Conselheiro não quer unbundling para redes de alta capacidade

Lia Ribeiro Dias – Telesíntese

Para estimular os investimentos em redes de alta capacidade e aumentar a velocidade de transmissão de dados da infraestrutura de telecomunicações do país, o conselheiro João Rezende, da Anatel, estuda a possibilidade de exigir a abertura de redes para terceiros apenas para as redes antigas, de cobre. O unbundling, ou outra forma de abertura de rede, não seria exigido para as redes de fibra óptica de alta capacidade pelo período de oito anos, como forma de proteção ao investimento feito.

A informação foi antecipada pelo conselheiro em sua palestra no 25º Encontro Tele.Síntese, realizado hoje em São Paulo pela Momento Editorial. Ele também informou que o edital da licitação da faixa de 2,5 GHz deverá estar concluído em julho, após realização de consulta pública, e que ela deverá acontecer em agosto deste ano. Disse ainda que já haveria seis empresas interessadas no leilão, que deverá selecionar quatro vencedores.

TCU está prestes a barrar tudo o que a Anatel já fez para abrir o mercado de TV a Cabo

A tentativa da Anatel de abrir o mercado de TV a cabo, que há mais de 12 anos se mantém estagnado, sem uma única nova licença, está prestes a ser paralisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Fontes do governo que acompanham o tema informaram que até sexta-feira o Tribunal deverá publicar uma cautelar mandando suspender todos os atos da agência referentes a esse movimento de abertura de mercado.

A iniciativa da Anatel para abrir este mercado começou após o ingresso do conselheiro Joáo Rezende no conselhop da agência. Rezende estava convencido – como ainda deve estar- que a abertura do mercado de TV a cabo para todas as empresas (inclusive as concessionárias que estáo hoje impedida de explorar esse segmento, por causa das proibições da Lei do Cabo), seria um instrumento importante de estímulo à ampliação dos investimentos na rede de telecomunicações, barateamento dos serviços e ampliação da competição.

Mas esta discussão está amarrada a uma nova lei do cabo, que há mais de quatro anos ficou em tramitação na câmara dos Deputados, e agora está parada no Senado Federal. A Anatel decidiu, entáo, agir pelos instrumentos regulatórios que detém.

Em maio do ano passado, o conselho diretor suspendeu a eficácia, em caráter cautelar do planejamento de implantação do Serviço de TV a CAbo. Este planejamento ainda era do ano de 1997, e foi formulado pelo Ministério das comunicações. Este documento fazia reserva de mercado ao contrário. Limitava o número de licenças de TV a cabo nas grandes cidades e capitais. Para a Anatel, o cabo é uma infraestrutura que não depende de bem escasso, por isso, não precisa de limites de licenças.

Em 25 de novembro, o conselho diretor aprova o novo Planejamento do Serviço de TV a Cabo e MMDS, acabando com a limitação ao número de licenças.

Após essa decisão a Anatel chega a fazer uma sessão pública que trata dos contratos de concessão das operadoras e retira desses contratos a cláusula que impedia que as subsidiárias das concessionárias prestassem o serviço de TV a cabo.

Em 20 de janeiro deste ano, o conselho toma uma outra decisão em direção a liberação desse mercado e estbelece o preço de 9 mil reais pela licença.Tudo isto será anulado pelo TCU.

Conselho da EBC veta programas de religiões específicas em suas emissoras

Depois de oito meses de debates, o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) aprovou nesta terça-feira (22) uma resolução que determina a suspensão dos programas religiosos presentes na grade de programação da TV Brasil e das rádios da empresa. A EBC tem o prazo de seis meses para retirar as produções do ar. A medida busca aumentar a diversidade religiosa presente nas emissoras da EBC em vez de privilegiar determinados credos, como vinha ocorrendo.

No lugar dos atuais programas será destinada uma faixa que também vai tratar de religião, mas de maneira diferente. A proposta para ocupação desse espaço ainda será formulada pela diretoria da EBC e submetida ao Conselho Curador. A diretriz é para que nele seja contemplada a máxima pluralidade das vivências religiosas no país. A decisão foi conquistada por ampla maioria dos 22 membros do Conselho. Os representantes do Governo Federal abstiveram-se nos seus votos.

Os conteúdos que deverão ser suspensos são o programa “Reencontro”, produzido por igreja de orientação evangélica, aos sábados; e os programas “A Santa Missa” e “Palavras de Vida”, de orientação católica, aos domingos. Já a Rádio Nacional de Brasília transmite, aos domingos, celebração de missa católica. Todos eles são originários das emissoras que foram absorvidas pela EBC após a sua criação e a aprovação da Lei nº 11.652/2008, que regulamenta o Sistema Público de Comunicação. “A Santa Missa” era produzida nos estúdios da empresa.

Apesar da suspensão desses programas, essas religiões poderão ocupar essa nova faixa de programação prevista, mas não com espaço só para elas. Só na TV Brasil eles respondiam por 2h45 da grade semanal da emissora.

“Com a decisão, o Conselho Curador reforçou o caráter público da EBC ao determinar o fim de privilégios específicos e a busca por uma programação que seja o mais fiel possível à diversidade cultural e religiosa brasileira”, ressaltou Diogo Moyses, secretário executivo do órgão superior da EBC.

Histórico

A decisão do Conselho tomada nesta terça, que já havia sido adiada por três vezes, ratifica um parecer elaborado no ano passado pela Câmara de Educação, Cultura, Ciência e Meio Ambiente do órgão. Ele já defendia ser “impróprio que os veículos públicos de difusão concedam espaços para o proselitismo de religiões particulares, como acontece atualmente com os programas que vão ao ar na TV Brasil aos sábados e domingos, dedicados à difusão de rituais ou de proselitismo que favorecem a religião católica e a segmentos de outras religiões cristãs”.

Também no ano passado, entre 4 de agosto e 19 de outubro, o tema foi colocado em debate para sociedade por meio de uma consulta pública. Ao todo foram 141 contribuições de pessoas físicas e jurídicas. Além disso, a questão também foi discutida em audiências públicas. Toda essa discussão foi motivada por reclamações que telespectadores fizeram à Ouvidoria da EBC.

Falta de transparência resulta em inquérito civil público contra Anatel

A resistência da Anatel em fazer da publicidade, e não o sigilo, como regra dos atos administrativos levou a Procuradoria da República no Distrito Federal a abrir um inquérito civil público do qual resultaram várias recomendações ao órgão regulador para a devida adequação aos preceitos constitucionais.

Em ofício encaminhado ao presidente da agência, Ronaldo Sardenberg, o procurador da República, Marcus Marcelus Gonzaga Goulart, lista nove recomendações para que a agência reformule seu regimento interno e adote os princípios de transparência, inclusive nas reuniões deliberativas do Conselho Diretor.

“Outros órgãos públicos que lidam com informações comerciais muito mais sensíveis que a Anatel, como por exemplo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE e o Supremo Tribunal Federal, divulgam suas sessões, em tempo real, na rede mundial de computadores”, sustenta o procurador.

Segundo ele, apesar das previsões de sigilo no regimento da agência, “a norma constitucional que determina a publicidade no âmbito da administração pública é hierarquicamente superior a qualquer Regimento Interno”. Pelo entendimento, é “imprescindível a existência de um processo conduzido em ambiente de absoluta transparência, para que possa revestir-se da necessária legitimidade política”.

No entanto, a Procuradoria entende que mesmo as atas das reuniões do Conselho Diretor são nebulosas, uma vez que não são acompanhadas pelos votos dos conselheiros e “nem de informações mínimas que permitam ao público entender o que está sendo discutido e votado”.

Assim, a Procuradoria da República recomenda que a Anatel, em no máximo três meses, altere seu regimento interno “como forma de compatibilizá-lo com o princípio constitucional da publicidade”, sem prejuízo de que a agência adote práticas institucionais compatíveis com a transparência antes mesmo da alteração.

Deve, também, promover a imediata abertura ao público das reuniões e sessões, tornar obrigatória a gravação das mesmas por meios eletrônicos, com a divulgação na internet, além da biblioteca da Anatel. Mesma divulgação devem receber os votos dos conselheiros, “com a respectiva fundamentação”.

Além disso, a Anatel deve publicar, também na biblioteca e na internet, a lista dos Circuitos Deliberativos em andamento, com a indicação do seu objeto, interessados, prazo e inteiro teor dos votos já proferidos. Esses “circuitos” são, basicamente, decisões tomadas sem que haja reuniões, com sucessivos votos por e-mail, por exemplo.

Finalmente, a Anatel deve modificar o procedimento que adota nos PADOs – os processos por descumprimento de obrigações – para limitar o sigilo, mediante decisão devidamente fundamentada, somente aos documentos que contenham informações técnicas, operacionais, econômico-financeiras e contábeis das prestadoras dos serviços de telecomunicações.

Defesa do Consumidor discutirá Plano Nacional de Banda Larga

Redação – Câmara dos Deputados

A Comissão de Defesa do Consumidor realizará audiência pública para discutir o Plano Nacional de Banda Larga do Ministério das Comunicações. A reunião, prevista para o dia 13 de abril, às 14h30, foi proposta pelo deputado Weliton Prado (PT-MG), com o objetivo de conhecer a proposta do governo federal para reduzir o preço dos serviços de internet rápida no País, ampliando em 400% o acesso da população ao serviço até 2014.

Em seu requerimento, o deputado apresentou dados da Organização das Nações Unidas (ONU) segundo os quais o brasileiro compromete cerca de 9,6% de sua renda para ter acesso à internet, enquanto em países como a Dinamarca e o México os gastos com esse tipo de serviço variam de 0,7% a 5,3% da renda, apenas.

"É preciso que o governo federal apresente alternativas para diminuir os valores, impedindo que os consumidores paguem preços abusivos pelos serviços rápidos de internet. É necessário também reduzir a carga tributária incidente sobre os serviços", afirma o deputado.

Para a audiência, deverão ser convidados representantes do Ministério das Comunicações; do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec); do Ministério da Ciência e Tecnologia; e da Telecomunicações Brasileiras S.A (Telebrás).