Arquivo da categoria: Notícias

Anatel vai criar departamento de defesa do consumidor

A Anatel vai criar uma superintendência de Defesa de Consumidor, como parte de sua reestruturação, para atender melhor os usuários. A informação foi dada hoje pelo conselheiro da agência, Plínio Aguiar, durante audiência pública sobre regulamentação de call centers, coordenada pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça. Ele disse que a medida mostra a preocupação do órgão com os usuários dos serviços de telecomunicações, que encabeçam as listas de queixas dos consumidores em todo o país.

Plínio Aguiar adiantou também o interesse da Anatel em firmar convênio com o DPDC para que os dois órgãos trabalhem efetivamente em favor do consumidor. A idéia é aproveitar a experiência do DPDC para aprimorar a  fiscalização da Anatel. “O assunto foi tratado informalmente na reunião de hoje do Conselho Diretor da agência e já foi objeto de conversa entre o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, e o ministro da Justiça, Tarso Genro”, disse. Ele acredita que o convênio saia num prazo de 60 dias.

Segundo o conselheiro, a Anatel necessitaria fazer um milhão de horas por ano de fiscalização para avaliar bem todos os serviços, mas consegue realizar apenas 600 mil horas. Ele acredita que uma orientação melhor da fiscalização tornará a ação mais eficiente. Ele também espera uma redução de 90% das reclamações contra cancelamento nos serviços de telefonia quando for totalmente implantado a portabilidade numérica, em março do próximo ano.

Sugestões Os dados sobre o atendimento ao consumidor pela  Anatel foram apresentados por Rúbia Marise de Araújo, da assessoria de relações com o cliente, que reconheceu ser a questão do atendimento um dos principais motivos de queixas dos usuários. Ela apresentou também sugestões para aprimorar a normatização dos SACs, que está sendo proposta pelo DPDC. Entre as sugestões apresentadas está a obrigatoriedade do fornecimento do número do protocolo para acompanhamento, independentemente do tipo de solicitação; a racionalização da URA (as informações de navegação antes do atendimento); opção de atendimento por humano, independente do motivo da ligação; estabelecimento de um prazo máximo de espera e de resolução do problema e obrigatoriedade de disponibilizar formas alternativas de cancelamento, oferecendo no mínimo os mesmos modos de adesão. A audiência pública de hoje, que ouviu representantes de órgãos do governo, é a segunda realizada pelo DPDC, como forma de subsidiar a sua proposta de regulamentação dos call centers. Outras duas audiências estão previstas: uma com os fornecedores (29/04) e outra com todos os envolvidos (14/05). Paralelamente, a proposta de normatização dos serviços de atendimento ao consumidor está em consulta pública desde o dia 10 do mês passado. Sua conclusão foi prorrogada para o dia 5 de maio, conforme determinação do diretor do DPDC, Ricardo Morishita.

Jornais de Poços de Caldas deixam de publicar nomes de políticos por decisão de promotor

Ainda faltam cerca de seis meses para as eleições municipais, nas quais serão eleitos vereadores e prefeitos dos municípios do Brasil. No entanto, os meios de comunicação da cidade de Poços de Caldas (MG) já não podem citar os nomes dos políticos em nenhuma de suas páginas editoriais, mesmo que eles ainda não sejam candidatos oficialmente.

A medida foi proposta pelo promotor de Justiça Sidney Boccia, que afirmou ao Portal IMPRENSA se preocupar com a "publicidade subliminar" dos candidatos. "A campanha eleitoral só se inicia em junho, mas nas cidades do interior os candidatos costumam aparecer muito mais na mídia. Aqueles que já ocupam cargos, têm privilégio sobre os outros".

Dessa forma, os quatro principais jornais de Poços de Caldas decidiram seguir a medida e parar de publicar nomes de prefeitos, deputados ou vereadores em seus textos. "A disputa entre os jornais aqui é grande e nós evitamos brigar com eles também", afirmou um jornalista que atua na cidade, referindo-se à Promotoria de Justiça.

É importante notar, porém, que a Lei Eleitoral só entra em vigor no início de junho, juntamente com a oficialização dos candidatos. Entretanto, o Tribunal Superior Eleitoral antecipou para janeiro a proibição de qualquer tipo de publicidade eleitoral veiculada com interesses políticos prévios, como a distribuição de brindes ou bens pelos candidatos. Isso não envolveria o texto jornalístico, ou seja, citar o nome dos envolvidos na matéria sem comprometimento político é legalmente válido.

Boccia afirma que faz referência à Constituição Federal e não à Lei Eleitoral, já que aquela diz que "a administração pública se pauta pela impessoalidade e as pessoas são meras ocupantes transitórias de seus cargos. Quem realiza uma ação é a Prefeitura, e não o prefeito e assim por diante", declarou.

No entanto, Boccia diz que não há punição aos jornais que publicam os nomes dos políticos em suas páginas. "Não há restrição, não há censura, convidamos a imprensa para que ela evite a publicidade subliminar. A gente se dirigiu à imprensa marrom, mas o convite vale a todos".

Outra fonte ligada aos meios de comunicação de Poços de Caldas disse ao Portal IMPRENSA que Boccia fez uma reunião com os representantes da imprensa local e "colocou a visão dele em pauta: a de que a lei não permite a propaganda fora de época. Mas nossa posição é jornalística, não concordo que fazemos propaganda".

Sobre a questão das multas, a fonte disse que houve ameaças e que o promotor disse que iria multar quem citasse nome de políticos nos jornais ou na televisão. "Sidney deixou bem claro que iria multar a imprensa que não cumprisse a regra, de R$ 21 mil a R$ 100 mil. Ou a gente bate de frente com o Ministério Público, ou evita o combate", finalizou.

Por enquanto, a imprensa de Poços de Caldas permanece seguindo a linha imposta pela promotoria e, sem saber se haverá ou não multa no caso de um deslize, continua a não publicar o nome dos políticos que são fonte ou referência de matérias em seus noticiários, citando apenas o cargo que ocupam.

Projeto quer que consumidor seja compensado por interrupção de serviços de Telecom e Internet

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou nesta quarta-feira (09/04), projeto de Lei 591/07, do senador Marcelo Crivela (PRB-RJ), que assegura aos usuários de serviços de Telecomunicações e Internet, o direito a uma compensação financeira, nos casos de interrupção injustificada da prestação dos serviços.

O projeto modifica a Lei Geral de Telecomunicações (9472/97) para estabelecer a compensação entre os direitos dos usuários. A devolução do valor correspondente ao do período de suspensão dos serviços deverá ocorrer, segundo a proposta, "em até 40 dias, em conta posterior, independentemente de solicitação do usuário". Com a mesma finalidade, são ainda modificados dispositivos da Lei da Concessão do Serviço Público (8987/95) e da Lei da TV a Cabo (8977/95).

"O projeto aprofunda a proteção ao direito do consumidor e garante maior segurança jurídica aos consumidores eventualmente lesados, estabelecendo uma compensação por interrupção na prestação dos serviços",  afirmou o senador Flávio Arns (PT-PR), relator da proposta, ao apresentar seu voto favorável à matéria.

Na justificativa do projeto, o senador Crivella lembrou que é "crescente o número de queixas de usuários de serviços de telecomunicações, televisão a cabo e Internet de banda larga, principalmente por causa de falhas na continuidade dos serviços". Essas falhas, segundo o autor da proposta, vêm impondo ao consumidor prejuízos com os quais as próprias operadoras dos serviços deveriam arcar.

O projeto de Lei é terminativo, ou seja não passará pelo plenário do Senado e seguirá direto para a Câmara dos Deputados.

*Com informações da Agência Senado.

Teles e conteúdo foram feitos “um para o outro”, diz France Telecom

"Fomos feitos um para o outro". Foi assim que o CEO da France Telecom, Didier Lombard, abriu sua apresentação aos provedores de conteúdo presentes na platéia do MipTV nesta quarta, em Cannes. O MipTV é o maior evento de venda de conteúdos do mundo.
"Se eu não tivesse acesso ao conteúdo, seria só um vendedor de dutos (pipes), e vocês sem a rede, não teriam como distribuir. O conteúdo é o oxigênio da nossa rede, mas nós também podemos dar oxigênio a vocês", afirmou.

Lombard referia-se ao serviço lançado recentemente na França, o Orange Cinema Series, que permite ao usuário receber filmes nas três telas: computador, TV e celular, de forma flexível. Ou seja, pode começar a ver um filme na TV, e se estiver saindo de casa, acabara de ver no celular, por exemplo.

A France Telecom se associou aos estúdios Warner, HBO, Gaumont e Fidelité e criou seis canais de filmes e séries, distribuídos por ADSL, satélite e celular, linear e on-demand.

Lombard disse que a France Telecom não havia se tornado uma empresa de mídia. "Esta questão é ultrapassada. Vejam os blogs, os wikis… todo o mundo se tornou uma empresa de mídia. Isto é irrelevante".

Ele diz que a cultura do usuário mudou. "Antes ele queria uma TV, um computador, um celular. Agora tem acesso aos equipamentos, ao mundo digital, e quer serviços", conta.

"O usuário quer flexibilidade, a grade fixa não corresponde mais aos seus desejos. Quer ver tudo na hora em que quiser. E quer também a ubiqüidade, ter o conteúdo em todas as telas, com a mesma experiência. E isso, só as empresas de telecomunicações podem oferecer", diz o executivo.

Pentágono monitora cartunista brasileiro Carlos Latuff

Escrevo porque precisamos repercutir essa vigilância contra o cartunista Carlos Latuff. Seus desenhos têm sido cada vez mais utilizados pelas resistências iraquiana, palestina, zapatista e outras que enfrentam o imperialismo estadunidense. Depois de ser ameaçado de morte por um grupo ligado ao Likud, partido israelense de extrema-direita, agora agentes dos Pentágono e do Departamento de Defesa dos EUA estão monitorando seu blog. Clique aqui para acessá-lo e se inteirar da história.

É compreensível que Carlos Latuff seja uma preocupação para os espiões de Bush. Sua arte está a serviço da luta antiimperialista e seus traços são capazes de mover exércitos. Não é à toa que o agente do Pentágono tenha acessado diretamente uma determinada charge que incentiva os iraquianos a não obedecer às ordens das tropas ianques – o desenho vem sendo espalhado nos muros de Bagdá (veja aqui a imagem ampliada – o título, em árabe, quer dizer algo como "Não seja um cachorro dos ianques"). Sua imagem de Che Guevara com trajes árabes tem sido sistematicamente espalhada pelas ruas da Palestina; um membro do Exército Zapatista de Libertação Nacional o encontrou na UERJ, no Rio, e agradeceu pelas ilustrações exaltando a guerrilha.

Carlos Latuff, desta forma, globaliza a resistência. Exatamente como previram Milton Santos e Dênis de Moraes: se a opressão é globalizada, o enfrentamento só pode ser globalizado. Assim é que o rabisco de um carioca suburbano vai parar no Oriente Médio. Em entrevista concedida ao Fazendo Media, Latuff garante que não vai se deixar abater pelas ameaças. “Eu dei a minha palavra para um palestino que conheci em Ebrom, seu Adris, eu sempre cito isso. O meu compromisso é com os palestinos, eu não estou preocupado com o que vai acontecer comigo. Não vou mudar em nada a minha rotina, o que eu penso, o que eu faço, vou continuar defendendo, seja no tribunal, seja numa entrevista, sempre estarei defendendo o povo palestino. É mais fácil me matarem do que eu mudar de idéia. Agora, uma coisa que eu acho genial é que não faz diferença eu estar vivo ou morto. Porque os meus trabalhos estão espalhados pelo mundo inteiro, eles não dependem da minha existência”. Leia a íntegra da entrevista aqui.

O desprendimento do Latuff é comovente, mas nós podemos fazer alguma coisa para protegê-lo. Divulgar as ameaças para nossas listas de contato. Informar a cada conhecido sobre a mobilização da espionagem ianque contra este artista brasileiro. Esta noite entrei em contato com o diretor da Telesul no Brasil, Beto Almeida, que se interessou em divulgar uma reportagem sobre o assunto. Espera-se também que a TV Educativa do Paraná entre na pauta. Se cada um aqui repercutir nos veículos a que tiver acesso e em seus próprios blogs, com certeza Carlos Latuff estará mais protegido. E a resistência, fortalecida!

PS: Leia aqui outra excelente entrevista de Carlos Latuff, concedida ao Coletivo Catarse.