Ministro da Secom e diretora da TV Brasil criticam Serra por acusação contra governo

O ministro Franklin Martins (Secretaria de Comunicação) divulgou nota para criticar o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, por acusar o governo federal de financiar "blogs sujos" que "dão norte do patrulhamento" a jornalistas.

"A imprensa no Brasil é livre. Ela apura –e deixa de apurar– o que quer. Publica –e deixa de publicar– o que deseja. Opina –e deixa de opinar– sobre o que bem entende. Todos os brasileiros sabem disso", afirma o ministro na nota.

A presidente da TV Brasil, Tereza Cruvinel, também criticou o tucano pelas declarações. "Estranho as declarações do candidato que, recentemente, participou de uma série de entrevistas com presidenciáveis na TV Brasil, confirmando a observância dos princípios de isenção, apartidarismo e isonomia na cobertura da campanha e dos candidatos", diz Cruvinel, em nota.

Durante discurso no 8º Congresso Brasileiro de Jornais, Serra afirmou que o governo faz "patrulhamentos e perseguições sistemáticas" a jornalistas.

"Boa parte desta estratégia não deixa de ser alimentada por recursos públicos, como por exemplo da TV Brasil, que não foi feita para ter audiência, mas para criar empregos na área de jornalismo e servir de instrumento de poder para um partido."

Na sua resposta, Franklin dá uma cutucada em Serra ao dizer que a campanha eleitoral pode tirar o julgamento sereno mesmo de quem diz ter nervos de aço.

"Mas seria prudente que certos excessos fossem evitados. Ao dizer que o governo federal censura e persegue a imprensa, o candidato Serra não apenas falta com a verdade. Contribui também para arranhar a imagem internacional do Brasil, dando a entender que nossas instituições são frágeis e os valores democráticos, pouco consolidados", completa o ministro.

Já Cruvinel diz que nem o governo nem um partido controlam a TV, mas um conselho.

"Tal como disse o saudoso governador Mário Covas em relação à TV Cultura, TV Pública estadual, na EBC também 'o governo paga mas não manda'", afirma a jornalista.

Após sua palestra, Serra se recusou a responder três perguntas de jornalistas sobre a suposta falta de oposição no Brasil e sobre quais são os blogs sujos a que se referia.

Ao ser questionado, respondia: "Alguma outra pergunta?" Só manifestou-se quando um repórter de TV o perguntou sobre seu empenho na defesa da liberdade de expressão.

Presidente da ANJ critica tentativas de controle social da mídia

RIO – A presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Judith Brito, fez hoje uma defesa da liberdade de expressão na abertura do 8º Congresso Brasileiro de Jornais (CBJ) e considerou "retrógradas e preocupantes" as decisões de alguns governos de exercer um controle social sobre a mídia. Ao se colocar pela livre expressão dos meios de comunicação, Judith lembrou que a ANJ defende a existência de um modelo de auto-regulação do setor.

"O controle social da mídia é um exemplo que, infelizmente, acontece em países vizinhos", disse Judith. "Nos defendemos contra a intolerável censura prévia", acrescentou.

A executiva lembrou que os candidatos José Serra, do PSDB, e Dilma Rousseff, do PT, vão visitar hoje o CBJ. Amanhã, será a vez de Marina Silva, do PV. Os três vão assinar um documento favorável à liberdade de expressão, a exemplo do que fizeram no passado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o atual presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

"Qualquer que seja o vencedor [das eleições], já terá se pronunciado sobre a liberdade de expressão", frisou Judith, que comanda a instituição que conta com 146 associados em todo o país.

O principal tema do congresso este ano é "Jornalismo e democracia na era digital" e, neste sentido, Judith lembrou da necessidade de construção de modelo auto-sustentável na era da internet, alertando para a necessidade de limites na reprodução de conteúdos na internet.

34º Congresso dos Jornalistas começa com críticas a empresários e defesa do diploma

Começou nesta quarta-feira (18/8), em Porto Alegre, o 34º Congresso Nacional dos Jornalistas. A solenidade de abertura, prestigiada por representantes de entidades internacionais da categoria, foi marcada pela crítica ao modelo de jornalismo privado-comercial que está em crise e pela defesa da aprovação da PEC dos Jornalistas. O congresso se estende até o dia 21 de agosto.

Devidamente pilchado ao estilo gaúcho, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, José Nunes, saudou os presentes com um discurso em prosa acompanhado de uma milonga ao fundo. Ele resgatou que, pilchado, defendeu, no congresso anterior, em São Paulo, a candidatura do Rio Grande do Sul para sediar o 34º Congresso Nacional dos Jornalistas. “Nada mais justo do que agora, que estamos em casa, nos indumentarmos devidamente para recepcionar calorosamente, com a força da cultura gaúcha, os colegas de todo o país”, disse, destacando a importância deste evento para a definição das estratégias de luta para fortalecimento da categoria nos próximos anos.

Gustavo Granero, vice-presidente da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), Younouss Mjahed, vice-presidente Sênior da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) e presidente do Sindicato dos Jornalistas do Marrocos, e Celso Schröder, na condição de presidente da Federação dos Periodistas da América Latina e Caribe (Fepalc), deram o tom internacionalista deste 34º Congresso Nacional dos Jornalistas brasileiros, registrando que este evento está sendo acompanhado com grande expectativa pelo movimento sindical internacional da categoria, em função da crise conjuntural que também afeta o Jornalismo. Delegações de 15 países estão participando do 34º Congresso Nacional dos Jornalistas.

Entre os diversos discursos da solenidade de abertura, o do presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, foi o que mais emocionou a platéia. Interrompido por aplausos em diversos momentos de sua fala, ele criticou a postura dos empresários de comunicação que insistem em um modelo mercantilista e falido de Jornalismo e na postura empresarial de promover demissões em massa a cada indício de dificuldades financeiras. “A culpa dessas crises não é dos trabalhadores e dos jornalistas, mas sim dos que sacrificam a função pública do jornalismo em detrimento de seus lucros”, disse.

Murilo também rebateu críticas da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), de que “setores obscurantistas” insistem na proposta de criação do Conselho Federal dos Jornalistas. “Eles é que promovem o obscurantismo ao classificarem de ameaça à liberdade de imprensa qualquer iniciativa de organização dos jornalistas e de fiscalização do exercício regular da profissão”, disparou o presidente da FENAJ.

Mais adiante Sérgio Murillo criticou, também, visões pessimistas sobre a irreversibilidade da decisão do STF que, em junho de 2009, derrubou a exigência do diploma para o exercício da profissão. “Irreversível é a morte”, sentenciou. Ele destacou movimentos como o dos jornalistas gaúchos, que conseguiram, junto ao legislativo riograndense, a derrubada do veto da então governadora Yeda Crusius e aprovar um projeto que assegura a exigência do diploma para a contratação de jornalistas no serviço público e as duas PECs que tramitam na Câmara e no Senado prevendo o retorno da exigência do diploma para o exercício da profissão. “A decisão do STF foi equivocada e desastrada. Mas as duas PECs estão prontas para votação e, com nossa luta, até o final deste ano teremos as duas aprovadas no Congresso Nacional”, previu.

Serra critica conferências e política de comunicação do governo Lula

Rio de Janeiro – O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, criticou hoje (19) a política de comunicação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao falar no 8º Congresso Brasileiro de Jornais, na capital fluminense. O evento é promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ). Serra afirmou que não há nenhum país que possa ser considerado democrático, sem liberdade de expressão e de informação. “Infelizmente, o Brasil, em matéria de política externa, parece ter um especial carinho, uma amizade, por países onde essa liberdade não existe”, disse.

Segundo o candidato do PSDB, nos últimos anos tem sido usado alguns métodos para cercear a liberdade de imprensa. “Recentemente, nos últimos anos, tem havido tentativas em três modalidades de cercear essa liberdade. A primeira delas utiliza os mesmos instrumentos da democracia: tenta-se fazer por vias legais. Este é o caso da criação de conferências, o conferencismo. São conferências, desde logo, pagas com dinheiro público, pagas com dinheiro de todos os contribuintes”, afirmou.

“Nós tivemos três delas: a conferência de comunicação, a conferência de direitos humanos e a conferência de cultura. E as três se voltaram para um controle da nossa imprensa, um cerceamento da liberdade de expressão e da liberdade de informação. De que maneira? Através do controle – suposto – da sociedade civil. Quantas pessoas podem ter participado dessas conferências, 15 mil, 20 mil? Isso não representa o povo brasileiro. Representa muito mais um partido”, completou.

Serra criticou também a tentativa de criação do Conselho Federal de Jornalismo, classificado por ele como uma “barbaridade”, que teria a possibilidade de cassar o exercício da profissão de jornalistas. O candidato afirmou que o PT chegou a incluir essas questões [de controle da mídia] em seu programa de governo. “Isso foi aprovado em conferência e registrado na Justiça Eleitoral. E não foi por engano. Aquilo foi um programa apresentado e registrado. Inclusive rubricado pela própria candidata [do PT, Dilma Rousseff]. Se leu ou não, é um problema de estilo, de relacionamento entre partido e candidatura. Não é de surpreender que possa não ter lido aquilo em detalhe. Mas significava, sem dúvida nenhuma, um endosso, como sempre significou, às posições de controle da imprensa”.

José Serra citou também o aspecto econômico como uma forma de controle da mídia pelo governo, por meio da publicidade governamental. “Esse é um instrumento que tem sido utilizado como critério de manipulação que eu nunca vi antes. Eu suspeito também que tem um grande componente de intimidação nesse caso: ameaça de corta isso, suspende aquilo. Nesse caso, parece ser uma loucura com um método, que se destina a intimidar”, disse.

O ex-governador criticou ainda o que chamou de “patrulhamento”. “Para o pessoal que exerce a patrulha, indiretamente comandados pelo PT, o que importa são versões e não fatos objetivos. E isso limita a liberdade de expressão, que é feita por uma coação que tem elementos psicológicos”, afirmou. “Esta estratégia não deixa, também, de ser alimentada por recursos públicos. Boa parte, ou alguns, dos blogs sujos mais importantes são mantidos inclusive com recursos dessa TV Brasil, feita para não ter audiência, criar empregos – sem dúvida – na área do jornalismo, mas servir como instrumento de poder em matéria de expressão de informação para um partido basicamente. Financiam também, de uma outra maneira, esses blogs que dão o norte do patrulhamento para os círculos concêntricos que vão se desdobrando”, completou.

Ao fim da sua apresentação, Serra, ao falar com os jornalistas, destacou o seu compromisso com a liberdade de imprensa. “Meu compromisso é com a democracia e não há democracia sem liberdade de imprensa, sem liberdade de expressão e de informação. Eu, na Presidência da República, vou respeitar, até o fundo da alma, essa liberdade de expressão e de informação. Porque ela é a garantia da democracia. Não fosse essa liberdade, não teriam sido descobertos mensaleiros, violadores de sigilos, portadores de dinheiro na cueca e muitas outras coisas”, disse.

Com 312 inscritos, encontro sacode a blogosfera

Uma roda de chorinho e samba, comandada pelo jornalista Luis Nassif, dará a largada para o maior evento na história da blogosfera brasileira. Às 20 horas desta sexta-feira (20/8), começa em São Paulo o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas – um feito que tem tudo para fazer avançar a luta pela democratização da mídia no país.

Para o sarau de abertura, o grupo de Nassif recebe as cantoras Anaí Rosa e Carmen Queiroz, a pandeirista Roberta Valente e o multi-instrumentista Miltinho Tachinha, entre outros músicos. A apresentação ocorre na Regional Paulista do Sindicato dos Bancários de São Paulo, no número 305 da Rua Carlos Sampaio, próximo à Avenida Paulista.

Já o restante da programação, no sábado (21) e domingo (22), está marcado para o Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, ao lado da Câmara Municipal, no Centro paulistano. É lá que os 312 participantes inscritos acompanham a mesa de abertura, as oficinas, parte dos grupos de discussão e a plenária final.

A blogosfera hoje

A boa procura pelo Encontro surpreendeu membros da Comissão Organizadora, como Altamiro Borges, o Miro, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. “Há dois meses, quando o Encontro começava a ganhar forma, pensávamos em reunir uns 200 blogueiros. O número de inscritos não só superou nossas expectativas como mostra que o movimento pode crescer muito”, analisa Miro.

Para Paulo Henrique Amorim, blogueiro do Conversa Afiada e também membro da Comissão Organizadora, a blogosfera já mostrou a que veio. “Antigamente, os tucanos de São Paulo davam três telefonemas e controlavam o Brasil. Eles ligavam para o Doutor Roberto (Globo), o Ruy Mesquita (O Estado de S. Paulo) e o Seu Frias (Folha de S.Paulo) e governavam a opinião pública brasileira. O que desmontou essa estratégia concentrada em três telefonemas foi a blogosfera.”

Já Luis Nassif fala em “nova etapa” para definir os desafios atuais dos blogs progressistas. “Nos últimos anos, montamos uma rede de grande impacto para impedir as maluquices da direita e o processo avassalador da mídia. Essa guerra acabou”, afirma o jornalista. “Agora é preciso enfrentar as divergências entre nós mesmos – entre os blogueiros dessa frente. É uma oportunidade para mostrar que a blogosfera comporta essa democracia.”

Representatividade

Mais do que democrático, o Encontro também será altamente representativo. É fato que o estado de São Paulo vai responder por pouco mais de 60% dos blogueiros mobilizados – mas haverá representantes de outros 17 estados e do Distrito Federal. Um dos maiores objetivos dos organizadores – atrair estudantes para os debates – também foi bem-sucedido. Pelo menos 90 inscritos são universitários, sobretudo de Comunicação Social.

No Encontro, esses jovens blogueiros, tuiteiros ou simples internautas poderão ter contato com as principais referências em blogs progressistas no Brasil. É o caso de Luiz Carlos Azenha (Viomundo), Rodrigo Vianna (Escrevinhador), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Emir Sader (Blog do Emir) e Brizola Neto (Tijolaço) – além dos já citados Altamiro Borges, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif.

A Carta e a Adin

Para fortalecer a luta contra a ditadura dos meios de comunicação, o Encontro vai aprovar, na plenária final, a Carta dos Blogueiros Progressistas. O documento – cujo texto-base foi divulgado nesta semana – propõe a união da blogosfera para formular “propostas de políticas públicas” e estabelecer “um marco legal regulatório que contemple as transformações pelas quais a comunicação está passando no Brasil e no mundo”.

Antes, no sábado, os participantes conhecerão o conteúdo de uma audaciosa Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) de autoria do jurista Fábio Konder Comparato. Trata-se de uma “Adin por Omissão”, que cobra do Congresso a regulamentação dos artigos sobre Comunicação presentes na Constituição Federal.

Duas entidades da área – a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e a Fitert (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão) – prometem entrar com essa ação no Supremo Tribunal Federal, com o apoio das seis centrais sindicais do país. O próprio Comparato é quem deve explicar aos blogueiros o sentido e a urgência dessa iniciativa.

Notificação a Serra

Os participantes do Encontro também devem protestar contra o candidato tucano à Presidência, José Serra, que, num golpe de baixaria, acusou o governo Lula de financiar “blogs sujos” que “patrulham” jornalistas. Segundo Paulo Henrique Amorim, a calúnia de Serra demonstra como se dá a “criminalização dos blogs” no Brasil.

“O 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, com muita honra, deveria mudar de nome e se chamar 1º Encontro Nacional de Blogueiros Sujos”, ironiza o titular do Conversa Afiada. Em sua opinião, cabe ao evento máximo da blogosfera brasileira “entrar com uma notificação judicial e um pedido de explicação ao candidato José Serra para saber quem é sujo e quem é limpo”.