AI-5 Digital: Deputado do PT propõe audiência pública

André Vieira para o Observatório do Direito à Comunicação

O deputado federal Emiliano José (PT-BA) propôs hoje (28/06) a realização de uma audiência pública para debater o substitutivo ao projeto de lei n.84/1999, que tipifica crimes cometidos por meio de sistema eletrônico, o AI-5 Digital.

O requerimento 57/2011 apresentado pelo deputado na Comissão de Ciência e Tecnologia sugere convidar os seguintes nomes para a audiência pública: Sergio Amadeu da Silveira (CECS Universidade Federal do ABC – UFABC), Marcos Dantas (Escola de Comunicação da UFRJ), Pablo Ortellado (USP), Carlos Afonso (Comitê Gestor da Internet), Veridiana Alimonti (IDEC), Deni Getschko (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto br), Carlos Afonso (FGV), Túlio Viana (UFMG), Rubén Delgado (Frente Nacional de Entidades e Empresas de Tecnologia da Informação).

O requerimento consta na lista de movimentações do referido projeto no portal da Câmara dos Deputados, mas ainda não aparece na versão eletrônica da pauta da reunião ordinária da Comissão que ocorre amanhã (29/06) e que deve votar o parecer favorável apresentado pelo relator dep. Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

12º Fisl: governo Tarso ouvirá hackers e acadêmicos

Redação – Portal Vermelho

A próxima edição do Governo Escuta — iniciativa pioneira criada pela gestão do governador Tarso Genro (RS) — acontecerá na próxima quarta-feira (29), às 14 horas, dentro da programação do 12º Fórum Internacional de Software Livre (Fisl). Tarso ouvirá especialistas do meio técnico e acadêmico para discutir ligações entre tecnologia e democracia.

Destacados representantes ligados de diferentes maneiras à questão do software livre no Brasil e no mundo são convidados a expor sua opinião sob o tema "Cultura Digital, Democracia e Governos no Século 21". O objetivo é ouvir indicações sobre políticas públicas que envolvam desenvolvimento tecnológico, participação, transparência e os novos desafios da cultura digital, procurando construir iniciativas de aproximação entre a sociedade e o Estado.

Estarão presentes Jon "Maddog" Hall, presidente-fundador da Linux Internacional; Omar Toral, gerente de Software e Serviços da Intel; Sérgio Amadeu da Silveira, doutor em Ciência Política e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC); e Alexandre Oliva, representante da Free Software Fundation LatinoAmerica.

O Fisl é o maior evento sobre tecnologias livres da América Latina e reúne cerca de 8 mil pessoas anualmente, entre programadores, ativistas e entusiastas do software e da cultura livre. Um software livre é um programa de computador que tem o seu código — a "receita" de como ele foi escrito — acessível a qualquer pessoa. Essa condição permite que qualquer interessado aprenda como foi feito — e tenha também liberdade para alterá-lo e distribuí-lo conforme necessidades específicas.

Presidente do Uruguai pede abertura de arquivos do período militar

O presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, pediu ao Ministério da Defesa e à Suprema Corte que abram os arquivos que reúnem informações sobre registros médicos e processos judiciais das organizações que atuavam durante a ditadura denominada civil e militar (1973-1985). O objetivo, segundo o governo Mujica, é permitir o acesso aos dados pelo Comitê de Pesquisa e Monitoramento da Presidência da República.

As informações são da Presidência do Uruguai. O secretário regional da Presidência, Alberto Breccia, disse que o comitê analisa uma série de publicações, mas ainda faltam informações sobre muitos dos desaparecidos. Breccia acrescentou que o governo aguarda apenas as autorizações solicitadas ao Ministério da Defesa e à Suprema Corte para iniciar uma nova etapa dos trabalhos.

Segundo o secretário, os especialistas que compõem a equipe de pesquisadores da Comissão de Acompanhamento têm convênio com a Universidade da República do Uruguai. De acordo com Breccia, uma vez aprovado o pedido, os historiadores terão acesso a registros médicos e processos judiciais para complementar seu trabalho.

Uma das propostas do governo é elaborar um banco de dados genéticos. Para o secretário, o objetivo é atender às expectativa dos parentes de desaparecidos no período da ditadura. Organizações não governamentais estimam que durante a ditadura uruguaia pelo menos 200 opositores desapareceram.

Em dezembro de 2010, o governo do Uruguai e a Universidade da República (Udelar) fizeram um acordo para a retomada de escavações a partir deste ano em busca de restos mortais de desaparecidos políticos.

O presidente Mujica foi militante do Movimento da Libertação Nacional, que combatia o regime militar. Em 1972, ele foi preso e só ganhou a liberdade em 1985 com a redemocratização do país.

Governo fecha com o mercado e não ouve sociedade civil

Um ano depois do Decreto 7.175, que instituiu oficialmente o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), uma ação efetiva está para acontecer: a assinatura da revisão dos contratos de concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC), prevista equivocadamente para o próximo dia 30, na medida em que não ocorrerá uma nova Consulta Pública mesmo com o atual texto do PGMU III sendo completamente diferente do que foi proposto para a sociedade.

Às vésperas da decisão, o governo pouco, ou nada dialogou com a sociedade civil. A falta de medidas claras que assistam efetivamente as necessidades de universalização da banda larga no país gera insegurança quanto ao grau de comprometimento do PGMU III com o PNBL. Tudo isso reforçado pela displicência com que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, tratou o twitaço promovido pela sociedade civil, no dia 21, em defesa da universalização da banda larga. Bernardo preferiu desconsiderar a opinião pública a responder uma manifestação democrática em defesa do direito civil de ter acesso ao serviço.

Nós, do Instituto Telecom, esperamos que o ministro convoque a sociedade civil organizada para um debate sobre as considerações feitas no seu microblog. Sem isso, restarão sérias dúvidas sobre a disposição efetiva de Bernardo de atender ao interesse público, claramente expressado no twitaço e nas resoluções aprovadas há dois anos na Confecom – Conferência Nacional de Comunicação.

Segundo o que foi divulgado pelo governo, as concessionárias, apenas de forma voluntária, assumem o compromisso de oferecer planos com taxas de transmissão mínimas (download de 1 Mbps) e preços fixados em R$29,90, sem ICMS, além de escalonamento de atendimento até 2014 e padrões mínimos de qualidade do serviço. Esse termo de compromisso não terá qualquer vinculação com os contratos de concessão.

A verdade é que o PGMU III aprovado pelo Conselho Diretor da Anatel não garante metas reais de universalização. Todas as ações positivas com relação à democratização do serviço de banda larga no país parecem estar sendo esvaziadas em prol do interesse do mercado. Esta é nitidamente a bandeira que vem sendo levantada pelo governo nos últimos dias. O próprio Caio Bonilha, que assumiu a presidência da Telebrás após a demissão inesperada de Rogério Santanna, afirmou, em entrevista a Reuters, que o foco da empresa agora é comercial. Ponto extremamente preocupante, ainda mais depois que a Telebrás, recentemente, indicou a possibilidade de abrir a sua composição acionária para a iniciativa privada.

É bom lembrar que durante toda a votação do novo PGMU pelo Conselho Consultivo da Anatel, o Instituto Telecom defendeu que a retirada das metas de expansão do backhaul do plano significa abrir mão de um instrumento fundamental para o PNBL.

Cerca de 60 entidades civis encaminharam uma carta ao ministro reivindicando pontos importantes como a retomada imediata das discussões públicas das propostas do PNBL; a definição de um PGMU condizente com as necessidades do país; a retirada, do novo plano, da possibilidade das empresas descontarem os custos das metas de universalização e o fortalecimento das metas regionais; a garantia de que a Telebrás terá infraestrutura e condições financeiras para exercer a gestão pública do PNBL e, por último, a obrigação de metas de qualidade, além de preço e velocidade para os serviços prestados.

Este é um momento decisivo para o país, que precisa urgentemente de ações efetivas para a universalização das telecomunicações e da banda larga no país. Por isso, esperamos que o Minicom reveja o seu posicionamento e chame a sociedade civil para tomar parte na decisão, como é de seu direito. E que a presidente Dilma reavalie as condições do novo plano, de acordo com o interesse público já manifestado.

Por fim, nós do Instituto Telecom, reafirmamos que não haverá universalização da banda larga sem a instituição deste serviço em regime público e sem a discussão democrática com a sociedade.

TV Câmara estreia hoje canal digital em Brasília

O presidente da Câmara, Marco Maia, inaugura hoje a transmissão digital da TV Câmara no Distrito Federal, às 12 horas, em cerimônia a ser realizada no centro de transmissão de rádio e TV da Câmara dos Deputados (Estrada Parque Contorno – DF 001, KM 1, Colorado). Pelo canal 61, o público poderá assistir ao mesmo tempo a sessões do Plenário e a reuniões das comissões.

O canal digital da TV Câmara estará disponível na TV aberta, totalmente gratuito. Para sintonizá-lo, o cidadão precisará ter um conversor para TV digital (set top box) ou uma TV com conversor integrado. A transmissão digital também permitirá ao público acompanhar as notícias e sessões da Câmara por meio do telefone celular.

Toda a programação estará disponível em alta qualidade para um público potencial de 2,6 milhões de habitantes do Distrito Federal. Em breve, a TV Câmara também deve introduzir recursos interativos na programação para incentivar a participação popular nos debates legislativos. "Trata-se de um canal direto entre a Câmara e a sociedade. Uma maneira transparente de o cidadão acompanhar o trabalho parlamentar", afirma o diretor da TV Câmara, Frederico Schimidt.

Multiprogramação

O sinal digital da TV Câmara vai permitir a multiprogramação, com transmissão simultânea em dois canais diferentes:

– canal 61.1: é o canal principal da TV Câmara, o mesmo exibido pela TV a cabo, parabólicas, satélite, no UHF no Distrito Federal e no canal digital de São Paulo. Nele, o telespectador pode acompanhar a transmissão ao vivo das sessões plenárias, os telejornais, programas de debates e entrevistas e os documentários exibidos pela emissora;

– canal 61.2 – vai exibir o trabalho das comissões ao vivo de manhã e à tarde. Quando os trabalhos forem interrompidos, transmitirá reuniões de comissões previamente gravadas.

Custos

A compra de todo o equipamento necessário para a transmissão digital no Distrito Federal custou R$ 1,9 milhão à Câmara. O transmissor adquirido tem 1,1 kilowatt, suficiente para alcançar todo o território do Distrito Federal.

No início deste ano, pesquisa realizada apenas entre os telespectadores que utilizam antena parabólica (cerca de 54,3 milhões de pessoas) constatou que a TV Câmara tem audiência média de 4,7 milhões de espectadores. Segundo a mesma pesquisa, cerca de 13 milhões de brasileiros declararam assistir eventualmente a TV Câmara.

Com sinal digital, a TV Câmara chegará a um número ainda maior de pessoas, em canal aberto, com maior qualidade de imagem e som. Em São Paulo, onde já opera no canal digital 61, a TV Câmara tem público potencial de 20 milhões de pessoas. A TV Câmara ainda planeja inaugurar a transmissão digital em Belo Horizonte, Fortaleza e Porto Alegre.