Anatel realiza quarta edição do Fórum Alô, Brasil! em São Paulo

Carla Festucci – Observatório do Direito à Comunicação

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realizará, no próximo dia 18 (segunda-feira), mais uma edição do “Fórum Alô, Brasil!”, que acontece das 9h às 17h, na Fundação Getúlio Vargas – FGV, em São Paulo (Rua Itapeva, 432 – 4° andar, Salão Nobre Bela Vista – São Paulo/SP).

Com o objetivo de estimular e fortalecer a participação social nas telecomunicações, o evento já teve edições em Brasília (26/04), Belo Horizonte (24/05) e Rio Branco (03/07), estando agora em sua quarta etapa. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pela internet.

A programação inclui, dentre outros acontecimentos, discussões em torno da telefonia fixa, telefonia móvel e banda larga, TV por assinatura, universalização, fiscalização e gestão do espectro, além de uma exposição dos órgãos de defesa do consumidor.

A Ley de Médios já vale na Argentina

Passou desapercebido por aqui. Não fosse a menção feita pelo jornalista Eric Nepomuceno, na revista Carta Capital, poucos ficariam sabendo que a Ley de Médios argentina está sendo implantada, apesar da oposição feroz dos grandes grupos de comunicação locais.

Na noite de 21 de junho, a presidenta Cristina Kirchner apareceu em rede nacional de televisão para fazer um anúncio capaz de tirar o sono dos controladores monopolistas da radiodifusão. O governo abria, naquela data, uma licitação para a concessão de 220 novas licenças de serviço de audiovisual no país.

Como determina a lei metade dessas concessões será destinada a emissoras privadas e a outra metade dividida entre os governos estaduais, o federal e as organizações sem fins lucrativos. Fórmula encontrada para romper com oligopólio existente hoje na comunicação argentina.

Claro que a mídia comercial brasileira esconde esses avanços e quando fala da Ley de Médios argentina é para atacá-la, chegando habitualmente a tachá-la de censura, quando trata-se exatamente do oposto. Seu papel é o de permitir o acesso aos meios de comunicação de um número muito maior de atores sociais, hoje sem voz.

Mas aos que se opõem à lei interessa a omissão e a desinformação. Para isso usam uma estratégia eficiente: apropriam-se de um símbolo facilmente compreensível, como é a censura, e com ele carimbam a lei, interditando o debate de forma liminar.

A legislação argentina mereceria no Brasil estudos e debates mais sérios e aprofundados. As criticas feitas por aqui são superficiais, ecoando apenas o temor dos controladores da mídia nativa com o possível contágio da experiência vizinha.

Não é levado em conta o formidável trabalho de pesquisa realizado para se chegar ao texto final. Seus 166 artigos não caíram do céu. São resultado de um levantamento minucioso daquilo que existe de mais avançado no mundo, em termos de legislação para área das comunicações.

Dos meios comerciais não se pode esperar nada, além das críticas habituais. Os meios públicos pouco se dedicam ao tema e a internet o trata de forma esporádica. Mesmo as redes sociais, com conteúdos mais críticos, não tem como aprofundar a discussão e acabam, em determinados momentos, dialogando com os grandes meios nos mesmos níveis por eles impostos.

Resta como alternativa a Universidade, teoricamente menos sujeita às imposições externas. Mas parece que, no geral, ela não despertou ou não se interessou pelo assunto. Falo, obviamente, dos setores universitários ainda não cooptados pela grande mídia, propiciadora de cursos e eventos destinados ao conformismo e a alienação.

Fico a pensar na riqueza de um debate não só da Ley de Médios argentina, mas das experiências de democratização das comunicações que vêm sendo articuladas na Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguai e Uruguai, por exemplo.

Ao invés de infindáveis e insossas discussões sobre “teorias da recepção”, tão ao gosto dos acadêmicos alinhados com “status quo” da comunicação, teríamos o pulsar da vida real das nossas sociedades.

A Universidade – pública ou privada – repousa sob um tripé formado pelo ensino, a pesquisa e a extensão. Um tema como o aqui proposto atenderia com desenvoltura esses três objetivos.

Colocaria o aluno em contato com a disputa que se trava no continente em torno do papel social da comunicação, deixando mais claro o cenário onde se dará, no futuro, sua atuação profissional.

Propiciaria uma ampliação no campo das pesquisas, necessitadas cada vez mais de interdisciplinaridade. O estudo da comunicação só ganha concretude quando dialoga com o Direito e as Ciências Sociais em geral.

E finalmente, a extensão se daria com a formulação de projetos e propostas capazes de contribuir para o debate político que se trava na sociedade em torno das novas leis para a comunicação.

A fundamentação existente na Ley dos Médios argentinos tem grande contribuição acadêmica e poderia servir como referência para a Universidade brasileira.

Angola cada vez mais próxima do padrão brasileiro de TV Digital

Apesar da recomendação da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês) para que os países membros adotem o padrão europeu de TV Digital (DVB) – decisão tomada em janeiro desse ano – os governos do Brasil e de Angola estreitam ainda mais laços e assinam um Memorando de Entendimento para incentivar a migração para o SBTVD.

Em janeiro, o governo de Angola já tinha dito que a decisão SADC 'não era compulsória' e que a decisão de migração de TV digital também teria que levar em conta aspectos de negócios e de produção industrial – promessa feita pelo Brasil em troca da adoção do ISDB-T.

E mesmo com a posição da Comunidade da África Austral as negociações não foram interrompidas com o Brasil. Tanto que nesta semana houve mais um encontro de cooperação bilateral entre os dois países para tratar de TV Digital, em Luanda.

Representantes da Casa Civil, do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério das Comunicações do Brasil foram recebidos pelo Ministro das Telecomunicações e Tecnologia da Informação, eng. José Carvalho da Rocha, e pelo Vice-Ministro das Telecomunicações,Aristides Safeca. Também foram mantidos encontros técnicos com membros da comissão de migração digital.

Ficou acertado que, em agosto, uma missão de alto nível do governo de Angola virá ao Brasil para definir os passos seguintes no processo de migração digital. No encontro em Luanda também foi redigido um Memorando de Entendimento. Nele foram incluídas ações de cooperação técnica, acadêmica, formação de quadros e apoio à instalação de um laboratório de conteúdos digitais interativos, entre outros.

Também se discutiu a possibilidade de cooperação bilateral em temas como metereologia, satélites e a ligação por cabo submarino de fibra óptica entre os dois países. Mas os acertos finais entre os governos do Brasil e de Angola acontecerá na reunião agendada para agosto.

Sérgio Amadeu: Privacidade não pode ser quebrada por interesse comercial

Para o professor da Universidade Federal do ABC, Sérgio Amadeu da Silveira, o projeto de Lei 84/99, que tipifica os crimes cometidos por meio da internet começa de uma premissa errada. Primeiro, querem tipificar os crimes, sem antes definirem quais são os direitos do cidadão.

Crítico do texto elaborado pelo ex-senador, mas agora deputado e relator do projeto, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Sérgio Amadeu explicou que o projeto tende a assegurar o uso comercial de informações de cidadãos que navegam na rede, sem que ele sequer tenha conhecimento ou autorizado a liberação dos seus dados pessoais, ou os seus hábitos de navegação.

O projeto, por exemplo, tipifica como crime o simples fato de pessoas que estão baixando músicas ou algum tipo de informação pela Internet, o que na visão do professor, isso só visa a atender à indústria do Copyright norte-americana que já teria declarado apoio à matéria.

Sob a questão da guarda dos "logs" de navegação, Amadeu é da opinião de que cabe à Justiça indicar quais as informações deveriam ser guardadas para futuras investigações e quais as pessoas estariam sob investigação criminal. E não como prevê o projeto, em que todos os cidadãos terão os seus dados de nevegação armazenados simplesmente para o caso de alguma eventual suspeita.

Sérgio Amnadeu partiticipou nesta quarta-feira (13/07) de audiência pública conjunta das Comissões de Ciência e Tecnologia, de Direitos Humanos e Minorias; e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Em entrevista à CDTV do portal Convergência Digital, Amadeu coloca os principais pontos do projeto que necessitam de urgente mudança, para que o Congresso não aprove um novo "AI-5 Digital".

Anatel discute tarifação diferenciada para a área rural

Helton Posseti – Teletime

A Anatel já trabalha no regulamento para o serviço de telefonia fora da área de tarifação básica, que definirá as regras da oferta do serviço telefônico na área rural. O PGMU III determina que as concessionárias levem acesso individual do STFC aos domicílios rurais dentro de um raio de 30 km da sede do município.

Uma das principais inovações do documento é a criação de uma tarifa diferenciada para as chamadas que se destinam e que partem da zona rural. O novo regulamento definirá também os prazos para que todos os domicílios destas regiões, estimadas em 30 mil localidades, contem com o serviço até 31 de dezembro de 2015, como determina o PGMU III.

De acordo com o gerente de controle das obrigações da superintendência de universalização da Anatel, Ricardo Itonaga, a ideia está nos estudos preliminares da agência para o regulamento. Ele explica que a oferta precisa preservar o equilíbrio econômico-financeiro das empresas e, por isso, pode ser necessário estabelecer uma tarifa mais alta para se equilibrar com o custo de construção de rede na área rural.

O atendimento da área rural está condicionado à licitação da faixa de 450 MHz, que foi objeto de discussões dos senadores da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado nesta quarta, 13.