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Anatel vai restabelecer seu Conselho Consultivo parado há um ano

Sociedade de um lado, mercado econômico de outro e os elos entre os dois pólos enfraquecido. O cenário das telecomunicações vem mudando, guiado principalmente pela convergência digital. Enquanto a metamorfose acontece, o Conselho Consultivo (CC) da Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel), espaço destinado à participação e articulação da sociedade dentro da instituição, está há quase um ano sem atuar. O motivo alegado é a falta de quorum. Dos 12 membros que deveriam estar atuando, apenas cinco têm mandato vigente. Tendo em vista essa realidade, o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, publicou edital convidando entidades de usuários, da sociedade civil e das prestadoras de serviços de telecomunicações a indicar seus representantes para a composição do Conselho.

Criado em 1998, o Conselho Consultivo (CC) da Anatel deveria ter em sua formação representantes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, do Poder Executivo, das entidades de classe das prestadoras de serviços de telecomunicações, das entidades representativas dos usuários e de entidades representativas da sociedade. Cada segmento comportaria dois representantes.

Atualmente, há apenas dois representantes da Câmara, um do Senado, um do poder Executivo e um dos consumidores. De acordo com Flávia Lefévre Guimarães, coordenadora da Frente dos Consumidores de Telecomunicações – FCT – e membro do CC (representante das Entidades Representativas dos Usuários), em setembro do ano passado foram nomeados dois membros: Igor Villas Boas de Freitas, como representante do Poder Executivo, e Amadeu de Paula Castro Neto, representante do Senado Federal. Contudo, por causa da paralisação do órgão, não puderam ser empossados.

“Urge a nomeação das demais vagas no CC, pois matérias fundamentais estão para ser reguladas e os interesses dos diversos agentes do mercado devem estar representados no processo regulatório”, afirma Flávia. Para suprir as demais vagas, o ministro publicou, no dia 3 de janeiro, no Diário Oficial, edital de convocação. As entidades têm 30 dias, a partir da publicação no D.O.U., para enviar lista com os três nomes indicados. Após essa etapa, de acordo com Flavia, o Ministro escolhe um nome e manda para Casa Civil, que nomeará o representante. O mandato dos conselheiros escolhidos vai até 16 de fevereiro de 2011. “Será mais uma oportunidade do consumidor e outros setores participarem diretamente das diversas decisões das áreas de telecomunicações", disse Hélio Costa.

Para o coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Celso Schröder, o movimento do ministério é positivo, necessário e atrasado, na medida em que já precisava estar funcionando. “De qualquer maneira, é importante para dar legitimidade a esse Conselho”, comenta. A expectativa, segundo ele, é que efetivamente essa representatividade seja da sociedade civil e não dos interesses que compõem o sistema econômico.

Atribuições em inércia

Entre as atribuições da instituição estão: analisar (antes de seu encaminhamento ao Ministério das Comunicações) o pano geral de outorgas – o plano geral de metas de universalização de serviços prestados em regime público e demais políticas governamentais de telecomunicações. Essas atribuições não puderam ser desenvolvidas no último ano, apesar da Lei Geral das Telecomunicações garantir esses fundamentos. “Essa situação é grave. Chego a pensar que, de certa maneira, o que se pretende com essa desmobilização do Conselho é não ouvir a sociedade”, expõe a coordenadora, lembrando que toda e qualquer alteração no setor precisa da manifestação prévia do CC – que apesar de seu papel consultivo/opinativo, tem um peso político importante, pois propícia a multiplicação do discurso na sociedade.

Luiz Fernando Liñares, advogado, assessor especial da Câmara dos Deputados e também presidente do Conselho, em matéria publicada no Observatório do Direito à Comunicação (leia aqui), responsabiliza o Conselho Diretor pela inércia do órgão. Segundo ele, o projeto da direção da Anatel, em médio ou longo prazo, é dissolver o organismo. "É como se o Conselho Consultivo fosse um órgão alienígena, como se seus membros não tivessem sido nomeados pelo Presidente da República", comenta, reclamando da falta de estrutura, insuficiência de critérios técnicos e de transparência no processo de nomeação dos seus integrantes.

De acordo com Liñares, após a última reunião da entidade, em fevereiro do ano passado, o Conselho Diretor negou a liberação de verbas para a realização de novas reuniões, alegando a falta de quorum mínimo para tornar viáveis os encontros. De acordo com o advogado, a falta deveria impedir os atos deliberativos por parte do Conselho, mas não a realização de reuniões.

O coordenador do FNDC explica que essa postura é geralmente adotada pelas organizações quando não querem seus conselhos. “Isso já aconteceu com o Conselho de Comunicação Social (CCS), por exemplo”.

Recuperar a dimensão pública

Assim como o CC, o CCS há um ano espera sua reativação. Para Schröder, esses conselhos seriam a possível dimensão publica num modelo econômico adotado no país. Enquanto um, na opinião do coordenador foi de certa forma sabotado, como é o caso do CCS, o outro funciona parcamente – caso do CC. “O CC nunca foi implementado completamente, nunca foi acionado na sua totalidade, deixando a Anatel sem a dimensão pública que ela precisa para ter legitimidade, para fazer cumprir seu papel de fiscalização”, comenta.

No artigo O Conselho Consultivo da Anatel não pode mais ficar incompleto, publicado no Telesintese (leia o artigo aqui), Flávia comenta a expectativa em relação ao destino do CC. “Aguardamos, dos ilustres governantes que indicam e nomeiam os membros do Conselho Consultivo da Anatel, que ouçam o clamor das entidades que vêm buscando a indicação de seus representantes, especialmente em virtude da importância histórica do atual cenário, e assumam um compromisso verdadeiro com a democracia, abrindo oportunidade para que a sociedade possa lutar de forma legítima e equilibrada por seus interesses econômicos e sociais dentro do ambiente institucional”, finaliza.

Governo estadual lança internet sem fio gratuita na Baixada Fluminense

Rio – A Baixada Fluminense vai receber, a partir desta segunda-feira, uma das mais recentes tendências mundiais: o sistema de Internet em banda larga a céu aberto sem fio, totalmente gratuito, mais conhecido como wi-fi. Às 10h, no Teatro Tereza Cortez, na Praça do Pacificador, em Duque de Caxias, o governador Sérgio Cabral Filho e o secretário de Ciência e Tecnologia Alexandre Cardoso farão o lançamento do projeto, que está a cargo dos pesquisadores da UFF e da UFRJ.

A partir da implantação, moradores, turistas e quem mais passar pelos pontos que estiverem munidos com os computadores poderão navegar de graça pelo mundo virtual. Segundo o governo, todos os municípios da Baixada Fluminense serão atendidos. O investimento é de mais de R$ 4 milhões.

Durante o evento, um quiosque com 10 computadores, mostrando conteúdo ensinado nos cursos de educação à distância do Cederj e assuntos de saúde, estará funcionando no local, para mostrar na prática aos convidados e moradores da Baixada Fluminense como funciona o sistema wi-fi de internet banda larga sem fio. O equipamento ficará disponível por dois dias.

Segundo Alexandre Cardoso, o sistema wi-fi chegará a todo estado em 18 meses, aproximadamente, totalizando um investimento de mais de R$ 40 milhões.

– A implantação dessa tecnologia de ponta vai trazer benefícios para várias áreas, como turismo, segurança, ensino e comércio. Será possível, por exemplo, para um pequeno comerciante da Baixada comprar e vender seus produtos pela rede, diminuindo, dessa forma, seus custos em até 20% – ressalta Cardoso.

Circulação média dos 15 maiores jornais cresce 9,3%

Em tempos de avanço das mídias digitais, os maiores jornais brasileiros conseguiram uma importante vitória em 2007. Os 15 principais títulos do País fecharam o ano com alta de 9,3% na circulação média, segundo dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC).

Na comparação com 2006, as melhores performances foram do mineiro Super Notícia, que avançou 76%, atingindo média diária de 238 mil exemplares, e do carioca Meia Hora, que teve crescimento de 58%, chegando a 206 mil.

O desempenho do Super Notícia é tão surpreendente que, se considerado apenas o mês de dezembro, o título atingiu média diária de 300 mil exemplares, praticamente empatando na liderança do ranking com a Folha de S.Paulo (301 mil).

Também merecem registro os incrementos na circulação de Jornal do Brasil (alta de 27%) e Diário de S. Paulo (11%). A maior queda entre os líderes foi de O Dia, cuja média arrefeceu 8,7%.

Ainda considerando a média diária de 2007, os quatro primeiros lugares do ranking mantiveram-se inalterados na comparação com 2006. A Folha de S. Paulo oscilou negativamente 2%, fechando com 302 mil exemplares, seguida por O Globo (+1,4%), Extra (+2,3%) e O Estado de S. Paulo (+4,4%).

Na briga dos diários econômicos, a Gazeta Mercantil permaneceu estável, na casa dos 70 mil exemplares, enquanto o Valor cresceu 3%, atingindo média de 51 mil.

Rede de TV americana enfrenta multa de US$ 1,4 mi por nudez

A rede de televisão americana ABC pode ter que pagar uma multa de US$ 1,4 milhão (o equivalente a R$ 2,5 milhões) por ter levado ao ar um episódio da série policial NYPD Blue com cenas de nudez feminina. A Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) disse que o capítulo exibidoem 2003 mostrava 'diversas cenas em close' das nádegas de uma mulher, antes das 22h.

Segundo as regras da FCC, cenas com atividades sexuais mostradas de maneira 'ofensiva' são 'indecentes' e não podem ir ao ar neste horário.

A ABC rejeita as alegações, dizendo que as nádegas não são um órgão sexual, e avisou que vai apelar da decisão.  Numa declaração feita por uma porta-voz, a rede de TV diz que o programa tinha avisos sobre as cenas e que 'a natureza realista das histórias da série NYPD Blue são conhecidas do público'.  A cena que criou polêmica mostrava um menino surpreendendo uma mulher que se preparava para tomar banho.

A FCC diz que recebeu diversas reclamações sobre o episódio, que também mostrava os seios de uma mulher. A multa proposta pela comissão é a segunda maior já imposta a uma rede de televisão por indecência. A mais alta foi de US$ 3,6 milhões contra a CBS por um episódio de outra série policial: Without a Trace . Depois de um acordo, o canal teve de pagar US$ 300 mil.

Governo pode exigir da Oi e BrT a universalização da banda larga

O governo poderá exigir da Oi e da Brasil Telecom (BrT), como medida compensatória para liberar a fusão entre as duas empresas, que assumam o compromisso de ampliar o acesso à internet de banda larga, especialmente para as escolas rurais e instituições públicas, como bibliotecas, postos de saúde e delegacias de polícia. A universalização da internet em alta velocidade vem sendo apontada por técnicos do governo como a saída mais nobre para justificar a aprovação do negócio.

A Oi está na reta final das negociações para comprar a BrT, mas depende de uma mudança na lei, que hoje proíbe a fusão de operadoras de telefonia fixa, incluindo a Oi e a BrT. Para isso, será necessário um decreto presidencial alterando o Plano Geral de Outorgas (PGO), que estabelece a área de atuação de cada empresa. A proposta de decreto deve ser aprovada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A mudança é polêmica. Críticos do negócio dizem que seria um casuísmo para beneficiar os controladores da Oi, principalmente os grupos La Fonte, de Carlos Jereissati, e Andrade Gutierrez, de Sérgio Andrade. Os defensores da operação dizem que é preciso fortalecer os grupos nacionais.

A estratégia para justificar a mudança da lei prevê a exigência de contrapartidas, especialmente de investimentos em banda larga. O governo já obteve das concessionárias o compromisso de levar a banda larga a todas as cidades brasileiras e fornecer acesso gratuito à internet em alta velocidade a 55 mil escolas públicas urbanas. Para isso, Telefônica, Oi e BrT serão liberadas da obrigação de instalar 8 mil Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs).

Falta, no entanto, uma forma de garantir o acesso gratuito à banda larga para as mais de 90 mil escolas públicas rurais, carência que pode ser suprida com a contrapartida das empresas à permissão de fusão.

Como Oi e BrT atuam em quase todo o País – com exceção de São Paulo, atendido pela Telefônica – a cobertura das escolas com banda larga seria praticamente nacional. A medida compensatória se estenderia a outros órgãos públicos de saúde, educação e segurança.

Investimentos

O deputado Jorge Bittar (PT-RJ), da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, é um dos defensores da idéia de se cobrar investimentos. "Como elas querem uma mudança nas regras, o governo pode estabelecer contrapartidas, como banda larga, tarifa menor e incentivo à política industrial e tecnológica." Bittar diz que os ganhos de escala obtidos pelas empresas com a fusão poderão ser usados para reduzir tarifas. "Pode-se cobrar melhoria das tarifas para beneficiar os usuários dessa área".

Um técnico do governo que participa das discussões diz que a redução de tarifas teria de ser precedida de um estudo econômico que comprovasse a sua viabilidade. "Existem várias opções, mas a saída mais nobre é a banda larga gratuita."