Entidades demonstram preocupação com rumos do PNBL

Entidades representantes da sociedade civil lançam nesta segunda-feira (25) em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília a campanha "Banda Larga é um Direito Seu!", em defesa: da internet como um direito fundamental; do interesse público na implementação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL); e da participação da sociedade civil nesse processo. O objetivo principal é mobilizar a sociedade para o acompanhamento do PNBL, que, na visão das entidades, vem tomando rumos preocupantes.

Esse assunto e o marco regulatório da mídia eletrônica, em fase de preparação de proposta pelo governo, foram os temas do encontro entre representantes de 20 entidades e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, na última quarta-feira (20). A conversa durou mais de 1h 20m, mas os resultados foram considerados “preocupantes” pelos participantes.

O coordenador executivo do Intervozes, João Brant, e a advogada da Proteste, Flávia Lefèvre, consideraram que a condução do PNBL pelo Ministério das Comunicações se constitui em um retrocesso, sobretudo no que diz respeito ao papel da Telebrás. “O ministro pareceu incomodado com a atuação da estatal em manifestar interesse pela faixa de 450 MHz”, exemplificou Brant. Ele contou que Paulo Bernardo descartou a possibilidade de a empresa atuar na telefonia rural, mas considera ilegal a possibilidade dessa freqüência ser distribuída para as teles, como prevê a proposta do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) em discussão.

Para Flávia Lefèvre, o governo deveria se manter na direção de desconcentrar os serviços essenciais nas mãos das teles, aproveitando o papel de regulação de mercado que a Telebrás deveria adotar no caso de acesso à internet, mas está fazendo exatamente o contrário. A única expectativa positiva das entidades, segundo ela, é a posição recente da presidente Dilma Rousseff, que considerou as propostas das teles muito tímida e já admite investir até R$ 1 bilhão por ano em infraestrutura de rede. “Só espero que parte desses recursos não seja para financiar as metas de universalização das concessionárias”, frisou.

A principal reivindicação das entidades civis, de alterar o regime de prestação do serviço de banda larga de privado para público, também não conta com a simpatia do ministro Paulo Bernardo. Ele alegou que, ao fazer isso, teria que licitar os serviços, processo que duraria pelo menos dois anos. “A administração pública não deve pautar suas ações pelo tempo, mas pela legalidade”, defendeu Flávia Lefèvre.

Mídia eletrônica

Sobre o marco regulatório da mídia eletrônica, que o ministro prometeu colocar em consulta pública no segundo semestre deste ano, Brant teme que a proposta fique restrita a questões que não impliquem em polêmicas, como a propriedade cruzada dos veículos. Na sua avaliação, o governo atual trata a proposta elaborada pelo ex-ministro Franklin Martins (Comunicação Social) como um espólio, sem interesse em brigar por ela. “O pragmatismo do ministro em relação ao projeto nos preocupa”, resumiu.

Flávia Lefèvre teme, por sua vez, que o Minicom não promova o debate necessário com a sociedade em torno da proposta do marco regulatório da mídia eletrônica. “A sensação que tenho é de que uma proposta tímida será tirada da cartola, sem a transparência que o tema exige”, disse.

Guilherme Strozi é o novo membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)

O Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) possui um novo membro. Em eleição finalizada nesta terça-feira (19), o jornalista Guilherme Strozi foi o escolhido pelos trabalhadores da Empresa para representá-los no órgão até 2013. Ele entra no lugar de Lourival Macedo, que ocupava a vaga no Conselho há dois anos.

Foram computados 379 votos no segundo turno da eleição. Strozi, que é jornalista concursado na Empresa e atualmente coordena o quadro Outro Olhar, na TV Brasil, obteve 55,4% dos eleitores contra 43% de Alberto Coura.

Além do funcionário da Empresa, outras 21 pessoas formam o Conselho Curador: 15 representantes da sociedade civil, quatro do Governo Federal (ministros da Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), um da Câmara dos Deputados e um do Senado.

É prerrogativa do Conselho aprovar anualmente o plano de trabalho e a linha editorial da EBC, assim como observar a sua aplicação. Deve ainda acompanhar e fiscalizar a veiculação da programação, que será obrigatoriamente acolhida pela Diretoria-Executiva. Ele pode ainda, por deliberação da maioria absoluta de seus membros, emitir voto de desconfiança à Diretoria ou a um dos diretores, sendo que a segunda advertência resultará necessariamente em afastamento do diretor censurado ou, se for o caso, de toda a diretoria.

Deputado propõe criação de subcomissão de rádio digital na CCT

Lúcia Berbert – Tele Síntese

O deputado Sandro Alex (PPS-PR) propôs, na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, a instalação de uma subcomissão para acompanhar o processo de escolha, pelo governo, de padrão de rádio digital a ser adotado no país. O parlamentar alega que o assunto, apesar de ter profundas repercussões na comunicação de massa, vem sendo debatido há mais de dois anos, sem solução aparente.

Pelo requerimento do deputado, que será apreciado esta semana na CCT, serão solicitados os resultados dos testes já feitos pela Anatel com a tecnologia americana IBOC (In-Band-On-Chanel) como a européia DRM (Digital Radio Mondiale). As informações preliminares são de que nenhuma das tecnologias alcançou as exigências técnicas a serem adotadas no Brasil. Um dos requisitos seria atender, simultaneamente, aos sistemas AM e FM, para evitar que o consumidor tenha de comprar diferentes aparelhos para cada sistema.

O padrão americano, preferido pelos radiodifusores, é fechado, o que tornaria sua adoção excessivamente onerosa. Já o padrão europeu, aberto, não traz avanços significativos no sistema FM, embora tenha soluções interessantes para o sistema AM. Segundo o deputado Sandro Alex, a subcomissão poderá debater os problemas existentes, bem como analisar os obstáculos de ordem técnica, além de avaliar as possibilidades reais de se criar uma tecnologia nacional com base no sistema americano ou europeu.

Frente Parlamentar das comunicações é criada na Câmara

A Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom) lançada nesta terça-feira(19) tem o desafio de pautar no Congresso Nacional a reformulação no marco regulatório do setor. Quase 50 anos depois que o Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT) protagonizou embates políticos nacionais,em 1962, 190 deputados federais de dez partidos – até o momento – têm o apoio de mais de 70  entidades da sociedade civil para enfrentar a falta de cumprimento e regulamentação da Constituição de 1988 nos capítulos destinados à comunicação.

A pressão sob o Congresso se intensifica pelo fato de a legislação vigente estar defasada em um ambiente de convergência tecnológica. A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) explicou o processo de construção da Frente: "A ideia vem da necessidade de um novo marco regulatório, que acompanhe os avanços tecnológicos e as necessidades da sociedade". Para a deputada, escolhida coordenadora da Frente, esta é uma continuação do processo que se iniciou com a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), em 2009,.

A reativação do Conselho de Comunicação Social pelo Congresso foi pauta ratificada pelas entidades da sociedade civil presentes no auditório da Câmara dos Deputados. Rosane Bertotti, representante da Central dos Movimentos Sociais (CMS), reafirmou a necessidade da repercussão das atividades da Frente nos estados. "A luta pela democratização da comunicação começa no Congresso, mas deve iniciar a criação de frentes e conselhos regionais de comunicação", disse Rosane.

Já o deputado Emiliano José (PT-BA) ressaltou que os empresários foram convidados para participar da Frentecom, mas liderados pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), várias entidades do segmento não formalizaram seu ingresso na Frente. Do campo empresarial, somente a Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação (Altercom) e Associação dos Jornais do Interior do Estado de São Paulo (Andijor-SP) integram a Frentecom.

O deputado Emiliano avaliou que a concentração abusiva da propriedade é marca do panorama do setor no país. "Existe expropriação do direito da sociedade se comunicar corretamente. Não podemos continuar com um grupo de famílias interpretando o Brasil sob sua lógica e ideologia", completou o parlamentar baiano.  

Outro assunto citado no lançamento foi o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) defendeu que o Fundo não deve ser usado nem por empresas privadas, nem para o superávit primário. Além disso, entidades da sociedade civil lembraram que a banda larga deve ser transformada em um serviço público com metas de universalização e não de massificação.

As atividades da Frentecom já começam no dia 27 de abril, quando a coordenação da frente se reunirá pela primeira vez. No dia 28 de abril, haverá uma audiência pública com o ministro das Coumunicações Paulo Bernardo.

Brasil já tem mais de 38 milhões de conexões em banda larga

O número de acessos em banda larga fixa e móvel das prestadoras de serviços de telecomunicações no Brasil chegou a 38,5 milhões no final do primeiro trimestre de 2011, um avanço de 51,5% em relação ao mesmo período do ano passado. As conexões em banda larga móvel, que incluem acessos por modems e smartphones, tiveram uma evolução de 77,7%, passando de 13,7 milhões para 24,4 milhões no período. Na banda larga fixa, o crescimento foi de 20,5%, totalizando 14 milhões de acessos.

De acordo com a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), estudos de consultorias internacionais mostram que o Brasil já está na oitava posição do mercado mundial de banda larga móvel e em nono entre os países com maior número de acessos fixos.

A banda larga móvel está presente em 1.441 municípios e as redes fixas já estão em mais de 5 mil municípios brasileiros. Segundo a Telebrasil, 79% dos domicílios que têm computador já navegam na internet em alta velocidade e cerca de 80% das conexões são residenciais.

Os acessos em banda larga fixa com velocidades inferiores a 1 megabit por segundo (Mbps) estão em declínio e as conexões mais rápidas, acima de 2 Mbps, já representam 20% dos acessos. Segundo a entidade, várias prestadoras estão investindo na introdução de velocidades bem mais altas.

Recentemente, o governo federal determinou que a velocidade que deverá ser oferecida por meio do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) deve ser de, no mínimo, 1 Mbps ao custo de R$ 35 por mês.