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Bittar prevê apoio de Lula ao projeto

O relator do Projeto de Lei 29/07,que unifica a regulamentação da TV paga, permite às teles entrar no mercado de audiovisual e cria medidas de proteção ao conteúdo nacional, deputado Jorge Bittar (PT-RJ) está na expectativa de fechar acordo para votação da matéria em breve. Ele ficou animado com o interesse demonstrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela proposta e espera que o governo defina em breve apoio inequívoco ao projeto.

Hoje (quarta-feira, 6/8), primeira reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara depois do recesso, não houve votação, em decorrência da Ordem do Dia no plenário. Bittar disse que aproveitou o recesso para conversar com deputados e representantes dos radiodifusores e produtores em busca de consenso.

Segundo o relator, houve progresso nos debates e a polêmica se resume agora a uma das questões referentes à política de cotas: a limitação da participação de produtores em até 25% da programação. A principal reação vem da Globo, hegemônica na produção de conteúdo no país, que defende que a limitação seja regulada pelo mercado. Os pequenos produtores e independentes receiam que, sem limites, o mercado fique inacessível."Acho que poderemos chegar a um denominador comum", avalia Bittar.

O relator apresentou o projeto no Planalto na última quinta-feira, ao presidente Lula e aos ministros das Comunicações, Hélio Costa, da Cultura, Juca Ferreira (interino), da Casa Civil, Dilma Rousseff,e da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins. Segundo Bittar, o presidente fez diversas perguntas sobre a proposta e ficou impressionado com a qualidade do projeto.

"O presidente Lula deve se reunir com sua equipe para dar uma posição favorável ao projeto logo que retorne de Pequim", disse Bittar.

Audiência para concessões

A CC&T discutiu hoje requerimento para realização de audiência pública para debater critérios para renovação de outorgas das concessões de serviços de radiodifusão. A idéia é discutir o tema com representantes do Executivo, da Anatel, das emissoras, da sociedade civil, do Fórum de Democratização dos Meios de Comunicação e do TCU (Tribunal de Contas da União), antes da votação da renovação de concessão das grandes emissoras, que já estão em apreciação na comissão.

O requerimento também não foi votado por causa do início da Ordem do Dia no plenário. O autor da proposta, do presidente da comissão, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), disse que o assunto é consensual e deve ser aprovado na próxima quarta-feira.

Conectividade é peça-chave para reduzir “abismo digital”

As Lan Houses, os cibercafés e os telecentros têm potencial para eliminar a brecha digital e garantir o acesso das classes mais baixas aos benefícios proporcionados pela internet. A opinião é de Axel Leblois, presidente da World Times, que abriu a programação desta quarta (6/08) no Festival de Tecnologia de Petrópolis.

Respaldado por dados fornecidos pela pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI-br) – TIC Domicílios 2007 – Leblois falou sobre "Mercados para internet para classes C e D" e demonstrou o grande potencial de crescimento nesse setor. Leblois elogiou a experiência brasileira com os telecentros.

"Telecentros podem ser uma solução para esse gap entre as classes mais altas e as classes C e D. Têm uma boa largura de banda. Apenas sugeriria, conforme a pesquisa do CGI mostra, que o governo promova uma certificação para telecentros e Lan Houses, como uma forma efetiva de não apenas alcançar novos usuários, mas também incrementar o uso de aplicações de e-gov. O momento é muito apropriado", aconselhou o executivo.

De acordo com os dados do CGI, as classes menos favorecidas utilizam a internet, principalmente, para comunicação, informação e serviços on-line, educação e e-mail – nessa ordem. Compras, serviços financeiros e aplicações de-gov aparecem no final a lista.

Leblois apontou ainda para o potencial não-explorado das pessoas com discapacidades (visuais, auditivas ou motoras, incluindo as limitações provocadas pela idade), que compõem quase 30% da população mundial.

Segundo ele, esse é um público comumente desprezado, que precisa da tecnologia e, muitas vezes, pode passar mais tempo conectado dos que os demais usuários. "Não se pode colocar uma informação pública na web que não seja acessível", afirmou.

O executivo considera os custos de hardware e licenças de software apenas uma ponta do problema. A conectividade é, para ele, a grande barreira. "Essas pessoas usam a internet da mesma maneira que as demais, então não há por que esperar que aceitem aplicações inferiores ou recursos limitados", completou.

No estudo TIC Domicílios 2007, divulgado em março deste ano pelo CGI, ficou claro que foram os centros públicos de acesso pago, em especial, as "Lan Houses", os grandes pontos de acesso à Internet no país. Em muitas localidades, inclusive, essas unidades substituem o poder público.

O estudo revelou que 49% dos brasileiros acessam à Internet por meio das "Lan Houses". No ano passado, esse número era de 30%. O incremento, admitiu o levantamento, é uma demonstração que essas casas privadas assumiram o papel de incluir social e digitalmente, o brasileiro de menor poder aqusitivo.

Câmara deve realizar audiências sobre renovação de outorgas

Prevista para ser apreciada na reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados desta quarta-feira (6/7), a renovação da emissora da Rede Globo na cidade de Belo Horizonte foi retirada de pauta pelo presidente da comissão, deputado Walter Pinheiro (PT-BA). O parlamentar baiano optou por apresentar requerimento para a realização de uma audiência pública “para discutir os atos do Poder Executivo que renovam as outorgas das concessões de serviços de radiodifusão”. Por conta da sessão no Plenário da Câmara, a proposta foi discutida, mas não votada. A perspectiva do autor do requerimento é que isso ocorra na próxima reunião da comissão.

Segundo Pinheiro, o objetivo da iniciativa é aproveitar o processo de apreciação da renovação de outorgas de cabeças-de-rede, como Globo, Record e Bandeirantes, para retomar a discussão sobre os critérios para este tipo de autorização por parte dos poderes Executivo e Legislativo. Isso se faz mais importante, acrescentou o presidente da CCTCI, em razão das polêmicas recentes sobre o tema e frente às mudanças recentes nos procedimentos para aprovação da continuidade das outorgas para concessionários de rádio e TV.

“Este é um assunto que tem ganho, nos últimos anos, destaque a partir da necessidade de mais critérios e rigor de debate sobre a forma como tem se dado as concessões”, avaliou.

Em 2007, duas iniciativas colocaram o assunto da concessão de outorgas de radiodifusão em evidência. Movimentos sociais e organizações da sociedade civil aproveitaram a ocasião do vencimento das licenças de importantes emissoras no dia 5 de outubro para lançar uma campanha por democracia e transparência nas concessões de rádio e TV. O movimento questionava o processo quase automático de aprovação destas outorgas, criticando a falta de participação e de critérios para a avaliação da atuação de uma concessionária.

Em paralelo, foi formada no âmbito da CCTCI uma sub-comissão com a finalidade de analisar os procedimentos relativos ao tema na Câmara dos Deputados. Como resultado da aprovação do relatório preliminar da sub-comissão, foi alterado o Ato Normativo que disciplinava a tramitação das outorgas de radiodifusão. Uma das inovações foi a previsão de audiências públicas para a discussão dos processos, possibilidade que embasou o pedido do deputado Walter Pinheiro.

De acordo com o parlamentar, os critérios de “interesse público envolvido”, “abrangência do serviço prestado” e “penetração da programação da emissora” exigidos para o uso deste tipo de mecanismo são totalmente justificáveis pela importância que estas emissoras na mídia brasileira.

Na opinião da deputada Luiz Erundina (PSB-SP), que também subscreveu o requerimento, o uso deste instrumento de debate deve-se também ao fato de a população mostrar crescente preocupação com a qualidade e a democracia na mídia brasileira. “Hoje temos sociedade mais atenta, mais mobilizada e mais consciente deste patrimônio, explorado pela iniciativa privada mas que deve atender os reclamos da sociedade.”

Exemplo disso é o fato de o próprio pedido de audiência do presidente da CCTCI ter sido motivado também por um ofício assinado pela Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Rádio e TV (Fitert) e pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

Contrapartidas

Na discussão da proposta, alguns parlamentares expuseram suas expectativas sobre o debate. Para Luiza Erundina, seria salutar convocar representantes das emissoras e de entidades da sociedade civil, sejam aquelas que lidam diretamente com a área sejam outras de grande representação, para debater como garantir que as renovações “se dêem com base em critérios mais rigorosos, com contrapartidas exigidas das concessionárias”. Estes compromissos, acrescentou a deputada, devem estar relacionados aos artigos da Constituição Federal, como a promoção da produção independente e regionalizada e a proibição de atuação em monopólio.

O deputado Fernando Ferro (PT-PE), outro parlamentar que subscreveu o requerimento, comparou o processo com as exigências ambientais feitas pelo Poder Público quando da construção de uma obra de infra-estrutura. “Numa concessão de uso de instrumento público como é canal de comunicação, deveríamos ter algo assemelhado”, propôs. Já Walter Pinheiro destacou a importância de debater como se dará o acompanhamento permanente do Tribunal de Contas da União sobre o uso destas outorgas públicas.

Na avaliação do parlamentar baiano, o debate deve mirar na atuação de maneira mais rigorosa e transparente em relação às concessões comerciais, mas deverá também apontar para a discussão sobre os problemas na aprovação de permissões para rádios e TVs educativas e autorizações para rádios comunitárias. “É importante que tratemos esta questão para que admitamos que problema não ocorre somente nas concessões comerciais”, defendeu.

Para Bráulio Ribeiro, do Intervozes, a iniciativa será um marco para ampliar as possibilidades de participação no processo de concessão de outorgas. Mas para ter efetividade, precisa resultar no compromisso das concessionárias com o cumprimento de determinadas obrigações. “É de suma importância a realização de uma ou mais audiências públicas para debater a renovação dessas concessões que possuem cobertura nacional”, afirma Ribeiro. “Nelas, a sociedade poderá dizer, de forma direta, o que espera de cada concessionário para os próximos 15 anos. É importante que as emissoras se comprometam com percentuais mínimos de produção regional e independente, com os limites impostos pela lei à formação de monopólios, entre outras obrigações que hoje, infelizmente, estão apenas no papel.”

Multiplicidade de opiniões marca consulta do Plano de Atualização da Regulamentação

As contribuições feitas durante a consulta pública da proposta de Plano Geral de Atualização da Regulamentação (PGR) mostram um cenário de pouco consenso entre as diversas empresas de telecomunicações. A diversidade de opiniões não está restrita a uma posição de "grupo" ou "de serviço", como costuma acontecer durante a implementação de novidades no setor. Em muitos itens, é possível encontrar opiniões diversas entre empresas de um mesmo ramo, o que pode ser considerado um indício de que a Anatel ainda terá muito trabalho pela frente para conciliar a implantação da reforma pretendida.

Um dos poucos pontos pacíficos aparece logo no início da lista de sugestões. Boa parte das empresas e associações sugere que a Anatel defina mais claramente os prazos de implementação dos itens citados no PGR, especialmente os de curto prazo. A Telcomp, a Brasil Telecom e a ouvidoria da própria agência reguladora pedem para que fique explicitado no texto que as ações "de curto prazo" serão executadas em até dois anos, como a Anatel têm divulgado nas diversas apresentações públicas que realizou.

No entanto, há quem defenda que alguns ajustes podem ser feitos bem mais rápido. É o caso da Abranet, que sugere a implantação deste conjunto de ações em até nove meses contados da publicação oficial do documento. Já a Intelig sugere que este prazo seja de um ano.

A TIM tem pensamento parecido e pede que a agência crie um pacote de ações de "curtíssimo" prazo, a ser implementado em até 12 meses. Nesse conjunto entrariam a regulamentação da desagregação das redes e um Regulamento Geral de Fiscalização, fora dos planos iniciais da reguladora.

Política?

Uma das contribuições, feita pela EZCOM Consultoria, critica o conjunto da obra apresentada pela Anatel. Aquém do mérito da proposta, a consultoria põe em dúvida se a agência reguladora não está extrapolando suas atribuições ao criar o PGR por conta das características de "política pública" que a proposta possui.

"Os princípios regulatórios, os objetivos e os propósitos estratégicos em que a Anatel se baseou são, na realidade, políticas – que, conforme a LGT, devem ser estabelecidas pelo Legislativo ou pelo Executivo. Cabe portanto verificar se eles (os princípios, objetivos e propósitos estratégicos) atendem a esse comando legal   isto é, se eles foram estabelecidos por quem tem competência legal para fazê-lo", questiona a EZCOM. Para a consultoria, também não está clara a motivação da construção do PGR e o método de escolha das prioridades. Ela diz que deveria ter sido feita uma consulta para definir estes itens ao invés de uma definição unilateral da agência reguladora. A empresa pertence a Ércio Zilli, presidente da Acel, mas as sugestões não têm nenhuma relação com a associação de celulares.

Equilíbrio econômico

Outra crítica que perpassa diversas contribuições é com relação à falta de clareza se as ações afetam o equilíbrio econômico das operações do setor. Além das concessionárias, algumas celulares também se mostraram preocupadas com os impactos financeiros das novas regras. Entre elas está a Claro, que solicitou à Anatel que explique a relevância da execução das medidas e sugeriu que itens lançados na agenda de médio prazo – como a reestruturação da Anatel e a revisão da regulamentação do Fust – sejam transferidos para a lista de curto prazo.

Anatel recebe quase mil contribuições sobre mudanças em regras de telecomunicações

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) encerrou na última sexta-feira (1) a consulta pública sobre o Plano Geral de Atualização da Regulamentação das Telecomunicações no Brasil (PGR) e a revisão do Plano Geral de Outorgas (PGO) contabilizando quase mil contribuições enviadas por e-mail. Ainda não foram computadas as sugestões encaminhadas por carta, fax e nas audiências públicas promovidas.
Foram 552 contribuições para o PGR, que propõe a atualização da regulamentação das telecomunicações no Brasil, e 433 para a revisão do PGO.

Entre as mudanças propostas está a permissão para que uma concessionária de telefonia fixa atue em mais de uma região, o que é proibido atualmente. A alteração vai permitir a fusão entre empresas, como a da Brasil Telecom com a Oi, anunciada recentemente.

A fusão foi um dos principais temas dos questionamentos apresentados pelos usuários, que se mostraram preocupados com as conseqüências da mudança para a qualidade e o preço dos serviços de telefonia. Alguns argumentaram que a fusão de grandes grupos poderia gerar um descaso com os clientes por causa da desregionalização do atendimento.

Também ficou demonstrada a preocupação com a concorrência no setor.

“A concorrência é fator primordial para a melhoria da prestação dos serviços e diminuição dos preços e tarifas para os usuários”, aponta uma das contribuições.

“Não se pode mudar uma lei para atendimento a interesses econômicos privados”, disse outro participante da consulta.
Um dos usuários criticou o apoio do governo para a fusão e questionou o que essa nova empresa poderá fazer em benefício do interesse público. “Esta grande empresa nacional expandirá sua área de atuação para outros mercados, tornando-se uma multinacional, trazendo divisas para o país?”, perguntou.

Além da participação dos usuários, as sugestões foram apresentadas principalmente por empresas de telefonia, entidades ligadas ao setor, entidades de defesa do consumidor, empresas de consultoria e advocacia, além de órgãos do próprio governo.

A consulta pública sobre as mudanças no PGO e no PGR teve início no dia 17 de junho. Além do prazo para o envio de sugestões, foram realizadas cinco audiências públicas para ouvir a população sobre o tema.

A íntegra das contribuições recebidas pela Anatel estão no site da agência.