Projeto de incentivo ao audiovisual libera R$ 8 milhões para produtoras do RJ

Com a intenção de consolidar o estado do Rio de Janeiro como um dos principais pólos de audiovisual do Brasil e da América Latina, a Secretaria de Cultura do estado, em parceria com a RioFilme e a iniciativa privada, lança linhas de financiamento e premiações que somam R$ 8,3 milhões.

 

Abrigado no Programa Rio Audiovisual, o Programa de Chamadas Públicas de Audiovisual RioFilme/SEC 2010-2011 aceita inscrições de produtoras independentes estabelecidas no estado do Rio de Janeiro há pelo menos 1 ano.

 

O dinheiro do projeto será distribuído em nove editais, sendo para o desenvolvimento de longas-metragens (R$ 2 milhões); projetos de séries de TV (R$ 1 milhão); jogos eletrônicos (R$ 600 mil); produção de mostras e festivais de audiovisual (R$ 250 mil); produção de documentários para a TV por meio de parceria com o Canal Brasil (R$ 2 milhões); curtas-metragens (R$ 700 mil); finalização de longas-metragens (R$ 1 milhão); e um prêmio adicional para o desenvolvimento de projetos de multiplataforma (R$ 180 mil).

 

Dos R$ 8,3 milhões disponibilizados para o projeto, R$ 4 milhões provém da RioFilme – empresa de distribuição de filmes da prefeitura do Rio de Janeiro -, R$ 3 milhões da Secretaria da Cultura do estado e R$ 1,3 milhão de parceiros (Canal Brasil, Oi Futuro e MTV Brasil).

Presidente do SindiTelebrasil disse que setor perdeu a oportunidade de aprimorar o plano

O presidente de Telefônica e do SindiTelebrasil, Antonio Carlos Valente, lamentou nesta terça-feira (5) a conclusão da consulta pública sobre as novas metas do PGMU. A Anatel encerrou o recebimento de contribuições ontem à noite, após obter a suspensão da liminar do sindicato, que prorrogava a consulta por mais 30 dias. A entidade, contudo, vai recorrer contra a nova decisão.

 

Segundo Valente, as operadoras tiveram tempo de apresentar suas contribuições, mas acha que foi perdida uma oportunidade muito rica de debater, fazer cálculos e aprimorar o plano. “Esse é um processo complexo, que vai trazer reflexos para anos de vida do contrato [de concessão] e para a sociedade brasileira”, argumentou.

 

Para Valente, o principal agora é continuar os encontros com a área técnica para nivelar o entendimento das premissas. “Com o entendimento melhor dessas premissas, podemos chegar a um valor dos custos”, disse.

 

Caso o SindiTelebrasil obtenha nova vitória na justiça, o entendimento é de que a Anatel terá que reabrir a consulta pública. O processo foi fechado ontem à noite com 272 sugestões.

 

O presidente da Telefônica participou da abertura do II Seminário Infrações e Sanções nos Serviços Públicos Regulados, promovido pelo Instituto Internacional de Estudo de Direito de Estado (IIEDE), em Brasília.

Anatel derruba liminar e encerra consulta pública das novas metas

A Anatel conseguiu derrubar a liminar que exigia a prorrogação, por 30 dias, da consulta pública sobre o novo Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU III). A agência não anunciou oficialmente a mudança na consulta, mas o sistema interativo da Anatel já foi atualizado e não consta mais o novo prazo divulgado pela própria autarquia na manhã desta segunda-feira, 4. No sistema, a consulta foi encerrada às 19h de hoje.

 

Mais cedo, a Anatel havia divulgado que prorrogaria o prazo de recebimento das contribuições até 1º de novembro, em cumprimento à decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro, que concedeu liminar em favor do SindiTelebrasil. Mas, no início da noite de segunda a agência reguladora obteve uma suspensão da liminar emitida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), podendo assim, encerrar a consulta pública no prazo originalmente estabelecido.

 

A decisão foi tomada pelo desembargador Paulo Espírito Santo. Após analisar o caso, o desembargador entendeu que manter a prorrogação inviabilizaria a implantação do PGMU III, uma vez que o documento precisa estar pronto e publicado até 31 de dezembro de 2010 para ter validade prática. Também foi aceita a argumentação apresentada pela equipe jurídica da Anatel de que o documento foi vastamente discutido com a sociedade, ao contrário do que alega o SindiTelebrasil, tendo ficado em consulta pública por 122 dias.

 

Lesão à ordem

Em sua análise, Espírito Santo alertou que a extensão do prazo de consulta poderia gerar "lesão à ordem social", uma vez que inviabilizar a edição do PGMU III acarretaria, em última instância, a assinar a renovação dos contratos de concessão das teles sem que estivessem claramente estabelecidas as contrapartidas para a sociedade. "Como os contratos de concessão deverão ser celebrados até 31/12/2010, caso a vigência do PGMU III não se dê a partir de 01/01/2011, há o risco de os contratos serem assinados sem que estejam acompanhados das metas que as empresas devem cumprir nos próximos cinco anos, desobrigando-as, assim, do seu adimplemento", conclui o desembargador.

 

Para o relator do caso, é evidente que a Anatel discutiu o assunto por tempo razoável, já que os debates com a sociedade sobre o PGMU III foram iniciados no ano passado. O desembargador criticou ainda o fato de a Justiça Federal ter concedido uma liminar inaudita altera pars, ou seja, sem ouvir a Anatel antes de emitir a decisão. "Uma decisão com esta envergadura, com a máxima vênia, jamais poderia ser dada sem que fosse ouvida a parte contrária."

 

No entendimento do desembargador, a Anatel tem razão ao alertar para os eventuais prejuízos de ampliar o tempo de discussão por mais um mês. "Verifica-se inequívoco prejuízo para a política social do país, já que, caso mantida a decisão, evidentemente não se terá tempo hábil para a entrada em vigor do referido plano", conclui Espírito Santo.

França lança primeiras advertências por downloads ilegais

Dois provedores de acesso à internet na França enviaram os primeiros correios eletrônicos de advertência por downloads ilegais na web, confirmou nesta segunda-feira o organismo francês encarregado de aplicar a lei aprovada há pouco mais de um ano.

Conhecida como HADOPI (Alta Autoridade para a Difusão de Obras e Proteção dos Direitos na Internet, em francês), a lei prevê que no caso de um download ilegal identificado e reiterado que o usuário tenha suspenso o acesso à internet depois de duas advertências e por decisão de um juiz.

Segundo o site PcInpact, os provedores franceses de internet, telefonia e tv a cabo Numericable e Bouygues Telecom foram os primeiros a enviar e-mails de advertência a seus clientes.

Se cometer uma terceira infração, o usuário corre o risco de ser multado e ter suspenso seu acesso até um ano, sem possibilidade de se inscrever em outro provedor.

A lei promovida pelo governo francês foi alvo de um caótico percurso legislativo e da censura, em junho de 2009, do Conselho Constitucional, instância suprema que garante a constitucionalidade das leis.

Audiência pública discute novas diretrizes para o curso de jornalismo

Uma comissão de especialistas recebeu no início de 2009 uma missão do Ministério da Educação (MEC): redesenhar as diretrizes para o curso de jornalismo. A decisão partiu do próprio ministério, que entendeu como prioritário para a educação do país rediscutir os rumos dessa área acadêmica. Dentre outras conclusões, a comissão fez a leitura de que é preciso fortalecer o curso de jornalismo como uma área autônoma. Para recolher mais opiniões sobre a proposta de novas diretrizes, a Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) irá realizar uma audiência pública em Brasília, em 8 de outubro, às 10hs, no auditório do CNE.

As recomendações sistematizadas no documento são: criação de um programa nacional de aperfeiçoamento docente em jornalismo; direcionamento do campo de pesquisa em jornalismo para o aperfeiçoamento da prática; uma consulta da academia às empresas e sindicatos, no intuito de capacitar os ingressantes no mercado em setores estratégicos e reciclar jornalistas já diplomados com objetivo de especializá-los em campos diversos da mídia atual; e a regulamentação dos processos didáticos para a aplicação das diretrizes.

A proposta mais controversa, no entanto, é a de autonomia do curso de jornalismo dentro da área da Comunicação Social. Segundo o documento, “a responsabilidade social do jornalismo, seu papel essencial na democracia e a competência específica exigida para exercê-las, lidando com as novas tecnologias, aspectos enfatizados ao longo deste documento, recomendam uma formação fundamentada na ética, na competência técnica, no discernimento social e na capacidade crítica, habilidades que só podem ser adquiridas em uma sólida formação superior própria.”

O professor da Universidade Metodista de São Paulo José Marques de Melo, presidente da comissão, conta que o Ministério da Educação já vinha fazendo um levantamento de cursos que estavam desvalorizados no Brasil, e decidiu por revisar as diretrizes do curso de jornalismo. “O que nós procuramos fazer é criar uma flexibilidade e não engessar o curso de jornalismo, de forma a valorizá-lo para além de uma simples habilitação”.

As mudanças valorizarão o campo específico do jornalismo na academia e no mercado. É o que pensa a diretora da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) Valci Zuculoto. “Uma das coisas que a gente acha que foi positiva foi o reconhecimento das especifidades da nossa área” relata a diretora. “Nós não somos a favor da preparação de um profissional para o mercado capitalista, e sim para ter conhecimento de qual é o seu papel e como servir à sociedade”.

A Comissão teve o prazo de 180 dias para concluir os trabalhos e submeter as propostas para as novas diretrizes para o Conselho Nacional de Educação. Além de José Marques de Melo, fizeram parte dela os professores Alfredo Vizeu (UFPE), indicado pelo Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ); Eduardo Meditsch (UFSC), indicado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj); Luiz Gonzaga Motta (UnB), indicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor); Manuel Carlos Chaparro (USP); Sônia Virgínia Moreira (UERJ); Sergio Mattos (UFBA); e Lúcia Maria Araújo, representante do Canal Futura.

Críticas ao modelo

Com a sugestão de separação do curso de jornalismo, suscita-se uma antiga discussão acadêmica: a formação do estudante deve ser abrangente ou específica? Embora a comissão tenha concluído a favor da especificação, há setores da academia que não concordam com o método. É o caso da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos). Para um dos coordenadores nacional da entidade Pedro Alves as novas diretrizes do jornalismo vem com único e exclusivo interesse de atender à demandas do mercado. “A nossa concepção é outra, que garanta a qualidade na formação dos comunicadores sociais, dando suportes técnicos e teóricos para que o comunicador possa exercer sua função social a favor do povo”, diz Alves.

Diretora do curso de comunicação da UFRJ, Ivana Bentes, acredita que a proposta é um retrocesso para a área da comunicação. “Essa visão de jornalismo é estreita, arcaica e está sendo defendida por setores corporativistas do jornalismo”, afirma a professora. “Com a saída do jornalismo da grande área, isso traria efeito direto não só para essa profissão, mas também para as outras habilitações, que ficariam incompletas”.

Outra crítica feita é em relação a forma adotada para a elaboração das novas diretrizes. “O método de formulação da proposta foi antidemocrático porque nada foi divulgado ou debatido nas escolas de comunicação do Brasil”, diz Pedro Alves, da Enecos. “Fizemos um mapeamento no primeiro semestre e em muitas escolas, os professores, os técnicos e os estudantes não sabem da existência de uma nova diretriz para o jornalismo.”

Retrospecto histórico

O primeiro currículo de jornalismo veio com a criação do primeiro curso da área, em 1946. Todas as escolas de comunicação do país eram obrigadas a segui-lo. Com a chegada da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1961, a graduação passaria a ter um currículo mínimo e não mais uma grade fechada, garantindo autonomia e flexibilidade às instituições. Foi então que, em 1962, apresenta-se o primeiro currículo mínimo para o curso de jornalismo.

Com a chegada da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996, iniciou-se uma mobilização para a atualização do currículo do curso de Comunicação Social. Daí então é que, em 1999, com amplos trabalhos junto à diversas entidades da sociedade civil, se formulou as “Diretrizes Curriculares para o Curso de Comunicação Social”. A principal diferença dessa vez era que não existia mais um currículo mínimo, e sim indicadores de como seria o curso, que agora abrangia toda a área, mas possibilitava a criação de habilitações, como a de jornalismo.