Ouvidor da Anatel é reconduzido

Reproduzido do TeleTime News

O engenheiro Nilberto Miranda continuará sendo o ouvidor da Anatel por mais dois anos. A recondução de Miranda foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 29, por meio de decreto do presidente da República. Ex-funcionário do Sistema Telebrás, onde trabalhou por 24 anos, o ouvidor também já trabalhou na própria Anatel como chefe de gabinete e superintendente-executivo durante a gestão de Pedro Jaime Ziller na presidência da Anatel. Antes de entrar na agência reguladora, em 2004, Miranda trabalhou na Empresa Brasileira de Engenharia, no Banco do Brasil e foi membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). (Redação)

Dia 13, vai ao ar a TV dos Trabalhadores

Está marcada para 13 de agosto a estreia da TV dos Trabalhadores (TVT). A transmissão inaugural põe fim a uma espera de 23 anos, desde o primeiro pedido de concessão feito pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Será, também, um marco para a TV aberta brasileira. A TVT é a primeira emissora ligada a movimentos sociais a garantir seu espaço entre os canais abertos brasileiros.

Gestora da TV, a Fundação Sociedade, Comunicação, Cultura e Trabalho é mantida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, mas sua diretoria é também composta por outros grandes sindicatos da região. O peso da representação destas organizações e nem mesmo o fato de um ex presidente do sindicato ter se tornado o presidente da República, entretanto, não foi suficiente para abreviar a longa espera pela concessão, nem diminuir as dificuldades para colocar a emissora no ar.

A outorga foi concedida em 2005 e reserva o canal 46 UHF em Mogi das Cruzes (SP). A programação será ainda transmitida pela TV a cabo, através da Rede NGT e de algumas emissoras comunitárias. Além disso, a TVT terá toda sua produção disponível na internet e funcionará totalmente integrada com essa mídia. “A ideia geral é abrir acesso à TV a quem nunca teve”, afirmou Valter Sanches, diretor da fundação, fazendo menção à concentração da mídia no país.

Segundo ele, o orçamento da TVT será de R$ 400 mil por mês – na sua opinião, um valor “espartano, muito pouco para TV”. Para poder pleitear o canal, a fundação precisou de um aporte financeiro de 12 milhões de reais. Com isso, tem condições de se sustentar por dois anos. Segundo Sanches, a categoria decidiu, em congresso, investir na causa. Assim, todo o dinheiro utilizado para comprovar a saúde financeira da fundação foi dado por ela, e “não necessariamente será gasto”.

Às vésperas do lançamento do canal, a diretoria da TVT se esforça para colocar a emissora no ar inclusive com o objetivo de atrair mais parceiros par ao projeto – como outras categorias, partidos, movimentos sociais.

Parcerias

Antes de conseguir a outorga, a TVT era um acervo de 4 mil fitas guardadas em um escritório em São Bernardo do Campo e que documentam momentos da história do país desde 1986, quando a produtora foi fundada. Mais recentemente, começaram a ser produzidos alguns programas, que podiam ser acessados pela internet.

A decisão de ampliar o alcance do projeto e transformar a TVT em um canal de TV foi determinação de congresso do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. “Há muito tempo a base decidiu entrar na disputa por uma concessão e ocupar espaço na luta pela democratização dos meios de comunicação”, comentou Sanches.

De início, a TVT terá uma hora e meia de produção própria por dia. A emissora produzirá um telejornal regional e programas semanais como Memória e Contexto (que utilizará o longo acervo audiovisual do sindicato), Boa Gente (entrevista com personagens que se dedicam ao coletivo), Coopera Brasil (sobre economia solidária) e o Click e Ligue, um programa que cobrirá as redes sociais e buscará disseminar o uso de novas e velhas tecnologias. O restante da grade de programação será preenchido por reportagens e documentários da TV Brasil e das TVs Câmara e Senado.

Internet

A TVT terá relação íntima com a internet. Todo material produzido estará disponível no portal da emissora, de modo que possa ser “envedado” automaticamente, ou seja, copiado livremente para outros sites, blogs, celular, redes sociais. Para esta finalidade, os conteúdos estarão disponíveis em formato grande e em pacotes de uma hora de programação. Já para a exibição online, os programas serão disponibilizados em partes menores, por exemplo, notícias separadas do telejornal.

Uma inovação são as possibilidades de comentários nas matérias e programas. O sistema aceitará comentários escritos, mas também comentários em vídeo, que podem ser gravados com webcam, e disponibilizados no site. A direção da TV estuda utilizar estes comentários também nas transmissões da emissora.

Outra aposta é nos blogs dos programas, que serão mantidos pelos repórteres, colunistas e colaboradores. Assim, informações que não entraram nas matérias de vídeo poderão ser detalhadas em texto. Além, disso, como tentativa de humanizar as matérias, os repórteres, cinegrafistas e outros profissionais que participam das coberturas serão entrevistados em algumas matérias, para darem um relato pessoal dos acontecimentos. A equipe da TVT será composta por 70 profissionais.

 

*Retificação: a TV vai ao ar no dia 13 de agosto, e não no dia 22, como informado anteriormente. Modificação feita em 03/08/2010

BNDES considera positiva operação da PT com a Oi

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) considera positiva a eventual aliança da Oi com a Portugal Telecom, conforme os termos anunciados hoje pelas duas companhias.

Por nota, o banco disse que o acordo entre os portugueses e a Oi abre caminho para a internacionalização da companhia, um dos objetivos de seu plano de negócios, e melhora sua estrutura de capital, permitindo a continuidade e expansão de seus investimentos. Os países da América Latina e a África estão an mira de investimentos da operadora.

A PT vai pagar até R$ 8,44 bilhões para obter uma participação minoritária de 22,4% na Telemar Norte Leste, braço operacional do Grupo Oi, deixando, desta forma, o controle da Vivo com a Telefónica. A empresa espanhola conseguiu arrematar o controle da Vivo, depois de aumentar pela terceira vez a oferta pela operadora. A Telefónica vai pagar 7,5 bilhões de euros à empresa de telecomunicações portuguesa.

No que diz respeito à divisão societária, o banco disse que independentemente do tamanho da participação do BNDES na companhia, a aliança não altera os direitos que o banco possui atualmente como acionista da Oi. "A iniciativa garante que os pressupostos da reestruturação societária apoiada pelo BNDES em 2008 serão integralmente mantidos", informa o banco de fomento. Desta forma, a empresa continuará a ser uma companhia de telecomunicações com controle brasileiro, capaz de competir com eficiência no país e ocupar espaços também no mercado internacional.

Com Oi, PT mira combos e atuação nacional

E foram quase 100 dias de idas e vindas e muita negociação, como frisou Zeinal Bava, presidente da Portugal Telecom, até que as transações fossem concluídas. Mas, para o executivo, o esforço valeu já que todas as partes saíram satisfeitas. Agora, com 22,4% da Oi em mãos, os portugueses já miram as oportunidades que terão a explorar pela frente. A presença da brasileira em telefonia fixa, móvel e TV por assinatura é algo que chama atenção da PT.

"Só para esclarecer, vamos ser acionista estratégico da Oi. A PT não é investidor financeiro. Consolidação dos nossos ativos é fundamental. A forma como transação foi estruturada garantem que PT continuará fazendo consolidação dos investimentos", aponta Bava. O executivo lembrou que terá direito a participação no conselho de administração e no comitê operacional da Oi.

Em apresentação à imprensa, Bava apresentou diversos números da nova parceira e disse que os 62 milhões de clientes da Oi tornam mais possível garantir uma das metas da PT que é atingir a marca de 100 milhões de clientes em todo o mundo até 2011. "Vamos poder consolidar nossa participação num aspecto relevante. Dois terços do investimento é para ficar na empresa, para fortalecer balanço, aumentar flexibilidade financeira e potencializar a Oi no mercado brasileiro e como operador regional, com ambição latino-americana."

Bava ressaltou a presença nacional da Oi, a liderança da companhia em telefonia fixa e a quarta força em móvel. O executivo, mostrando conhecimento da realidade da nova parceira, apontou o Estado de São Paulo como um dos desafios da telco. "A Oi tem 62 milhões de clientes, atua em TV paga. Esta empresa tem perfil de crescimento diferente da Vivo e em dimensão é o dobro da Vivo em Ebtida. Gera lucro e investimos em uma operação com resultados líquidos positivos. Com injeção de capital (a Oi) vai reduzir a dívida e potencializar crescimento no futuro. Voltaremos a ser operador de escala internacional com aporte na Oi."

Para analistas, compra da Vivo pela Telefônica é positiva

O mercado tem reagido bem ao anúncio de aquisição do controle pleno da Vivo pela Telefônica. A reação positiva dos negociadores na Bolsa de Valores de São Paulo não está apenas na elevação consistente das ações das duas empresas, na casa dos 10% para os papéis da Vivo e dos 5% para a Telefônica. Relatórios divulgados por corretoras recomendam a compra dos papéis das companhias, apostando nas sinergias que o negócio trará para o grupo.

A Brascan, por exemplo, listou como vantagens o "aumento da receita, através da redução de churn, além da venda casada de serviços", a integração de redes das operadoras fixa e móvel, redução de despesas e de Capex e prováveis sinergias fiscais, reduzindo ainda mais os custos da operação. A queda potencial no churn, prevista pela Brascan, está associada ao aumento da concorrência no mercado paulista, com a integração entre Net e Embratel, que tem "roubado" muitos clientes da Telefônica.

Para a corretora, a operação anunciada hoje pode dar novo fôlego à Telefônica nos mercados de telefonia fixa e banda larga, além de preparar a companhia para uma briga ainda maior no futuro, caso se concretize uma integração plena entre Embratel e Claro, ambas controladas pelo mega-empresário Carlos Slim.

Riscos

Mesmo com a recomendação de compra das ações e a análise geral positiva com relação ao negócio, as corretoras também vislumbram riscos econômicos na operação, caso a convergência não gere os frutos esperados. Um dos alertas é com relação à Oi. Para a Brascan, o potencial da companhia não pode ser subestimado, mesmo na telefonia móvel, onde ela é a última colocada no mercado. Para os analistas, a cobertura nacional da empresa, gerada pela compra da Brasil Telecom, "pode torná-la mais competitiva em comparação a TIM e Vivo".

Questões típicas do mercado de telecomunicações também podem resultar em impactos negativos nas contas do grupo Telefônica. É o caso de uma eventual queda na VU-M provocada pela consolidação com a Vivo, caso o tráfego não aumente o suficiente para compensar os ganhos gerados durante a operação separada. Outro aspecto que pode impactar negativamente nas contas é a possibilidade de a operação não ser suficiente para reverter a queda de ARPU que o grupo tem registrado em seus balanços. Esse é um risco concreto por causa da alta competitividade do setor e do crescimento do número de promoções.