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BNDES lança edital de produção e finalização

O BNDES lançou seu edital de cinema de 2008, destinando R$ 12 milhões a projetos de produção e finalização de longas-metragens de ficção, animação e documentário. As inscrições começam nesta quarta, 19, e ficam abertas durante 30 dias. Os recursos são provenientes da aplicação de incentivos fiscais previstos na Lei do Audiovisual.

Podem concorrer projetos já aprovados pela Ancine e que já tenham registro ou protocolo de registro de emissão e distribuição de Certificados de Investimento Audiovisual na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Não serão aceitas inscrições de projetos já apoiados em editais anteriores do BNDES ou de produtoras e diretores que estejam em situação de inadimplência com o banco.

Os projetos de produção de filmes de ficção, assim como os de animação, poderão receber até R$ 1,5 milhão. Os documentários poderão ser apoiados com até R$ 500 mil. Para os projetos de finalização, poderão ser destinados até R$ 750 mil, para o gênero ficção, e R$ 250 mil, para o gênero documentário.

O processo de seleção, segundo o banco, considera, prioritariamente, os seguintes aspectos: roteiro, currículo da produtora, do diretor e dos demais profissionais envolvidos na produção do filme; adequação do orçamento; relatório de captação de recursos; proposta de distribuição e potencial de impacto cultural e comercial do filme. Também serão observados aspectos de regionalização dos projetos e de diversidade de temas.

O edital apoiará até 18 filmes, dois a menos que nos editais dos últimos dois anos. Segundo o BNDES, a mudança está em linha com as modificações que o banco vem implementando nos últimos anos – entre elas a elevação do valor máximo por projeto nos diversos gêneros e categorias.

Outros investimentos

O BNDES diz que destinará em 2008 cerca de R$ 100 milhões ao setor. Além do edital, o banco investe no setor de cinema por meio dos Funcines e do Programa de Apoio à Cadeia Produtiva do Audiovisual – Procult.

Bittar cede e reduz cotas para conteúdo nacional e independente

Com o objetivo de aprovar ainda neste ano o PL 29/2007 e seus apensados – que tratam do mercado de produção, programação, empacotamento e distribuição de conteúdos audiovisuais pelas TVs por assinatura –, o deputado-relator, Jorge Bittar (PT/RJ), fez uma série de concessões em sua proposta que deve ser apresentada formalmente na próxima semana aos deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia. As mais importantes atingem o ponto nevrálgico de sua proposta: as cotas de veiculação de conteúdo nacional e independente.

As linhas gerais do novo texto deverão ser apresentadas aos deputados em reunião na próxima terça-feira e, até o fim da semana, a proposta final deve ser divulgada. Bittar acredita que a leitura do substitutivo deve ser feita no dia 2 de abril e a votação, no dia 9 de abril. Depois de aprovado, o projeto ainda passará pela Comissão de Constituição e Justiça.

Cota mais flexível

Em apresentação feita nesta quarta-feira, 19, à imprensa, Bittar expôs sua iniciativa de reduzir as cotas previstas em seu último substitutivo, divulgado em dezembro de 2007. A primeira mudança é que agora as cotas por canal serão de 10% de conteúdo nacional, sem a obrigatoriedade de que o material venha de produtora independente. Esta cota incide sobre a programação qualificada – filmes, documentários, novelas e outros programas de conteúdo primordialmente de dramaturgia – em cada canal. Não entram no cálculo os programas jornalísticos, religiosos, de esportes, concursos, publicidade, televendas e políticos, tanto para o cumprimento das cotas como para a definição se a grade do canal é, em sua maioria, qualificada.

Mais uma mudança é que, na nova proposta, a cota de canais nacionais nos pacotes comercializados pelas TVs por assinatura caiu de 50% para 25%. Este um quarto deverá ser preenchido pelo que Bittar classificou como “Canais BR”, que serão listados pela Ancine. Para ser um Canal BR, 40% da programação transmitida deverá ser nacional, sendo que metade deste percentual (20% do total da programação) deverá ser de produtoras independentes. Alguns canais veiculados hoje já preenchem essa classificação. Bittar citou o GNT como exemplo.

Limitador

Como já havia sido antecipado por este noticiário na edição de 12 de março, o deputado criará um limitador para a aplicação das cotas na grade de canais. Esse percentual de 25% só será aplicado até um pacote standard – com 50 canais, como exemplificou Bittar, embora a definição ainda não esteja concluída. Os chamados pacotes premium terão a mesma quantidade de Canais BR obrigatória para os pacotes standard e não a aplicação do percentual. Assim, usando o exemplo do relator, se o “pacote limitador” tiver 50 canais, será obrigatória a veiculação de 12 canais nacionais dentro deste pacote e dos acima deste.

Bittar acredita que, com a nova regra, cai por terra o argumento de que a venda de pacotes mais amplos se tornaria inviável com a aplicação das cotas. O relator respondeu diretamente ao presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, que criticou mais arduamente a aplicação dos percentuais.

Mudanças na Ancine

Mais uma mudança antecipada por este noticiário foi confirmada por Bittar. Trata-se do aumento do poder da Ancine dentro do sistema de defesa da concorrência. Na nova proposta, a agência poderá instruir o Cade a analisar questões concorrenciais fora de processos de aquisição, por exemplo. Caso a agência entenda que existem programações relevantes do ponto de vista concorrencial que devem ter garantida a sua veiculação isonômica, poderá fomentar o tribunal da concorrência a se posicionar sobre o caso. Pelo texto anterior, a Ancine tinha o poder de, ela própria, definir esses programas e exigir a distribuição isonômica. Com a mudança no substitutivo, a agência passa a dividir a responsabilidade com o Cade nas questões com viés concorrencial.

Capital estrangeiro

Bittar também resolveu reduzir a participação de capital estrangeiro nos ramos de produção e programação em relação à sua proposta anterior. Antes, o relator permitia até 49% do capital viesse de fora do País e, agora, a proposta limita esta participação em 30%. A mudança foi para atender um pedido das radiodifusoras, hoje as grandes produtoras de conteúdo nacional. “Só alterei o que teve grande divergência. E as teles não se importaram”, afirmou o relator, argumentando que, sem a mudança, o texto passaria por dificuldades para ser aprovado. “Eu até preferia os 49%, mas convenhamos que de 30% para 49% não é uma grande diferença. E assim é mais fácil de aprovar.”

O relator justificou a redução da participação do capital externo alegando que, com os 30%, a lei se alinha com a norma constitucional que hoje define este percentual nas áreas de radiodifusão e nos conteúdos jornalísticos veiculados no Brasil. Mas, depois, acrescentou a relevância de se considerar o forte peso financeiro das teles frente à radiodifusão. “Enquanto um setor fatura R$ 100 bilhões (teles) o outro tem, todo junto, R$ 10 bilhões. Há uma assimetria de capital muito grande. Não tem mocinho e bandido, o bem e o mal nessa história, mas há uma assimetria que eu tenho que reconhecer e é preciso considerar.”

Outra mudança é que o relator elevou o percentual permitido de publicidade nas TVs por assinatura, de 15% na proposta divulgada em dezembro para 25% do total de programação transmitida. O must carry continua obrigatório para todas as operadoras de TV por assinatura, ressalvados os casos de incapacidade técnica, que deverão ser justificados na Anatel.

Quanto ao Fundo de Fomento do Audiovisual, o relator não fez alterações na proposta já conhecida: 10% do Fistel serão convertidos para o novo fundo, que será somado ao Fundo Nacional de Cultura e será administrado pela Ancine. As recentes críticas da oposição sobre proposta idêntica incluída na Lei de criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e da TV Brasil não amedrontam Bittar. O relator acredita que não haverá problemas em aprovar a nova taxa, já que ela não eleva a carga tributária atual paga pelos usuários de telecomunicações.

PF fecha 30 rádios sem autorização; movimento protesta

A Polícia Federal (PF) tirou do ar ontem 30 rádios que estavam operando sem autorização do Ministério das Comunicações no Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana, além das cidades de Catende, na Mata Sul, Limoeiro e Caruaru, no Agreste. A operação denominada “Segurança no Ar” cumpriu 56 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal e teve o apoio de fiscais da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Quatro pessoas foram detidas, mas todas foram liberadas após prestarem depoimento.

Apesar de já desmentida por diversos engenheiros especialistas em telecomunicações, a PF voltou a afirmar que as emissoras eram responsáveis por interferências do sinal das rádios no controle de tráfego aéreo do Aeroporto Internacional do Recife. “Recebemos um comunicado do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) informando que o sinal da Rádio Alfa e Ômega, no Jordão Baixo, Zona Sul, estava interferindo no contato com as aeronaves”, disse o assessor de comunicação da Polícia Federal, Giovani Santoro.

O diretor de programação da Alternativa FM, considerou constrangedora a ação da Polícia Federal. Segundo ele, a Alternativa FM tem uma linha de programas voltados para a convivência solidária, a valorização das características da população local e o incentivo às minorias. “Abrimos espaço para crianças, adolescentes, deficientes e anciãos decidirem o que eles querem ouvir. Fomos surpreendidos por essa ação, como se fôssemos bandidos”, afirmou o diretor de programação.

A Alternativa FM não teve o transmissor apreendido porque desde setembro de 2007 obteve uma liminar que garante sua manutenção no ar. A rádio foi fundada em 2004 e possui um transmissor que tem capacidade para levar a programação da emissora a um raio de 3,5 quilômetros da estação.

Para a coordenadora regional da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraco), Manina Aguiar, a operação da Polícia Federal foi mais uma tentativa de criminalizar os movimentos sociais em Pernambuco. Conforme Manina, as rádios comunitárias lutam pela difusão da cultura popular autêntica e valorizam o cotidiano da população que as rodeiam.

“As rádios comunitárias não querem permanecer sem registro. Muitas estão aguardando há anos um posicionamento da Anatel e do Ministério das Comunicações, mas só encontram burocracia nesse processo. Só as rádios que pertencem a políticos e se travestem de comunitárias é que ganham a concessão nesse País”, avaliou a coordenadora.

* Com informações do Jornal do Commércio.

Sony Ericsson não tem planos de integrar TV móvel

Entre os 11 novos modelos de aparelhos celulares apresentados nesta terça-feira, 18, pela Sony Ericsson, nenhum deles apresenta receptor para a sintonização da TV digital móvel terrestre. Silvio Stagni, presidente da companhia no Brasil, reconhece que LG e Samsung foram mais rápidas em disponibilizar a combinação GSM e ISDB-T (padrão japonês) utilizada apenas no Brasil. “Ainda não temos data específica para fazer. Acho que é uma questão de flexibilidade interna”, diz ele.

Stagni explica que a produção de celulares 3G com receptor integrado de TV digital encarece o produto, “o que eleva os telefones de terceira geração mais ainda ao topo da pirâmide”. Recentemente o presidente da Abinee, Humberto Barbato, afirmou que apenas os celulares 3G produzidos no Brasil com receptor de TV digital teriam direito ao benefício de um PPB especial (Processo Produtivo Básico), pelo qual as empresas tem redução na alíquota do IPI e, em alguns Estados, também do ICMS. “Limitar a produção no Brasil aos itens mais caros não faz sentido. Hoje nós já produzimos no País e até exportamos, o governo não precisa interferir nesta área”, criticou.

Com relação ao serviço de TV móvel com tecnologia DVB-H (projeto encabeçado por Alberto Blanco, ex-Telemar) a ser lançado no Rio de Janeiro, o executivo disse que a Sony Ericsson não tem aparelhos compatíveis para o projeto de Blanco que usa a faixa de UHF. Na Europa, segundo Stagni, as redes DVB-H usam a faixa de 2,1 GHz. “Teríamos que adaptar o nosso produto. Estamos conversando”, diz.

Modems USB

A partir de abril a Sony Ericsson vai importar esses produtos para o mercado brasileiro. O executivo reconhece que perdeu o mercado dos modems USB. Segundo Stagni, o mercado das placas PCMCIA – tecnologia que antecedeu os modems USB – era liderado pela Sony Ericsson, mas na evolução para os modens USB a empresa ficou para trás. Hoje, talvez o maior fornecedor de modems USB seja a chinesa Huawei. Para a produção local desses equipamentos – assim como dos próprios aparelhos celulares – o executivo explica que é preciso um volume considerável para ser viável. Ele estima que são vendidos no Brasil de 100 mil a 200 mil modems USB por mês. Enquanto que o mercado das placas não passa de 20 mil unidades por mês. “O mercado é comprador dos modems; essa é a grande oportunidade”, diz ele.

3G

Dos 11 novos modelos para 2008, quatro deles são de terceira geração com entrada no mercado prevista para o segundo trimestre. A Sony Ericsson, no entanto, já tem aparelhos de terceira geração disponíveis no mercado brasileiro. Segundo Stagni, cerca de 25% dos pedidos trimestrais das operadoras foi de 3G. "O maior mercado ainda é o 2,5G. Temos muito o que explorar", afirma. Helton Posseti

NET avança sobre o market share de banda larga das concessionárias

A Telefônica tem o maior market share de banda larga do mercado brasileiro, mas quem liderou em adições líquidas em 2007 foi a NET. Dados compilados pelo Teleco mostram que a concessionária de telefonia encerrou o ano passado com 26,6% de participação de mercado, correspondentes a 2,05 milhões de acessos em banda larga. No exercício, as três concessionárias perderam mercado, ao passo que a NET viu sua participação crescer de 15,2% em 2006 para 18,4% no ano passado, com 1,42 milhão de acessos. Mantido o desempenho este ano, a NET pode superar a Oi e a Brasil Telecom, assumindo a segunda posição em market share pelas contas do Teleco.

No ano, a participação da Telefônica caiu de 28,4% para 26,6%. A BrT partiu de 23,3% e encerrou o ano com 20,3% de fatia de mercado, ao passo que a Oi foi de 19,9% para 19,7% ao final do exercício. Os dados do Teleco indicam a BrT como a operadora que leva banda larga ao maior número de municípios brasileiros, 25,7%.

Em adições líquidas, a Telefônica veio em segundo, com 446 mil, ou 115 mil a menos que a NET. A Oi ganhou 390 mil novos clientes e a BrT apenas 250 mil, sendo a única operadora a registrar no ano passado um volume de adesão menor do que no exercício anterior.