Nova Lei do Fust entra na lista de prioridades do governo

Redação – Teletime News

A tradicional mensagem de abertura do ano legislativo, encaminhada nessa quarta-feira, 2, pela Presidência da República ao Congresso Nacional, traz uma boa notícia para o setor de telecomunicações. Depois de mais de três anos de tramitação, o PL 1.481/2007, mais conhecido como nova Lei do Fust, entrou enfim na lista de prioridades declaradas pelo governo. O projeto está há mais de um ano pronto para votação no Plenário da Câmara dos Deputados, mas questões políticas adiaram sucessivamente a deliberação, especialmente depois do lançamento do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

O PL do Fust é peça-chave para o avanço da política de massificação de banda larga, pois é essa mudança legal que permitirá o investimento dos recursos do fundo de universalização não apenas na telefonia fixa, mas também em projetos de Internet em alta velocidade. Em mais de uma década de existência, menos de 1% dos recursos arrecadados pelo Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) foi empenhado para a execução de uma única política pública (instalação de telefones adaptados) aprovada até agora. Desde que foi criado, o fundo já arrecadou mais de R$ 8 bilhões. Apenas o fluxo anual de recolhimento dos recursos está em torno de R$ 1,5 bilhão.

Parte dos custos do PNBL podem ser bancados com esse fluxo do Fust, caso a lei atual seja modificada. Daí a necessidade de incluir o projeto na lista de destaques em que a bancada do governo trabalhará para viabilizar a votação o mais rápido possível. O projeto é citado como uma das "grandes prioridades econômicas e de infraestrutura para 2011" na mensagem.

PNBL anima pequenos provedores

Redação – Valor Online

 

Segundo a assessoria de imprensa da Telebrás, a estatal contabiliza 265 provedores cadastrados por meio de seu site. As empresas têm interesse em uma capacidade que já chega a 24 gigabytes de velocidade de conexão.

A direção da Telebrás licitou a compra dos equipamentos que farão sua rede funcionar. A estatal depende, no entanto, da assinatura de acordos para uso das fibras ópticas da Petrobras e da Eletrobras para começar a instalação de sua estrutura.

A estatal vai oferecer, segundo sua direção, o aluguel de 1 megabyte por R$ 230 a R$ 260. O valor é competitivo, levando-se em conta que, no interior do país, provedores de acesso à internet chegam a pagar bem mais de R$ 1 mil para contratar uma conexão desse porte. "Quanto mais para o interior, mais caro fica", diz Daniel Duarte, diretor e um dos fundadores da Tellfree, operadora que utiliza a rede de outras companhias para prestar seus serviços. "Em muitos casos, os provedores fazem trocas de tráfego para reduzir custos."

Na avaliação de Sérgio Sá, diretor comercial da paulista America Net, a rede da Telebrás será importante para conexões de longa distância. A companhia, que opera com tecnologia de radiofrequência e está montando uma rede de fibra óptica, pretende expandir sua atuação para as 12 capitais que sediarão jogos da Copa de 2014.

Minicom pode tornar obrigatório o uso do Ginga nos aparelhos de TV

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, está disposto a tornar obrigatória a inclusão do meddleware Ginga, que proporciona a interatividade na TV digital, nos aparelhos de televisão produzidos no país. No programa Bom Dia, Ministro desta sexta-feira (4), Bernardo disse que ouvirá a Abinne (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) e o Fórum Brasileiro da TV Digital para saber quais as dificuldades para adoção do sistema.

“Primeiro vamos conversar, mas se for preciso tomarei a decisão de tornar o uso do Ginga obrigatório”, disse. Ele informou que ainda está discutindo com o ministro da Casa Civil,Antonio Palocci, sobre quem ficará com a coordenação da implantação da TV digital no país. Porém disse que já começará a trabalhar para garantir a interatividade.

Sobre a adoção de um sistema de rádio digital, o ministro ressaltou que os dois sistemas existentes no mundo – o Iboc, dos Estados Unidos e o DRM, da Europa – continuarão a ser avaliados. “Ainda não temos uma posição sobre qual dos dois será adotado”, disse.

Telefonia rural

Ainda no programa Bom Dia, Ministro, Bernardo afirmou que a licitação da faixa de 450 MHz, destinada a telefonia rural, será iniciada este ano. O ministro informou que o orçamento da União deste ano prevê o repasse de R$ 70 milhões para que a Polícia Federal compre os equipamentos necessários para migrar seus serviços, atualmente na faixa de 450 MHz, para a faixa de 380 MHz a 400 Mhz.

Funttel destina R$ 46 milhões para interatividade na TV Digital em cinco anos

O volume de recursos repassados pelo Governo Federal para o desenvolvimento da TV Digital no Brasil ultrapassou R$ 76 milhões entre 2005 e 2010. Desse total, R$ 46 milhões foram destinados exclusivamente para o desenvolvimento de aplicativos interativos. O dinheiro foi aplicado em pesquisa por meio do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), que conta com representantes do Ministério das Comunicações em seu conselho gestor.

Uma das instituições beneficiadas com recursos do Funttel, o CPqD está desenvolvendo, em fase final de testes, aplicativos voltados para a interatividade, que permitem ao cidadão acessar serviços públicos em seu aparelho de TV ou pelo telefone celular. Exemplos desses serviços são a consulta a dados da Previdência Social e a marcação de consultas médicas.

O diretor do Departamento de Indústria, Ciência e Tecnologia do Ministério das Comunicações, Laerte Davi Cleto, explica que, por enquanto, esses aplicativos são desenvolvidos apenas para fins de pesquisa. “As aplicações são criadas e testadas não comercialmente. Mas nada impede que empresas ou órgãos públicos façam uso dessas ferramentas. Estão à disposição dos interessados”, afirma.

Segundo ele, essas pesquisas também possibilitaram a definição de como seria a interatividade na TV Digital e a criação de um padrão que permita a utilização da tecnologia em qualquer aparelho – independentemente de marca e com conteúdo gerado por qualquer emissora.

Educação

Cerca de R$ 1,8 milhão repassado por meio do Funttel está sendo destinado ao desenvolvimento de ferramentas para a educação. As universidades federais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul estão trabalhando em conjunto para padronizar a linguagem de conteúdos interativos educacionais, além de ter uma plataforma para produção, geração e difusão de conteúdos de aprendizagem.

A idéia é criar uma rede de construção de aplicações que terá a participação de professores de todo o país. Com a ferramenta, poderá ser desenvolvido, por exemplo, um laboratório virtual de Física, onde professores da disciplina ajudarão a construir coletivamente o aplicativo.

O Funttel

O objetivo do fundo é ampliar a competitividade da indústria brasileira de telecomunicações e estimular o processo de inovação tecnológica por meio de financiamentos. A origem dos recursos do Funttel é de 0,5% sobre o faturamento líquido das empresas prestadoras de serviços de telecomunicações.

Secretaria de comunicação do Minicom quer diminuir burocracia para poder formular políticas

O novo secretário de comunicação eletrônica do Ministério das Comunicações, Genildo Lins de Albuquerque Neto, estabeleceu uma prioridade central para sua gestão. "Precisamos modernizar e agilizar todos os nossos processos internos. É isso que fará com que não sejamos apenas um cartório, como é hoje, e possamos nos dedicar também à formulação de políticas", disse o novo secretário a este noticiário. Albuquerque tem duas metas traçadas: uma de curto prazo, que é eliminar redundâncias e etapas desnecessárias nos procedimentos que hoje são seguidos pela secretaria na análise dos milhares de pedidos e processos. Nesse caso, existe uma data interna de trabalho até 31 de março para que sejam apresentados os primeiros estudos do que pode ser melhorado, e como. "A implementação desses novos procedimentos deve acontecer até maio, e se tudo correr bem, no segundo semestre podemos ter de forma mais clara as demandas e retomar as atividades de outorgas", diz o secretário. Até lá, tudo deve ficar suspenso, explica, "para não aumentar a fila".

A segunda etapa é bem mais complexa e envolve digitalizar os processos internos, torná-los acessíveis para os interessados pela Internet e eliminar a burocracia em papel. Esse trabalho deve levar pelo menos os quatro anos do governo Dilma Rousseff. "Espero pelo menos colocar a semente desse novo projeto". Genildo Albuquerque teve uma experiência semelhante quando atuava no Ministério do Planejamento, que foi a informatização dos processos de convênios entre o Governo Federal e as prefeituras. "Lá, levou dois anos, mas o Ministério do Planejamento tinha muito mais recursos do que aqui". O resultado, diz, foi a eliminação quase que completa de todo o fluxo de papel. "Não pretendemos que a burocracia seja substituída por cópias escaneadas de documentos. Teremos que mudar toda a estrutura de tramitação dos pedidos". Uma das dificuldades dessa informatização, diz Genildo Albuquerque, é a integração entre os processos de outorgas e as demandas pós-outorgas. Outro problema é em relação ao acesso público. "Quanto mais aberto forem esses processos na Internet, mais segurança precisaremos colocar, estabelecer hierarquias, e tudo isso consome tempo. Por isso não posso dizer que tudo estará aberto ao público imediatamente".

Ele diz que hoje o ministério não consegue manter um registro preciso de quantos pedidos de todas as naturezas estão sendo analisados ou do tempo que eles levam para ser processados. Estes pedidos vão desde a solicitação de outorgas até alterações técnicas, societárias e contratuais, sem falar no processamento dos editais de outorga e nos processos sancionatórios.

Sem mudança nas outorgas

A nova secretaria de comunicação eletrônica do Minicom comemora a transferência total das funções fiscalizatórias e sancionatórias para a Anatel como uma forma de desafogar os trabalhos internos. "Nas questões técnicas, isso está previsto em lei. A mudança é uma forma de fazer a lei ser cumprida mais rapidamente", diz. Mas o novo secretário rechaça veementemente qualquer hipótese de alteração do papel de outorga de radiodifusão, especificamente uma transferência dessa função para a Anatel. "Quem faz a análise e concede outorgas é o Ministério das Comunicações e isso está expresso na legislação. Não pretendemos mudar", diz Genildo Albuquerque, deixando claro que se essa discussão acontecer será no âmbito do debate de um novo marco legal das comunicações. "Nada disso ainda está sendo tratado agora", diz.

Problemas futuros

Genildo Albuquerque reconhece que hoje o Ministério das Comunicações tem pouco conhecimento econômico sobre o setor de radiodifusão. Ele se refere às relações entre as empresas (por exemplo, contratos de afiliação), bem como dados sobre empregos, faturamento e programação das emissoras de TV. Uma parte destas informações, sobretudo as de natureza geográfica e contratual, diz o secretário, pode ser conseguida quando tudo estiver informatizado, mas um acompanhamento mais minucioso seria impossível agora e, se for feito, é uma meta de longo prazo, explica.

Sobre as constantes demandas que chegam na secretaria de comunicação eletrônica, sobretudo de parlamentares, o secretário diz acreditar que elas diminuirão quando a tramitação for automatizada e ágil. "Hoje existem demandas que deixarão de fazer sentido nesse novo cenário", explica Samuel Possebon.