DTH puxa crescimento e TV paga chega a 7,725 milhões de assinantes, diz Anatel

Reproduzido do Pay-TV News

O crescimento do setor de TV por assinatura segue em ritmo aqucido em 2009. Os dados mais recentes da Anatel referentes ao mês de fevereiro mostram uma expansão de 101,8 mil assinantes no mercado, que chegou a 7,725 milhões de clientes, segundo a agência. Isso significa uma expansão de 1,34% em relação a janeiro. É o crescimento mais intenso em fevereiro já registrado pela Anatel.

O serviço de DTH segue ganhando market share e puxando o crescimento da indústria. Em fevereiro, a TV pos assinatura via satélite ampliou 2,6% a sua base, chegando a 2,918 milhões de clientes e 37,9% de market share.

A TV a cabo se expandiu 0,7% no mês, chegando ao final de fevereiro a 4,431 milhões de clientes e 57,5% de market share. Já o MMDS segue perdendo base. O total de assinantes caiu 0,9% e chegou a 350 mil clientes, com 4,6% de market share. (Da Redação)

MPF-DF já está investigando a Anatel por falta de transparência

A preocupação com a falta de transparência da Anatel não é só da conselheira Emília Ribeiro, que apresentou proposta de alteração do regimento interno da agência, propondo, entre outras coisas, que as reuniões do Conselho Diretor sejam públicas. O Ministério Público Federal do DF abriu processo preparatório para apurar eventual violação ao princípio constitucional da publicidade dos fatos da administração pública.

O procurador da República Marcus Marcelus Goulart enviou ofício à Anatel na última quinta-feira (18), solicitando informações sobre como a agência tem dado publicidade aos procedimentos para apuração dos descumprimentos de obrigações (Pados), bem como às sessões e votos do Conselho Diretor. O prazo para encaminhamento das informações é de 20 dias.

Para o procurador Marcus Goulart, a notícia sobre a proposta de reformulação do regimento interno pode indicar o interesse da Anatel em modificar sua atitude em relação à publicidade dos seus atos. “Vou acompanhar esse processo para ver se o interesse público é contemplado”, disse.

Caso não mude seus procedimentos, o MPF-DF pode instaurar um inquérito público civil e estudar medidas judiciais para o enquadramento da agência. “A agência tem que prestar contas dos seus atos para a sociedade e para os órgãos de controle”, defende o procurador.

Oi teme excesso de competição com MVNOs; Claro, Net e Vivo querem liberação a coligadas

Terminou com 364 contribuições nessa segunda-feira, 22, a consulta pública da Anatel sobre a proposta de regulamentação dos operadores virtuais de telefonia móvel, os MVNOs (Mobile Virtual Network Operators). E, mesmo com inúmeros elogios dos participantes à iniciativa da Anatel de regular o serviço no Brasil, as dúvidas e receios sobre as regras propostas ainda são o grande destaque na discussão do tema. Empresas de telecomunicações móveis e fixas apresentaram diversas considerações sobre o tema e, mesmo tendo opiniões destoantes, especialmente com relação ao grau de maturidade do mercado de telefonia móvel, concordam que ainda há espaço para correções na proposta da Anatel.

Uma das empresas mais relutantes com relação à implantação dos MVNOs é a Oi. A empresa já havia se manifestado nas audiências públicas mostrando preocupação com a iniciativa que visa aumentar a competição na oferta de telefonia móvel no Brasil. Para a Oi, o mercado de telefonia celular ainda não está maduro e a rentabilidade das operadoras é muito baixa em comparação com outros países. A LCA Consultores, contratada pela Oi para analisar a proposta, corroborou a teoria da empresa.

A Vivo, no entanto, fez ressalvas à proposta da Anatel pela via contrária. Para os representantes da empresa, o mercado brasileiro encaminha-se para o amadurecimento e a alta competitividade visualizada nesse segmento das telecomunicações é prova disso. Assim, a operadora critica algumas barreiras impostas pela Anatel ao credenciamento das MVNOs, como o impedimento de que empresas coligadas, controladas ou controladoras das teles móveis em funcionamento no Brasil possam ser operadoras virtuais. É a mesma posição da Telefônica, acionista da Vivo.

A Net também mostrou-se contra a restrição às coligadas de empresas de telefonia móvel entrarem no mercado como MVNO. A Claro, assim como representantes de interessados na atuação como operadores virtuais, sugeriram à Anatel a retirada da barreira que determina que as MVNOs credenciadas só podem contratar uma única prestadora de rede em sua área de atuação. Net e Claro têm como acionista em comum o empresário mexicano Carlos Slim.

Sem discriminar

A Telcomp também aproveitou a consulta pública para reforçar solicitações já adiantadas por este noticiário e apresentadas nas audiências de esclarecimento realizadas pela Anatel no início deste mês. Um dos principais pedidos da associação é que a agência reguladora inclua na regulamentação dispositivos que assegurem a oferta não-discriminatória de acesso às redes das empresas de telefonia móvel. O mesmo pedido foi feito por empresas de telefonia fixa, como a GVT.

Ajuste ao CDC

Órgãos de defesa do consumidor, como Pro Teste e Procon-SP, reiteraram a necessidade de que o regulamento seja adequado ao Código de Defesa do Consumidor (CDC). Para essas entidades, alguns direitos dos usuários ainda não estão claramente assegurados na proposta da Anatel.

Tributos, interconexão, exclusividade e concorrência são destaques da análise da SEAE sobre MVNO

Uma das análises mais aprofundadas sobre a proposta de regulamento de operadoras virtuais da Anatel, cuja consulta terminou esta semana e teve 364 contribuições, foi feita pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) do Ministério da Fazenda. A Seae, que tem participado ativamente das últimas consultas da Anatel, elogiou a iniciativa de regular a entrada das MVNOs, mas listou diversos pontos críticos na proposta.

Para a secretaria, a norma tem "potencial de desestabilizar o ambiente competitivo" em ao menos três hipóteses simuladas: caso a agência limite o número ou variedade de ofertantes; caso haja limite à concorrência entre as empresas; e caso exista redução dos incentivos dos ofertantes em competir de maneira mais vigorosa. É nesse último cenário onde aparecem mais argumentos contrários à proposta como ela está apresentada.

A Seae alertou que se deve evitar a adoção de regimes de auto-regulamentação ou de co-regulamentação. Essa ressalva, em princípio, confronta-se com uma das sugestões apresentadas pela TIM nas audiências públicas e reforçada na consulta. A operadora propõe a criação de um "fórum técnico-operacional" onde subentende-se que participariam operadoras de telecomunicações e MVNOs para troca de experiências e adaptação conjunta às regras do novo mercado. A análise da SEAE, no entanto, não ataca exemplos específicos, como a sugestão da TIM.

A secretaria diz que a decisão de permitir que a operadora virtual contrate rede com apenas uma prestadora "tolhe desnecessariamente a capacidade da MVNO conseguir melhores condições negociais". Por não ser um serviço de telecomunicações, mas sim de valor adicionado (SVA), a SEAE recomenda também que o credenciamento seja feito após a negociação com a prestadora já estar estabelecida, e não antes, como propõe a Anatel.

Oneração tributária

Ainda com relação à natureza de SVA da operação virtual, a SEAE alerta sobre a oneração tributária que a escolha da Anatel pode gerar. A agência reguladora decidiu não classificar as MVNOs como operadoras de telecomunicações para evitar a bitributação de ICMS, o que oneraria ainda mais o valor final do serviço prestado por essas futuras empresas. Ocorre que o tratamento como SVA, conforme alertou a SEAE, fará com que se cobre PIS/Cofins das operadoras credenciadas "sem, por outro lado, gerar qualquer benefício na alíquota de ICMS".

A regulação assimétrica com relação ao recolhimento da tarifa de interconexão (VU-M) é outro motivo de preocupação por parte da SEAE. Na análise da secretaria, o sistema criado pela Anatel favorece as MVNOs autorizadas em detrimento das credenciadas, uma vez que permite a cobrança total da VU-M em um valor até 20% maior do que o da praticado no mercado. Às credenciadas é assegurado apenas um percentual da tarifa de interconexão na oferta do serviço.

Mesmo com tantas ressalvas, a SEAE é favorável à regulamentação da operação virtual de telefonia móvel, por entender que a entrada desses novos operadores estimulará a concorrência no setor. "Acreditamos ainda que mesmo que uma nova entrada possa não ocorrer, a mera possibilidade ou ameaça crível de entrada tornada possível pela mera retirada da barreira regulatória já pode colaborar para elevar o nível de competição entre as empresas já estabelecidas no mercado", pondera a equipe da secretaria.

Conselheira apresenta proposta para ampliar transparência na Anatel

A discussão sobre a transparência da Anatel ganhou um novo capítulo nesta segunda, dia 22. Entrou em consulta interna dentro da agência a proposta da conselheira Emília Ribeiro do novo texto do Regimento Interno da agência A conselheira apresentou uma longa proposta de revisão do regimento, sugerindo a mudança de diversos procedimentos da agência para que ela atenda melhor ao princípio da transparência. As propostas que estão sendo submetidas à avaliação dos funcionários da agência estão disponíveis na homepage do site TELETIME.

Após a inclusão do informe de Emília Ribeiro no sistema, o mecanismo de consultas internas sofreu uma pane técnica e a proposta foi retirada da lista de matérias para contribuição. Esta reportagem questionou a Anatel sobre o motivo da consulta não estar mais disponível, mas não obteve resposta da assessoria até o fechamento desta matéria.

O destaque da proposta é a nova disciplina para a realização de reuniões e divulgação de documentos. A conselheira sugere que todos os encontros do Conselho Diretor sejam realizados por meio de "sessões públicas", onde a população possa ter acesso às deliberações sem restrição. Atualmente, as reuniões são fechadas e apenas em raras exceções a discussão pode ser acompanhada pela sociedade – o debate público mais recente foi o que culminou na mudança do Plano Geral de Outorgas (PGO) em 2008.

"É necessário que a Anatel seja não somente modelo de eficiência e equilíbrio, mas também amplamente visível para a sociedade. Em outros termos, por mais qualificadas, fundamentadas e formalmente regulares que sejam suas decisões, tais qualidades devem restar evidentes. A transparência assume, dessa forma, o papel de um fator proeminente de legitimação do modelo vigente", argumenta a conselheira no informe que encaminha a proposta à consulta.

Emília Ribeiro sugere também que todos os documentos que serviram para subsidiar as decisões do Conselho Diretor sejam colocados na página da agência na Internet para leitura do público.

A mesma sugestão é apresentada para o tratamento dos votos dos conselheiros. Atualmente não há um regramento claro sobre a divulgação dos votos e cada conselheiro decide se o apresenta a público ou não. Mais de uma vez a divulgação dos votos por iniciativa individual causou polêmica dentro da agência, especialmente quando o posicionamento apresentado ao público era contrário à deliberação final do Conselho Diretor.

Para o diretor de Comunicação do Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Reguladoras (Sinagências), Ney Jobson, a proposta é positiva para a Anatel e a reforma já deveria ter sido feita há muito tempo para assegurar a transparência na autarquia. "O sindicato apoia a proposta e entende que ela é importante e até tardia. É preciso tornar o processo regulatório e decisório adequado à Constituição Federal e às boas práticas da administração pública, na medida em que torna públicas as reuniões e os documentos e estudos que subsidiaram as decisões, assim como os votos, mesmo aqueles que tenham sido dissidentes. Até porque o contraditório é importante para o fortalecimento regulatório", avalia o representante do Sinagências.

Procurada por esta reportagem, a conselheira autora da proposta mostrou-se otimista com a possibilidade de reforma do processo decisório da agência. "Estou muito animada com a abertura da Anatel. Este é um dos grandes anseios da sociedade nos últimos anos e é mais do que necessário atualizar o regimento da agência", afirmou a conselheira, que está nos Estados Unidos representando a Anatel no CTIA Wireless 2010. Emília Ribeiro ponderou que a proposta ainda não se trata da reestruturação da agência reguladora, em processo de análise, mas apenas de uma atualização do regimento com relação aos procedimentos decisórios.

A conselheira disse esperar receber contribuições dos funcionários da agência reguladora para aprimorar a proposta, primeira desse gênero desde que a Anatel foi criada em 1997. A apresentação das sugestões também é inovadora em outro aspecto: é a primeira vez que um conselheiro faz uma proposta direta aos funcionários da casa, apesar de esse tipo de iniciativa estar prevista no regimento em vigor.