“Conselho Curador da EBC faz parte da construção do sistema público”

Ao assumir em outubro a presidência do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação, Ima Célia Vieira passou a ser, além de referência sobre a conservação da Amazônia, também figura bastante solicitada no debate sobre a constituição de um sistema público de comunicação. Herdada do economista Luís Gonzaga Belluzzo, que abriu mão de ser conselheiro da EBC, a missão de estar a frente do CC em 2010 não será tranquila: de cara, Ima tem de responder pela primeira consulta pública para a renovação do órgão.

A consulta abre a possibilidade de participação de organizações da sociedade civil. As indicações podem ser feitas até 9 de abril (saiba mais). Mas o modelo, definido pelos próprios conselheiros, cria dois filtros para a escolha de quem ocupará as três vagas abertas. O primeiro é o próprio CC, que estipulará uma lista tríplice para cada uma das vagas. O segundo, o presidente da República, que indicará os novos membros a partir da lista tríplice.

Nesta entrevista, concedida por e-mail, Ima responde às críticas feitas ao modelo da consulta. Segundo ela, a idéia dos conselheiros foi garantir que sejam mantidos os critérios – participação regional, pluralidade e diversidade de experiências e competências – que balizaram a constituição da atual gestão, indicada diretamente pelo presidente da República. Ima acredita que a resposta da sociedade à consulta será positiva.

A presidente também fala dos planos para dar mais transparência e aumentar a possibilidade de participação da sociedade junto ao Conselho Curador. As iniciativas descritas permitem reconhecer alguma disposição da presidente e dos conselheiros em transformar o CC num órgão efetivamente de contato entre a sociedade e a EBC.

Na entrevista, Ima reforça a idéia de que o “Conselho Curador faz parte da construção de um sistema público de comunicação”. Dependendo dos desdobramentos destas iniciativas e dos resultados desta primeira consulta pública, sua gestão à frente do CC pode se tornar uma primeira referência neste sentido.

O Conselho Curador da EBC receberá, este ano, três novos membros que serão escolhidos a partir de indicações de entidades da sociedade civil. Esta consulta pública foi prevista na lei que criou a empresa de forma a responder a preocupações em torno da ingerência do governo sobre a EBC, uma vez que esta primeira gestão do Conselho foi inteiramente indicada pelo presidente da República. O formato definido para a consulta, entretanto, segue prevendo a participação do presidente nesta escolha, além de colocar o próprio CC como filtro inicial dos nomes que formarão as listas tríplices. Isso não abre espaço para críticas em relação à falta de independência do conselho em relação ao governo? Como os conselheiros justificam este modelo?
Em primeiro lugar, não há como o presidente da República não ser o responsável último pela nomeação dos conselheiros, pois é ele quem formalmente designa os seus membros. O que pode ser discutido é se ele deveria ou não receber uma lista tríplice do Conselho Curador, como ocorre em diversos outros órgãos e instituições públicas, como por exemplo, nas universidades. A outra questão se refere à participação do Conselho na formulação da lista que será entregue ao presidente da República. Optou-se por uma fórmula que acreditamos ser a melhor nesse momento, para que os princípios que norteiam o CC sejam garantidos: a participação regional, pluralidade e diversidade e diferentes experiências e competências. Contudo, é um modelo que pode ser alterado nas próximas consultas, a partir de uma avaliação de como as coisas aconteçam neste primeiro processo. Estamos passando por um momento de construção da EBC e o Conselho Curador também faz parte desse processo. Portanto, há abertura para que o método seja aperfeiçoado. O importante é que possamos manter a representação da sociedade civil na gestão da EBC, por meio do Conselho Curador, e criar canais adicionais de diálogo com a sociedade.

Os mandatos de 8 conselheiros se encerraram em dezembro e, por indicação da assessoria jurídica da Secretaria de Comunicação Social, aqueles que desejaram renovar sua participação no CC – caso de 5 destes conselheiros – por mais 4 anos foram automaticamente reconduzidos. Considerando que o espírito do processo de renovação previsto na lei era o de dar espaço à participação da sociedade na escolha dos conselheiros da EBC, o CC pensa em colocar, de alguma forma, estas renovações sob algum tipo de avaliação pública?
Os mandatos não foram automaticamente renovados. É fato que os conselheiros foram consultados para ver se desejavam permanecer no Conselho, mas quem os reconduziu foi o presidente da República. Isso não tira o mérito do debate sobre a recondução desses conselheiros sem que estas vagas entrem em consulta pública, mas houve a compreensão jurídica de que estes mandatos poderiam ser renovados diretamente. Diante desta possibilidade, a única coisa que o Conselho fez foi manifestar o apoio à recondução dos cinco conselheiros, até porque alguns deles haviam assumido vagas abertas por outros e tiveram pouco tempo para contribuir com o órgão, como é o caso dos conselheiros Murilo Ramos, Daniel Aarão Reis e João Jorge Rodrigues. Mas reitero que, embora o modelo ainda não possa ser considerado perfeito, a minha expectativa é de uma grande participação da sociedade civil neste processo de renovação do CC. A consulta foi incluída na Lei 11.652 por reivindicação das organizações que historicamente atuam nesse campo e, por isso, acredito e espero que a participação seja significativa, não só dessas organizações, mas de entidades de diversos campos da sociedade civil. As conferências de comunicação e de cultura mostraram que temos um leque amplo de entidades que tem alguma interface com o tema da comunicação pública. Pessoalmente, acredito que uma alta participação é importante, até para que possamos avançar em fórmulas e processos que melhor atendam ao imperativo de construção de um vínculo efetivo entre a EBC e a sociedade.

Ainda sobre a “prestação de contas” do trabalho dos conselheiros, a divulgação das atas das reuniões é, a partir deste ano, uma política do CC? Como será feita esta divulgação e que tipos de mecanismos estão sendo pensados para aumentar a interação entre a sociedade e os conselheiros?
O Conselho Curador também vem passando por aperfeiçoamentos. Num primeiro momento, não tínhamos estabelecido a secretaria-executiva, nossas reuniões eram esporádicas e tínhamos muita dificuldade em conciliar as agendas dos conselheiros, todos muito ocupados. Parte das críticas se referiam a questões como a publicação das atas e a divulgação prévia das pautas. São críticas pertinentes, tanto que as atas já estão sendo publicadas e daremos também uma maior transparência às reuniões, com a divulgação das pautas previamente. Já temos inclusive uma agenda de reuniões para todo este ano, o que vai ajudar a incentivar o acompanhamento dos encontros. Iremos também realizar duas audiências públicas em 2010. A primeira já está marcada: será em junho, no Rio de Janeiro. Para além disso, há outros planos em andamento. Estamos estudando a possibilidade de realizar a transmissão das reuniões pela internet, embora este ponto seja mais polêmico. E estamos trabalhando para termos, nos próximos meses, um site bem mais interativo do que o que temos hoje e também para que as câmaras temáticas promovam consultas públicas e eventos presenciais periódicos para que a sociedade participe da avaliação dos conteúdos e da formulação de diretrizes para a empresa. Mas reconheço que ainda podemos e devemos avançar na direção de uma maior interação com a sociedade. Essas questões fazem parte da construção do sistema público, da qual, repito, o Conselho Curador faz parte.

Ao longo desta primeira gestão, o Conselho respondeu prioritariamente às demandas em torno da TV Brasil. Há um plano para que o CC possa ser mais atuante em relação aos demais veículos da EBC? A idéia de estudos setoriais ou temáticos será levada adiante? E em que medida estes estudos poderão refletir também em sugestões sobre a gestão da empresa?
Estamos avançando nessa direção, implementando uma dinâmica que realmente faça do Conselho um órgão definidor da agenda e da linha editorial de toda a empresa. Nossas reuniões estão sendo mensais e estamos trabalhando para colocar seis câmaras temáticas internas em funcionamento, de forma que estes grupos acompanhem mais de perto o conteúdo produzido e difundido pelos veículos da EBC e subsidiem o Conselho na tomada de decisões. Os membros do CC estão efetivamente propondo medidas que julguem necessárias ao aprimoramento da programação da TV. Na primeira reunião deste ano, por exemplo, aprovamos o Plano de Trabalho para todos os veículos da EBC, o que é algo significativo e está inclusive previsto na lei que criou a empresa. Há também uma mobilização interna para que as emissoras de rádio e a Agência Brasil também sejam objetos de maior atenção do Conselho. Em abril ou maio, devemos discutir os planos de cobertura para as Eleições 2010, o que é bastante importante. Reconheço, contudo, que ainda temos muito a avançar nesse sentido e estamos muito empenhados em fazer o que de melhor pudermos para exercer o nosso papel de controle social da empresa.

A sociedade conta com duas instâncias de participação na EBC: CC e Ouvidoria. Como tem sido a interação entre as duas?
Até agora, era uma relação realmente pouco efetiva, apesar de o ouvidor participar das reuniões do Conselho e dos conselheiros receberem todos os relatórios da Ouvidoria. A partir da reunião de março – que acabamos de realizar – passamos a iniciar as reuniões com o que chamamos de “15 minutos com o ouvidor”, quando ele faz uma breve exposição das demandas recebidas, apontando os pontos críticos para que o CC procure as soluções no que lhe diz respeito. Essa primeira exposição, por exemplo, já desencadeou um debate intenso sobre o conteúdo religioso na TV Brasil e nas rádios da EBC. Esse é um tema delicado que vai requer atenção especial da Câmara de Direitos Humanos e Cidadania. Estamos abertos a sugestões.

O Conselho aprovou, recentemente, o plano de trabalho da EBC para 2010. Há alguma proposta dos conselheiros para se fazer o acompanhamento da implementação deste plano?
Há sim. Vamos solicitar que a Diretoria Executiva faça uma exposição sobre o andamento do plano no início do segundo semestre, para que o Conselho acompanhe a execução das ações aprovadas e possa sugerir ou indicar correções de rota. As câmaras temáticas, a essa altura, já terão analisado a grade de programação da TV e das rádios e espero que isso leve, até o final do ano, a um aperfeiçoamento no acompanhamento da programação. Ao final de cada ano, a Diretoria Executiva da EBC nos apresenta um relatório e a partir dele avaliamos se as resoluções do CC são cumpridas. Fiquem certos que estamos muito atentos para que o CC funcione bem e que cumpra o seu papel.

Faturamento de empresas de mídia com publicidade cresceu 4% em 2009

[Título original: Mídia brasileira cresce 4% em 2009]

O faturamento da mídia brasileira com publicidade cresceu 4% (nominais) no ano passado, totalizando R$ 22,273 bilhões, segundo os números consolidados do Projeto Inter-Meios relativos ao ano de 2009. Descontada a inflação medida pelo IGP-M, o crescimento é de 2,2%.

Os destaques ficam por conta da TV aberta, que ampliou sua participação no total dos investimentos publicitários (chegando a 60,9% de share), e da internet, que registrou índice de crescimento de 25,2%.

No caso da TV aberta, que responde pela maior fatia do bolo publicitário, o faturamento entre janeiro e dezembro do ano passado foi de R$ 13,569 bilhões, valor 7,6% maior que o do mesmo período do ano anterior.

Já a TV por assinatura não conseguiu um resultado tão bom: as verbas publicitárias aplicadas no meio foram 2,5% maiores que em 2008, chegando a R$ 823 milhões, o que garantiu a manutenção de seu share em 3,7%.

Num ano muito bom para o rádio, o meio registrou crescimento de 9,4%, o que em valores absolutos significa um faturamento de R$ 987 milhões e um ligeiro incremento em sua participação no total, passando para 4,4%.

A internet faturou quase a mesma coisa que o rádio (R$ 950 milhões), mas seu índice de crescimento foi o maior entre todos os meios e sua participação encosta na do rádio (4,3%).

A mídia exterior também se saiu bem: como um todo cresceu 12,3%, tendo faturado R$ 659 milhões e aumentado seu share para 3%.

O ano foi ruim para a mídia impressa: os jornais tiveram queda de 8,1% no faturamento publicitário (R$ 3,135 bilhões); nas revistas, o recuo foi de 6,2% (R$ 1,712 bilhão); e no segmento de guias e listas, de 19,7% (R$ 356 milhões). Neste último caso, as empresas apontam migração de verbas das listas impressas para as online.

Com esses resultados, o meio jornal, ao final de 2009, registrava share de 14,1%; revista, 7,7%; e guias e listas, 1,6%. Da mesma forma, o meio cinema faturou 7,6% menos com publicidade (R$ 82 milhões).

O resultado completo pode ser conferido no site do Projeto Inter-Meios.

TV Digital ganha campanha explicativa para o público

Começa a ser veiculada na sexta-feira 26, a nova campanha do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD). O objetivo é reforçar para os consumidores a gratuidade da recepção e esclarecer os funcionamentos e benefícios do sistema de TV digital quanto à qualidade de imagem e som das transmissões em relação ao sinal analógico.

Sob o conceito "Sinal da Tv Digital: é pra você, é de graça, é bom de ver", a campanha é composta por três filmes de 30", que explicarão a mobilidade do sistema e a como sintonizar o sinal digital a partir dos conversores avulsos e integrados.

Um quarto filme, voltado exclusivamente para destacar a interatividade do sistema, irá ao ar em meados de abril. Serão seis exibições por dia nos canais abertos, que cederam espaços de sua programação sem custos para o Fórum.

"O boom do mercado inglês de TV digital começou depois que começaram a bater na tecla da gratuidade. Trouxemos isso para a nossa experiência", afirma Frederico Nogueira, presidente do Fórum SBTVD.

Assinada pela Light Comunicação e produzida pela Telefim Produções, esta é a terceira campanha do Fórum desde a sua fundação, em novembro de 2006. Os investimentos na ação correspondem a 30% do budget anual do Fórum. Segundo Nogueira, o orçamento reduzido é um dos motivos pelo qual a organização não realiza campanhas com uma maior constância.

Hoje, 28 cidades brasileiras têm acesso ao sinal de TV digital: São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Campinas (SP), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Vitória (ES), Uberlândia (MG), São José do Rio Preto (SP), Teresina (PI), Santos (SP), Aracaju (SE), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Fortaleza (CE), Recife (PE), João Pessoa (PB), Sorocaba (SP), Manaus (AM), Belém (PA), Ribeirão Preto (SP), Joinville (SC), Londrina (PR) e Natal (RN).

Internacionalização do sistema nipo-brasileiro

O presidente do Fórum anunciou também que mais três países sul-americanos estão prestes a aderir ao sistema de transmissão Nipo-Brasileiro, batizado internacionalmente de ISDB-T. "Estamos negociando um acordo com Bolívia, Equador e Uruguai. Já estão sendo trocados documentos diplomáticos sobre a intenção", informou Nogueira.

Antes, Peru, Chile, Argentina e, mais recentemente, a Venezuela já haviam aderido ao sistema. Os próximos alvos de negociação serão os países da América Central e da África.

MPF cobra explicações da Globo por declaração de BBB sobre Aids

O Ministério Público Federal em São Paulo ajuizou nesta quarta-feira (24/3) uma ação para que a Rede Globo explique, durante o reality show Big Brother Brasil 10, as formas de contágio do vírus HIV. O pedido acontece depois de Marcelo Dourado, participante do programa, ter dito que relações heterossexuais não transmitem Aids.

Segundo o MPF, a afirmação foi exibida no dia 9 de fevereiro. Em conversa com outros moradores da casa do BBB 10, Dourado disse que um homem portador do vírus da Aids “em algum momento teve relação com outro homem”. Dourado disse ainda que “hetero não pega Aids”, que obteve a informação com médicos, e concluiu: “Um homem transmite para outro homem, mas uma mulher não passa para o homem”.

Após o trecho ir ao ar, com sete dias de atraso, o apresentador Pedro Bial disse apenas que “as opiniões e batatadas emitidas pelos participantes deste programa são de responsabilidade exclusiva dos participantes deste programa. Para ter acesso a informações corretas sobre como é transmitido o vírus HIV, acesse o site do Ministério da Saúde”.

Para o procurador autor da ação, Jefferson Aparecido Dias, a Globo deixou de fornecer informações corretas sobre as formas de transmissão do vírus HIV e prestou um desserviço para a prevenção da Aids no Brasil.

“Veicular uma afirmação completamente equivocada acerca das formas de contrair ou transmitir o vírus HIV, em um dos programas de maior audiência de sua grade televisiva, a TV Globo deixou de atender aos princípios da legalidade e moralidade”, diz o procurador.

O MPF já havia aberto um inquérito para investigar o caso, e recebeu como resposta da Globo que o BBB não tem roteiro e que as manifestações de seus participantes são espontâneas. Ainda segundo a emissora, qualquer posicionamento preconceituoso não reflete o posicionamento da TV Globo.

No entanto, para o procurador, a lesão social causada pela declaração de Dourado no programa é evidente, diante o poder de persuasão e de formação de opinião da TV no Brasil. “Num país em que a Aids cresce entre mulheres casadas e idosos, a declaração de Dourado, exibida pela Globo, é ainda mais perigosa e é preciso a intervenção do MPF”, afirmou Dias.

Segundo a ação, a Constituição Federal garante a liberdade de expressão, mas os autores e divulgadores de opinião estão sujeitos a serem chamados a responsabilidade quando suas opiniões ferirem direitos e reputação de outras pessoas e a saúde pública.

Para Dias, a Globo não esclareceu para os telespectadores que as declarações de Dourado eram absurdas.

O Regulamento dos Serviços de Radiodifusão obriga as concessionárias a subordinar os programas de informação, divertimento, propaganda e publicidade às finalidades educativas e culturais inerentes à radiodifusão.

Presidentes das operadoras apresentam balanço de conexão das escolas a ministros

Os presidentes das concessionárias de telefonia fixa se reúnem nesta quarta-feira com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Fernando Haddad (Educação), Paulo Bernardo (Planejamento) e Hélio Costa (Comunicações) para um balanço do Programa Banda Larga nas Escolas. A expectativa é de que nessa reunião sejam lançadas as bases para discussão da ampliação do programa para as escolas rurais, além de ser mais uma oportunidade para a iniciativa privada discutir apoio ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que será lançado em abril pelo governo.

Hoje, os diretores de regulação das prestadoras de reuniram com a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, e técnicos dos ministérios e da Anatel para acertar os números que serão apresentados amanhã aos ministros. Segundo um técnico das empresas, as metas de atender 80% das escolas até dezembro de 2009 foram cumpridas. “A discussão agora é sobre a próxima etapa”, disse.

Desde que foi lançado, em abril de 2008, o Programa Banda Larga nas Escolas já conectou 43.192 escolas públicas urbanas em todo o país à internet de alta velocidade. Isso representa 66,57% de todas as 64.879 instituições abrangidas pelo projeto. De acordo com o balanço divulgado pela Anatel no início deste ano, 25.331 instituições de ensino foram conectadas em 2009. Em 2008, foram 17.861 escolas. Até o final deste ano, todas as escolas públicas urbanas estarão conectadas, beneficiando cerca de 37 milhões de estudantes.

Em muitas das escolas já conectadas, a velocidade de 1Mbps já foi aumentada para 2Mbps e, em algumas, para 4 Mbps, a depender do que a operadora está oferecendo de velocidade à população nas proximidades da escola. Até o final deste ano, porém, todas as escolas terão que estar conectadas a uma velocidade de 2Mbps. O programa resultado das negociações para a troca dos PSTs (Postos de Serviços de Telecomunicações) por backhaul, promovida pelo governo com as operadoras em abril de 2008, alterando as metas do Plano Geral de Metas de Universalização.

Para o programa de banda larga para escolas rurais, disse a fonte, ainda faltam definições importantes, como a radiofrequência a ser usada e os recursos. Ela defende que esse programa seja um subproduto do PNBL. De acordo com seus cálculos, a conexão de cada uma das 80 mil escolas rurais custará três a quatro vezes mais do valor gasto para conectar cada uma das escolas urbanas. Isto porque, a maioria das escolas rurais está instalada longe das redes físicas.