PLC 116/2010 terá audiência conjunta em comissões do Senado dia 21 de junho

Samuel Possebon – Tela Viva News

 

O senador Eduardo Braga (PMDB/AM), presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Inovação do Senado, anunciou durante a abertura do Painel Telebrasil, que acontece esta semana em Brasília, que foi finalmente marcada para o dia 21 de junho a audiência conjunta das várias comissões do Senado que analisarão o PLC 116/2010, projeto que cria novas regras para o mercado de TV por assinatura. Segundo o senador, esse é um projeto fundamental para a ampliação da infraestrutura de telecomunicações, sobretudo de suporte à banda larga.

Segundo o senador, a expectativa é que os diferentes setores possam ser ouvidos na audiência. Para parlamentares familiarizados com a tramitação do projeto, contudo, a grande dificuldade da audiência conjunta será conciliar os interesses de todos os setores que querem se manifestar. Observadores do Congresso acreditam que dependendo do tom das manifestações dos diferentes setores é que será dado o ritmo do encaminhamento do projeto.

 

TCU defende novas regras para bens reversíveis de telefônicas privatizadas

O procurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, defendeu mudanças no sistema de fiscalização da Anatel sobre bens reversíveis das telefônicas privatizadas em 1988. Esse bens deveriam ser devolvidos ao Poder Público ao término dos contratos. O tema foi discutido nesta terça-feira em audiência pública Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

Entre as mudanças sugeridas pelo procurador do TCU estão:

– a exigência de uma manifestação da Anatel sobre a reversibilidade dos bens em toda venda feita pelas concessionárias;

– fim da confidencialidade para informações contábeis e operacionais prestadas à Anatel pelas empresas sobre bens reversíveis;

– a substituição na lei do termo “reversão de posse” para “reversão de propriedade”, o que tornaria a legislação mais clara e fidedigna a intenção dos legisladores.

Ele sugeriu que as mudanças sejam feitas por meio de projeto de lei que alteraria a lei Geral de Telecomunciações (9.472/97). Lucas Furtado lembrou que o TCU fez uma única fiscalização sobre os bens reversíveis das telefônicas e a Anatel não tem condições hoje de prestar informações imediatas sobre esses bens.

Denúncias

Sobre as denúncias de venda e sucateamento dos bens reversíveis das telefônicas, O diretor executivo do sindicato das empresas de telefonia, Eduardo Levy, mostrou que uma central telefônica de 10 mil linhas, que hoje ocupa 15 m2, ocupava 100 m2 durante as privatizações, em 1998, e 400 m2 quando as empresas públicas foram estruturadas em 1975.

Ele explicou que quando as empresas do sistema Telebras foram vendidas, o governo tinha apenas 20% das ações totais, embora tivesse 51% das ações com direito a voto e o controle das empresas. Os bens reversíveis são aqueles indispensáveis à manutenção do serviço, como os prédios onde funciona toda a infraestrutura das teles. “Por isso, o contrato de um prédio alugado ou antenas colocadas em prédios de terceiros têm cláusulas que asseguram a continuidade do serviço caso a empresa deixe de existir”, disse.

Venda dos bens

O deputado Silas Câmara (PSC-AM), que propôs o debate, manifestou preocupação sobre o destino final desses bens. “Para onde vai esse patrimônio? As empresas podem vender esse excedente?”, indagou o deputado. Ele não concorda com a venda desses bens.

Ele lembrou que a Lei Geral das Telecomunicações estabelece um conceito para bens reversíveis, em vez de uma lista nominal – o que dificulta a fiscalização. Conforme a lei, seriam bens reversíveis aqueles necessários à operação dos serviços, de forma que não haja descontinuidade no fim dos contratos.

O presidente da comissão, deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), ressaltou que pode haver realmente uma diferença entre o que é conceituado pelas empresas e pela Anatel como bem reversível. “No caso de bens móveis, como cabos de cobre que são substituídos por fibra ótica, é fácil perceber o que são esses bens, mas no caso de imóveis, por exemplo, ainda há dúvidas”, disse.

Responsabildiade legal

O superintendente de Serviços Públicos da Anatel, Roberto Martins, lembrou que é a agência quem define quais bens devem ser devolvidos à União ao final dos contratos com as empresas de telefonia fixa. Ele admitiu, no entanto que somente o BNDES pode saber quais eram esses patrimônios na época das privatizações. O banco coordenou a privatização em 1998, e pode ter o balanço patrimonial das empresas naquele momento. Atualmente, segundo a Anatel, são mais de 3 milhões de itens em bens reversíveis.

Silas Câmara apresentou resposta da Anatel sobre pedido de informações da Câmara sobre o assunto. Ele explicou que o documento encaminhado pela agência é insuficiente para esclarecer as dúvidas dos parlamentares. “Veio uma resposta vaga, cidando um anexo de uma lei, e sem dizer onde se localizam esses imóveis”, explicou.

O deputado disse que na maioria dos pequenos municípios de seu estado os prédios da Teleamazon, uma das antigas telefônicas estatais, estão abandonados. Ele realizou uma reunião com prefeitos e representantes das telefônicas que atuam na região, para discutir a possibilidade dos imóveis serem ocupados por outros serviços públicos, como creches. As empresas descartaram a possibilidade, exatamente porque esses bens são reversíveis. “Nós tivemos, no entanto, notícias de prédios idênticos em áreas nobres de grandes cidades que estão sendo vendidos”.

O superintendente da Anatel disse que é possível a utilização desses prédios, ainda que sejam reversíveis, bastando para isso o aval da Anatel para a seção às prefeituras.

Plano Nacional de Banda Larga vai chegar primeiro para municípios de Goiás e regiões do DF

Sabrina Craide – Agência Brasil

Samambaia e Recanto das Emas, no Distrito Federal, e Santo Antônio do Descoberto, Anápolis, Senador Canedo e Aparecida de Goiânia, no estado de Goiás, serão as primeiras regiões conectadas por meio do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O anúncio foi feito hoje (31) pela Telebras. Segundo a empresa, a conexão entre a rede principal e a sede dos municípios deve estar implantada até o início de julho.

A Telebras deverá concluir, até a metade de junho, a construção do primeiro trecho da rede nacional de telecomunicações (backbone), no anel Sudeste, que vai ligar Brasília a Itumbiara (GO). Os 377 quilômetros de rede de fibras ópticas também passarão por Samambaia (DF) e os municípios goianos de Pirineus, Bandeirantes e Morrinhos.

Nestes locais estão sendo implantados os primeiros Pontos de Presença (POPs) da Telebras que vão abrigar os equipamentos ópticos, de infraestrutura, de rede e rádio para transmissão do sinal digital por meio de fibras ópticas. As fibras usadas neste trecho são de propriedade de Furnas, empresa do setor elétrico brasileiro, e que firmou contrato cedendo sua utilização para a Telebras.

Também hoje, Ministério das Comunicações anunciou a substituição do atual presidente da Telebras, Rogério Santanna, pelo diretor comercial da estatal, Caio Bonilha. A nomeação será amanhã (1º), durante reunião do conselho de administração da Telebras.

Troca do comando da Telebras é para ‘fortalecer a empresa’, diz ministério

Sabrina Craide – Agência Brasil

O Ministério das Comunicações divulgou há pouco um comunicado ao mercado informando a saída de Rogério Santanna da presidência da Telebras e a substituição dele por Caio Bonilha, atual diretor Comercial da empresa. Segundo a nota, a mudança tem como objetivo “fortalecer a empresa e sua relação institucional com o Ministério das Comunicações, a fim de propiciar melhores condições para o cumprimento de sua missão no âmbito do Plano Nacional de Banda Larga”.

O comunicado diz que o ministro Paulo Bernardo agradeceu Santanna pelo papel no restabelecimento das atividades da Telebras, “o que a tornou novamente um instrumento para execução de políticas públicas no setor de telecomunicações”.

Santanna disse, após conversar com o ministro, que não esperava ser demitido. “O governo anunciou que vai fazer alguns ajustes na Telebras e não tinha me falado nada. Hoje eu descobri que o ajuste é a minha saída. Devo ter provocado alguma insatisfação em setores que não enxergam no Plano Nacional de Banda Larga um bom projeto”.

A nomeação de Bonilha será efetivada na reunião do Conselho de Administração da Telebras, marcada para amanhã (1º). O novo presidente é engenheiro especializado em tecnologias, negócios e estratégias para empresas de telecomunicações e energia. Ele é formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) com especialização pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 

Projeto de Lei pode facilitar acesso a arquivos da ditadura

Em vias de ser votado no Senado, o Projeto de Lei da Câmara n° 41/2010 regulamenta o artigo 5° da Constituição Federal quanto ao acesso à informação pública. O projeto, que está na pauta do Plenário da Casa há duas semanas, pode significar a abertura de toda a documentação de períodos como a ditadura militar.

Um dos maiores entraves do acesso a documentos históricos é a separação entre a informação pessoal, relativa à vida privada, e informação de interesse público. Para o diretor-geral do Arquivo Nacional, Jaime Antunes, a legislação existente até hoje não apresenta parâmetros claros quanto a essa distinção. “No caso de documentos da ditadura militar, muitos dossiês são nominais e por conta da imprecisão legal eles só são liberados com os nomes tarjados.”

O PLC 41/2010 cria dois dispositivos para resolver esse problema. No artigo 21, está definido que informações referentes à conduta de autoridades públicas que impliquem em violação dos direitos humanos não poderão ser restritas. Já no artigo 24, quando uma pessoa estiver envolvida em “fatos históricos de maior relevância”, não poderá ser invocada a restrição de acesso à informação relativa à vida privada, honra e imagem da pessoa.

As sutilezas da lei

Para o historiador Carlos Fico, pesquisador do período da ditadura militar brasileira e argentina, as dificuldades de acesso à documentação histórica sempre foi uma má interpretação da legislação por parte dos arquivos. “Ainda se insiste em considerar que a mera presença de um nome transforma o documento em uma informação pessoal”, explica o especialista. “Esse projeto de lei torna quase impossível que se insista nessa interpretação”, completa Carlos.

O jornalista e professor Fernando Paulino, especialista em Políticas de Comunicação, acredita que a lei marca um grande avanço na diferenciação entre o público e o privado. “Eventuais brechas poderão ser corrigidas posteriormente e não causam dano maior que a dificuldade que temos com a ausência de uma lei que promova o direito de acesso”, argumenta Fernando.

Segundo o projeto, as informações consideradas pessoais poderão ter restrição de acesso de no máximo cem anos a partir da data de produção. Jaime Antunes alerta que os parâmetros da utilização desse prazo e da diferenciação entre público e privado vão ser definidos por um decreto presidencial após a aprovação do PLC 41/2010. “Esse decreto é que realmente vai definir o quanto a lei provocará mudanças no acesso de documentos históricos”, pontua o diretor-geral do Arquivo Nacional.

O sigilo como exceção

O PLC 41/2010 não foi pensado para discutir a questão dos arquivos. Ele, no entanto, provocará mudanças na Lei n° 8.159/91, conhecida como Lei dos Arquivos, quanto às questões de acesso a documentos. Além disso, se aprovada, ela revoga a Lei n° 11.111/05, que permite a renovação ilimitada do sigilo de documentos  de uma informação. Com isso, nenhuma informação pública será eternamente secreta.

Pelo projeto, os documentos considerados ultrassecretos poderão ter prazo de restrição de acesso de 25 anos a partir da data de produção, podendo ser postergado apenas uma vez por 25 anos. Documentos secretos teriam prazo de restrição de acesso de 15 anos e os reservados, de cinco anos sem direito de extensão do tempo de sigilo.

Segundo consta no projeto, o sigilo passa a ser visto como exceção e não regra. Para Carlos Fico, isso demonstra o fortalecimento das instituições democráticas. Fernando Paulino complementa: “essa lei é essencial para um novo patamar na relação entre Estado e sociedade, fortalecendo uma cultura de transparência no Brasil”.

Outras questões legais

O projeto também garante a organização, a formação e a manutenção de acervos de informação em todos os níveis do Estado. Segundo o artigo 39 do PLC 41/2010, todos os órgãos e entidades públicos terão até dois anos para reavaliar os documentos considerados secretos ou ultrassecretos. As informações não reavaliadas dentro do prazo se tornam de acesso público. Além disso, todo vencimento de sigilo de um documento deverá ser avisado no Diário Oficial.

Jaime Antunes relembra que alguns arquivos estaduais terão mais dificuldades de se adaptar a lei. “Em São Paulo, Paraná e recentemente na Paraíba e em Alagoas, existem legislações estaduais que já regulam o acesso a documentos históricos”, explica o diretor do Arquivo Nacional.

O PLC 41/2010 tinha votação prevista para o 18 de maio e mesmo com requerimento de urgência está há duas semanas na pauta do Plenário do Senado. Por conta de uma negociação de líderes na quarta-feira (25), o projeto desceu na escala de prioridade. Nesta quarta (1) ele estava em sexto lugar na pauta de votação.