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Comissão de Anistia vai julgar pedidos de indenização de jornalistas

Brasília – A partir desta semana, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça vai realizar sessões para julgar pedidos de indenização de perseguidos políticos reunidos em grupos específicos. A primeira destas sessões está prevista para sexta-feira (4) no Rio de Janeiro, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que completará 100 anos no dia 7.

Serão julgados pelo menos 15 processos – a comissão ainda não definiu o número exato – de jornalistas e viúvas de jornalistas vítimas da repressão política.

Os julgamentos farão parte das atividades desenvolvidas pelas chamadas Caravanas da Anistia, que integram um projeto de educação em direitos humanos da comissão. A proposta é percorrer todos os estados até 2010, a fim de difundir o conhecimento histórico e procurar mobilizar a sociedade para o tema. Está prevista a ida do ministro da Justiça, Tarso Genro, à abertura do projeto.

Outras duas caravanas estão previstas para abril, a primeira delas no dia 15, na Associação dos Anistiados de São Paulo. O tipo e o número de processos ainda não foram definidos, mas deverão ser informados 48 horas antes do julgamento, no site da comissão. Nos dias 25 e 26, a caravana estará em São Domingos do Araguaia, no sul do Pará, onde serão julgados os requerimentos de camponeses e outros envolvidos nos anos 70 na chamada Guerrilha do Araguaia, movimento contrário ao regime militar. Também ainda não há definição sobre o número de processos que serão julgados.

A coordenadora do projeto, Flávia Carlet, informou que as caravanas deverão permanecer pelo menos dois dias em cada local: no primeiro dia haverá um seminário cultural e no segundo, a sessão de julgamento. A proposta, lembrou, surgiu após sessão realizada durante congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) no ano passado. “Foram julgados os requerimentos de Aldo Arantes e Jean Marc van der Weld, ex-presidentes da entidade. Os estudantes disseram que o espaço tinha sido muito importante para a formação política e conhecimento da História”.

Criada em 2003, a Comissão de Anistia é responsável por julgar os pedidos de indenização e, com base na lei 10.559, de 2002, conceder reparação econômica a todos que comprovarem ter sido perseguidos pelo Estado por razões políticas. Para tanto, os requerentes têm de comprovar não só a perseguição política, mas também os prejuízos financeiros ou físicos que sofreram.

Além das Caravanas da Anistia, a comissão continuará realizando, em Brasília, as sessões temáticas para colher documentos e informações de grupos requerentes de indenização. Diferentemente das sessões reais das caravanas, nas sessões temáticas não há julgamento dos processos.

O cronograma das sessões temáticas prevê a apreciação dos requerimentos de trabalhadores do mar, a partir do dia 23 de abril; dos policiais rodoviários federais da Bahia, a partir de maio; de grevistas do Vale do Paraíba, em maio, e dos funcionários da Fábrica Nacional de Motores (FNM), em junho. Em julho, serão atendidos os servidores do regime jurídico do anistiado político militar, dos graduados das Forças Armadas e dos bombeiros de Nilópolis.

Em 2007, a comissão realizou 10 sessões temáticas. Foram ouvidos, entre outros, ex-trabalhadores do Banco do Brasil, das companhias siderúrgicas Nacional e Belgo Mineira, da Petrobras, da General Motors, da Cosipa, do Pólo Petroquímico de Camaçari e dos Correios. “É importante que a sociedade entenda a comissão de anistia como um instrumento indispensável de transição democrática e de resgate da cidadania de todos que lutaram pelo fim do regime repressivo e autoritário no Brasil”, diz Flávia.

Secretário de Cultura de São Paulo teme risco de extinção da Lei Rouanet

O secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad, vê nas restrições feitas à Lei Rouanet pelo Ministério da Cultura, na semana passada, um risco de extinção da lei, o que seria, na opinião dele, um erro.

"Devagar com o andor. Prefiro uma lei ruim a que ela não exista. Neste caso, o ótimo é inimigo do bom", diz Sayad.

A ofensiva do MinC contra a Lei Rouanet foi deflagrada na quinta passada, quando o secretário-executivo da pasta, Juca Ferreira, co-assinou com o ator e presidente da Funarte, Celso Frateschi, o artigo "Incentivo ao Teatro?", na Folha.

No texto, dizem: "Com a Lei Rouanet, os orçamentos públicos para a área de cultura escassearam, com exceção do federal e de raros casos estaduais e municipais. A distorção chega ao ponto de TVs públicas, orquestras sinfônicas, o Sistema S e até a Funarte precisarem se utilizar da Lei Rouanet".

Criada em 1991, a Lei Rouanet permite que a empresa destine parcela de seu Imposto de Renda devido ao financiamento de projetos culturais previamente aprovados pelo MinC.

Sayad diz que "toda política pública, cujo alvo é atingir o extremo -o pobre, o carente-, tem um desvio, porque vai contra uma força natural, que é o mercado". O "desvio" é o benefício a quem não precisa.

No caso da Lei Rouanet, diz o secretário, "produções comerciais acabam tirando uma casquinha. A questão é o tamanho da casquinha e como fazer a alteração sem jogar a criança fora com a água do banho".

Em entrevista à Folha após a publicação de seu artigo, Ferreira disse haver "um desenho" em discussão no governo para solucionar a questão.

Fundo

O MinC propõe como alternativa à Lei Rouanet a aprovação de um fundo não-contingenciável (alheio a eventuais bloqueios do Ministério da Fazenda), sob sua administração. O fundo deveria ter ao menos R$ 1 bilhão, total movimentado pela Lei Rouanet em 2007.

Produtores culturais reagiram ao artigo de Ferreira e Frateschi, chegando a apontar "desonestidade intelectual" em seus argumentos.

"O mundo cultural tem os financiadores [empresas], o governo e os artistas. A discussão que está se dando entre esses três grupos é muito enfraquecedora da questão do subsídio à cultura. Existem outros setores subsidiados e existem as autoridades econômicas, muito mais poderosos política e legalmente do que esses três grupos de gatos pingados", diz Sayad.

Para o secretário paulista, "os grupos culturais deveriam se acertar internamente, antes de se expor à ambição de grupos muito mais poderosos, que também lutam por subsídios", sob o risco de "o vencedor [do debate] não ser nenhum dos segmentos que estão disputando esse montante de subsídio, mas sim as autoridades econômicas, sempre ocupadas com orçamento, ou outros procuradores de subsídio".

Embora classifique como "uma estratégia arriscada" do MinC o artigo de Ferreira e Frateschi, Sayad se diz "admirador" do ministro Gilberto Gil.

"[Ele] Tem lá os problemas administrativos, mas, em termos de imagem política para a cultura no Brasil e no exterior, simpatia pessoal e boas intenções, Gilberto Gil é campeão".

Questionado sobre quem, numa eventual presidência do PSDB em substituição a Lula, deveria assumir o lugar do tropicalista Gil no Ministério da Cultura, Sayad graceja: "Outro tropicalista. Caetano é tucano? Ele nunca disse".

Lula deve comparecer à abertura do fisl9.0

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá comparecer à solenidade de abertura do 9º Fórum Internacional Software Livre (fisl9.0), no dia 17 de abril, em Porto Alegre (RS).

A manifestação dele foi feita para a Coordenação da Associação Software Livre.Org (ASL), que nesta terça-feira (02/04),  através de audiência, no Palácio do Planalto, oficializou o convite para Lula fazer a abertura do evento.

Segundo o presidente, o Assessor Especial, César Alvarez, ficará encarregado de estabelecer uma agenda de compromissos no Sul do País, para que ele possa se deslocar para Porto Alegre e, desta forma,  participar da abertura do fisl9.0, considerado o maior evento Open Source da América Latina.

Ações/reação

A audiência contou com a presença das principais autoridades do governo identificadas com o Movimento do Software Livre. Entre eles, a vice-presidente de TI da Caixa Econômica Federal, Clarice Copetti, o presidente do Serpro, Marcos Mazoni; o vice-presidente de TI e Logística do Banco do Brasil, José Salinas, o diretor da Cobra Tecnologia, Sérgio Rosa, e o presidente do ITI, Renato Martini.

Alguns chegaram a expor as ações que o governo vem implementando em software livre nas áreas de Educação, Segurança Bancária, Inclusão Digital e Cultura. O presidente, segundo um participante da audiência, se mostrou entusiasmado com as iniciativas.

Há muito tempo que as autoridades identificadas com o Movimento do Software Livre não se uniam com o presidente para defender àquela que já chegou a ser uma "política de governo". Com a entrada de novos personagens na gestão, há uma forte expectativa de que o movimento se revigore, depois de passar os últimos anos retraído, especialmente, após a saída de Sérgio Amadeu. da presidência do ITI.

fisl9.0

Este ano no maior evento de Software Livre na América Latina, entre os dias 17 a 19 de abril – serão realizados workshops, palestras, mini-cursos e mostra de negócios. O local também conta com espaço para Grupos de Usuários e Arena de Programação (evento semelhante ao desafio de matemática), voltado para a competição entre desenvolvedores para a resolução de problemas em software. A grade de programação e informações adicionais sobre o 9º Fórum Internacional de Software Livre pode ser acessado no endereço : http://fisl.softwarelivre.org/9.0/www/programa.

Estiveram presentes ainda na Audiência, no Palácio do Planalto, os Coordenadores da Associação Software Livre.org, Sady Jacques, Gustavo Pacheco, Ricardo Fritsch e Mario Teza. Também participaram do encontro, o secretário-substituto da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Rodrigo Ortiz Assunção e o presidente da Empresa de Tecnologia da Informação da Previdência Social (Dataprev), Lino Roque Camargo Kieling.

A reunião também teve a participação do Chefe de Gabinete Adjunto de Agenda do Gabinete Pessoal do Presidente da República e coordenador do Programa Brasileiro de Inclusão Digital, Cezar Alvarez, de José Aquino, da Assessoria Especial da Presidência da República e de Denise Direito, do ITI.

Fusão Oi/BrT acirra ânimos na Câmara dos Deputados

Os deputados Miro Teixeira (PDT-RJ) e Júlio Semeghini (PSDB-SP) se desentenderam na manhã desta quarta-feira, 2, por causa da suspeita de uso das dependências da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCT) em apoio às negociações para aquisição da concessionária Brasil Telecom (BrT) pela concorrente Oi. A união das duas é vedada pelas regras em vigor e resultará numa empresa que terá a hegemonia na oferta de telefonia fixa e banda larga no mercado de 25 estados, mais o Distrito Federal.

Semeghini, que foi presidente da CCT na legislatura passada e esta tarde foi eleito presidente da Subcomissão de Comunicação da CCT, protestou contra a acusação de Teixeira e negou a realização de qualquer reunião, embora o atual presidente da comissão, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), tenha admitido um encontro, que versou sobre outro assunto. Pinheiro relatou que casualmente esteve com o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, nas dependências da Câmara, mas que a conversa acabou no seu gabinete privativo.

Teixeira disse estar surpreso com a movimentação em favor do negócio, que já provocou a significativa valorização das ações das prestadoras envolvidas na Bolsa de Valores. “Eu pensei que você estava preocupado é com o interesse público do negócio”, alfinetou Semeghini, numa alusão à preocupação de Teixeira com o preço de papéis. Semeghini sugeriu a Miro que procure a CVM, a instituição responsável por regular operações de compra e venda de ações nas sociedades anônimas e sugeriu que, se é para colocar a CCT sob suspeição, melhor seria procurar o Ministério Público e pedir providências para apurar os fatos.

O deputado carioca não descarta a hipótese de ir ao MP. Miro defende maior transparência no andamento do negócio. O fato é que o ministro Hélio Costa não esconde seu esforço em dar celeridade à operação. A pressa foi repassada à Anatel, por ser a instância legal que precisa emitir um comando favorável à revisão das regras e, assim, dar suporte à conclusão do negócio.

A atitude da Anatel no atual episódio surpreende, no entanto, os que viram o órgão regulador desconhecer, cerca de cinco atrás, a proposta que foi articulada para aquisição da Embratel até em tribunais de Nova York, pelo grupo Calais. O Calais foi criado pelas três concessionárias locais BrT, Telemar e Telefônica, no pressuposto de que juntas conseguiriam convencer a agência a aprovar a aquisição da concessionária de longa distância. Mas, da mesma forma que agora, o PGO era o obstáculo aos sonhos da Calais, como agora o é para os grupos La Fonte e Andrade Gutierrez, que coordenam, como parte do bloco de controle da Oi, a proposta pela BrT.

Relator

A escolha do relator do processo de aprovação da proposta do novo PGO deve ser definida na próxima reunião do conselho diretor, dia 9, para que o colegiado tente votar o assunto no dia 16, como planejado pelo presidente Ronaldo Sardenberg. Na terça-feira, o presidente da agência chegou a cogitar uma definição do nome do conselheiro-relator antes de embarcar para Viena, sem sucesso.

O call center da Anatel já atende usuários que procuram confirmar a veracidade da fusão. Um coordenador de atendimento do 0800 informou ao Telecom Online que atendeu uma ligação em que o usuário queria ter informações sobre a operação, mas, como o script do centro de atendimento ainda não foi contemplado com explicações para o caso, ele informou que o negócio não passa de notícias da mídia.

Venda de CD e DVD de música cai 31,2% em 2007

Dois mil e sete foi um ano difícil para a indústria da música. A queda no faturamento se aprofundou. As receitas com vendas de CDs e DVDs de música no Brasil caíram 31,2% no ano passado, chegando a R$ 312,5 milhões. O resultado, quando comparado com o pico de vendas de 2000, é ainda pior. Naquele ano, a indústria brasileira do disco havia vendido R$ 891 milhões, quase três vezes o faturamento do ano passado.

“2006 e 2007 foram muito ruins”, reconheceu Paulo Rosa, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD). “Mas esperamos que este ano os formatos físicos reajam.” Ele não arrisca, no entanto, apostar num crescimento. “Seria leviano fazer uma previsão, mas a expectativa é que o mercado físico reaja.”

A boa notícia do ano passado ficou por conta do crescimento das vendas de música digital, pela internet e pelo celular. A venda de música digital aumentou 185%, chegando a R$ 24,3 milhões, o que representa 8% do mercado total. O celular responde por 76% do total, mas o avanço mais surpreendente foi o da comercialização de música pela internet, que passou de R$ 334 mil em 2006 para R$ 5,7 milhões. Este ano, a ABPD divulgou pela primeira vez os números oficiais de música digital no País.

“As receitas da música digital ainda não são suficientes para compensar a queda das vendas físicas”, disse Rosa. “Acho que poderá compensar no próximo ano ou no outro. A migração é lenta. Em todo o mundo, somente 15% das receitas da indústria vêm da música digital.” Ele contou que uma consultoria havia previsto, em 2000, que em 2005 já não haveria discos físicos. Mas, naquele ano, as vendas digitais foram somente 8% da indústria.

O executivo afirmou que, nos últimos dois anos, houve uma devolução anormal de discos do varejo para as gravadoras. “O canal agora está mais desobstruído”, explicou Rosa. Segundo ele, o varejo devolveu títulos com pouca procura e abriu espaço para CDs e DVDs com mais apelo junto aos consumidores. Esse seria um dos motivos dos resultados ruins dos últimos dois anos e do otimismo para este ano.

Outra explicação seria a redução dos lançamentos de artistas que vendem muitos discos no ano passado. “Pela primeira vez, não houve disco de fim de ano do Roberto Carlos”, disse Rosa. “Como ele, foi o caso de diversos artistas. Esses lançamentos adiados em 2007 pularam para 2008.”

Os números da ABPD mostraram queda nos preços dos discos. Em unidades, a redução das vendas foi de 17,2%, para 31,3 milhões, menor que a queda de 31,2% no faturamento.

Do total das vendas físicas, 77% foram de música brasileira. O campeão das vendas de CD foi o Padre Marcelo Rossi, com Minha Bênção, seguido da cantora Ivete Sangalo, com Multishow ao Vivo no Maracanã, e da dupla Cesar Menotti & Fabiano, com Palavras de Amor ao Vivo. A cantora Ivete Sangalo foi quem mais vendeu DVDs de música, seguida do padre Marcelo Rossi e da dupla Cesar Menotti & Fabiano.

Para Rosa, está errada a idéia de que jovens não compram mais CDs: “High School Musical e Hannah Montana, voltados para o público infantil e adolescente, venderam muito bem. É só ter o produto certo”. Os consumidores jovens, que têm mais facilidade de usar a internet e não criaram o hábito do disco, são os primeiros a migrar para a música digital.

A pirataria via internet é a grande vilã da crise enfrentada pela indústria mundial da música. Os sistemas de troca de arquivos via internet permitem que as pessoas obtenham música de graça, ilegalmente. A tendência começou com o Napster, serviço que foi popular na década passada.

As gravadoras querem que os provedores de acesso façam alguma coisa contra a pirataria. “É vital para nós abrir um diálogo com os provedores de acesso”, disse Rosa. O executivo afirmou que a França prepara uma legislação obrigando os provedores a monitorar o tráfego para identificar material protegido por direito autoral sendo baixado ilegalmente.

“Eles deverão então comunicar o usuário”, disse o presidente da ABPD. “Depois da terceira comunicação, se o internauta continuar, a conexão será cortada.” A proposta é no mínimo polêmica, pois contraria os conceitos de neutralidade de rede e até de privacidade.

Pelo conceito de neutralidade de rede, o provedor de acesso não pode interferir no tipo de conteúdo que o usuário envia e recebe pela internet. No que diz respeito à privacidade, o provedor teria que monitorar e identificar o conteúdo que o usuário recebe e envia.