Horário eleitoral na TV vai consumir 63 horas e R$ 851 milhões

Durante 45 dias, candidatos aos cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e estadual vão consumir 3.780 minutos, ou 63 horas, no horário eleitoral gratuito na televisão. De 17 de agosto a 30 de setembro, todos os canais de TV aberta, além dos canais a cabo sob responsabilidade do Senado, da Câmara dos Deputados, as Assembléias e das Câmaras Municipais, serão obrigados a transmitir aquilo que as coligações produzirem na tentativa de influenciar o voto do eleitor no primeiro turno.

De acordo com a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), o horário eleitoral é essencial principalmente para aqueles que ainda não decidiram em quem votar. "É um elemento fundamental de formação de opinião (…) E vem sendo cada vez mais assistido pelos eleitores", diz.

Além de ajudar os indecisos, a propaganda política também dita o ritmo e o tom das campanhas. "Por meio do programa eleitoral, os partidos repensam as estratégias de marketing e mudam as agendas. Por exemplo, se um programa de um candidato traz um fato novo ou uma proposta nova, isso vai afetar a agenda dos outros candidatos", afirma.

Para a cientista política, este ano o horário na televisão e no rádio deverá ser ainda mais importante nas eleições presidenciais. "Quanto maior o grau de competitividade, maior a influência do programa eleitoral para desempatar", diz. Na última pesquisa divulgada pelo Ibope, os principais candidatos à Presidência, Dilma Rousseff e José Serra, aparecem empatados.

Benefício fiscal

A propaganda é chamada de gratuita porque os partidos bancam apenas a produção de conteúdo, e não desembolsam um centavo pelo tempo de exibição em horários nobres. Quem paga a conta é o contribuinte. Isso porque a União dá isenção fiscal proporcional ao valor que seria cobrado por inserções comerciais não obrigatórias.

Em 2010, a estimativa da Receita Federal é que as emissoras deixem de pagar R$ 851 milhões em impostos. São 4.254 concessões públicas para televisão em todo Brasil, de acordo com a Anatel.

O cálculo para abatimento fiscal é bastante favorável às emissoras, que excluem do lucro líquido declarado 80% do valor do espaço que seria destinado à publicidade comercial. E o preço desse tempo comercial é fornecido pelas emissoras, concessionárias públicas do serviço de radiodifusão.

"Por mais que haja essa compensação, o programa eleitoral é um espaço público que contribui muito para a formação de opinião. Contribui também para partidos menores e médios, que têm mais voz", diz a cientista política. "O custo disso para nós eleitores compensa o ganho que é para a formação do eleitor, para a propagação das propostas e para a construção de uma cultura de democracia", defende.

Metrô e trens exibirão conteúdo da Rede Globo

Com a pretensão de levar o seu conteúdo para o maior leque de mídias diferentes, a Rede Globo fechou mais uma parceria com a Bus Midia – empresa que mantém os monitores de TV em meios de transporte da cidade de São Paulo – para levar o conteúdo de sua programação também para os trens e plataformas de estações de metrô.

Atualmente, os monitores já transmitem trechos de programas adaptados da TV Globo em ônibus de diversas linhas da frota paulistana. Com o novo acordo, a Bus Mídia, por meio de suas outras operações – como a TV Trilho, instalada nos trens e os monitores das paltaformas de estações de metrô – também ganham o aval para exibir a programação da emissora.

De acordo com a própria rede Globo, não foi criada uma operação especial para a exibição de conteúdo em mídias out-of-home, mas sim, ampliada uma parceria que já existia com a Bus Mídia. A emissora também esclarece que apenas tem a função de licenciar e administrar a programação que é fornecida para a empresa de mídia e que a sua exibição e administração de conteúdo fica por conta da companhia adquirente dos direitos de transmissão.

A Globo também esclareceu que esse acordo não prevê, necessariamente, a veiculação de seu conteudo na TV Minuto, presente dentro dos vagões do metrô de São Paulo e que é administrada pelo Grupo Bandeirantes. O que o acordo prevê é que a Bus Mídia, agora, tem aval para utilizar os monitores presentes nas plataformas das estações de metrô.

Além da capital paulista, a Globo também prevê distribuir seu conteúdo nos meios de transporte de outras praças afiliadas. De acordo com a emissora, a programação exibida nos monitores é composta por trechos adaptados e legendados de atrações da grade – como novelas, programas de entretenimento e informes jornalísticos. O tempo total de exibição de programação da Globo inédita por dia nessas mídias varia entre 40 e 45 minutos.

TV Minuto

Por conta de algumas notícias publicadas na imprensa nesta sexta-feira 18, que informavam que o contéudo da Globo seria exibido na TV Minuto, a própria companhia enviou um comunicado, afirmando que a informação nao procede e que ela é uma empresa associada ao Grupo Bandeirantes.

Legislações do século passado no novo milênio

Como é sabido, no final do último mês de abril o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a Lei de Imprensa (5.250/67), considerada inconstitucional. A medida afirma o primado da liberdade de expressão como fundamental para o Estado de Direito e deixa expostas as fragilidades e debilidades da regulação do país para o tema das comunicações.

O próprio STF reiterou a urgência do Congresso em criar novas regras para suprir o vácuo jurídico deixado pelo fim da antiga normatividade, instituída no auge do regime militar. Os debates sobre o tema, no entanto, não abordam a outra ponta das fragilidades regulatórias na área: o país caduca de uma legislação que garanta o exercício do direito à comunicação.

Embora a Constituição de 1988, no seu "Da Comunicação Social", remeta à necessidade de legislação do setor, no âmbito da radiodifusão o país continua aplicando o Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei 4.117), de 1962, por falta de texto legal atual. Vários artigos constitucionais, como o 223, que trata da complementariedade dos sistemas público, privado e estatal, continuam sem viabilidade por falta de legislação infraconstitucional.

Paralelamente à decisão inédita do Supremo com a Lei de Imprensa, outro decreto de 1967, firmado pelo marechal Castelo Branco, continua em vigor. O Decreto 223, em seu artigo 70, por exemplo, que penaliza com prisão a instalação de telecomunicações sem permissão do Estado, continua sendo aplicado às rádios comunitárias. Estima-se que mais de sete mil radialistas do país respondem hoje a processos judiciais, por emissão de sinal em emissoras comunitárias, e muitos continuam presos, em plena era dos direitos constitucionais de liberdade de expressão.

O poder do apito do juiz

A Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada no final de 2009, em Brasília, apontou para uma série de demandas sócio-comunicacionais urgentes, e grande parte delas esbarra na necessidade de mudanças legislativas. Mas, cerca de seis meses depois, os avanços são quase inexistentes, já que a Conferência não tem poder deliberativo e houve um boicote da Rede Globo e outros radiodifusores. Sendo este um ano eleitoral, é muito pouco provável que haja qualquer alteração legislativa em 2009, ainda mais numa área tão sensível quanto as comunicações.

As brechas legislativas do setor não apenas fragilizam o exercício da atividade jornalística, principal tema nos debates sobre a revogação da antiga Lei de Imprensa, como também revelam a incompatibilidade jurídica da legislação vigente no país com os direitos democráticos. Tamanha deficiência cria contextos para situações inusitadas, inclusive de violações, e deixam o tema à deriva de decisões judiciais, blindadas das arenas legislativas democráticas, até porque estas não cumprem seu papel.

Os embates entre os marcos regulatórios das comunicações e as arenas judiciais não são uma exclusividade brasileira. Na Argentina, a decisão sobre a nova Lei de Serviços Audiovisuais, desde o último dia 30 de abril também está nas mãos da Suprema Corte de Justiça. Aprovada pela Câmara e pelo Senado em outubro de 2009, a Lei 26.522 foi embargada por um juiz da província de Mendoza, por supostos problemas procedimentais em sua tramitação. Embora a nova lei tenha sido saudada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pelos relatórios da Comissão de Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA) como um novo parâmetro para a democracia na América Latina, sua aplicação está bloqueada até que uma decisão judicial ponha um ponto final no assunto.

Medidas arbitrárias e uma democracia caótica

No México, em 2006 a Suprema Corte também se posicionou decisivamente na regulação mediática. Nesse caso, a Justiça questionou a inconstitucionalidade da chamada Lei Televisa, por atentar contra direitos básicos dos cidadãos e constituir-se favorável à liberdade de empresa. Como suas recomendações de mudanças no texto da lei nunca foram atendidas, a legislação mexicana em termos de comunicação igualmente se encontra ultrapassada e sem uma definição específica.

O que se evidencia com tamanha ingerência judicial são as limitações dos poderes legislativos e executivo em enfrentar o setor midiático, ante sua resistência em construir uma regulação específica atualizada e democrática. A história assinala que a maioria das tentativas de estabelecer uma maior normatividade pública foi rechaçada pelo poder das grandes corporações econômicas. O resultado dessas disputas reflete-se nas legislações ultrapassadas e favoráveis ao entendimento da comunicação como mercado e em detrimento dos direitos sociais.

A judicialização da regulação comunicativa evidencia a caducidade dos marcos legais no setor e a força das indústrias culturais, que se beneficiam com os vazios normativos, criando precedentes difíceis de serem derrubados, posteriormente. Sem regras claras para os problemas midiáticos contemporâneos, quem perde é a sociedade, forçosamente refém de medidas arbitrárias e de uma democracia caótica.

* Valério Cruz Brittos é professor titular no programa de pós-graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos.
* Gislene Moreira Gómez é doutoranda em Ciência Política na Flacso (México).

FCC inicia consulta pública sobre ‘marco civil da internet’ nos EUA

A exemplo do que ocorre no Brasil com o Marco Regulatório Civil da Internet, a Federal Communications Commission (FCC), órgão regulador das telecomunicações nos Estados Unidos, decidiu iniciar na quinta-feira, 17, uma consulta pública sobre o assunto. O órgão quer identificar um "caminho legal" para regulamentar a internet, tendo em vista a implantação de um plano nacional de banda larga no país. O propósito do órgão com a consulta é avançar em sua missão de transformar a internet em alta velocidade num serviço de telecomunicações, sujeitando-a a regulamentações mais estritas.

Em abril, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) decidiu, em razão de uma disputa judicial entre a FCC e a operadora de telecomunicações Comcast, que o órgão regulador não poderia impor à internet as mesmas regras aplicadas à telefonia. Com a decisão, porém, o DOJ classificou a banda larga como um serviço que não deve estar sujeito a regras tão rígidas quanto as impostas aos serviços de telecomunicações, tirando da FCC o controle sobre a quantidade de tráfego disponível para cada operadora dos EUA.

A decisão causou polêmica. Os que apóiam a decisão acreditam que um órgão do governo não pode estabelecer regras sob as quais pessoas e empresas atuam na internet, enquanto os opositores acreditam que a regulamentação é necessária. Eles sustentam que, sem um controle de fora do mercado, a internet estaria fadada ao controle das operadoras de telecom e seus interesses.

Com a consulta pública, a FCC quer opiniões de diversos setores da sociedade norte-americana sobre a classificação legal atual da banda larga nos EUA, as consequências legais e práticas deste cenário para o futuro e a chamada "terceira via", que seria exatamente a qualificação da banda larga como mais um serviço de telecomunicações. As opiniões serão ouvidas até o dia 15 de julho, e a FCC terá até 12 de agosto para respondê-las.

Alvarez traz a neutralidade da rede para a agenda do governo

O Coordenador de inclusão digital do governo federal, Cezar Alvarez, criticou duramente os detentores das redes de telecomunicações que querem restringir o livre trânsito da informação da internet, controlando o volume de dados que pode ser trafegado por usuário. "Aqueles que detêm a posse da infraestruta não podem impedir a livre circulação das ideias", alertou ele, na abertura do Fórum Íbero-americano para o desenvolvimento da Banda Larga, organizado pela Ahciet.
 
O coordenador do programa de banda larga do governo assinalou ainda que é preciso discutir os direitos autorais na internet, que, no seu entender, são diferentes no mundo digital. Já o presidente da Regulatel (entidade que aglutina as agências reguladoras latino-americanas) Guilhermo Thornberry, assinalou que um dos problemas que precisam ser resolvidos pelos países latino-americanos é a questão do roaming internacional fronteiriço. Segundo o executivo, os presidentes Lula e Garcia, do Peru, já começaram a tratar do assunto. O fórum Ahciet está sendo realizado em São Paulo até o dia 23.