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Fenaj defende regras claras para política de renovação de outorgas

No início de janeiro circularam informações sobre um entendimento entre a Casa Civil e o Ministério das Comunicações com relação à renovação de outorgas de serviços de radiodifusão. A síntese de tal entendimento seria o comprometimento das empresas em cumprir os princípios da Constituição e comprovarem que sua grade de programação cumpre os percentuais exigidos pela regulamentação. Com isso, o governo encaminharia os processos para o Congresso Nacional. Para a FENAJ tal acordo não é satisfatório. A entidade buscará a alteração da política de renovação de concessões na Câmara dos Deputados.

No final do ano passado, a Casa Civil da Presidência da República ensaiou que agiria com mais rigor na análise de processos de renovação de concessões de radiodifusão, exigindo do Ministério das Comunicações informações mais detalhadas sobre o cumprimento das determinações constitucionais por parte das empresas de Rádio e TV. O Minicom respondeu que não havia regulamentação para aferir se as empresas detentoras de concessão cumpriram, em 15 anos, exigências constitucionais como ter 5% de programação jornalística, o limite de 25% de programação comercial, o incentivo à programação regional e independente e que suas programações tiveram caráter educativo e cultural.

Tais questões ganharam maior destaque porque em outubro passado venceram os prazos de concessões de diversas emissoras, como a Globo, SBT, Record e Bandeirantes.

Em dezembro de 2007 a Subcomissão Especial da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados aprovou apenas parte do relatório final com indicações ao Poder Executivo sobre a análise dos procedimentos de renovação e concessão de novas outorgas de radiodifusão. Questões mais polêmicas, como a definição de cotas de programação regional nas TVs abertas, ficaram para serem definidas neste ano.

Com o propalado acordo entre a Casa Civil e o Minicom, a responsabilidade sobre maiores definições quanto a tais processos voltou para a Câmara dos Deputados. E é no diálogo com o Legislativo que a Federação Nacional dos Jornalistas concentrará suas forças, defendendo o documento “PROPOSTAS DA FENAJ SOBRE OUTORGA E RENOVAÇÃO DE CANAIS DE RÁDIO E TV NO BRASIL”.

A FENAJ propõe que, na outorga ou renovação de concessões, esteja estabelecido que parlamentares ou detentores de cargos públicos não controlem ou dirijam empresas de radiodifusão, que as empresas estimulem a produção artística, cultural e jornalística regionais, a produção independente e o fomento ao emprego formal e, ainda, que comprovem o cumprimento da legislação trabalhista e regulamentações profissionais como as dos jornalistas e radialistas

O cumprimento, por parte radiodifusores, de outras determinações já previstas na legislação como o tempo mínimo (5%) destinado à programação jornalística e a identificação dos profissionais responsáveis, com a apresentação dos respectivos registros legais são, também, critérios defendidos pela entidade.

TV Brasil analisa propostas de diálogo com a sociedade

A TV Brasil deve voltar ao centro dos debates no Congresso Nacional nos próximos dias. Publicada em 10 de outubro do ano passado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, a Medida Provisória 398 que criou a EBC – Empresa Brasil de Comunicação (mantenedora da TV Brasil) passará em breve a trancar a pauta do legislativo federal, tornando necessária a sua apreciação pelos parlamentares.

Ainda não é possível afirmar se a tramitação da MP será tranqüila. Caso a oposição escolha a TV Brasil como alvo prioritário, como fez com a CPMF, o governo pode ter problemas em obter os votos necessários para a sua aprovação, especialmente no Senado, onde possui frágil maioria. Não está claro também qual será o texto final da MP, hoje nas mãos do deputado Walter Pinheiro (PT-BA), relator da matéria na Câmara. A depender do teor da proposta do parlamentar, a aprovação da MP pode se tornar mais simples ou complexa.

Para acalmar os ânimos da oposição, municiada pela Abert – Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV, Pinheiro deve incorporar ao relatório a proibição de publicidade, evitando assim a perda de receitas pelos radiodifusores comerciais. Mas há também a possibilidade do parlamentar propor mudanças no modelo de gestão da empresa, criticada por organizações que defendem a democratização das comunicações, que reivindicam que o conselho curador da EBC conte com membros indicados pela sociedade civil. Pela MP, tanto o conselho quanto a diretoria executiva da empresa devem ser indicados diretamente pelo presidente da República.

Gestão, avaliação e transparência

Mesmo sem a confirmação do deputado Walter Pinheiro sobre a incorporação de suas propostas ao relatório da MP, organizações da sociedade civil se mobilizam para que a EBC desenvolva mecanismos auxiliares de diálogo com a população. Entre o final de dezembro e o início de janeiro, o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, entregou aos membros do Conselho Curador e à presidente da EBC, Tereza Cruvinel, documento com propostas para dar transparência à gestão e introduzir formas de participação da sociedade na empresa.

 “É importante garantir que a população possa incidir no funcionamento do sistema público de comunicação brasileiro. É a sociedade quem deve exercer o necessário controle das atividades da EBC”, afirma Bráulio Ribeiro, da coordenação do Intervozes. “Além disso, é fundamental promover a transparência de suas atividades, inclusive para que os veículos desse sistema mantenham sua credibilidade”. O documento da organização propõe o estabelecimento de instrumentos que permitam ao Conselho Curador manter diálogo permanente com a sociedade civil, tanto com os setores organizados como com a sociedade como um todo. Por isso, sugere que as principais questões e recomendações do Conselho sejam obrigatoriamente colocadas em consulta pública e que sejam promovidas audiências e debates periódicos.

“Se o Conselho não abrir canais de interlocução com a sociedade, ele se isolará, e assim não terá condições de cumprir com os seus objetivos, que é justamente ser o elo de ligação entre a população e a empresa”, diz Ribeiro, do Intervozes. A organização propõe o estabelecimento de conselhos de programação, nacional e regionalmente, que discutam e sistematizem olhares sobre a programação, em relação aos formatos, em relação à diversidade demográfica (regional, étnico-racial, de gênero etc.) e de pontos de vista. “Estes conselhos teriam a função de fazer avaliações periódicas dos objetos, dialogando diretamente com o Conselho Curador”.

Independente dos mecanismos que possam vir a ser adotados pelo Conselho Curador, a presidente da EBC, Tereza Cruvinel, afirma que a empresa também está estudando formas de estimular o diálogo com a população. “Vamos lançar mão de recursos de interatividade, inclusive pela internet, abrindo portas para os telespectadores se comunicarem com a TV Brasil”, afirma Cruvinel.

Ouvidoria

Outra proposta defendida pelas organizações e atualmente em debate pela EBC é o estabelecimento de uma ouvidoria. Paulo Machado, ex-ouvidor da Radiobrás, entregou na última semana à diretoria da empresa um projeto para o funcionamento do órgão. “A ouvidoria deve ser a representante dos interesses do cidadão junto à empresa, com uma série de mecanismos de participação”, afirma Machado. “Procurei reunir o que há de mais atual nessa questão”.

A proposta do ex-ouvidor tem a simpatia da presidente da EBC. “A Radiobrás, que será incorporada pela EBC, é a única televisão brasileira que já tem esse serviço. Vamos ampliar e fortalecer esse mecanismo de interação com a sociedade”. Segundo Cruvinel, neste momento a EBC trabalha na elaboração das normas da ouvidoria. “O segundo passo será a escolha do ouvidor”, diz.

Segundo o ex-ouvidor da Radiobrás, o projeto enviado à diretoria da EBC propõe a formação de comitês de usuários, que seriam convidados a opinar sobre a linha editorial da empresa e a programação em geral, como em um fórum permanente. “A ouvidoria teria a tarefa de implantar um comitê por veículo e ficaria encarregada de receber as contribuições e encaminhar à presidência da empresa e ao conselho curador”, conta Machado, que afirma que também propôs à diretoria da EBC que a destituição do responsável pelo órgão tenha que ser aprovada pelo Conselho Curador. “Assim daremos mais estabilidade e independência ao ouvidor”.

Machado ainda defende que seja reservado um espaço ao ouvidor em todos os veículos da empresa, proposta que também agrada Cruvinel. “Na grade de programação, será criado o espaço para o ouvidor receber as críticas e sugestões dos telespectadores. Para nós, esse espaço é de grande importância porque será um dos retornos sobre o nosso trabalho”, afirma a presidente da EBC.

TV e ex-juíza são repreendidas por comentário racista contra Obama

O canal público finlandês TV1 recebeu nesta sexta-feira, 1º de fevereiro, uma nota de repreensão do Conselho dos Meios de Comunicação da Finlândia (JSN), por transmitir um comentário racista contra o pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama.

Num debate sobre a eleição presidencial americana, a ex-juíza Ritva Santavuori comentou, diante de outros convidados, que a avó paterna de Obama era "feia, negróide e se parecia com um gorila".

Os diretores da emissora e a ex-juíza foram obrigados a apresentar desculpas publicamente. Como o programa é transmitido ao vivo, a direção alegou que os participantes não poderiam ser censurados. Entretanto, o Conselho considerou que a responsabilidade é da TV1, sendo o programa ao vivo ou gravado.

Justiça recusa ação de Hélio Costa contra colunista no Estadão

Em coluna a ser publicada no dia 3 de fevereiro, domingo próximo, o  jornalista do jornal O Estado de São Paulo, Ethevaldo Siqueira, comemora a recusa pela Justiça Federal da ação do Ministro Hélio Costa contra ele. Ao Portal IMPRENSA, o colunista comentou a decisão nesta sexta-feira, 01/02. "Minha idéia é que, pelo meio jornalístico, esse fato se dissemine".

Por sentir-se ofendido com as críticas feitas em artigo publicado pelo colunista na edição de 04/02/2007 do Estadão, especialmente quanto ao processo de escolha do padrão de TV digital, o ministro Hélio Costa ingressou com queixa-crime na Justiça Federal. E o fez mesmo depois de utilizar espaço equivalente à coluna, de meia página, cedido pelo jornal para sua resposta, na edição do domingo seguinte (11/02/07). Ao julgar o mérito da ação, a Juíza Janaína Rodrigues Valle Gomes, da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, a rejeitou por considerar que não houve justa  causa.

Siqueira não tinha dúvidas de que a sentença lhe seria favorável. "Eu tinha absoluta tranqüilidade de que não estava imputando nenhum crime. Na sentença fica bem claro que a minha coluna não se enquadra em nenhum dos casos de injúria, calúnia e difamação. Eu não escrevi nada contra a pessoa do Hélio Costa, apenas desqualifiquei a ação do ministro".

Como o ministro teve direito de resposta, o colunista afirmou ter se surpreendido com a ação. "O ministro tem um passado como jornalista e radiodifusor; ele deveria ser impedido de entrar na Justiça após ter esse espaço para resposta. O ministro entrou com uma ação para me intimidar, é uma forte truculência, um abuso de poder. A minha acusação era apenas à falta de ética de um ministro que toma uma posição. Ele deveria atuar como juiz e ser  neutro na escolha do sistema de TV digital japonês".

Siqueira ainda completa: "Em minha defesa estavam anexadas 26 notícias sobre a escolha do padrão japonês. Um ministro que julga um processo seletivo não pode tomar posição. Isso envergonha o Brasil. Os outros dois concorrentes – americanos e europeus – não tinham estímulo. O jogo já estava definido".

O sistema japonês a que Siqueira se refere é o padrão escolhido pelo governo brasileiro para formatar a TV digital no país. "Eu nunca tive uma razão plausível para desconfiar do sistema japonês. Não se trata de escolher o melhor, mas o país tem que ter a melhor relação custo/benefício. E o sistema japonês interessava a algumas emissoras, que já tinham os equipamentos compatíveis. É um absurdo esquecer o interesse de milhões de espectadores pensando em poucas emissoras. Não temos nem conteúdo digital, não adiantava escolher um sistema com essa demagogia, com esse populismo".

O jornalista afirma nunca ter conversado com Hélio Costa, já que muito antes da confusão estabelecida pela coluna, o ministro já tinha cortado o diálogo. "A única vez que eu o encontrei foi em Salvador (BA), e ele me pediu para parar de falar sobre a TV digital. Ele não ouve argumentos que divergem da sua opinião. Ele tem que pensar na sociedade brasileira. Não dava para escolher  um sistema pensando apenas no objetivo eleitoral. Porque esse ano é ano de  eleição, e ele vai gritar no palanque: 'eu implantei a tv digital'."

Procurada pela reportagem do Portal IMPRENSA, a assessoria do ministro Hélio Costa não respondeu à entrevista.

TV Educativa terá que veicular direito de reposta contra Requião

O Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região determinou, na última quarta-feira (30), que a Rádio e TV Educativa do Paraná acate direito de resposta coletivo veiculado a cada 60 minutos, durante todo o dia 12 de fevereiro, nota de desagravo ao desembargador Edgar Lippman Jr. que, na semana passada, proibiu o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB-PR) de utilizar a emissora para atacar adversários e se autopromover.

O TRF decretou, também, a abertura de inquérito na Polícia Federal contra Marcos Antonio Batista, diretor da Educativa, por suposto crime de desobediência. Ele foi intimado judicialmente, mas teria descumprido ordens do tribunal ao tirar do ar a emissora, no dia 22 de janeiro.

De acordo com informações da Agência Estado, a crise entre Requião e a Justiça teve início no fim do ano passado, quando o Ministério Público Federal ingressou com ação civil para impedir o governador de fazer promoção pessoal e atacar adversários. Desde então, Requião reage às determinações com protestos que geram ainda mais polêmica e confrontos com a Justiça.

As informações são Portal Imprensa.