Quem ‘controla’ a mídia?

Você já ouviu falar em Alexander Lebedev, Alexander Pugachev, Rupert Murdoch, Carlos Slim ou Nuno Rocha dos Santos Vasconcelos? Talvez não, mas eles já “controlam” boa parte da informação e do entretenimento que circulam no planeta e, muito provavelmente, chegam diariamente até você, leitor(a).

Enquanto na América Latina, inclusive no Brasil, a grande mídia continua a “fazer de conta” que as ameaças à liberdade de expressão partem exclusivamente do Estado, em nível global, confirma-se a tendência de concentração da propriedade e controle da mídia por uns poucos mega empresários.

Na verdade, uma das conseqüências da crise internacional que atinge, sobretudo, a mídia impressa, tem sido a compra de títulos tradicionais por investidores – russos, árabes, australianos, latino-americanos, portugueses – cujo compromisso maior é exclusivamente o sucesso de seus negócios. Aparentemente, não há espaço para o interesse público.

Na Europa e nos Estados Unidos

Já aconteceu com os britânicos The Independent e The Evening Standard e com o France-Soir na França. Na Itália, rola uma briga de gigantes no mercado de televisão envolvendo o primeiro ministro e proprietário de mídia Silvio Berlusconi (Mediaset) e o australiano naturalizado americano Ropert Murdoch (Sky Itália). O mesmo acontece no leste europeu. Na Polônia, tanto o Fakt (o diário de maior tiragem), quanto o Polska (300 mil exemplares/dia) são controlados por grupos alemães.

Nos Estados Unidos, a News Corporation de Murdoch avança a passos largos: depois do New York Post, o principal tablóide do país, veio a Fox News, canal de notícias 24h na TV a cabo; o tradicionalíssimo The Wall Street Journal; o estúdio Fox Films e a editora Harper Collins. E o mexicano Carlos Slim é um dos novos acionistas do The New York Times.

E no Brasil?

Entre nós, anunciou-se recentemente que o Ongoing Media Group – apesar do nome, um grupo português – que edita o “Brasil Econômico” desde outubro, comprou o grupo “O Dia”, incluindo o “Meia Hora” e o jornal esportivo “Campeão”. O Ongoing detem 20% do grupo Impressa (português), é acionista da Portugal Telecom e controla o maior operador de TV a cabo de Portugal, o Zon Multimídia.

Aqui sempre tivemos concentração no controle da mídia, até porque , ao contrário do que acontece no resto do mundo, nunca houve preocupação do nosso legislador com a propriedade cruzada dos meios. Historicamente são poucos os grupos que controlam os principais veículos de comunicação, sejam eles impressos ou concessões do serviço público de radio e televisão. Além disso, ainda padecemos do mal histórico do coronelismo eletrônico que vincula a mídia às oligarquias políticas regionais e locais desde pelo menos a metade do século passado.

Desde que a Emenda Constitucional n. 36, de 2002, permitiu a participação de capital estrangeiro nas empresas brasileiras de mídia, investidores globais no campo do informação e do entretenimento, atuam aqui. Considerada a convergência tecnológica, pode-se afirmar que eles, na verdade, chegaram antes, isto é, desde a privatização das telecomunicações.

Apesar da dificuldade de se obter informações confiáveis nesse setor, são conhecidas as ligações do Grupo Abril com a sul-africana Naspers; da NET/Globo com a Telmex (do grupo controlado por Carlos Slim) e da Globo com a News Corporation/Sky.

Tudo indica, portanto, que, aos nossos problemas históricos, se acrescenta mais um, este contemporâneo.

Quem ameaça a liberdade de expressão?

Diante dessa tendência, aparentemente mundial, de onde partiria a verdadeira ameaça à liberdade de expressão?

Em matéria sobre o assunto publicada na revista Carta Capital n. 591 o conhecido professor da New York University, Crispin Miller, afirma em relação ao que vem ocorrendo nos Estados Unidos:

“O grande perigo para a democracia norte-americana não é a virtual morte dos jornais diários. É a concentração de donos da mídia no país. Ironicamente, há 15 anos, se dizia que era prematuro falar em uma crise cívica, com os conglomerados exercendo poder de censura sobre a imensidão de notícias disponíveis no mundo pós-internet (…)”.

Todas estas questões deveriam servir de contrapeso para equilibrar a pauta imposta pela grande mídia brasileira em torno das “ameaças” a liberdade de expressão. Afinal, diante das tendências mundiais, quem, de fato, “controla” a mídia e representa perigo para as liberdades democráticas?

*Pesquisador Sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília – NEMP – UNB.

Movimento dos Sem Mídia pede auditoria de institutos de pesquisa

O Movimento dos Sem Mídia (MSM), presidido pelo blogueiro Eduardo Guimarães, entrou com uma representação na Procuradoria Geral Eleitoral para que se abra uma auditoria dos quatro maiores institutos de pesquisa que publicaram recentemente resultados de pesquisas sobre a sucessão presidencial. Eles têm apresentado diferenças consideráveis, e a proposta é que a auditoria sirva para investigar possíveis fraudes na realização e divulgação desses resultados.

Os quatro grandes grupos em questão são o Datafolha, o Ibope, o CNT/Sensus e o Vox Populi. O início das suspeitas de fraude começou com a publicação de duas pesquisas: uma do Datafolha, no dia 27 de março, que apontava o pré-candidato José Serra (PSDB) na frente, com uma diferença de 10% sobre a pré-candidata Dilma Rousseff (PT); e outra do Vox Populi, publicada sete dias depois, que apontava um resultado bem diferente: de 3 a 5% de distância entre os dois principais candidatos à presidência.

Após a publicação da pesquisa do Vox Populi, o grupo Folha, por meio do jornal, publicou uma série de matérias questionando o resultado da pesquisa. No dia 13 de abril, a briga entre os institutos se acirrou com a publicação das intenções de voto levantadas pelo Instituto CNT/Sensus, que apontou que a diferença entre os candidatos petista e tucano estava então entre 0,4 e 2,88 pontos percentuais.

Todas essas informações foram enviadas pelo blogueiro Eduardo Guimarães junto com a representação de pedido de auditoria das últimas pesquisas eleitorais. Pela lei, a divulgação de pesquisas fraudulentas é crime com direito a detenção e pegamento de multa de até R$ 106.410,00.

A ação do MSM pede que a Justiça monitore e eventualmente audite todas as próximas pesquisas divulgadas até antes das eleições.

Eduardo Guimarães afirma que se trata de um exercício de cidadania, sem interesses político-eleitorias. Segundo ele, sem a lisura nos institutos do pesquisa, as eleições acontecerão "sob o signo da trapaça, da esperteza, da malandragem, da injustiça, da prepotência, da opressão do poder econômico", escreveu. Ele qualifica a iniciativa do MSM como uma "vacina democrática" para o pleito deste ano.

A íntegra da ação do MSM pode ser encontrada aqui.

Câmara, Senado e Assembleia de SP inauguram canal conjunto de TV

Será inaugurada na quinta-feira (29) a transmissão do canal digital 61, que terá programação simultânea da TV Câmara, da TV Alesp e da TV Senado na cidade de São Paulo. A inauguração ocorrerá na Assembleia Legislativa de SP, às 19 horas, com a participação dos presidentes da Câmara, Michel Temer; do Senado, José Sarney; e da Assembleia Legislativa, Barros Munhoz.

A parceria para a transmissão definitiva do canal 61, com as programações simultâneas da TV Câmara e da TV Alesp, foi assinada em julho de 2009. Agora, a TV Senado também passa a ser transmitida pelo canal.

A transmissão experimental começou em outubro de 2008, com um transmissor de baixa potência. Nesta semana, serão inaugurados transmissores que somam 15kw. Isso permitirá que a TV Câmara, a TV Alesp e a TV Senado cheguem aos quase 20 milhões de habitantes da metrópole de São Paulo em sinal aberto, gratuito e com alta qualidade. Por meio do canal, a sociedade poderá acompanhar os trabalhos realizados pelo Poder Legislativo de forma transparente.

Multiprogramação


O canal 61 funcionará pelo sistema de multiprogramação, que permite a transmissão de até quatro programações simultâneas, em sinal aberto e gratuito. Em uma próxima etapa, haverá a inclusão dos sinais das TVs de câmaras municipais onde os sinais dos transmissores estejam disponíveis.

O modelo de operação que está sendo testado em São Paulo servirá de referência para a expansão da rede legislativa de TV digital em todo o País. Esse modelo foi proposto pelo deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE) no Projeto de Lei 277/07, já aprovado na Câmara e agora em análise no Senado.

Economia de recursos

A Câmara dos Deputados adquiriu os transmissores do canal 61, enquanto a Assembleia Legislativa de São Paulo é responsável pela oferta da torre onde os equipamentos estão instalados, na Fundação Padre Anchieta, e pelo custeio.

O valor da aquisição dos transmissores estava orçado em R$ 8 milhões, mas baixou para R$ 3,35 milhões durante o processo licitatório.

Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária será lançada amanhã (27), em Brasília

A Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária, lançada em São Paulo em 11 de março, ganhará mais adeptos. É a vez de Brasília se somar à iniciativa. Para isso, vai acontecer na cidade, amanhã (27), um lançamento local da Rede. Será às 19h, na sede do SindMetrô (Conic – Edifício Venâncio V, Cobertura). Estarão presentes para estimular o debate o professor de Comunicação da UnB Fernando Paulino, o repórter da CartaCapital Leandro Fortes e o assessor do Instituto de Estudos Sócio-Econômicos (Inesc) Edélcio Vigna.

“A proposta da Rede é denunciar as barbaridades cometidas pelos latifundiários no campo, pressionar o governo federal para atualizar os índices de produtividade rural, divulgar o protagonismo da agricultura familiar e exigir que o Estado brasileiro pague a dívida social secular com os trabalhadores e trabalhadoras rurais”, diz o blog da Rede. Outros estados, como Rio de Janeiro, Bahia e Ceará também estão se movimentando para se somarem à Rede.

Livro Dicionário de Politiquês será lançado no Rio de Janeiro nesta quarta (28)

Reproduzido da Agência Púlsar

 

O lançamento do Dicionário de Politiquês será no dia 28 de abril, no Rio de Janeiro. O manual foi escrito pelo coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação, Vito Giannotti, em parceria com o sociólogo Sérgio Domingues. A publicação conta com 3500 verbetes. A idéia é facilitar a compreensão do leitor comum, ou seja, 71% da população que não passou mais do que oito anos nos bancos escolares.

Vito Giannotti explica que é um manual prático de linguagem para ser usado todos os dias por quem deseja se comunicar com muitas pessoas. O escritor afirma que os jornais sindicais e alternativos devem apresentar sua visão de mundo e valores de forma que alcance o entendimento de toda a classe trabalhadora. Ele conclui que o importante é a política e vê a linguagem como uma condição fundamental para que as pessoas entendam a mensagem.

Sérgio Domingues ainda explica que o livro tem objetivo pedagógico, contribuindo para a mobilização dos trabalhadores.

A apresentação do livro será feita pelo filósofo Gaudêncio Frigotto, pela editora do jornal comunitário O Cidadão, Gizele Martins, pelo rapper Gas-PA e pelo presidente da Apafunk, Mc Leonardo. E, é claro, pelos dois autores. Isso tudo de forma bem brasileira. Com caipirinhas, amendoins e caldinho de feijão.

O lançamento terá início às 19h no Sindicato dos Metroviários, que fica na Av. Rio Branco, 277, 4º andar. (Katarine Flor)