Impedida de criticar governador, afiliada da Rede TV compara decisão judicial com censura militar

A TV Cuiabá, afiliada da Rede TV no Mato Grosso, publicou editorial contra a liminar que proíbe todos os programas da emissora a emitirem qualquer opinião crítica ao governador Silval da Cunha Barbosa (PMDB). O texto divulgado pela emissora no programa 'Comando Geral' comparou a situação com o regime militar. "A decisão judicial que manda calar as críticas à forma que Mato Grosso é governado nos remete a um tempo de incerteza e medo", afirmou o editorial.

Nos últimos anos, a TV Cuiabá, exibida no canal 47, divulgou "revelações e escândalos" de vários setores governo estadual. Em seguida, o governador pediu uma liminar que proíbe o apresentador do 'Comando Geral', Maksuês Leite (foto), de fazer qualquer crítica a atual gestão. Se houver descumprimento, o canal poderá pagar R$ 5 mil por danos morais.

comandoA situação provocou indignação da equipe da emissora. "O 'Comando Geral' e o Grupo Documento lamentam que isso tenha acontecido bem aqui, em Mato Grosso, terra que gerou, por exemplo, Dante de Oliveira, o homem das Diretas Já, um ícone da luta pela Democracia e pelo direito do cidadão ter voz e poder gritar contra aquilo que está errado. Estamos calados por ordem da Justiça, neste caso usada como ferramenta de censura pelo homem eleito pelo povo para representá-lo no mais alto posto do Estado".

De acordo com o canal, não há intenção de "confrontar a justiça", mas é certo que a "luta contra os desmandos e a corrupção vai continuar, principalmente quando houver abusos no trato com o patrimônio público, pois é esta luta que justifica a nossa existência".

Planalto reitera validade da Lei do SeAC com pareceres da AGU, MiniCom e consultoria jurídica

Ao aprovar a Lei 12.485/2011 – que unifica as normas da TV por assinatura, criando o Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) – o Congresso Nacional não violou o artigo 84 da Constituição Federal, que trata da competência privativa da Presidência da República, ao conferir à Ancine o poder de regularizar e fiscalizar o mercado de audiovisual, como defende o partido Democratas. Isto porque a alteração na competência do órgão se deu por meio de emendas à Medida Provisória. Esse é o entendimento da Advocacia-Geral da União, ao responder os esclarecimentos solicitados pelo ministro Luiz Fux, relator, no Supremo Tribunal Federal (STF), de ação direta de inconstitucionalidade contra a norma, interposta pela legenda.

Na argumentação enviada ao STF, a AGU afirma que a Constituição não limita o poder do Congresso de emendar Medidas Provisórias, como é o caso. Também não considera que as novas atribuições dadas à Ancine se configurariam em intervenção excessiva do Poder Executivo na esfera privada, como alega o DEM, sustenta o consultor jurídico do Ministério das Comunicações, José Flávio Bianchi. Segundo ele, o serviço de comunicação audiovisual de acesso condicionado é um serviço público delegado para ser executado nos termos e condições estabelecidos pelo ente detentor da titularidade. “Como as entidades que exploram tais serviços são tão-somente detentoras do direito de execução, permanecendo a titularidade com o Poder Público, não se deve falar em ingerência indevida na iniciativa privada”, sustenta.

Outra alegação da legenda na ação, da inconstitucionalidade da política de cotas de produção nacional, foi rechaçada pela consultoria jurídica do MiniCom, que vê na medida uma forma de valorizar a cultura nacional e regional e de estimular a produção independente, atendendo o que preconiza o artigo 221 da Constituição, não sendo possível afirmar que há qualquer intromissão do Poder Público em assuntos privados ou em matéria de liberdade de expressão.

Para a Consultoria-Geral da União, por sua vez, as atribuições da Ancine previstas na Lei do SeAC apenas deixa claro o papel da agência estipulado na Medida Provisória 2228/2001, de fomento, regulação e fiscalização da indústria do audiovisual, sendo que agora também exercerá a tarefa de fiscalizar o cumprimento de novos condicionamentos legais criados para os conteúdos e obras audiovisuais veiculados por meio do serviço de acesso condicionado. Nesse caso, diz o parecer, a exclusão dos artigos proposta na ação causaria a completa perda de efetividade da Lei 12.485/2011, pois não teria instrumento apto para aferir o atendimento dos agentes aos novos ditames legais.

Os pareceres atendem a solicitação do relator da ação, que quis conhecer a posição do Congresso Nacional e da Presidência da República sobre as alegações do DEM, que, basicamente, vê inconstitucionalidade em dispositivos da lei, especialmente os que transformam a Ancine em uma espécie de regulador absoluto das atividades de comunicação privadas, não sujeitas a outorgas públicas, além de ir contra a criação da política. A medida cautelar proposta será decidida em plenário.

Ao decidir sobre edifício-sede da Telefônica, Anatel indicará como tratará bens reversíveis

Um passo importante sobre a discussão de bens reversíveis deve ser dado nesta quinta, dia 15, na reunião do Conselho Diretor da Anatel. A agência analisará o pedido de anuência prévia para feito pela Telefônica para alienar seu edifício-sede, na rua Martiniano de Carvalho, em São Paulo. Na verdade, o pedido não foi feito para a alienação do prédio em si, que não consta (para surpresa da própria Anatel), na lista de bens reversíveis, mas sim para desvinculá-lo de dois pequenos imóveis que ficam no mesmo terreno e que são, estes sim, parte da lista de bens reversíveis. A Anatel, ao perceber que o propósito era a venda do prédio principal, passou a tratar o pedido como a alienação da sede da empresa.

De qualquer maneira, a área técnica e a área jurídica da agência entenderam que o edifício-sede de uma operadora é sim bem reversível, e questionaram o Conselho sobre o que fazer. Essa posição deve ser mantida pelo conselheiro relator, Rodrigo Zerbone, que indicará, em seu relatório, uma sugestão de procedimento para todos os casos semelhantes: sempre que um bem reversível for alienado, isso só poderá ser feito com anuência da Anatel e com a indicação, pela concessionária, de um plano de investimento de valor equivalente ao bem em infraestrutura para a prestação do serviço, reversível à União. Mas o processo deve voltar para a área técnica, que dirá à empresa como reapresentá-lo, agora de forma adequada.

Com isso, a Anatel quer evitar que alienações de bens reversíveis resultem numa melhoria da situação de caixa das empresas num primeiro momento, mas com deterioração do patrimônio reversível no longo prazo.

A Telefônica pretende vender o prédio para se mudar para um novo edifício, arrendado da Previ, e que abrigará a sede da empresa e também da Vivo. A Anatel pedirá ainda garantias de que o contrato com o terceirizado (no caso, a Previ, proprietária do imóvel) assegure a continuidade da operação após 2025.

Câmara e Senado assinam hoje acordo de cooperação em TV digital

O presidente da Câmara, Marco Maia, e o presidente do Senado, José Sarney, assinam nesta manhã um acordo para a implantação, em regime de parceria, da Rede Legislativa de TV Digital. A rede vai compartilhar, em sinal digital aberto e gratuito, as programações da TV Câmara, da TV Senado e das emissoras de assembleias legislativas e de câmaras municipais.

O ato de assinatura ocorrerá às 11 horas, na sala de audiências da Presidência do Senado.

O objetivo da parceria é reduzir os custos dos projetos de expansão das emissoras das duas Casas nos estados. O acordo estabelece que, onde uma emissora instalar estação de transmissão de televisão digital, cederá à outra, sem ônus, uma faixa de programação.

Em uma primeira etapa, até 2013, a TV Câmara e a TV Senado vão instalar estações em 11 capitais cada uma. A TV Câmara instalará estações em São Paulo (já em operação), Porto Alegre, Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador, Florianópolis, Cuiabá, Vitória, Palmas, Goiânia e Recife. Já a TV Senado implantará estações em Belém, São Luís, João Pessoa, Maceió, Campo Grande, Rio de Janeiro, Curitiba, Macapá, Manaus, Boa Vista e Teresina.

Novos canais
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, autorizou ontem a operação de 59 novos canais digitais pela TV Câmara.

A implantação da Rede Legislativa de TV Digital seguirá o seguinte cronograma:
– Ribeirão Preto, Barretos e Jaú: março de 2012;
– Porto Alegre, Fortaleza e Belo Horizonte: abril de 2012;
– Palmas, Goiânia, Cuiabá e Vitória: agosto de 2012.

Também no primeiro semestre, está prevista a inauguração de operações da TV em Lavras, Sete Lagoas, Pouso Alegre, Jacareí, Bauru, São Carlos, Tupã, Campinas e Ourinhos.

Ainda em março, deverão ser assinados acordos de cooperação técnica com as câmaras municipais das seguintes cidades mineiras: Divinópolis, Montes Claros, Uberlândia e Uberaba.

A TV Câmara também terá parceria com os seguintes municípios paulistas: Santos, Guarujá, Valinhos, Sorocaba, Presidente Prudente, Americana, Araras, Bragança Paulista, Atibaia, Votorantim, Franca, Araraquara, Limeira, São José do Rio Preto, São Carlos, Praia Grande, Piracicaba, Penápolis, Mogi das Cruzes, Jundiaí, Itu, Cubatão, Marília, Caraguatatuba, Botucatu e Assis.

Prioridades de 2012 são as mesmas de 2011

Ao participar de audiência no Senado, nesta quarta-feira, 14/3, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, apresentou uma lista de medidas que considera prioritárias para 2012. Talvez seja o ritmo do governo, mas a relação do que esperar deste ano é praticamente a mesma de 2011.

A lista é encabeçada pelo leilão das faixas de 450 MHz e 2,5 GHz, previsto para junho deste ano. Mas outras demandas há muito discutidas também fazem parte do rol. São elas:

Desoneração de investimentos em redes, várias vezes anunciada ao longo do ano passado, mas que, segundo o ministro Paulo Bernardo, carecia de “adequação orçamentária”;

Serviços e terminais mais baratos para a população de baixa renda, cuja origem, ao menos nesta fase, remonta à proposta original do plano de obrigações das teles, com serviços atrelados ao cadastro único dos programas sociais;

Decreto sobre direito de passagem, que trata da previsão, em grandes obras públicas, da construção de dutos para a instalação de redes de telecomunicação – prometido ainda durante o Fórum Brasil Conectado, em 2010;

Lei Geral de Infraestrutura em Telecom, nome atualizado para outra proposta do Fórum Brasil Conectado, de unificação das regras para instalação de antenas nos municípios;

Marco legal da comunicação eletrônica, cujo projeto original, do então ministro Franklin Martins está pronto desde o fim de 2010, mas que no governo Dilma Rousseff foi submetido a revisão;

Outras prioridades são a preparação da infraestrutura para a Copa do Mundo, acelerar a implantação da TV Digital – o que também remete a outra, a definição do operador da rede pública, e um projeto-piloto de Cidades Digitais.