Audiência debaterá demissões da Oi após fusão

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público realiza na quarta-feira (1º) audiência pública para discutir as demissões feitas pela empresa Oi, que comprou a Brasil Telecom em 2008. A audiência foi sugerida pelo deputado Luiz Carlos Busato (PTB-RS), que quer ouvir esclarecimentos sobre a situação dos funcionários da empresa.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Oi demitiu em abril cerca de 500 funcionários, principalmente das áreas de mercado e vendas, por motivo de reestruturação após a compra da Brasil Telecom. Em fevereiro, logo após a conclusão da compra, a empresa já teria eliminado cerca de 400 cargos de gerência.

Segundo nota divulgada pela Oi, os demitidos terão o seguro de vida e o plano de saúde mantidos até o fim do ano. Também terão o apoio, por um ano, de consultoria para recolocação profissional. A Oi anunciou, ainda, que os demitidos receberão uma indenização de 0,3 salário para cada ano de trabalho na empresa, com piso de 1,5 salário e teto de 6 salários.

Cerca de 20% dos demitidos serão inseridos no plano de aposentadoria incentivada criado pela empresa em fevereiro. Nesse caso, a indenização é de 0,4 salário para cada ano trabalhado na empresa, com limite de 12 salários. As demissões teriam ocorrido principalmente em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília. Estimativas de entidades sindicais apontam que o número de demissões na empresa poderá ser de 3 a 5 mil, de um total de 15 mil empregados.

Convidados
Foram convidados para a audiência:
– o ministro do Trabalho, Carlos Lupi;
– o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco Pires Correa;
– o presidente do Sindicato dos Telefônicos do Rio Grande do Sul (Sinttel/RS), Flávio Leonardo Silveira Rodrigues;
– o vice-presidente do Sinttel/RS, Gilnei Porto Azambuja;
– o presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel), Brígido Ramos;
– o presidente do Conselho Deliberativo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ronaldo Mota Sardenberg.

A audiência será realizada às 11 horas, no plenário 12.

Caos da telefonia vai além das panes

As panes da Telefônica são a face mais visível de um problema maior: a baixa qualidade do atendimento das empresas de telecomunicações. O setor lidera as reclamações nas entidades de defesa do consumidor, submetendo seus clientes a caladões, serviços intermitentes e outras falhas técnicas, a informações erradas e esperas sem fim nos call centers, a cobranças por serviços que não foram contratados e não foram prestados.

Segundo o Ministério da Justiça, cerca de 30% das reclamações apresentadas nos Procons desde outubro de 2004 estão relacionadas a telefonia fixa, telefonia móvel e aparelhos celulares. Neste semestre, o número também ficou perto de 30%. "O comportamento das empresas é preocupante", afirmou Ricardo Wada, diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça. "As operadoras estão transferindo o atendimento do consumidor para os órgãos públicos."

Um balanço do comportamento das empresas desde que entrou em vigor a chamada Lei do SAC, que definiu regras para o serviço de atendimento ao consumidor de setores regulados, apontou que as operadoras de telecomunicações tiveram o pior desempenho. Entre dezembro de 2008 a abril de 2009, as operadoras de telecomunicações responderam por mais da metade das reclamações relativas ao SAC, segundo o Ministério da Justiça.

As empresas costumam justificar a quantidade de queixas com o número de clientes que atendem. Existem no País 41,7 milhões de telefones fixos em serviço e 157,5 milhões de celulares. Para Wada, não é desculpa. "Existe meio bilhão de cartões de crédito no Brasil", comparou o diretor do DPDC. No semestre, 11,4% das reclamações recebidas pelos Procons foram relacionadas aos cartões.

O principal motivo de reclamação contra as teles são cobranças abusivas ou indevidas. O desespero do consumidor é tanto que o administrador de empresas Carlos Teixeira chegou a enviar para este jornal uma mensagem de correio eletrônico com o título: "Socorro – A Telefônica quer me matar". No começo deste ano, ele descobriu que seu nome havia sido mandado para o SPC pela operadora, por causa das contas de abril e maio do ano passado.

Apesar de ter provado, com os comprovantes, que havia pago as contas em dia, não conseguiu limpar seu nome até agora. Por causa do que aconteceu, Teixeira mudou de operadora e, dias depois, recebeu uma ligação da Telefônica perguntando porque havia deixado de ser cliente.

"Tenho quase 60 anos e já estava à beira de um enfarte", disse o administrador de empresas, que chegou a receber uma nova conta da Telefônica depois de ter mudado de operadora. Ele tentou várias vezes conseguir o cancelamento dos débitos, perdendo horas ao telefone, e chegou a reclamar para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). "Parece que querem levar você à loucura. Não consigo me desvencilhar deles." A Telefônica informou, por meio de sua assessoria, que já cancelou as "contas indevidamente emitidas" e tomou as providências para tirar o nome de Teixeira do SPC.

A Telefônica lidera o ranking de reclamações do Procon-SP. Entre as dez mais reclamadas no ano passado, cinco são operadoras de telecomunicações ou fabricantes de aparelhos. Na lista de queixas sobre serviços essenciais, sete entre as dez são empresas de telefonia.

"A nosso ver, existe um problema sério de regulamentação", afirma Roberto Pfeiffer, diretor executivo do Procon-SP. "Nas regras do setor, é praticamente inexistente a preocupação com o modo de comercialização dos serviços." Para Pfeiffer, as empresas não se sentem obrigadas a cumprir as condições que oferecem na comercialização do serviço.

Daniela Trettel, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), concorda que os problemas do setor refletem uma regulação falha. "Quando a regulação e a agência foram estruturadas, todo o pensamento estava voltado para a privatização, e se esqueceram do consumidor", explicou Daniela. "As metas de qualidade têm somente indicadores quase matemáticos, e não levam em conta a satisfação do consumidor."

A advogada considera muito brandas as punições para as operadoras previstas pela regulamentação. "Não doem no bolso", disse Daniela, acrescentando que a Anatel deveria tomar medidas que reforcem a concorrência no setor. "Em outros países, os consumidores participam na elaboração das normas, e não são somente chamados a opinar durante uma consulta pública de 15 dias, quando a norma já está escrita."

A Telefônica sofreu cinco panes nos últimos 12 meses, sendo quatro do Speedy, seu serviço de banda larga, e uma da telefonia fixa. A Anatel suspendeu as vendas do Speedy na segunda-feira e exigiu que a operadora elaborasse um plano para garantir a prestação do serviço. Esse plano foi entregue à agência na sexta-feira.

Além das panes, existem muitos problemas que afetam individualmente os consumidores. Edison Peixoto, que trabalha com marketing cultural, ficou sem o Speedy no dia 20 e, até sexta-feira, o serviço não tinha voltado. "Moro na Serra da Cantareira e não tenho escapatória", disse Peixoto. "Aqui não existe outro serviço de banda larga." Por meio de sua assessoria, a Telefônica informou que mandaria um técnico ontem para verificar o problema.

Militares fecham estações de TV e rádio em Honduras

A deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya por grupos militares gerou cerceamento nas atividades da imprensa no país. Várias estações de rádio e TV foram fechadas entre domingo e a última segunda-feira (29). Entidades internacionais de defesa da imprensa repudiaram a medida.

Após os militares tirarem Zelaya do poder e o obrigarem a se refugiar na Costa Rica, soldados fecharam as redes internacionais de TV CNN, em Espanhol e Telesur, da Venezuela.  Um canal pró-governo também foi censurado pelos soldados.

Nesta terça-feira (30), manifestantes criticaram os jornais El Heraldo e El Tribuno, veículos livres de censura dos militares. Segundo a população, os periódicos teriam conivência e apoio ao golpe de Estado.
  
Em nota, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) criticou a medida dos militares. De acordo com a entidade, a ação mostra que os "líderes do golpe querem esconder o que está acontecendo".

Manuel Zelaya foi deposto no último final de semana por autoridades militares de Honduras. A justificativa é de que o então chefe de Estado queria aprovar mudanças na legislação, para se manter no mandato. Os presidentes de Brasil e dos Estados Unidos, Lula e Barack Obama, respectivamente, repudiaram a medida e não reconheceram a legitimidade do novo governo hondurenho. A informação é da agência Reuters. 

 

 

 

PEC quer municipalizar radiodifusão comunitária

Tramita na Câmara a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 360/09, do deputado Manoel Junior (PSB-PB), que estabelece a competência dos municípios para legislar sobre radiodifusão comunitária. Hoje, somente a União pode legislar sobre o assunto.

O deputado observa que, se por um lado a radiodifusão comunitária é descentralizada e espalhada pelo País, por outro sua regulamentação e o processo de outorga são centralizados no Poder Executivo federal.

Para Manoel Junior, não faz sentido a União decidir sobre um assunto local. Ele observa que o alcance restrito das rádios comunitárias, as particularidades locais e o papel de relevante interesse público que desempenham em cada comunidade fazem com que essa política seja de natureza essencialmente municipal, "assim como é tarefa do município decidir se vai construir uma escola ou um posto de saúde".

Burocracia
Na opinião do parlamentar, o processo atual é burocrático, lento, caro e pouco transparente. A lentidão do processo atual, entende Manoel Junior, é o que leva inúmeras emissoras a operar na clandestinidade.

O Ministério das Comunicações, diz ainda, não tem capacidade para analisar todos os pedidos de outorga. Em 2007, por exemplo, de um total de 11.990 processos, 6.529 foram indeferidos ou arquivados e apenas 2.868 entidades foram autorizadas.

Tramitação
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania analisará admissibilidade da proposta. Se aprovada, a PEC será examinada por uma comissão especial e, posteriormente, votada pelo Plenário.

Íntegra da proposta:
PEC-360/2009

Edição – Newton Araújo

MiniCom se recusa a cumprir recomendação do MPF

Na última sexta-feira (26/06), o Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP), através da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, recomendou que o Ministério das Comunicações instaurasse um procedimento administrativo para apurar a exposição de Maisa Silva no "Programa Silvio Santos", exibido pelo SBT, nos dias 10 e 17 de maio desse ano.

Nas duas ocasiões, Maisa passou por situações de "pranto convulsivo e aparente estado de desespero, enquanto o apresentador e animador de auditório Senor Abravanel aparentava extrema tranquilidade e alegria com o desenrolar dos fatos", segundo a Assessoria de Comunicação Procuradoria da República no Estado de S. Paulo.

No dia 10, Maisa foi trancada em uma mala e se assustou. Depois, entrou em aparente desespero com a exibição de um menino mascarado. Depois, a criança ficou nervosa ao ser provocada pelo apresentador, desesperou-se e chorou ao bater a cabeça em uma câmera.

O Ministério, no entanto, se recusou a instaurar o procedimento, alegando que não há na legislação de Serviços de Radiodifusão atual nada que o obrigue a atuar no caso. O Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias, discordou, afirmando que "o artigo 114 do Regimento Interno do Ministério das Comunicações coloca como obrigação do órgão promover instauração de procedimento administrativo visando apurar infrações de qualquer natureza referentes aos serviços de radiodifusão".

Para o MPF, caso o órgão não apure a exposição de Maísa no SBT, pode cometer improbidade administrativa por omissão. "A omissão dos representantes do Ministério das Comunicações no presente caso poderá acarretar, em tese, a configuração de ato de improbidade administrativa e o MPF adotará as medidas cabíveis caso isso ocorra", declarou Dias.

Caso o Ministério das Comunicações acate a recomendação, o MPF pede que órgão envie, a cada 30 dias, as medidas que estão sendo adotadas dentro do procedimento administrativo instaurado.