Conselho Estadual de Comunicação do Rio de Janeiro retorna à pauta

Redação – Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

Enquanto leva o plano do Conselho Estadual de Comunicação a fóruns de debate, o deputado Paulo Ramos (PDT), autor do Projeto de Lei 3.323/10, que institui o conselho, pretende colocar a matéria também no expediente do plenário da Assembleia Legislativa (Alerj), para entrar em pauta de votação, já que não há muito espaço para discussão nos microfones do parlamento, segundo o próprio deputado. Assim, o pedetista aponta que até o final de agosto o texto do Conselho Estadual de Comunicação deva estar prestes a ser votado.

“Temos que colocar o projeto na pauta, nem que seja para discutir o assunto, mesmo que no pouco espaço”, expõe Ramos. Ele assume ter enfrentado dificuldades na tentativa de apoio parlamentar ao projeto. “Alguns acham que é censura. Mas não é. É controle social”, explica ele, voltando a bater na tecla que elucida um dos grandes equívocos quando se debate o tema.

A finalidade do conselho é garantir que todos os setores ligados ao assunto possam discutir a comunicação no Rio de Janeiro, evitando concentração. O objetivo do órgão, entre outras tarefas, é o de acompanhar as políticas de Comunicação Social no estado e o de receber e encaminhar denúncias sobre abusos nos veículos. Fiscalizar as verbas publicitárias para que sejam obedecidos critérios técnicos de audiência e garantia da diversidade e pluralidade também é uma das funções do conselho.

Paulo Ramos completa que o Conselho de Comunicação deve fiscalizar os donos das grandes empresas do setor e não submeter os jornalistas à censura. O órgão também vai ser levado às frentes parlamentares pertinentes para que os deputados debatam o assunto. O presidente da Comissão de Cultura da Alerj, Robson Leite (PT), também já se disse favorável à criação do conselho durante o lançamento da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão.

CCJ da Câmara aprova novos horários para a Voz do Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quarta-feira, 17, o projeto que flexibiliza o horário de exibição nas rádios do programa a Voz do Brasil. O projeto segue para votação em plenário. Se aprovado, irá para sanção presidencial.

O texto aprovado prevê que as emissoras poderão exibir o programa com início entre 19 horas e 22 horas. Atualmente, é obrigatória a veiculação entre 19 e 20 horas. O programa existe desde a década de 1930 e traz notícias institucionais dos três poderes. A Voz do Brasil é  produzida pela Empresa Brasileira de Comunicação.

A Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert) defende a flexibilização. Entre os argumentos está a queda de audiência das emissoras durante o programa. Podendo exibi-lo em outros horários, as rádios teriam melhores condições de trabalhar sua grade de canal.

Na CCJ, deputados do PT foram os mais radicais contra a mudança. Eles argumentam que a medida vai contra a "unidade nacional". Outro opositor da proposta, o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) afirmou que a mudança de horário vai prejudicar a audiência do programa estatal.

"A flexibilização fará com que sejam colocados em horário diferentes e a audiência será menor ainda. Ganha com isso o lobby da comunicação e dos detentores de rádio e perde a sociedade brasileira."

Um dos defensores da proposta, o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS) justificou a mudança pelo clamor popular. "Não tenho dúvida alguma que se a população pudesse se manifestar seria a favor da flexibilização".

TV Cultura pode se desfazer de teatro e biblioteca para conter gastos

Redação – Portal Imprensa

Depois de realizar diversas demissões e reestruturar a programação da emissora a fim de conter gastos, a Fundação Padre Anchieta pretende "enxugar" mais o orçamento e desfazer-se da biblioteca da TV Cultura e do teatro Franco Zampari, onde o programa "Viola, Minha Viola" é gravado.

Segundo a coluna "Outro Canal", da Folha de S.Paulo, a emissora doou o acervo de 11 mil títulos da biblioteca para escolas estaduais e estuda desativar o local. Já o teatro seria cedido à Universidade de São Paulo para uso fixo.

A assessoria da TV Cultura afirmou à coluna que não pretende ceder o teatro, mas confirmou a doação dos livros da biblioteca.

Setor se prepara para regulamentação do novo marco legal

Fernando Lauterjung – Tela Viva News

Após a aprovação no Congresso do novo marco legal do setor de TV por assinatura, a disputa em torno das regras continua em outras instâncias. Neste momento, mudam não apenas os campos das batalhas, mas também as alianças. A expectativa de fontes do setor é de que durante a fase de regulamentação da futura lei, operadores e programadores, nacionais e estrangeiros, voltem a trabalhar lado a lado. Esta regulamentação, caso não haja vetos no texto enviado para sanção presidencial, acontecerá na Ancine e na Anatel.

O campo judicial não é descartado para dar continuidade à disputa pelo fim de pontos polêmicos do projeto, como a criação de cotas de conteúdo, o papel das agências reguladoras e as regras que limitam a participação de empresas radiodifusoras na operação de TV paga. Vale destacar, é viável derrubar um único parágrafo de uma lei judicialmente, sem afetar o restante do texto.

Presidenta pode vetar artigos polêmicos do PLC 116

A aprovação do PLC 116 pelo Congresso Nacional não garante que ele seja aprovado na íntegra pela presidenta Dilma Rousseff, que poderá vetar os artigos considerados polêmicos. Nos bastidores da votação desta terça, 16, o Artigo 5º foi muito questionado pelos parlamentares, embora nenhum deles tenha dito isso publicamente.

O Artigo 5º proíbe que as concessionárias de radiodifusão detenham mais de 50% do capital de companhias de telecomunicações. Da mesma forma, as teles não podem deter mais de 30% do capital de empresas de radiodifusão nem de produtoras e programadoras. Alguns grupos de comunicação importantes poderiam ser obrigados a vender suas outorgas. São operadas por grupos de radiodifusão, por exemplo, a TV Cidade (controlada pela Band), TV Alphaville (controlada pelo SBT), Jangadeiro Cabo (controlada pelo grupo Jereissati), ORM (controlada pela TV Liberal), MVA TV (controlada pelo grupo SCC, de Santa Catarina) e Bahiasat (controlado pela TV Bahia).

Outra questão (essa sim expressada publicamente pelos senadores) que poderá ser vista com reservas pela presidenta Dilma Rousseff é a nova atribuição da Ancine. A leitura é de que a presidenta pode entender que, de fato, as novas atribuições são inconstitucionais e vetar essa parte do projeto.

Já que o projeto é oriundo da Câmara, o PLC 116 agora volta à Câmara para, de lá, ser encaminhado ao Palácio do Planalto. A expectativa é de que ele seja sancionado em 20 ou 25 dias.