Ecad nas mãos do Cade

O futuro do Escritório de Arrecadação e Distribuição de Direitos (Ecad) está nas mãos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O Cade acatou denúncia de 101 páginas da Secretaria de Direito Econômico (SDE), que acusa o Ecad de exacerbar competência legal e de cartelização na fixação de preços – a SDE investigou o Ecad a partir de representação da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA).

O conselheiro-relator do caso no Cade é Elvino Carvalho Mendonça, que deverá levar a denúncia da SDE a julgamento. Caso seja condenado, o Ecad poderá ter de mudar seu estatuto e as associações que o compõem não poderão mais fixar valores de cobrança de direitos autorais em assembleias.

Segundo a advogada Leonor Cordovil, da ABTA, a cobrança de 2,55% da receita bruta das TVs por assinatura é arbitrária e caracteriza cartelização, pois não há nexo com a utilização da música pelas emissoras.

O Ecad alega que as atividades de arrecadar e distribuir direitos autorais “não são de natureza econômica, já que a música não pode ser caracterizada como um bem de consumo a ser ditado pelas regras da concorrência”.

Já a ABTA diz que isso é uma “interpretação maldosa”, porque a representação no Cade não questiona a legitimidade de arrecadação e distribuição de direitos, mas a fixação coletiva de preços. “Nosso objetivo é que as TVs por assinatura paguem o valor correto, e queremos ter a certeza que os autores estão recebendo esses valores. Todas essas CPIs, essas notícias sobre desvios de verbas, isso faz com que a credibilidade da distribuição seja questionada”, disse.

Em nota distribuída no mês passado, a advogada Glória Braga, superintendente executiva do Ecad, abordou o tema. “É importante esclarecer que, por duas vezes, a própria Secretaria de Direito Econômico, do Ministério da Justiça, já se manifestou que não se trata de infração à ordem econômica, mas apenas o exercício legítimo dos autores em poder estabelecer o valor a ser atribuído às suas criações musicais, prerrogativa conferida pela Constituição Federal. O Cade já analisou e julgou que o Ecad não exerce atividade econômica, uma vez que nem sequer possui finalidade lucrativa -, atuando apenas como mandatário dos autores de músicas. Acreditamos também que prover cultura à população é um dever do Estado, mas não à custa dos direitos dos autores. Em 2010, o Ecad distribuiu R$ 346,5 milhões beneficiando 87.500 titulares de música. A inadimplência de diversos estabelecimentos e emissoras de rádio e TV é que deve ser vista como a principal causa de tantas reclamações, pois causa enormes prejuízos aos artistas, e não a atuação do Ecad.”

Segundo a ABTA, cada empresa de TV por assinatura tem uma atitude em relação à cobrança do Ecad – algumas pagas, outras questionam a cobrança na Justiça. “Quem não pagou é porque está amparado em decisão judicial. A cobrança sobre a receita bruta atinge todo o serviço, e não só a utilização de música. Incide até sobre o preço do decodificador que se coloca nas casas, e isso não é correto. É a mesma coisa que se cobrar IPVA sobre seu salário mensal”, disse a advogada da instituição, Leonor Cordovil.

CPI

Entre as pessoas que o Senado pretende ouvir na CPI do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) está Milton Coitinho, apontado como laranja no recebimento de direitos autorais. A informação é da Folha de S. Paulo.

A CPI foi instalada para investigar denúncias de irregularidade no órgão. O Ecad foi acusado de pagar R$ 127,8 mil a Coitinho, cujo nome aparece na autoria de composições que não eram suas. A Folha localizou Coitinho em Bagé (RS). Ele é motorista e afirma nunca ter recebido a soma da entidade.

A CPI pretende ouvir artistas, especialistas em direito autoral e diretores de associações que trabalham com o órgão, além de pessoas que fizeram denúncias.

O Ecad admitiu que procurou o presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), por entender que a CPI era “desnecessária”.

 

*Com informações do Estadão.com e da Folha de S. Paulo

Quando o projeto de Marco Civil da Internet será encaminhado ao Congresso?

Esta pergunta foi repetida por diversos deputados e representantes da sociedade civil presentes, ontem, na audiência pública das comissões de Ciência e Tecnologia; de Direitos Humanos e Minorias; e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado sobre o do Projeto de Lei 84/99, o Projeto Azeredo. Isso porque muitos deputados e organizações da sociedade civil defendem que não se pode estabelecer o que são crimes na internet sem definir, antes, quais são os direitos e responsabilidades dos cidadãos na rede.

 

A resposta para a pergunta não existe. A proposta de Marco Civil está na Casa Civil da Presidência da República, e fontes ligadas ao governo e à Câmara dos Deputados afirmam, em off, que não há empecilho político para que seja enviada ao Congresso. "Há, ao contrário, a avaliação de que o governo tem uma dívida com esse setor da sociedade, que apoiou a eleição da presidenta Dilma e está, até agora, insatisfeito com o rumo que o Ministério da Cultura tomou", relata uma das pessoas do Congresso que conversou com a Casa Civil sobre o tema. "Minha expectativa é que o Marco seja encaminhado ao Congresso nos próximos dias", afirma outra, do Executivo, que diz não enxergar pressões sobre o governo para que o projeto não seja enviado.

Já em relação ao Projeto Azeredo, há um problema. Ele já foi aprovado, em 2003, pela Câmara. E aprovado novamente, com emendas, em 2009, pelo Senado. O PL voltou à Câmara para que essas emendas sejam ou não aprovadas. Se for à votação, e as emendas forem recusadas, o que vale, pelo regimento, é o texto aprovado em 2003. Que é tão ou mais restritivo que o PL Azeredo. Ou seja, a estratégia dos deputados contrários ao projeto seria não votá-lo. Também regimentalmente, a única maneira de arquivar um projeto de lei é considerá-lo prejudicado. Isso acontece quando, por exemplo, outro projeto tratando do mesmo tema é aprovado. Mas não há projetos alternativos ao Azeredo tramitando. Qual será, então, a estratégia legislativa dos opositores ao PL Azeredo para impedir sua votação?

Uma coisa ficou clara, na audiência de ontem: a necessidade de debater mais e de esclarecer os deputados que vão decidir sobre a questão. Os deputados Luiza Erundina (PSB/SP) e os deputados Sandro Alex (PPS/PR) e Eduardo Azeredo (PSDB) vão encaminhar, à Comissão de Ciência e Tecnologia, um requerimento para a realização do seminário sobre Combate aos Cibercrimes e Direitos Fundamentais, ainda na segunda semana de agosto. "A comissão de Ciência e Tecnologia foi quase toda renovada nesta legislatura, e não podemos nos precipitar e tomar uma decisão sem dominar o tema", afirmou Erundina, na audiência pública.

Veja aqui o pronunciamento do deputado Emiliano José (PT/BA) contra o PL Azeredo. Para ele, "monitorar os internautas não ajuda a solucionar crimes na internet". E aqui, uma entrevista com o professor Sérgio Amadeu, onde ele diz que a privacidade dos internautas não pode ser quebrada para favorecer a interesses comerciais.

Embratel reage e também lança banda larga a R$ 29,80 na Baixada Fluminense

A Via Embratel, empresa de TV por assinatura do grupo Embratel, anunciou hoje (14) um novo projeto para popularização da internet na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. O serviço de banda larga popular, com velocidade de 1 Mega e mensalidade de R$ 29,80, será ofertado nas cidades de Nova Iguaçu, Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti, Nilópolis e Duque de Caxias.

O anúncio da Embratel foi feito após o governo do Estado do Rio de Janeiro ter publicado decreto isentando o serviço de ICMS. A adesão da Embratel à banda larga popular ocorre após o governo federal ter firmado acordo com as concessionárias de telefonia local, que apresentaram suas ofertas aderindo ao PNBL. Em seguida, foi a vez da TIM, que vai oferecer o serviço em nível nacional por  R$ 35,00, contra R$ 29,90 da Vivo.

O serviço da Embratel será prestado por meio de sua empresa de TV por assinatura, que está construindo redes hibridas (fibra óptica e cabo coaxial) em diversas regiões do país. Além das cidades da Baixada, que estarão cabeadas até setembro, a Via Embratel já construiu redes de fibra e cabo no estado de São Paulo (em Osasco, na Grande São Paulo, e em quatro cidades do interior: Salto, Capivari, Elias Fausto e Rafard); em Mato Grosso, na capital Cuiabá; no Pará, em Belém e Ananindeua; e nas capitais Natal (RN), Teresina (Piaui) e São Luis (Maranhão). Segundo o diretor executivo da Via Embratel, Antonio João Filho, por enquanto, a banda larga popular está sendo ofertada apenas no Rio e em São Paulo. Nos demais, é preciso que os governos estaduais regulamentem a isenção do ICMS do serviço de banda larga popular.

Além da oferta da banda larga popular na Baixada, a Via Embratel está oferecendo também   os serviços de telefonia fixa (R$ 14,90) e de TV por assinatura (a partir de R$39,90). O cliente que fizer a opção pelo Combo, terá o dobro da velocidade no acesso à internet (2 Mbps), pelo preço de R$ 29,80. Fora isso, o valor da franquia mensal de telefonia será convertido em ligações, nos primeiros seis meses.

 

Com nova metodologia, Anatel prevê Fator X duas vezes maior; reajuste negativo é bastante provável

A Anatel está propondo uma alteração significativa na fórmula do Fator X que, se prevalecer como está sendo sugerida, pode provocar uma redução da assinatura básica nos próximos reajustes do STFC. Segundo o conselheiro Jarbas Valente, a expectativa da agência com a nova metodologia de cálculo do Fator X é que ele dobre em relação ao índice médio registrado nos últimos anos, de algo em torno de 3,5% para cerca de 7% ou 8%. Como o índice de reajuste do setor (IST) tem sido de cerca de 3%, a chance de uma queda na assinatura básica é concreta. A consulta durará 30 dias e deve ter uma audiência pública.

Mas as operadoras terão algumas alternativas para minimizar essa ampliação no Fator X. Ele decairá um pouco em função de planos que promovam uma ampliação da base do STFC. Assim, se as operadoras venderem bem o AICE ou qualquer outro plano que traga mais usuários para a base, o Fator X pode ser um pouco menor.

A expectativa da Anatel é que o Fator X seja anunciado assim que o regulamento for aprovado. A ideia era anunciar o índice para os próximos cinco anos, mas a agência optou por fazer a conta para os próximos três anos e reavaliar antes de estabelecer os próximos dois. Como o novo cálculo do Fator X considera apenas aspectos futuros, ele poderá ser anunciado imediatamente.

Outra novidade é que o Fator X será agora individualizado para cada concessionária e para cada modalidade de STFC. E o Fator X maior, correspondente ao da empresa mais eficiente em termos de produtividade, será considerado no cálculo das demais. Segundo Jarbas Valente, a medida visa evitar que as empresas se acomodem a uma baixa produtividade para terem um Fator X menor.

A Anatel, reconhece Jarbas Valente, quer induzir as operadoras a buscarem planos alternativos mais vantajosos para o consumidor e que ampliem a base e, com isso, pressionar por uma redução da média paga pelo serviço pelo STFC.

Outra pegadinha para as empresas é que a agência deve manter, no novo regulamento do STFC a ser editado, o dispositivo de comparação de pacotes na conta do usuário. Assim, em cada fatura o usuário terá a informação de quanto aquele consumo custaria se ele estivesse no plano básico. Com isso, a agência quer estimular que o os planos alternativos sejam sempre melhores que o plano básico. E como o Fator X incidirá sempre sobre o plano básico, isso induzirá uma redução dos planos alternativos. O texto do novo regulamento de STFC, após as mudanças da consulta pública está na procuradoria da agência.

A Anatel considera extremamente positivo o modelo de atrelar o reajuste de tarifas ao Fator X, ou seja, descontar do reajuste a produtividade das empresas. Segundo as contas da agência, desde 2001, quando o desconto de produtividade passou a ser considerado no reajuste, o consumidor teria pago R$ 17,5 bilhões a mais em tarifas, dos quais R$ 7 bilhões em tributos. A maior parte do ganho foi na modelagem de 2006 a 2010, quando o ganho para a sociedade calculado pela agência foi de R$ 12,5 bi, dos quais R$ 5 bi em tributos.

Idec: operadoras de celular impõem cláusulas ilegais aos clientes

Três das quatro principais operadoras brasileiras do Serviço Móvel Pessoal (SMP) mantêm cláusulas ilegais em seus contratos de prestação dos serviços ao cliente da modalidade pré-paga. A constatação é de um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) entre abril e maio deste ano.

Segundo o órgão, as irregularidades vão da prerrogativa de alteração dos documentos unilateralmente por parte da prestadora de serviço, a omissão de reparação dos danos causados aos clientes por falta de sinal, como acontece nos contratos das operadoras Claro e Oi. “Se eles oferecem a telefonia móvel, precisam ter infraestrutura para prestar um serviço adequado ao consumidor”, comentou a advogada do Idec, Veridiana Alimonti.

Outro problema apontado pela advogada é o fato de alguns contratos preverem que os consumidores não têm direito a ressarcimento dos créditos vigentes quando cancelam a linha. “A empresa não pode ficar com este valor para ela”.

Já a TIM proíbe o desbloqueio de aparelhos durante o período de fidelidade, contrariando o entendimento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre o assunto.

Veridiana também afirmou que o Idec encaminhou o estudo ao órgão regulador e aguarda providências. “O consumidor nem sempre conhece o Código de Defesa do Consumidor e as regras da Anatel de cabeça”, completa.

Informação

O Idec também chamou a atenção à inacessibilidade dos contratos e à falta de informação ao consumidor sobre onde encontrar estes documentos. Segundo a entidade, geralmente as operadoras mencionam a existência do pacto, mas não fornece uma cópia junto à embalagem dos chips. “O regulamento do SMP diz que na adesão ao plano fica estabelecido o contrato, que deve ser entregue ao cliente”, esclarece a advogada do instituto.

Segundo Veridiana Alimonti, o Idec teve dificuldades para encontrar o contrato das seguintes operadoras: TIM, Claro e Oi. No caso da Vivo, a o órgão não conseguiu sequer encontrar o documento e, por tanto, desclassificou a companhia.

A reportagem tentou contato, por e-mail, com as quatro empresas, porém não obteve resposta até o fechamento deste noticiário.