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Comissão é unânime em crítica a baixarias na TV a cabo

Parlamentares da Comissão de Defesa do Consumidor, que são integrantes de diversos partidos, foram unânimes nesta quarta-feira ao criticar duramente as empresas de televisão por assinatura e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em audiência pública sobre a veiculação de programas com cenas de violência, sexo e consumo de drogas em horário impróprio.

Os deputados Celso Russomanno (PP-SP) e Júlio Delgado (PSB-MG) chegaram a advertir o diretor-executivo jurídico da Net TV, André Muller Borges, de que ele tinha sorte por estar depondo a uma comissão temática, e não a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). "Se aqui fosse uma CPI, o senhor estaria encalacrado", disse Delgado, sinalizando que Borges poderia ter sido preso por mentir.

Presidida pelo deputado Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), a audiência foi solicitada pelo deputado Barbosa Neto (PDT-PR), com base em informação de que em fevereiro a Net TV veiculou, em horário impróprio, pelo menos 45 filmes com cenas fortes de violência, drogas e sexo.

Pacote rompido

Russomanno acusou Borges de ser mentiroso por ter dito que a Net envia aos seus assinantes os contratos relativos ao serviço. "Ninguém recebe esses contratos", disse o deputado. Ele levou para a reunião uma assinante que está sendo cobrada na Justiça, pela Net, por ter rompido com a empresa quando esta extinguiu o pacote originalmente vendido e quis forçar a compra de outro mais caro.

O deputado lembrou que ninguém pode ser obrigado a nada a não ser por contrato assinado ou pela lei. Como não há contrato assinado, a cliente, segundo ele, não tem obrigações pendentes com a Net. Russomanno exigiu que a empresa resolva o problema.

Borges insistiu que havia um contrato a ser cumprido. Russomanno argumentou que a infidelidade foi da Net, por ter decidido unilateralmente mudar o pacote. Após o bate-boca esfriar, Borges prometeu estudar o caso, e pediu tempo para isso.

Piscina para adultos

Barbosa Neto exibiu trechos de desenhos animados, veiculados pelo canal Cartoon Network, com cenas de extrema violência, como esfaqueamento e suicídio: "Fiquei chocado, porque crianças assistem a esses desenhos", protestou.

Borges argumentou que o usuário, com uma senha, pode acionar o decodificador para vedar a exibição desse conteúdo. Ele disse que esses desenhos são para adultos, não para crianças, e fazem parte de uma programação denominada Adult Swim (nado adulto) – "quando as crianças precisam deixar a piscina [o canal] só para os adultos". Russomanno, porém, lembrou que a própria Net, em sua revista, informa que apenas um canal pode ser bloqueado, não um programa ou um horário.

O procurador do Cartoon Network, Antonio Celso Fonseca Pugliese, disse que a programação da Adult Swim já foi retirada do ar e nunca foi veiculada antes das 23 horas. Segundo ele, "o Cartoon é um canal de animação, e não infantil". Ele acrescentou que 56% do público do canal são compostos por adultos, e que a veiculação de programas impróprios é sempre avisada com antecedência. O Ministério Público, disse ainda, avaliou essa programação e concluiu tratar-se de "paródias de desenhos infantis, com humor sarcástico e sem conteúdo erótico, pois a sexualidade aparece apenas em função do humor".

Pugliese fez um alerta aos pais: "Na internet pode ser baixada, em qualquer horário, uma programação muito mais pesada."

Zombaria

Barbosa Neto estranhou essas declarações, e lembrou que a revista da Net classifica o Cartoon como canal infantil. Russomanno acrescentou que o Cartoon fica no meio de outros canais infantis na numeração da Net e, dentre eles, tem a maior audiência. Júlio Delgado classificou a explicação de Pugliese como "uma zombaria, uma falta de respeito aos deputados". Ele argumentou ainda que o canal Cartoon vende brinquedos o dia inteiro. "Meu filho vive pedindo para comprar as porcarias que vocês vendem", protestou.

O deputado Vinicius Carvalho (PTdoB-RJ) propôs que se inverta a responsabilidade pelo bloqueio dos canais, para que ela não pese sobre os pais. "Os canais com programação imprópria já deveriam vir bloqueados, e o assinante poderia usar uma senha para desbloqueá-los quando desejasse", sugeriu. Ele lembrou que há tecnologia para isso, pois as emissoras sabem muito bem como bloquear os canais pelos quais o assinante opta por não pagar.

Conselho da ONU pede ao Brasil aprovação de lei de acesso à informação pública

O Brasil deve fazer o máximo possível para garantir que o Congresso Nacional aprove uma lei de acesso à informação pública. Esta foi uma das 15 recomendações feitas pelo Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas ao Brasil no dia 15 de abril de 2008, durante a primeira sessão do processo de Revisão Periódica Universal. A Revisão Periódica Universal é um novo mecanismo pelo qual o conselho analisa se os países estão cumprindo suas obrigações e compromissos na área dos direitos humanos. O Brasil foi um dos 16 países analisados durante a primeira sessão de revisão, na sede da ONU em Genebra.

A ausência de uma lei de acesso à informação foi um dos problemas apontados pela Ong ARTIGO 19 em relatório enviado ao Conselho de Direitos Humanos como contribuição para o processo de Revisão Periódica Universal. O acesso à informação é garantido pela Constituição Federal brasileira, mas sua aplicação é limitada pela ausência de uma lei específica que defina os procedimentos para requisição de informações e prazos de resposta. Um projeto de lei de acesso à informação pública apresentado em 2003 encontra-se atualmente paralisado no Congresso Nacional. 

“A ARTIGO 19 pede ao governo brasileiro que tome todas as medidas necessárias para implementar prontamente a recomendação do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Este é ainda mais um lembrete de que o Brasil precisa adotar e implementar uma lei de acesso à informação. A falta de uma lei de acesso está prejudicando seriamente o processo democrático e violando o direito do público, reconhecido internacionalmente, de analisar políticas públicas e participar do processo de elaboração dessas políticas”, afirmou Agnès Callamard, diretora-executiva da ARTIGO 19.

O processo de Revisão Periódica Universal do Conselho de Direitos Humanos da ONU é feito por um grupo de trabalho formado pelos 47 estados-membros do conselho, que analisam informações sobre os países e fazem recomendações para mudanças. A revisão é baseada em informações fornecidas pelos Estados analisados, compilações feitas pelo Escritório do Alto Comissionado para os Direitos Humanos da ONU com base em documentação sobre os países, além de informações fornecidas por organizações não-governamentais, instituições nacionais de direitos humanos, defensores de direitos humanos, instituições acadêmicas e de pesquisa e representantes da sociedade civil.

Durante o processo de revisão do Brasil, no dia 11 de abril de 2008, o Conselho de Direitos Humanos da ONU também discutiu outras questões relacionadas à liberdade de expressão: o direito à memória e à verdade sobre as violações de direitos humanos durante a ditadura militar; a falta de pluralidade e a concentração dos meios de comunicação; os problemas na concessão de licenças para funcionamento das rádios comunitárias; e agressões e violência contra jornalistas.

Andi lança livro sobre relação dos jornalistas com as políticas públicas

Apontada como instituição central para as democracias contemporâneas, a imprensa também se tornou notícia e tema de debates. Desta vez, a relação entre jornalismo e políticas públicas sociais gerou coletânea de artigos inéditos, assinados por especialistas das duas áreas, reunidos no livro “Políticas Públicas Sociais e os Desafios para o Jornalismo”, que a Cortez Editora e a ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) lançam na Livraria Cortez, em São Paulo, no próximo dia 17. A publicação será também tema de mesa redonda, no próximo dia 18, durante o  XI Encontro Nacional dos Professores de Jornalismo, que terá lugar no Centro de Comunicação e Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, também na capital paulista. No próximo dia 24, o livro terá lançamento em Brasília no auditório da Livraria Cultura.

O repórter especial da TV Globo Marcelo Canellas, o professor de jornalismo da Universidade de Brasília Luiz Gonzaga Motta e o consultor econômico Raul Velloso estão entre os autores que o coordenador de relações acadêmicas da ANDI, Guilherme Canela, responsável pela publicação, reuniu em mais de 300 páginas de artigos que alimentam e enriquecem a discussão sobre a relação entre políticas públicas sociais e jornalismo. (Ver lista completa de autores e capítulos em
http://www.informacao.andi.org.br/relAcademicas/site/arquivos/sumario_livropps.pdf).

A publicação insere-se no contexto do “InFormação – Programa de Cooperação para a Qualificação de Estudantes de Jornalismo”, que promove o aprimoramento da cobertura da agenda social pelas redações jornalísticas, a partir do acompanhamento sistemático das políticas públicas. O programa, lançado em 2006 pela ANDI, tem o apoio da Fundação W. K. Kellog e do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo.

Útil para profissionais da comunicação, professores e estudantes de jornalismo, além de formuladores de políticas públicas, o livro, dividido em onze capítulos, contempla desde a questão da cobertura jornalística das políticas públicas sociais até o ensino do jornalismo e a agenda social. A publicação terá distribuição nacional ao preço de R$ 39,90 o exemplar.

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Políticas públicas sociais e os desafios para o jornalismo
Organização: Guilherme Canela
Realização: Andi – Agência de Notícias de Direitos da Infância
Apoio: Fundação W. K. Kellogg, Fórum Nacional de Professores de Jornalismo
Co-edição: Cortez Editora
Nº de páginas: 344.
Formato: 16 X 23
 Preço: R$ 39,90

Mais informações
ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância
Luciano Milhomem
Tel: 61-2102-6539
E-mail: divulga@andi.org.br
Cortez Editora
Marilu Amaral
Tel.: (11) 2991-2934 – 9127-5268
E-mail: imprensa@cortezeditora.com.br

Revista IstoÉ manipula foto para proteger José Serra

Imagem de protesto do MST e do MAB contra a privatização da Cesp trazia a inscrição “Fora Serra”, que sumiu da foto publicada pela revista

Imagem de protesto do MST e do MAB contra a privatização da Cesp trazia a inscrição “Fora Serra”, que sumiu da foto publicada pela revista   IstoÉ-horizontal.gif

A revista IstoÉ desta semana mostra – para poucos – que a campanha eleitoral já começou e de que lado está. Para proteger o PSDB e o governador de São Paulo, José Serra, a publicação, contrariando todas as regras do jornalismo, apagou a inscrição “Fora Serra” de uma foto feita durante um protesto do MST e do MAB contra a privatização da Cesp.

Mais que isso, o resultado visual inverte o significado da imagem que traz uma placa de trânsito “Pare”, como se quem devessem parar fossem os movimentos, e não as privatizações.

A adulteração de uma foto – passível de processo pelo detentor de seus direitos autorais, no caso a Folha de São Paulo – é plenamente possível hoje em dia com o uso de um programa para tratamento de imagens, como o Photoshop por exemplo, mas é prática condenada no meio jornalístico. O fato escancara o poder de influência camuflada que os meios de comunicação de massa tem para atuar como o que vem sendo chamado de “Partido da Mídia” (PM).

A foto adulterada, de autoria do fotógrafo Cristiano Machado, ilustra a matéria “ O MST contra o desenvolvimento” e mostra integrantes de movimentos sociais bloqueando a rodovia Arlindo Bétio, que liga São Paulo a Mato Grosso do Sul e Paraná, em protesto contra a privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), no dia 24 de março (leia reportagem).

A legenda diz “A exemplo do que ocorreu em São Paulo, em protesto contra a privatização da Cesp, os sem-terra prometem parar estradas em todo o país nos próximos dias”.

A reportagem assinada por Octávio Costa e Sérgio Pardellas criminaliza os movimentos sociais sustentando que “os sem-terra ameaçam empresas e investimentos que geram empregos e qualidade de vida”, sem mencionar que a Aracruz Celulose, a Monsanto, a Cargill, a Bunge e a Vale – citadas pela matéria como exemplos de empresas prejudicadas – respondem a acusações de destruição do meio ambiente, desrespeito aos direitos de povos tradicionais, como quilombolas e indígenas, e exploração de trabalhadores.  A matéria tenta desautorizar o MST como um ator político que vá além da luta pela reforma agrária. Diz que “desde 2006, o MST lidera ataques à globalização, ao neoliberalismo e às privatizações – algo que nada tem a ver com a sua luta original”.

Nada é por acaso

A editora Três, que publica a revista IstoÉ, é controlada pelo acionista majoritário do banco Opportunity, Daniel Dantas. O banqueiro tem ligações com fundos de pensões, além de uma participação ativa no processo de privatizações de estatais sobretudo durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.  Em 2007, Dantas superou a concorrência da Rede Record e comprou 51% das ações da editora Três, que estava à beira da falência.

O banqueiro tem uma trajetória de proximidade com outros partidos de direita como o DEM, sobretudo com o falecido político baiano Antonio Carlos Magalhães. Também foi sócio do publicitário tucano Nizan Guanaes. Por diversas vezes, foi alvo de investigações e respondeu a crimes como espionagem e formação de quadrilha. Quando estava à frente da Brasil Telecom, foi acusado de contratar a empresa Kroll para espionar a Telecom Italia.

Sindicato diz que sabia da produção de reportagem de Cabrini sobre drogas

Em nota oficial, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJPSP) informa que tem conhecimento de uma grande reportagem investigativa que está sendo produzida por Roberto Cabrini, repórter da TV Record, sobre tráfico de drogas. A direção de entidade diz acreditar em sua inocência e afirma que sua detenção é um equívoco.

Leia a nota na íntegra:

“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo informa que recebeu nesta quarta-feira (16/04) 'comunicado à imprensa' emitido pela direção da Rede Record de Televisão referente à detenção do jornalista Roberto Cabrini.

Os diretores do Sindicato vêm a público afirmar que tinham conhecimento, por depoimentos de trabalhadores e diretores desta entidade que atuam na emissora, que o jornalista estava trabalhando há cerca de um ano em uma grande matéria investigativa sobre tráfico de drogas.

Neste sentido, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo acredita na inocência do jornalista Roberto Cabrini e entende ser sua detenção um grande equívoco.

Acreditamos que o caso será plenamente elucidado pelas autoridades, a justiça restabelecida e a liberdade de imprensa garantida.”