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Bucci defende vinculação da TV Brasil ao Ministério da Cultura

São Paulo – A grande discussão do debate “Os desafios para a construção de um Sistema Público de Comunicação”, realizado nesta semana na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, foi a questão do Conselho Curador da TV Pública, nomeado pelo presidente da República. Outro ponto que gerou questionamento foi a vinculação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).

Crítico desse modelo, o ex-presidente da Radiobrás e membro do Conselho da TV Cultura, Eugênio Bucci, defendeu a vinculação da TV pública ao Ministério da Cultura, onde seria mais autônoma e “menos permeável às pressões da agenda da Presidência da República”. Bucci também questionou a composição do Conselho Curador e do Conselho de Administração.

“O Conselho Curador da EBC é nomeado pelo Presidente da República, mas futuramente terá as regras da sua recomposição deliberadas por ele mesmo. O que é um avanço. Mas ele hoje não participa da escolha dos dirigentes. Isso é uma limitação”, disse Bucci.

Durante o debate, Bucci afirmou que a nova empresa deveria ter mais autonomia política e editorial. “A EBC é uma estatal, com Conselho de Administração indicado pelo governo, que concentra o poder exercido ali dentro. Os seus dirigentes são escolhidos ou por esse conselho de administração ou pelo Presidente da República. Isso constitui não um passo atrás, mas um déficit em relação ao que pode ser feito para garantir independência”.

Para Tereza Cruvinel, presidente da EBC, não há problema no fato de a empresa ser vinculada à Secretaria de Comunicação Social. “O poder se exerce sobretudo pela capacidade de demitir. O mandato de quatro anos, que me é conferido pelo presidente Lula através da medida provisória [que criou a EBC], não pode ser tirado por ele, mas somente pelo Conselho Curador”. Segundo ela, o Conselho de Administração “não tem a ingerência sobre a natureza editorial e a programação, que tem o Conselho Editorial”. 

Tereza Cruvinel afirmou que os esforços da EBC estão agora concentrados para que não haja no Senado mudanças no texto da Medida Provisória 398, que criou a empresa. “Todo nosso esforço é para não haver mudanças no Senado. Vamos encontrar outras formas de aperfeiçoamento, mas defender mudanças no Senado agora é defender a derrota da MP. Temos um prazo curtíssimo e, se a medida provisória não for aprovada, em seguida ela será derrotada e perderá a validade por decurso de prazo”.

A MP 398, que cria a EBC, já foi aprovada na Câmara e agora tramita no Senado. Para que a tramitação da matéria tenha agilidade, ela não pode sofrer alteração no Senado. Caso contrário, a MP terá de voltar à Câmara para novas discussões.

Também participaram da mesa de debate o diretor-executivo da EBC Orlando Senna, o professor da Escola de Comunicações e Artes (USP) Laurindo Leal Filho e a membro do Grupo de Trabalho em Comunicação da Associação Brasileira de Saúde Coletiva Wilma Madeira. O evento foi promovido pela organização não-governamental Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

A EBC resulta da união do patrimônio e das equipes da Empresa Brasileira de Comunicação (Radiobrás) e da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que coordenava a TVE do Rio.

Presidente da EBC questiona oposição do PSDB a medida provisória

São Paulo – Em debate realizado na sexta-feira (7) na Universidade de São Paulo, a presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), jornalista Tereza Cruvinel, lamentou que, entre os dois maiores partidos da oposição, o PSDB se oponha ao projeto de criação de uma empresa de comunicação pública. Cruvinel expressou expectativa de que a Medida Provisória 398, que cria a EBC e está em trâmite no Senado, seja aprovada antes de expirar o prazo, no dia 19.

Ao citar o Artigo 223 da Constituição, que determina a existência e complementaridade de sistemas públicos, privados e estatais de comunicação, Cruvinel disse ter “dificuldade de perdoar” o PSDB pela oposição que conduz no Senado contra a TV pública. Afirmou que “foi sob a liderança de Mário Covas [ex-congressista e ex-governador de São Paulo, um dos fundadores do partido], ali no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados – lá estávamos Cristina Tavares, Audálio Dantas e muitos outros militantes do campo da comunicação –, foi ali que nós aprovamos alguns dos marcos da comunicação que estão na Constituição Federal”.

Presente no debate, o deputado federal Ivan Valente (P-SOL-SP) lembrou que seu partido, apesar de oposição, votou favoravelmente na Câmara dos Deputados à criação do Sistema Público de Comunicação e reafirmou que votará também no Senado.

“Eu acho que o governo deveria ter feito isso desde o primeiro ano, em 2003”, disse ele. O deputado lamentou que a MP 398 esteja ameaçada no trâmite no Senado e afirmou que o governo criou essa situação ao escolher o caminho de obter e manter a governabilidade por meio do apoio de partidos fisiológicos que negociam os projetos um a um e fazem “chantagem política”.

Procurado pela Agência Brasil, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), disse: "Se as pessoas não mudassem nunca, o Lula teria feito um desastre econômico no país. Ela [Tereza Cruvinel] serve a um governo de uma pessoa que se diz uma metamorfose ambulante”. O parlamentar se referia a fala do presidente Lula em dezembro. “Ela não perdoa quem possa mudar também. Não tenho nada contra a TV pública, tenho contra a TV Lula e tenho contra MP [forma de criação da TV], que não nos deixa debater a matéria convenientemente”, acrescentou Virgílio. Em seu dizer, seria possível debater melhor a criação da empresa se a proposta estivesse em projeto de lei.

A EBC resulta da união do patrimônio e das equipes da Empresa Brasileira de Comunicação (Radiobrás) e da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que coordenava a TVE do Rio. Segundo o texto da medida, terá sede no Rio de Janeiro e escritório central em Brasília.

Tereza Cruvinel participou de debate no seminário A TV Brasil e os Desafios para a Constituição de um Sistema Público de Comunicação, organizado pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e realizado ao longo do dia na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP).

Belluzzo e Cruvinel afirmam que EBC pode ser mais participativa

Tereza Cruvinel e Luiz Gonzaga Belluzzo defendem a legitimidade do presidente em indicar os primeiros conselheiros da EBC, mas concordam que é preciso tornar seu modelo de gestão mais participativo.

A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Tereza Cruvinel, e o presidente do Conselho Curador, Luiz Gonzaga Belluzzo, admitiram que a forma de escolha dos membros do órgão responsável por fiscalizar o cumprimento da missão da nova empresa pública de comunicação do país é limitado e precisa ser aperfeiçoado. Cruvinel e Belluzzo participaram na última sexta-feira (7) de seminário promovido pelo Intervozes na Escola de Comunicações e Artes da USP. O evento reuniu dirigentes da EBC, especialistas no tema e representantes da sociedade civil para discutir a consolidação da EBC e as perspectivas para a construção de um sistema público de comunicação no Brasil.

"O sufrágio universal garantiu a legitimidade da escolha, mas apenas para a primeira vez. É preciso mudar a partir de agora", afirmou Belluzzo, que, como os demais membros desta primeira formação do conselho, foi indicado pelo presidente Lula.

Cruvinel apontou na mesma direção e afirmou que o presidente da República tem legitimidade garantida pelos votos obtidos nas urnas, mas o modelo pode e deve ser revisto. A presidente da EBC, no entanto, não acredita em um modelo de representação corporativa. "Não seria salutar um conselho com dezenas de representantes de entidades. Seria enorme a possibilidade de se tornar palco de luta política."

Segundo a Medida Provisória 398, que estabeleceu os marcos da empresa mantenedora da TV Brasil, a escolha dos conselheiros é feita integralmente pelo presidente da República. Apesar do relatório produzido pelo deputado Walter Pinheiro (PT-BA), já aprovado na Câmara dos Deputados, apontar para a necessidade de uma Consulta Pública para substituir os atuais membros do Conselho Curador, o texto não deixa claro como será realizado o processo e se o presidente da República deverá necessariamente acatar os nomes escolhidos na consulta.

Mudanças na gestão

Também presente no evento, Jorge da Cunha Lima, presidente do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura de São Paulo, apontou o que ele acredita ser um problema na MP 398, mantido no projeto de lei que a substitui. "A MP é frágil em não dar ao Conselho Curador da EBC o direito de escolher a sua diretoria e deveria haver regras claras para sua substituição".

João Brant, coordenador do Intervozes, resgatou o processo do Fórum de TVs Públicas, realizado em 2007, que agregou dezenas de entidades e organizações do campo público e que delimitou os parâmetros para a constituição de um sistema público de comunicação. Brant lembrou que a Carta de Brasília – documento final do evento – deixava claro que era necessário garantir a independência da TV pública através de uma gestão efetivamente pública, sem interferência deste ou de qualquer outro governo.

Como proposta, Brant indicou modelos de representação presentes em outras áreas, como os conselhos de Cidades e de Saúde, que não reproduzem um modelo corporativo, mas que também não privam as entidades e organizações da participação no processo de indicação de seus respectivos conselhos.

Financiamento

Sobre a questão do financiamento, tanto Tereza Cruvinel quanto Luiz Gonzaga Belluzzo elogiaram a iniciativa do deputado Walter Pinheiro (PT-BA) de acrescentar ao substitutivo da MP 398 outra forma de financiamento da EBC. Pinheiro propôs e a Câmara aprovou a transformação de parte das contribuições das empresas de telecomunicação e radiodifusão ao Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) em uma taxa para a manutenção da comunicação pública. Cruvinel ressaltou que a proposta não aumenta a carga tributária. "Coitadas das teles, não suportariam pagar mais nada", ironizou a presidente da EBC.

"É preciso pensar além, por exemplo, em como o setor privado pode ajudar a financiar o sistema público", questionou João Brant, lembrando que as emissoras comerciais brasileiras lucraram por volta de R$ 2 bilhões enquanto são isentas de impostos como ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), mesmo sendo prestadores de serviço, já que são concessões públicas. Brant lembrou que a Colômbia possui um sistema parecido e que o presidente francês Nicolas Sarkozy propôs recentemente a medida. "Mas no Brasil, quando fazemos essa proposta somos chamados de esquerdistas".

Rede

Durante sua participação, Cruvinel ainda especificou a proposta de formação da rede em torno da TV Brasil. E aproveitou para justificar, ao lado de Jorge da Cunha Lima, a não-adesão da TV Cultura.

Segundo a presidente da EBC, estão sendo propostas três formas de integrar a rede: enquanto membro pleno – com até quatro horas de programação própria; membro associado – com mais de quatro horas de programação própria – e parceiro, papel que cumprirá a TV Cultura, sem nenhuma vinculação, mas com possibilidades de cooperação mútua. Tereza justificou este arranjo como uma forma de respeito à estrutura e ao trabalho já consolidado pela TV Cultura em São Paulo.

Movimento busca interferir na definição das políticas do setor

Não se muda a forma como a mídia representa a mulher sem mudar a própria mídia. É este o espírito que vem pautando a participação do movimento de mulheres na disputa pela democratização da comunicação e que deve se manifestar também nos diversos atos pelo Brasil que marcarão o 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Se, em 2007, a ênfase estava na consolidação do tema como pauta do movimento, em 2008, as organizações estão partindo para a ação. Um dos focos de atenção das organizações é o desenho de políticas públicas que articulem a questão da mídia e os direitos da mulher. Em especial, os movimentos querem intervir na formulação e participar das ações do novo eixo do Plano Nacional de Políticas para Mulheres, “Cultura, comunicação e mídia não-discriminatórias”.

Aprovado pela Conferência Nacional de Mulheres no ano passado, o desenvolvimento do eixo é a pauta estrutural de uma reunião entre a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, e representantes da Articulação Mulher e Mídia, na próxima semana. Entre as propostas, a realização de um seminário nacional voltado para o controle social da imagem da mulher na mídia e também programas de formação para a realização do acompanhamento do conteúdo midiático.

“Promover o acompanhamento de conteúdo sistemático é uma faceta do que pretendemos. A outra é fazer com que este acompanhamento seja somado a ações de controle social efetivo”, explica Raquel Moreno, do Observatório da Mulher, uma das organizações que participa da Articulação. Neste sentido, as mulheres têm buscado dialogar com a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados visando garantir que a avaliação dos movimentos sociais passe a fazer parte dos critérios para a renovação das concessões de rádio e televisão.

A intervenção na disputa por transparência e critérios nos processos envolvendo concessões públicas de radiodifusão é, para Marta Baião, do Centro de Informação Mulher, um sinal de como o movimento de mulheres pretende ampliar seu olhar sobre o tema da democratização da mídia. “Entendemos que o papel de uma concessão pública é transformar positivamente a sociedade, mas as concessionárias de TV fazem o contrário: reforçam o tempo todo as relações desiguais, em todos os níveis”, comenta. “O controle social da imagem da mulher é só o começo, porque para nós é preciso olhar para a questão do negro, da homofobia, de todas as minorias e vítimas da desigualdade.”

Estratégia dupla

Além da formulação das políticas públicas, estão nos planos também ações mais imediatas. Na perspectiva do controle social, Marta ressalta que um dos objetivos é multiplicar as ações junto ao Ministério Público, questionando o conteúdo da mídia e o uso de concessões públicas. “As ações no MP são a nossa arma e nós precisamos continuar fazendo isso”, diz.

Raquel ressalta que é preciso não só “assistir e avaliar” a atuação da mídia, mas também interferir produtivamente. “Apresentamos uma proposta para a diretoria da Empresa Brasil de Comunicação, de um programa para mulheres que possa trazer outra perspectiva sobre o feminino. A idéia é que o programa seja veiculado no horário da manhã, justamente quando a grande das TVs comerciais está lotada de programação supostamente feminina. “Queremos que seja um programa para dizer que existe outra maneira de mulher olhar o mundo e de ser visto por ele”, conta.

Globo é condenada a exibir depoimento de doméstica em novela na íntegra

A juíza Adriana Costa dos Santos, da 19ª Vara Cível do Rio, condenou a TV Globo a exibir na íntegra uma fita levada ao ar na novela "Páginas da Vida" em que a doméstica Nely Passos dá um depoimento dizendo que se masturbava.

A Central Globo de Comunicação afirmou por meio de nota que já recorreu e aguarda decisão judicial.

O depoimento, com duração de cerca de 90 minutos, foi editado pela emissora, que colocou no ar apenas a parte na qual Nely faz essa declaração, causando-lhe constrangimento perante familiares e amigos com quem ela assistia ao programa.

Nely conta no processo que foi procurada por um preposto da emissora em seu local de trabalho para gravar um relato sobre fatos relacionados à sua vida e que deveria ir ar no final de um dos capítulos da novela Páginas da Vida. Caso seu depoimento fosse veiculado, ela receberia R$ 300. No depoimento, Nely respondeu a perguntas sobre vários aspectos de sua vida, inclusive como era a sua vida sexual.

Na contestação, a TV Globo alegou que a entrevistada autorizou a exibição da fita e que não possuía mais a gravação integral, apenas a parte que foi ao ar. A juíza, no entanto, julgou procedentes os pedidos de Nely, obrigando a TV Globo a exibir, no prazo de 20 dias após a publicação da sentença, a fita com a gravação completa do depoimento, sob pena de multa diária de R$100, limitada a R$ 50 mil. Como a emissora entrou com Embargos de Declaração contra sentença, a execução está suspensa até que a juíza se manifeste sobre o recurso. A TV Globo pode ainda apelar ao Tribunal de Justiça.

A autora da ação havia arrolado como réus, além da TV Globo, o autor da novela, Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, o diretor Jayme Monjardim Matarazzo e Gustavo Nogueira, que a entrevistou. A juíza, porém, considerou que os três são meros representantes da emissora e não possuidores do material gravado, não podendo ser condenados à exibição do material que não possuem.