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Preço e infra-estrutura limitam a inclusão digital, diz presidente do Conselho Consultivo

O preço alto e a falta de estrutura para acesso à banda larga são os principais obstáculos à inclusão digital no País, segundo afirmou nesta terça-feira o presidente do conselho consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Vilson Vedana. Em audiência pública na Comissão Especial de Redes Digitais de Informação, Vedana criticou as tarifas cobradas pelas operadoras de telecomunicação. "O serviço de banda larga não custa o que as teles cobram da população", garante.

A comissão especial foi criada para analisar o Projeto de Lei 1481/07, do Senado, que torna obrigatória, até 2013, a universalização do acesso a redes digitais de informação em escolas de todo o País. Na reunião de hoje, Vilson Vedana criticou também a destinação prioritária das verbas do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicação (Fust) para a compra de computadores e a instalação de internet nas escolas públicas.

Segundo ele, só acontecerá a verdadeira inclusão digital no Brasil quando o acesso à banda larga for universalizado. "Internet nas escolas é um instrumento pedagógico. Telecentros são indispensáveis, mas a maior contribuição que o Fust pode dar à educação é conectar alunos e professores em suas residências", concluiu.

Redes autônomas

Na mesma audiência, o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando de Souza, argumentou que, enquanto as operadoras de telecomunicação não oferecem o serviço, os municípios deveriam ser autorizados a desenvolver redes autônomas de banda larga. Souza relatou a experiência de Piraí, município do sul do Rio que instalou uma rede pública de acesso à internet há seis anos, e criticou a legislação atual, que dá apenas a empresas o direito de instalar redes de internet. "Redes de tecnologia são as estradas do futuro e a lei precisa avançar; o País precisa resolver essa questão, levar essa ferramenta para toda a população", ressaltou.

O vice-governador defendeu a criação de linhas de financiamento para que os municípios possam comprar computadores e instalar redes de acesso à internet. "Os computadores representam uma revolução no ensino e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não tem uma linha de financiamento para a educação", observou.

Novas estratégias

O secretário de Educação a Distância do Ministério da Educação (MEC), Carlos Bielschosky, lembrou que o Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo) tem como meta levar a banda larga a 86% dos alunos da rede pública de ensino até 2010. Segundo ele, o uso de tecnologia nas escolas é importante porque ajuda na alfabetização digital, promove novas estratégias pedagógicas e estimula a autonomia dos estudantes.

Ele destacou que o ProInfo inclui a instalação de infra-estrutura, capacitação de professores e produção de conteúdos: "Não adianta colocar infra-estrutura e construir laboratórios se não houver capacitação."

Dada.net propõe fim do DRM para acabar com pirataria

Para acabar com a pirataria no negócio de música digital, Massimo Ciociola, diretor geral para mercado ibérico e América Latina da Dada.net, propõe justamente o fim da restrição tecnológica criada para impedir que as músicas sejam transferidas ilegalmente para outros dispositivos. A Dada é uma das principais empresas desenvolvedoras de plataformas para distribuição de música pelas redes de celular.

O raciocínio de Ciociola é o seguinte: hoje as pessoas recorrem às músicas piratas, que não têm DRM, porque depois podem ouvi-la em qualquer device. "O DRM é uma forte limitação para o mercado", diz ele. "O fim do DRM no PC é o único jeito de acabar com a pirataria", completa.

Ciociola fez uma comparação entre as diversas ofertas de músicas disponíveis hoje tanto para internet quanto para o celular. Com relação ao modelo de negócio, ele entende que o provedor de serviço pode optar por cobrar por download ou cobrar assinatura de acordo com a conveniencia para o usuário.

Na opinião dele, o mercado de ringtones está evoluindo para se tornar um mercado de loja de músicas compatíveis com múltiplas plataformas e devices. Outra tendência identificada pelo executivo é o contexto social e o conceito de comunidades que devem integrar também o negócio de música.

Anatel dará explicações ao Conselho Consultivo no dia 30

A polêmica em torno da ausência da cláusula de reversibilidade do backhaul nos termos aditivos dos contratos do STFC promete não dar refresco à Anatel tão cedo. A próxima reunião do Conselho Consultivo da agência, marcada para o dia 30 de maio, última sexta-feira do mês, tratará da questão, entre outros assuntos. O encontro pode render uma recomendação à Anatel sobre o fato, como um pedido de mudança no texto dos contratos para que a reversibilidade fique clara. Esta é apenas uma hipótese por enquanto e dependerá das explicações da agência reguladora sobre o motivo de extirpar a cláusula que tratava do assunto nos contratos assinados com as concessionárias.

A importância do encontro se dá também pelo fato de que o Conselho Consultivo pediu explicações formais à Anatel sobre os motivos que levaram à optar por um contrato sem a reversibilidade explícita no texto. No dia 30, deverá participar do encontro um representante da agência reguladora, provavelmente um funcionário da área técnica, para prestar os esclarecimentos solicitados pelo grupo consultivo. A presidência da Anatel ainda não definiu quem será enviado à reunião, mas o presidente do Conselho Consultivo, Vilson Vedana, espera que seja alguém bem inteirado das decisões tomadas pela agência.

Vedana admite que é improvável que o próprio presidente da autarquia, embaixador Ronaldo Sardenberg, compareça ao encontro. Mas ressaltou que foi solicitada a presença de uma "autoridade" da agência, alguém que responda em nome do órgão e tenha conhecimento dos motivos que levaram à decisão de retirar a cláusula. O encontro será aberto para o público na sala de reuniões do Conselho Consultivo, localizada no 10º da sede da Anatel, às 10h.

Na mesma reunião será dada posse ao novo membro do conselho, o advogado Walter Faiad de Moura, que assumirá uma das duas vagas representativas dos usuários. O grupo também irá deliberar sobre as contas da agência e, sobre este tema, é aguardada a presença da superintendente-executiva da Anatel, Simone Cossetin Scholze.

A polêmica em torno da reversibilidade ou não do backhaul começou dentro do Conselho Consultivo, quando a conselheira Flávia Lefèvre constatou que a agência reguladora assinou aditivos aos contratos do STFC sem a cláusula que esclarecia que a nova rede entraria na lista de bens retornáveis à União.

O Ministério das Comunicações e a Anatel defendem que a cláusula – prevista na proposta de alteração contratual que foi à consulta pública – era desnecessária, uma vez que o decreto que altera o PGMU para a criação do backhaul como uma meta de universalização já prevê que a rede é "de suporte ao STFC para o provimento de banda larga". Assim, no entendimento do Minicom e da agência, o backhaul faz parte da lista de bens reversíveis. 

Igreja Universal entra na Justiça contra colunista da Folha

Depois de 89 ações movidas contra a Folha de S.Paulo e a jornalista Elvira Lobato por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), que se sentiram ofendidos com matéria publicada pelo jornal e assinada pela repórter, a Igreja voltou a ajuizar uma ação contra a Folha e, desta vez, contra o jornalista Fernando de Barros Silva, editor do caderno "Brasil" e colunista da publicação.

Segundo informa a Folha, o motivo seria o artigo "Fé do bilhão", publicado em 17 de dezembro de 2007, que em alguns trechos teria "ofendido a honra" da Iurd. Na coluna, publicada apenas dois dias depois da matéria de Elvira Lobato, de título "Universal chega aos 30 anos com império empresarial", Fernando Barros Silva comentou a reportagem e disse que a Iurd "trata de cuidar do milagre da multiplicação – não dos peixes, mas da fortuna alavancada pelos dízimos de seu rebanho", e cita os bens acumulados pela Igreja desde a sua fundação.

Para a Universal, de acordo com o pedido de indenização, "a matéria veiculada constitui-se meio para transmitir falsa impressão da realidade", e "a ofensa é lançada de maneira dissimulada, tudo para desnaturar os propósitos institucionais da autora – esperados de qualquer entidade religiosa, qual seja, prestar assistência espiritual sem fins lucrativos".

A Iurd pede indenização por danos morais, de valor a ser decido pela Justiça. Quanto às 89 ações movidas contra Elvira Lobato e contra o jornal pelos fiéis da Igreja, 33 já foram julgadas, todas favoráveis ao jornal.

Interesses opostos movem retomada de Conselho de Comunicação

Esvaziado desde dezembro de 2006, quando realizou sua última reunião, o Conselho de Comunicação Social (CCS) tem sido lembrado ultimamente por conta da grande quantidade de pautas que se acumulam sobre o setor das comunicações no Congresso Nacional e que não foram apreciadas pelo órgão. Convergência tecnológica, TV pública, digitalização da radiodifusão, renovação de concessões de rádio e TV, por exemplo, estão entre os temas que deveriam ter sido objeto de análise do CCS.

A questão ganhou novos contornos na última semana com o comprometimento do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), de instalar o órgão o mais rápido possível. O anúncio do senador foi uma reação a um pedido da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), que em outros tempos negou, boicotou ou aparelhou o conselho. “Reforçamos que o Conselho de Comunicação é um forte instrumento dentro do Senado para discutir as questões que envolvem o setor”, afirmou Daniel Pimentel Slaviero, presidente da Abert. Já a justificativa do senador Garibaldi para a retomada do CCS, por sua vez, não poderia ser pior: “A imprensa tem sido muito generosa comigo, chegou a hora de agradecer”.

Por trás do pleito das emissoras de rádio e TV está o receio em relação às mudanças decorrentes do avanço das empresas de telecomunicações em um mercado dominado há décadas pelo mesmo oligopólio de radiodifusores. Estes novos agentes possuem um fôlego de R$ 120 bilhões por ano de faturamento, largamente superior ao das emissoras de rádio e televisão e, em tempos de convergência tecnológica, têm provocado grande apreensão nos barões da mídia tradicional. No meio desta disputa, o CCS pode se tornar um espaço importante para amplificar as posições dos radiodifusores.

A defesa da reativação do Conselho, no entanto, não é exclusiva dos empresários. Parlamentares e entidades da sociedade civil se manifestaram recentemente a favor da retomada deste espaço. A preocupação não é só com a próxima gestão, mas com sua composição e funcionamento. A deputada Luiza Erundina (PSB), por exemplo, convocou uma audiência pública para discutir o assunto. O evento, que deveria ter acontecido na última quinta-feira (8), é esperado para o próximo dia 14 e pode, a depender da mobilização social, marcar um novo momento no debate sobre o controle público das políticas de comunicação.

A preocupação destes setores não empresariais é colocar em discussão a necessidade de retomar a idéia de que o CCS se aproximasse gradativamente de um modelo inspirado na Federal Communications Comission norte-americana. Após um início em que se constituiu como espaço de debate sobre o tema apesar de suas limitações estruturais (como o fato de não ser deliberativo), o Conselho foi sendo progressivamente capturado pelos interesses comerciais representados no Congresso Nacional.

Ricardo Moretzsohn, ex-conselheiro pelo Conselho Federal de Psicologia entre 2002 e 2004, lembra que o desempenho do CCS em sua primeira gestão foi razoável, mas mostrou a insuficiência da natureza do órgão. “Havia uma disposição de negociar e a correlação de forças era equilibrada. Focamos principalmente a concentração da propriedade dos meios, regionalização e já desde 2002 a digitalização”.

Já a segunda gestão marcou o retrocesso na instância. “A primeira gestão foi tão positiva que assustou os radiodifusores. Eles manipularam a indicação seguinte com uma canetada do Sarney [presidente do Senado à época]. Na gestão seguinte, cerca de 12 representavam a radiodifusão, com exceção da OAB e da CNBB”, conta Berenice Mendes, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). Berenice, que esteve no órgão por duas gestões, critica ainda a indicação do escritor Arnaldo Niskier para a presidência da CCS. “Niskier tem seus méritos, mas é de outra área, não tinha legitimidade. A segunda gestão foi absolutamente medíocre”, conclui.

A segunda gestão do conselho era tão viciada que chegou a aprovar, por sugestão de Niskier, ainda mais restrições estatutárias para sua atuação, como a exigência de consensos. A deputada Luiza Erundina não acredita que o modelo adotado seja muito relevante. Para a parlamentar paulista, “o conselho tem pouca eficácia. Queríamos um conselho, mas, lamentavelmente, só depois de muito tempo é que o CCS veio a ser instituído. Depende da presidência do Senado, e mesmo a Câmara não demonstra interesse”.

Futuro

Erundina aposta que a audiência pública marcada para esta quarta-feira possa ser um marco para o CCS. Sua preocupação, no entanto, é garantir que ela ocorra antes que o presidente do Senado eleja o novo conselho, pois aí uma alteração em seu caráter seria pouco provável. “Propusemos a audiência porque queremos rever tudo isso. É oportuno e necessário”. Para isso, acredita, a mobilização da sociedade civil é fundamental diante do ambiente hostil de um Congresso povoado por parlamentares conservadores defendendo interesses privados.

“Teríamos que rediscutir o caráter desse conselho. Ele não pode ser meramente auxiliar, tem que ter autonomia. Temos que pensar outro modelo onde a própria sociedade pudesse indicar seus representantes”, afirma Ricardo Moretzsohn. “Sem a efetiva participação social nesse processo, a comunicação continua sendo alvo de interesses escusos, já que o Congresso se tornou apensas um ‘carimbador’ de tudo o que vem do Executivo”, defende Bráulio Ribeiro, coordenador do Intervozes.

Sobre o repentino empenho dos radiodifusores em se retomar o Conselho, Berenice Mendes acredita na tese de que o receio das teles pode lhes exigir a aceitação do CCS como um espaço a ser loteado para assegurar seus interesses. Erundina avalia que as recentes movimentações em torno das pautas da comunicação e estas novas investidas sobre o modelo do Conselho tem preocupado os empresários. “O interesse da Abert existe porque voltamos a mexer nesse assunto, e na própria forma de indicação de seus membros, que deve ser mais transparente e democrática”, afirma a parlamentar.

Histórico

“Esse campo da comunicação no Brasil é onde o filho chora e a mãe não vê. Nada pior do que um filho chorar, quando a mãe não vê. Falta uma mãe”. Essa era a defesa do então deputado constituinte Artur da Távola para a necessidade de implementação de um mecanismo de controle público para a radiodifusão brasileira, e foi com essa perspectiva que o Conselho de Comunicação Social foi pensado à época da Constituinte. Acreditava-se que o CCS seria o meio mais eficaz de se garantir a defesa do interesse público num setor quase completamente dominado pela iniciativa privada. À velha cantilena de que se tentava impor novamente a “censura” se opunha o argumento de que, por ser a comunicação um bem público, deveria, portanto, estar sob responsabilidade da sociedade.

O fato é que a idéia original do CCS foi completamente deturpada nas idas e vindas no Congresso Nacional. De um conselho deliberativo e autônomo, que se esperava nos moldes do Federal Communications Comission (FCC) norte-americano, o CCS saiu como fruto de uma proposta que ninguém assumiu: um conselho auxiliar e meramente consultivo do Congresso Nacional. Diferentemente do FCC, imperou na legislação brasileira sobre o setor o laissez-faire, a completa falta de regulação e a verdadeira liberdade de empresa ao invés do direito à comunicação e à informação do cidadão.

“O Conselho de Comunicação Social seria o órgão onde todas as decisões relativas à comunicação que passassem pelo Congresso seriam tomadas. Mas o lobby dos radiodifusores transformou o Conselho em órgão meramente consultivo, deturpando a intenção original que era a de um efetivo controle público sobre a comunicação social”, diz Bráulio Ribeiro, do Intervozes.

Nem o exemplo dos países desenvolvidos parece comover o empresariado e os legisladores nativos. Inglaterra, Suécia, Holanda, Austrália, França, Alemanha e o já citado EUA dispõem de órgãos públicos responsáveis por regulamentar a comunicação social de seus países. “Ninguém considera o FCC americano um órgão de censura”, afirma Berenice Mendes.

Regulamentação

O processo para que o CCS deixasse de ser letra morta na Constituição e passasse a existir na prática levou ainda mais alguns anos. Apenas em 1991, pressionados depois de uma queda sensível na qualidade das programações, houve a iniciativa de regulamentação do conselho, a partir de proposta do deputado Antonio Britto e sancionada pelo presidente Fernando Collor no mesmo ano.

O formato final do Conselho de Comunicação Social foi proposto a partir de uma reunião entre o FNDC e o empresariado, onde se acordou que a composição do conselho teria treze membros, equilibrada entre as entidades profissionais e do empresariado, além da representação da sociedade civil organizada. Portanto, empresas e sindicatos dividiriam igualmente oito vagas, restando cinco para a sociedade civil.

Ricardo Moretzsohn, do Conselho Federal de Psicologia, acredita que o advento do conselho foi positivo, mesmo não assumindo caráter deliberativo. “Minha expectativa era a de que existisse uma arena da discussão, onde a sociedade estivesse na mesa com os radiodifusores, e que, a partir disso, ganhasse força política e importância”, assume o psicólogo. O fato é que, mesmo regulamentado, seu atrelamento ao Poder Legislativo e, mais ainda, ao presidente do Congresso, prorrogou sua instalação efetiva por mais de uma década.