Jornal Nacional estreia quadro com merchandising

Pela primeira vez o telejornal de maior audiência do país, o Jornal Nacional, servirá de espaço para a realização de merchandising. Estreia hoje (23) o "JN no ar", projeto de cobertura especial pré eleições que terá a marca do banco Bradesco. Mas a exibição do merchandising já começou. Em 5 de agosto, a Rede Globo levou ao ar durante o telejornal uma apresentação do projeto e dos dois aviões que serão utilizados para transportar a equipe de reportagem, ambos identificados pelo logo da emissora e do patrocinador da série. Além de aparecer na vinheta que identifica o projeto, a marca do banco – estampada na cauda das aeronaves – foi mostrada em mais cinco ocasiões durante o 5 minutos e 23 segundos da matéria institucional.

O “JN no ar” é a atualização da “Caravana JN”, série que antecedeu a eleição presidencial de 2006 em que o jornalista Pedro Bial percorria cidades do país em um ônibus. A “Caravana” também foi patrocinada pelo Bradesco, mas este ano – segundo a Assessoria de Imprensa da TV Globo – será usado um “modelo inovador”. Apesar desta afirmação, a assessoria não configura este modelo como sendo merchandising e diz que a “presença do Bradesco é como de qualquer patrocinador e se dá por meio da marca”.

Entretanto, de acordo com o Manual de Formatos Comerciais da Rede Globo, há uma diferença explícita entre “formatos de caracterização de patrocínio”, em que a marca do anunciante aparece sobre a imagem que está sendo exibida (por exemplo, nas partidas de futebol), e os “produtos e formatos diferenciados”, onde se inclui o merchandising. A definição do merchandising para a Globo é a “inserção de produtos, marcas, promoções, serviços ou conceitos, da forma mais natural possível, dentro dos programas da Globo”.

Na vinheta que identificará a série de reportagens diariamente, o logo do Bradesco aparece na cauda do avião da Globo. Além disso, sempre que o avião for focalizado, a marca do banco estará visível, o que caracteriza a inserção como merchandising. Segundo o site especializado AdNews, haverá também a veiculação de uma arte com a aeronave que aparecerá no estúdio onde o telejornal é transmitido ao vivo. A Globo não divulga o valor do patrocínio nem o número de inserções, de acordo com sua Assessoria de Imprensa, por questões estratégicas.

O “JN no ar” estreia será comandado pelo repórter Ernesto Paglia e a equipe percorrerá os 26 Estados do Brasil e o Distrito Federal nas cinco semanas que antecedem as eleições. A cada dia, os apresentadores Fátima Bernardes e William Bonner sortearão a cidade a ser visitada pela reportagem no dia seguinte.

Sem limites

Para Rogério Christofoletti, autor de Ética no jornalismo (Editora Contexto), e professor responsável pelo Observatório da Ética Jornalística da Universidade Federal de Santa Catarina, merchandising dentro de um telejornal é um fato preocupante, que põe em cheque o compromisso do programa com o jornalismo – que ficaria para “segundo ou terceiro plano”, acredita. “Do ponto do vista do jornalismo não dá para misturar publicidade e jornalismo, não dá para confundir as duas coisas”, afirma Christofoletti.

Curiosamente, em 2007, publicidade do mesmo banco Bradesco motivou a demissão do ex colunista do jornal O Globo, Joelmir Beting. O jornalista foi dispensado por ter relacionado sua imagem de jornalista com a empresa ao protagonizar um comercial. A justificativa foi a de que sua atividade como profissional da informação estaria comprometida pela ligação com o Bradesco.

Mas a confusão estaria, justamente, na natureza do merchandising. “Fica muito evidente, muito demarcado pro espectador o que é jornalismo e o que é comercial quando há o brake do jornal”, avalia o professor da UFSC. “O merchan acaba com essa divisão. É uma estratégia do departamento comercial da empresa para baratear os anúncios e acaba comprometendo a programação. A pessoa não tem como fugir.”

Justamente por isso, as organizações de defesa do consumidor defendem que o merchandising em qualquer tipo de programa deve ser considerado publicidade abusiva, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Segundo o Rogério Christofoletti, a estreia do merchandising no jornalismo se dar dentro do telejornal mais visto da TV aberta e em época eleitoral é um agravante. “Toda a atenção das pessoas, mesmo quem não gosta de política, acaba sendo bombardeada de informações, e o jornalismo pode auxiliar as pessoas a tomarem decisões”, diz o pesquisador. Elucidação de casos de denúncias, abusos políticos e outras funções do jornalismo estariam sendo deixadas de lado, dando lugar ao entretenimento que incita o consumo.

* O texto foi corrigido às 17h50 do dia 23 de agosto para informar corretamente sobre a da veiculação da matéria institucional do projeto "JN no ar", realizada em 5 de agosto

Anatel recebe pedido de anuência prévia da Oi

SÃO PAULO – A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que recebeu nesta quinta-feira o pedido de anuência prévia da Oi para que a Portugal Telecom ingresse no grupo controlador da operadora. A agência informou que não há prazo estipulado para finalizar todo o processo análise do pedido.

A Oi deu entrada no pedido de anuência prévia no dia 13 de agosto no escritório regional da Anatel no Rio, que encaminhou os documentos para Brasília. Pelo procedimento padrão, quando um novo acionista entra no capital de uma operadora de telecomunicações, o pedido chega à Anatel e é encaminhado para as áreas técnicas, em seguida para a Procuradoria e, por fim, para votação do Conselho Diretor.

Em julho, Oi e Portugal Telecom anunciaram a assinatura do termo de intenções para que a companhia portuguesa adquira participação direta de 10% na holding Telemar Participações, controladora da Oi. O acordo de participação minoritária recíproca também prevê a compra de uma fatia da Portugal Telecom de até 10% por parte da Oi por meio de uma operação privada ou oferta pública.

Incluindo as fatias diretas e indiretas, a Portugal Telecom terá 22,4% do capital da Oi, e um gasto máximo de aproximadamente R$ 8,44 bilhões.

Em carta a presidenciáveis, teles defendem reformas

GUARUJÁ, SP – O presidente da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), Antonio Carlos Valente, apresentou nesta quinta-feira a "Carta do Guarujá", com o título "O Brasil que queremos para 2011-2014". Ela contém sugestões das empresas do setor, que serão apresentadas aos candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais. Uma das preocupações é com a possibilidade do fim da terceirização da mão-de-obra.

Na carta, Valente lembra que, por minuto, há no país cinco novos usuários de TV por assinatura, 25 novos acessos a banda larga e 220 novos clientes de todos os serviços da área. São fundamentais e inadiáveis para o setor, segundo ele, o compromisso com a implementação das reformas Política e Previdenciária, Trabalhista e Tributária.

Os empresários também defenderam a estabilidade do marco legal e regulatório das telecomunicações. Para eles, a convergência tecnológica, que traria mais modernização, deve se desenvolver nesse contexto.

Os representantes do setor de telecomunicações argumentam que ministérios bem equipados e agências reguladoras fortes e independentes são a "garantia de formulação de políticas públicas adequadas, bem como da sua correta implementação pelos investidores privados".

Assinada pela Telebrasil, a Federação Brasileira de Telecomunicações (Febratel), além do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e Serviço Móvel Celular (Sinditelebrasil), a carta diz que é fundamental o compromisso com a modernidade, com o incentivo ao investimento privado, a inovação e a competitividade. E sustenta que o Congresso Nacional deve ser o indutor e o guardião desses compromissos.

Discussão sobre marco legal único ganha destaque em evento de teles

O debate sobre as perspectivas eleitorais e políticas para o próximo governo realizado durante o Painel Telebrasil, nesta quinta, 19, trouxe poucas certezas, até pela ausência de programa setorial dos candidatos à presidência ou de seus representantes.

Mas houve pelo menos um ponto consensual, colocado pelo professor Murilo Cesar Ramos, da Universidade de Brasilia. "Se existe uma coisa que é certa é a necessidade de uma revisão do modelo, isso é um imperativo. Isso significa mudanças na Lei Geral de Telecomunicações e reforma na legislação de radiodifusão, de forma paralela ou convergente à LGT". Ramos disse que em um próximo governo, qualquer que seja, é importante recuperar o papel político do ministério como formulador de políticas. "É preciso definir quem faz política pública e quem regula o setor. É preciso entender como fica a relação entre Anatel e a Telebrás. E é preciso pensar, desde já, no futuro do serviço público, notadamente do STFC, e como será o final dos contratos de concessão em 2025".

A posição foi reforçada por Johnny Saad, presidente do grupo Bandeirantes. "Na discussão do novo marco, acho que quem participou da Confecom deve ter prioridade", disse, referindo-se à participação da Abra, associação de radiodifusores da qual a Band faz parte, na Conferência Nacional de Comunicações. Johnny Saad também voltou a atacar a forma como a Anatel está conduzindo a liberação do mercado de TV a cabo. "Nada em princípio contra a abertura desse mercado, sempre apoiamos isso, mas achamos que é necessário haver regras, não no meio das férias, sair com uma coisa nova. Não foi uma boa forma", disse, referindo-se à cautelar que suspendeu os efeitos do planejamento de TV por assinatura.

"Dos vários modelos que existem hoje, o sistema canadense me parece o melhor. É um modelo em que o investidor tem que ir para produzir lá, e com isso se criou uma forte indústria de produção de conteúdo. É hora de discutir e buscar consenso para o debate do marco regulatório".

Ainda em relação ao jogo de forças no setor de conteúdos no Brasil, Saad disse que "há uma distorção no mercado de cabo, que privilegia canais estrangeiros. Não queremos que seja na mão de um grupo brasileiro apenas tampouco. Queremos pluralidade, mas isso eu não vejo acontecendo. O PT terceirizou o nosso setor, tanto que não teve nenhum ministro, e o Sérgio Motta foi para lá para privatizar a telefonia. Mas acho que estamos perto de um acordo, um consenso, para tirar as diferenças".

Governo suspende ‘Café com o Presidente’

O governo federal suspendeu temporariamente a gravação e transmissão do programa Café com o Presidente. O anúncio foi feito durante sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desta quinta-feira (19) pela Advocacia Geral da União (AGU). Isso aconteceu quando os ministros se preparavam para julgar um pedido de liminar, apresentada pelo PSDB, que pedia a interrupção do programa até segunda ordem. Por conta do anúncio, o relator do caso, Joelson Dias, considerou o julgamento prejudicado. Seu entendimento foi seguido pelos demais ministros. O mérito da representação, no entanto, ainda será analisado.

Os partidos que formam a coligação que apoia José Serra (PSDB) afirmam que, no programa apresentado na última segunda-feira (17), houve interferência direta no processo de sucessão presidencial, fazendo ampla divulgação da candidatura de Dilma Rousseff, de ações governamentais, bem como a de construção de usinas hidrelétricas e medidas para melhorar o atendimento dos aposentados. Os advogados pediram "a imediata suspensão da divulgação do programa até o julgamento final da ação, onde pede que seja aplicada multa no valor de cinco a cem mil UFIRs".

A multa pedida pelo PSDB era para Lula, a candidata à presidência da República Dilma Rousseff (PT), o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, Franklin Martins, e a diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Tereza Cruvinel. Em nota divulgada na terça-feira (17), a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) afirmou que "bem como seus dirigentes, não têm qualquer responsabilidade editorial pelo programa Café com o presidente".

Apesar do anúncio feito pela AGU, até às 23h não havia nenhuma menção à suspensão do programa no site oficial. O advogado do PSDB, Ricardo Penteado, disse, na sessão, que o partido também pediu a retirada dos arquivos de áudio da página na internet. No entanto, os ministros decidiram esperar a análise do mérito para discutir a questão. A vice-procuradora-geral Sandra Cureau lembrou que, nas eleições de 2006, o programa parou de ser veiculado em junho e só voltou em janeiro de 2007.

Segundo o site do Café com o Presidente, ele é o programa de rádio do presidente Lula produzido pela Diretoria de Serviços da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com supervisão da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Nele, são apresentados por Lula, em conversa com um apresentador, "projetos do governo e outros temas de interesse nacional, sempre com o objetivo de contribuir para o esclarecimento do cidadão brasileiro". O programa é transmitido às segundas-feiras, via satélite, no mesmo canal de distribuição de A Voz do Brasil. As transmissões ocorrem em quatro horários: às 6h, às 7h, às 8h30 e às 13h.