicionado na concessão e nos contratos de modo a se evitar a duplicação de redes, porque isso aumenta os custos para os usuários. Implantar a desagregação de redes e o compartilhamento de infraestrutura estava previsto e seria uma obrigação legal, tanto da Anatel quanto das concessionárias.
A Anatel deveria fiscalizar também se as concessionárias estão ampliando suas redes em nome de outras operadoras do seu grupo que não têm obrigações de reversibilidade, ficando proprietárias destas redes ao final da concessão.

Mídia mostra visão masculina do mundo

Em comparação aos homens, mulheres continuam sub-representadas na cobertura de notícias. Dos atores sociais entrevistados pela mídia, que aparecem na TV, que se manifestam no rádio ou nos jornais, 24% são mulheres e apenas 16% das notícias estão focadas especificamente em mulheres.

Os dados, ainda preliminares, são do Projeto de Monitoramento Global da Mídia 2010, e foram apresentados, ontem, em painel de debate na 54ª. Sessão da Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto da Mulher, em Nova Iorque. O Monitoramento é um programa da Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC, a sigla em inglês) e foi realizado no dia 10 de novembro do ano passado.

Nesse dia, voluntários e voluntárias – comunicadores/as, jornalistas, estudantes, mestres, ativistas dos movimentos sociais – acompanharam, nas 24 horas, a emissão de notícias por emissoras de rádio, de televisão, de jornais, em 130 países. Os dados ontem divulgados foram construídos sob uma mostra de 42 países da África, Ásia, América Latina, Caribe, Ilhas do Pacífico e Europa, e representam 6.902 notícias, nas quais apareceram 14.044 entrevistados e entrevistadas.

Quase a metade das notícias – 48% – reforçam os estereótipos de gênero e apenas 8% os questionam, constatou o Monitoramento. Matérias realizadas por repórteres mulheres dão mais espaço a mulheres nas entrevistas, em comparação a matérias de repórteres homens.

“Parece que os meios de comunicação servem aos interesses masculinos. A atenção às mulheres é insignificante, mesmo quando a população feminina é superior ao de homens num país”, avaliou o secretário da Central União Africana de Jornalistas, Edouard Adzotsa, de Brazzaville, Congo.

O Projeto de Monitoramento da Mídia é coordenado pela WACC, que tem sede em Toronto, no Canadá, e conta com a colaboração para a tarefa das organizações Media Monitoring África, da África do Sul, e da Gender Link, respaldada, financeiramente, pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem). O relatório final será divulgado em setembro.

Técnicos discutem financiamento ao plano de banda larga

Reproduzido do Tele.Síntese

A modelagem de financiamento foi o principal tema da reunião técnica sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), realizada hoje [4] na Casa Civil. O impacto dos custos e a definição de possíveis linhas de créditos do BNDES para financiar o projeto foram debatidos, mas não houve conclusão.

Segundo uma fonte do governo, a equipe do BNDES ficou de levar propostas de financiamento para a próxima reunião técnica, que será realizada ainda este mês. A data do lançamento do plano, ainda segundo a fonte, ainda não foi definida, mas deve ser no início do mês de abril.

De acordo com informações preliminares, o PNBL deve custar R$ 15 bilhões, incluindo a ativação das fibras apagadas das estatais (a parte eletrônica), a construção do backhaul com enlaces de rádio para chegar a 4.278 sedes de municípios e o acesso dentro das cidades. Os recursos ainda serão suficientes para fazer a parte do acesso nessas cidades e até a oferta direta do serviço.

Participaram da reunião de hoje apenas as equipes técnicas dos 11 ministérios envolvidos no PNBL e do BNDES. (Lúcia Berbert)

Idec apresenta à Anatel plano para incluir sociedade na regulação

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) apresentou projeto à Anatel para o fortalecimento da participação social no processo regulatório. A entidade defende uma maior transparência das ações da agência por meio, entre outras formas, da criação de uma agenda regulatória e da criação de um fundo para suportar as ações de participação social. Os recursos seriam usados na contratação de apoio técnico de especialistas para prestar assessoria qualificada às entidades de defesa do consumidor em processos regulatórios.

Essa medida está prevista no projeto de lei das agências reguladoras, em tramitação na Câmara, e é criticada por todas elas, inclusive a Anatel. O fundo, denominado Fundo Federal de Fomento à Participação Social no Processo Regulatório (FFPR), seria composto por um percentual do valor arrecadado com multas aplicadas pelos órgãos de defesa do consumidor, receita orçamentária dos órgãos e das entidades reguladoras, além de doações.

Os recursos obtidos seriam geridos por um representante (presidente) do órgão federal de defesa do consumidor; três representantes das entidades reguladoras; um representante do Ministério Público Federal; um representante do Ministério da Fazenda; e três representantes de entidades de defesa do consumidor, constituídas há pelo menos um ano.

O fundo seria usado também no apoio institucional para capacitação nos temas que compõem a Agenda Regulatória, outra proposta do Idec para promover a previsibilidade e a transparência da atuação regulatória e possibilitar a participação da sociedade civil na definição das prioridades institucionais. A agenda seria um documento público, anual, que indicaria os temas a serem regulados no período. Também contaria com um cronograma de atividades e teria acompanhamento semestral de atualização das ações.

Além disso, a proposta do Idec prevê o aprimoramento das audiências e consultas públicas, com a divulgação de textos de fácil entendimento e disponibilização, no site da agência, pelo prazo mínimo de um ano, dos estudos, dados e materiais técnicos que fundamentam as propostas de regulamento.

A proposta do Idec foi apresentada à Anatel na semana passada e será discutida internamente antes de uma decisão. A aproximação da Anatel com os consumidores é uma das ações de curto prazo previstas no PGR (Plano Geral de Atualização da Regulamentação das Telecomunicações).