Anatel vai retomar processo de abertura do mercado de TV a cabo

Miriam Aquino – Telesíntese

A Anatel, que tinha puxado o freio de mão em sua intenção de acelerar a liberação do mercado de TV a cabo, à espera da conclusão da assinatura dos novos contratos de concessão e da aprovação do PL 116, recebeu sinal verde do governo para retomar, com todo o vigor, a liberalização das outorgas de TV a cabo.

Fontes da agência informaram que o último documento que falta para que as licenças possam ser concedidas nos moldes pretendidos – sem licitação e ao preço administrativo de R$ 9 mil – será apreciado pelo conselho diretor no próximo dia 12 de maio. Este documento, que é o novo regulamento do serviço, terá que ser lançado à consulta pública, mas, depois de passada esta etapa, a agência poderá dar início à abertura do mercado de TV paga, noticiou a newsletter Tele.Síntese

Análise

A Anatel tem conseguido fazer valer esta sua tese nas diferentes instâncias governamentais. Ganhou parecer favorável da AGU (Advocacia-Geral da União), e, no TCU, que queria barrar o processo, acabou conseguindo reverter a posição inicial, com a desistência do ministro relator, José Jorge, de emitir uma cautelar que anularia as decisões tomadas anteriormente.

O regulamento a ser lançado à consulta pública na primeira quinzena de maio trará algumas questões controversas. Entre elas, a exigência de metas de cobertura.A intenção da Anatel, explica técnico da agência, é estabelecer algumas metas de cobertura por classe social. Para analistas do mercado de TV a cabo, porém, o melhor mesmo seria aguardar pela aprovação do PLC 116. “Não faz mais sentido a Anatel regular um único serviço”, avalia o executivo.

Brasil está entre os países com as piores leis de direitos autorais

Ao lado de países como Japão, Egito e Reino Unido, o Brasil tem um dos piores regimes de direitos autorais do mundo. A conclusão é da IP Watchlist 2011, um levantamento sobre direito autoral e propriedade intelectual feita pela Consumers Internacional – federação que congrega entidades de defesa do consumidor em todo o mundo, incluindo o Idec.

A iniciativa analisa o grau de liberdade dos países em relação à propriedade intelectual. O Idec participou do trabalho fazendo o relatório sobre a situação no Brasil. O trabalho leva em conta questões como as possibilidades trazidas pela legislação autoral para o acesso dos consumidores a serviços e produtos culturais, exceções e limitações para usos educacionais das obras, preservação do patrimônio cultural, acessibilidade, adaptação da lei aos novos modelos digitais e utilização privada dos bens culturais.

A lista dos dez países pior colocados neste ano tem o Japão em primeiro lugar, como o país com as piores leis, seguido pelo Egito, Zâmbia, Brasil – na quarta posição -, Argentina, Tailândia, Quênia, Reino Unido, Jordânia e Chile. Em 11 diferentes áreas analisadas, como uso educacional, uso literário e liberdade para compartilhar e transferir informações, nenhum dos 24 países analisados alcançaram a nota máxima. Mais de dois terços deles receberam a pontuação mais baixa em pelo menos uma dessas áreas. Confira aqui a íntegra do levantamento.

O relatório da CI destaca que os países em desenvolvimento são os que possuem as leis mais prejudiciais ao consumidor. Uma das críticas feitas é a punição excessiva prevista aos consumidores considerados infratores da lei quando realizam tarefas cotidianas como, por exemplo, transferir arquivos de um equipamento para o outro, para uso pessoal. Por outro lado, não há qualquer punição prevista aos fornecedores que cerceiam os direitos do consumidor.

"Que tipo de punição recebe o proprietário dos direitos autorais que interfere nos direitos do consumidor a ponto de impedi-lo de fazer uma cópia para backup ou para estudo? A resposta é que em todos os países observados, não há qualquer sanção ao proprietário dos direitos autorais", aponta o relatório. O levantamento cita ainda que as reformas planejadas para a Lei de Direitos Autorais no Brasil pode ser uma das primeiras a prever uma solução real para os consumidores, cujos direitos são obstruídos pelos fornecedores. A proposta é coibir qualquer prática que impeça o exercício dos direitos do usuário.

O advogado do Idec, Guilherme Varella, que contribuiu com o levantamento, lembra que o Brasil havia ficado na sétima posição no estudo de 2010, caindo agora para a quarta, o que demonstra um retrocesso no processo de democratização dos direitos autorais. Isso teria ocorrido após o governo dar manifestações claras de que não vai mais rever sua lei de direito autoral (Lei 9.610/98).

"A LDA passou por processo de reforma no ano passado, com consulta pública aberta à participação popular, depois de seis anos de debate intenso, conduzido pelo Ministério da Cultura. O anteprojeto de lei que reforma a LDA iria para o Congresso Nacional com um texto muito avançado, que equilibrava a proteção dos autores com o interesse público de acesso à cultura", afirmou Varella. "Nesse novo governo, o Ministério da Cultura recuou da reforma e não se mostra favorável à flexibilização da lei".

A LDA ainda permite o DRM (digital rights management), um sistema de gerenciamento digital que restringe a utilização de produtos que o consumidor adquire legitimamente no mercado. Pela lei, as empresas podem colocar essa "trava tecnológica" em um CD ou DVD e este tocar apenas em um aparelho de som e não em outro. O DRM também restringe o número de cópias privadas. A lei, assim, vai contra princípios básicos do Código de Defesa do Consumidor, que protege direitos como a liberdade de escolha do consumidor e a lealdade nas relações de consumo.

Educação

O Brasil se mantém entre os países com a pior nota no quesito possibilidades educacionais. Isso se dá pelo fato da lei autoral não permitir a cópia para uso educacional ou científico. Os livros científicos brasileiros são extremamente caros. Muitas vezes, seus autores já receberam pelas obras, através de bolsas e salários, como ocorre com as universidades públicas, e mesmo assim os estudantes não têm direito de tirar uma cópia desses livros para fins unicamente de estudo, sem finalidade comercial.

Além disso, segundo o advogado do Idec, há uma ação ostensiva da indústria reprográfica no Brasil contra copiadoras de livros. "Pela lei, as copiadoras podem tirar cópias de "pequenos trechos" de obras, ainda que não se especifique o que são pequenos trechos. Algumas organizações têm intimidado proprietários de copiadoras e coagido seus funcionários a não tirar cópias nem de pequenos trechos, infringindo direitos dos alunos e desses profissionais", apontou Varella.

No mais, ainda na questão educativa, a LDA não permite nem a digitalização de obras. Assim, livros raros, não mais editados, podem apodrecer em estantes de bibliotecas sem que nada possa ser feito. O mesmo vale para as cinematecas. Filmes antigos, livros importantes que compõem o patrimônio cultural e educacional brasileiro, podem se perder por inconsistência dessa lei.

LDA e Internet

Foi reaberta no Congresso a discussão do Projeto de Lei 84/99, a chamada Lei Azeredo. O PL prevê o monitoramento dos usuários pelos provedores de internet e a permissão para que cortem sua conexão em caso de conduta suspeita de violação de direitos autorais. A linha é a mesma das leis da França e Espanha, prevendo a intervenção direta na esfera individual dos consumidores. Por aqui, o movimento de cultura digital batizou o PL de AI-5 Digital, em referência ao famigerado ato institucional da ditadura militar, que cassou direitos civis e políticos, em 1968.

Frente parlamentar pela liberdade de expressão será lançada nesta terça (19)

Nesta terça-feira (19) será lançada, em Brasília, a Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular. O evento acontecerá na Câmara dos Deputados (auditório Nereu Ramos), às 14h. No ato, além da aprovação do manifesto e do estatuto da Frente, deverá também ser escolhida a coordenação, que será formada por deputados/as e representantes de organizações da sociedade civil que compõem a Frente.

Segundo convocatória das entidades, a idéia de criar a Frente partiu da deputada Luiza Erundina (PSB/SP) quando, em abril de 2010, no lançamento da Altercom (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação), entidade formada por representantes de veículos alternativos de comunicação e blogueiros, ela informou que iria articular a criação de uma frente parlamentar com a finalidade de discutir, acompanhar e propor iniciativas com vistas à democratização da comunicação.

Ainda em 2010, Erundina colhe assinaturas de deputados/as que se comprometem a constituir um núcleo inicial de criação da Frente. No início dessa legislatura, em 2011, com o apoio do deputado Emiliano José (PT/BA), a criação da Frente volta a ser discutida e deputados/as e organizações da sociedade civil passam a reunir-se periodicamente para encaminhar as providências para constituição formal da Frente junto à Câmara dos Deputados.

Atualmente, além da deputada Luiza Erundina e do deputado Emiliano José outros parlamentares também trabalham pela criação da Frente, como o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), a deputada Luciana Santos (PCdoB/PE) e o deputado Paulo Pimenta (PT/RS), que formam a coordenação provisória da Frente.

 

Mais informações em  p { margin-bottom: 0.21cm; http://frentecom.wordpress.com

Unesco condena assassinato de jornalista brasileiro e pede apoio à liberdade de expressão no Brasil

A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Irina Bokova, condenou hoje (18) o assassinato do radialista e jornalista Luciano Leitão Pedrosa, de 46 anos. Para Bukova, é fundamental que o governo do Brasil dê garantias do exercício da liberdade de imprensa e de expressão no país. As informações são das Nações Unidas e da Unesco.

Pedrosa foi morto no último dia 10, depois de fazer uma série de reportagens sobre grupos de extermínio em Pernambuco e criticar a ação das autoridades locais. As reportagens de Pedrosa foram ao ar no programa Ação e Cidadania, transmitido pela TV Vitória e pela rádio Metropolitana FM. Para Bukova, a liberdade de imprensa deve ser garantida a todos os profissionais.

“Os jornalistas devem ser livres para trabalhar sem medo. O debate público está no cerne da governabilidade democrática. O assassinato de Luciano Leitão Pedrosa é um ataque direto a este debate e contra o direito humano fundamental da liberdade de expressão. Eu condeno este assassinato e os responsáveis não devem ficar impunes", disse Bukova.

De acordo com a organização não governamental Comitê de Proteção aos Jornalistas, Pedrosa foi baleado em um restaurante de Vitória de Santo Antão, no sertão de Pernambuco. Nos últimos meses, o jornalista se queixava de estar recebendo ameaças.

Bukova lembrou que ataques a jornalistas no Brasil são relativamente frequentes. A diretora-geral recordou de um tiroteio, em março, contra o jornalista Ricardo Gama, no Rio de Janeiro. O autor dos disparos, segundo ela, não foi identificado.

A diretora-geral da Unesco lamentou também o assassinato do repórter de televisão do Iraque Taha Hameed. O profissional iraquiano foi morto enquanto dirigia um carro no qual estavam também ativistas de direitos humanos no Iraque, no último dia 8. O carros deles foi alvo de tiros em Bagdá, capital iraquiana. De acordo com o Instituto Internacional de Imprensa, Hameed é o quinto jornalista a ser morto no Iraque apenas este ano.

Acesso à Internet segue com forte desigualdade no Brasil

Apesar de ter sido a região que mais ganhou espaço na Internet nos últimos três meses, com um crescimento de 19,12%, a região Norte possui apenas 3,24% do share de visitas nacional e se mantém na última posição em relação às demais do país. A região Sudeste mantém a liderança do ranking, com 61,25% das visitas, seguida pelas regiões Sul (16,04%), Nordeste (12,35%) e Centro-Oeste (7,12%).

Os dados são da última pesquisa do Hitwise, um serviço da Serasa Experian que monitora o comportamento anônimo e agregado na internet, de mais de 500 mil pessoas espalhadas geograficamente de maneira que representem a distribuição da população online brasileira, em mais de 270 mil websites em todo o país.

A pesquisa comparou o período de 12 semanas terminadas em 02/04/2011 com o de 12 semanas terminadas em 1º/01/2011. Também foram identificados os sites mais populares em market share no período de 12 semanas terminadas em 02/04/2011.

Região norte

Uma análise dos 50 sites mais populares na região Norte no período terminado em 02/04/2011 – os quais sozinhos representam 53,55% de todas as visitas na região –, revela que as categorias que mais se destacaram são: ferramentas de busca (40,67%), redes sociais e fóruns (24,96%), e-mails (9,39%), primeira página de portais (7,63%) e sites de entretenimento (7,16%).

Na região, o ranking dos sites é liderado pelos domínios do Google: Google Brasil (12,6%), Google (9,19%), Orkut (8,53%), Windows Live Mail (4%), YouTube (2,58%), Globo (1,31%), Facebook (1,22%), Bing (0,9%), Universo Online (0,9%) e Globoesporte (0,77%).

Em ordem, os estados da região Norte que cresceram de um período para o outro foram Acre, Amazonas e Roraima. Já os demais estados da região perderam participação no share nacional: Tocantins, Pará, Amapá e Rondônia (em ordem da menor para a maior queda).

Desempenho de outras regiões

No Sudeste – região que avançou 0,23% no período –, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais tiveram crescimento de market share de visitas à internet, atingindo 36,37%, 13,53% e 9,5% respectivamente. Já o Espírito Santo caiu 8,64% ficando agora com 1,84% de market share de visitas no país.

A região Centro-Oeste caiu 4,81% em representatividade e possui agora 7,12% do share de visitas nacional. Mato Grosso do Sul caiu 0,91% e ficou com 1,15%, Distrito Federal caiu 5,02% e ficou com 2,82%, Goiás caiu 5,86% e ficou 2,06% e Mato Grosso caiu 5,9% e ficou com 1,09%.

O Sul ganhou em representatividade, subindo 1,71% e chegando a 16,04% do bolo nacional. Isso ocorreu porque os três estados tiveram alta no market share de visitas no período. Paraná avançou 2,18% e atingiu 6,36%, Rio Grande do Sul avançou 1,48% e atingiu 5,73% e Santa Catarina avançou 1,43% e atingiu 3,95% do share nacional.

A região Nordeste, que na versão anterior da pesquisa do Hitwise divulgada em dezembro do ano passado havia sido a que mais tinha crescido, dessa vez recuou 4,41% em sua representatividade no país, atingindo 12,35% de market share de visitas.

Todos os estados da região tiveram um desempenho negativo: Sergipe caiu 0,73% e ficou com 0,52%, Paraíba caiu 1,39% e ficou com 0,88%, Alagoas caiu 2,25% e ficou com 0,64%, Pernambuco caiu 4,03% e ficou com 2,36%, Rio Grande do Norte caiu 4,17% e ficou com 0,93%, Bahia caiu 4,17% e ficou com 4,17%, Piauí caiu 5,35% e ficou com 0,44%, Ceará caiu 6,44% e ficou 1,79% e Maranhão caiu 8,88% e ficou com 0,62%.