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Lula defende liberdade de expressão na internet com regras para combater crimes

Durante entrevista a agências de notícias nesta sexta-feira (10), o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a liberdade de expressão na internet, fazendo reflexões a respeito da pirataria, pedofilia e propaganda eleitoral na rede. Lula ressaltou, sobretudo, que é preciso haver regras para o exercício da liberdade, como forma de impedir os crimes cibernéticos.

"Vamos ter cuidado e estabelecer regras para que você não possa fomentar coisas como a pedofilia na iInternet ou outras coisas mais graves. Mas do ponto de vista da comunicação, da liberdade de expressão, temos que agradecer a existência da internet porque ela deixou tudo mais antigo e ultrapassado", declarou. O presidente reconheceu que a facilidade em baixar músicas prejudica as gravadoras de CD e DVD, pontuando que "em algum momento, alguém vai começar a chiar em relação a isso". "Não sei como os donos das produtoras vão sobreviver nesse mundo libertário que a internet possibilita às pessoas", acrescentou.

Segundo publicado pela “Agência Brasil”, ao ser questionado se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi antidemocrático nas ações para limitar a propaganda dos candidatos na web, Lula foi categórico: "Se você fosse candidato e estiver sendo vítima da internet, com certeza você concordaria [com o TSE]. Se você for um cidadão brasileiro ou um presidente da República, que ama a liberdade de expressão e de comunicação, achamos que precisamos cuidar, da melhor maneira possível, para que os meios de comunicação funcionem de forma mais aberta possível e com a maior responsabilidade possível".

Lula revelou, ainda, que quase não acessa a internet, mas que já arriscou baixar músicas. Na ocasião, fez o download de três canções: "Viola Enluarada", de Paulo Sérgio e Marcos Valle, e "O Comedor de Gilete", de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, com a interpretação de Ary Toledo, ambas para presentear o governador do Ceará, Cid Gomes; e outra para dar a Jacques Wagner, governador da Bahia. "Eles que são mais jovens nunca ouviram essas músicas e queria dar a eles", contou.

Apesar de achar a rede mundial de computadores um meio de comunicação revolucionário, Lula afirmou que esse trabalho fica a encargo da assessora Clara Ant. "Quando deixar a Presidência vou acessar tudo que não fiz", disse.

Novo acerto entre BrT e Oi ou oferta de terceiros surgem no horizonte para dezembro

Com a perspectiva concreta de votação do novo Plano Geral de Outurgas (PGO) no dia 16 ou no dia 17, já começam a ser feitas as contas sobre a viabilidade ou não de a Oi ter condições de, dia 21 de dezembro, conforme previsto em contrato, assumir o controle da Brasil Telecom. Ninguém acredita que isso será possível, e já se começa a falar em um acerto bilateral entre as partes para que seja dado mais tempo, até que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dê a anuência prévia para a operação. Formalmente, nenhuma das partes admitirá esta possibilidade, mas há quem diga que ela já é discutida nos bastidores.

O contrato celebrado dia 25 de abril entre Oi e os acionistas da Brasil Telecom prevê que até o dia 21 de dezembro a "condição suspensiva da aprovação prévia da Anatel para a transferência do controle acionário da BrT Part para a Telemar" já esteja resolvida, segundo os termos do fato relevante. Ou seja, o PGO precisa estar alterado e a anuência prévia concedida. Caso contrário, os acionistas controladores da Brasil Telecom recebem R$ 490 milhões (corrigidos desde abril).

Há quem interprete que apenas o PGO precisa estar alterado para livrar a Oi da multa, mas essa interpretação seria um risco jurídico muito grande. A opção seria então renegociar bilateralmente, estendendo o prazo um pouco mais.

Existe, de qualquer maneira, um prazo adicional, até o dia 25 de abril de 2009, previsto para ser utilizado em caso de pendências judiciais que atrasem a aprovação da operação. Há quem avalie que a Oi poderia usar as ações ingressadas até o momento contra o contrato e contra o PGO como argumento para acionar a cláusula que estende automaticamente a um ano o prazo, evitando assim a necessidade de uma renegociação.

A conta que mostra como é improvável que a anuência prévia saia a tempo já foi mostrada por este noticiário: com a aprovação do PGO no conselho diretor, ele vai para o conselho consultivo, que o analisa por 15 dias. Ou seja, no início de novembro o texto vai para o Executivo, e é improvável que o decreto saia em menos de uma semana. Só com a publicação do decreto presidencial é que a anuência prévia pode ser solicitada. Do ponto de vista regulatório, a Anatel até pode concluir a análise em menos de um mês. Resta saber se a agência, nesse caso, vai optar por só dar o sinal verde regulatório depois de uma análise concorrencial, o que levaria mais tempo.

Limbo

O curioso é que se a Anatel mudar o PGO mas não concluir a anuência prévia até dia 21 de dezembro e não houver uma renegociação bilateral que prorrogue o contrato de venda do controle da Brasil Telecom à Oi, pode haver uma situação de limbo.

Nesse caso, não haverá mais uma restrição regulatória à compra de uma concessionária pela outra e nem um vínculo entre BrT e Oi. Embratel, Telefônica ou outras concessionárias, por exemplo, poderiam se candidatar a comprar a Brasil Telecom, tumultuando ainda mais a disputa.

Vale lembrar que foi exatamente isso que aconteceu em 2004, quando a Embratel foi colocada à venda pela MCI. Na época, havia a proposta da Telmex pela empresa, mas as concessionárias brasileiras Brasil Telecom, Telemar e Telefônica criaram o consórcio Calais e fizeram uma oferta que era, financeiramente, superior à da Telmex. A força de convencimento dos mexicanos foi maior, contudo.

Apesar da ‘fila’, Anatel não tem prazo para liberar equipamentos em 2,5 GHz

A decisão do Ministério das Comunicações de realizar o pregão das cidades digitais – ele está agendado para o próximo dia 15 – permitindo que os interessados em prover o serviço utilizem qualquer tecnologia, a partir do uso de equipamentos de radiação restrita na faixa não-licenciada de 2.4Ghz e 5.8Ghz – foi uma deliberação acertada.

A opinião é do gerente geral de Certificação e Engenharia de Espectro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Maximiliano Martinhão, que concedeu entrevista para a reportagem do Convergência Digital. Ele garantiu que a Agência não terá problemas para homologar qualquer equipamento que venha a ser utilizado para a execução do projeto nessas faixas.

Do ponto de vista de equipamentos de radiação restrita na faixa de 2.4Ghz e 5.8Ghz há uma boa oferta no mercado de produtos não-licenciados, mas certificado pela Anatel. "Não vai faltar equipamento para a implantação do projeto. Acredito que a Agência não será empecilho para o funcionamento das Cidades Cigitais", frisou.

Como o foco do edital das Cidades Digitais são localidades com menos de 100 mil habitantes, a idéia é contratar a infra-estrutura; realizar a instalação dos equipamentos e dotar os municípios de cobertura digital. "Quanto mais simples e flexível for o projeto melhor. Neste modelo, as faixas com equipamentos de radiação restrita cabem como uma luva", sugeriu Martinhão.

O gerente da Anatel observou ainda que nessas cidades não existe congestionamento do espectro; os equipamentos não têm problemas de licenciamento e, por fim, não existe a necessidade de solicitar outorga à Agência – o que significa a ausência de pagamentos ao órgão regulador.

No entanto, Martinhão ressaltou que todos os equipamentos que emitem radiofreqüência têm de estar certificados pela Anatel. Sem essa homologação, eles não podem ser usados no país. Isso porque, explica o gerente da Anatel, a certificação garante que eles operam dentro das condições de radiação restrita e com a segurança necessária – sem perigo de interferências em outras faixas.

De acordo com a Anatel, atualmente, existem cerca de 50 transceptores em 2.4 GHz para aplicação em sistemas Wi-Fi, Wi-MASH e aproximadamente 30, em 5.8 GHz, já certificados pelo órgao regulador para as aplicações de Cidades Digitais. Na faixa de 3,5 Ghz, pode se operar o WiMAX já licenciado. Atualmente a faixa é usada pela Brasil Telecom, Embratel e Neovia entre outras.

Com o anúncio da licitação, muitas empresas ficaram preocupadas. Isso porque, neste momento, há um bom número de pedidos de certificação de equipamentos em 2.5 GHz para WiMAX na Anatel. Martinhão explicou que esses pedidos ainda estão em processo de avaliação pela Agência porque existe uma pendência regulatória que deve ser levada em consideração.

De acordo com o gerente, existem duas questões envolvendo a faixa de 2,5GHz. A primeira remete ao ponto de vista da radiofreqüência – considerada já solucionada. Mas a questão da prestação de serviço ainda é considerada"complicada" e sem uma definição ainda concretizada.

Essa faixa de 2,5GHz é atualmente utilizada pelos operadores de MMDS, serviço de Televisão por Assinatura. Indagado se os equipamentos – que aguardam o processo da Anatel – poderiam ser certificados a tempo de as empresas postulantes dessa homologação possam vir a participar do edital – marcado para o dia 15 – Martinhão preferiu dar uma resposta técnica.

Segundo ele, todos os dias entram pedidos de homologação de equipamentos no órgão regulador. "O período para se analisar o processo e proceder na homologação varia em média de 10 a 20 dias", concluiu, deixando claro que a questão da faixa de 2,5GHz não é um problema técnico, mas sim, político.

Minicom: Edital beneficiará municípios sem serviços

Segundo a Assessoria do Minicom, o edital de Cidades Digitais foi feito para os municípios ainda não contemplados por qualquer projeto ligado à infra-estrutura de telecomunicações e ao acesso à banda larga.

Questionada pela reportagem do Convergência Digital, no entanto, se as localidades já beneficiadas por projetos de cidades digitais poderão ser beneficiadas no novo edital, a Assessoria não respondeu diretamente. A posição do Minicom é que não há ainda definição das cidades a serem contempladas na concorrência.

De acordo com o termo de referência, a seleção das 160 cidades digitais no Brasil obedecerá a três critérios: Distribuição paritária de 26 cidades, com a destinação de uma para cada Estado; 34 cidades proporcionais à população de cada Estado; e 100 cidades, proporcionais ao número de municípios de cada Estado.

Ainda segundo o termo, os critérios poderão ser ajustados pela Coordenação Geral de Projetos Especiais da Secretaria Executiva do Minicom de forma que o interesse público e social prevaleça na elegibilidade das cidades atendidas. Também há a preocupação que nenhum Estado seja contemplado com menos de três cidades digitais.

O termo também prevê que, preferencialmente, serão atendidas as localidades com características sociais, econômicas e culturais voltadas para o turismo; para a polarização de negócios e para os ensinos técnico e superior público. Na hipótese de cidades-candidatas apresentarem características similares, a definição para o aporte do recurso será pela tiver o maior índice de vulnerabilidade social.

Sem entidades patronais, terceira audiência pública é ‘a mais produtiva’

Na manhã desta quinta-feira (9), aconteceu em Brasília a terceira audiência pública do grupo de estudos criado pelo Ministério do Trabalho e Emprego para discutir a regulamentação da profissão de jornalista. As entidades patronais não enviaram representação.

Mesmo com a ausência de uma das partes, a reunião foi classificada como “a mais produtiva” pelo representante do ministério Max Monjardim. Ele informa que o Governo vai procurar as entidades patronais para tentar convencê-las a voltar à discussão.

A ausência de representantes do patronato também foi destacada pelo presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade. Mesmo assim, ele considera que a audiência “cumpriu o seu objetivo”. A entidade espera que a decisão do empresariado não interrompa o processo de discussão.

“Com ou sem a participação das entidades patronais, a Fenaj é favorável à conclusão do processo de audiências públicas e à abertura de consulta pública, mas é o ministério que decide”, diz Murillo.

Cerca de 40 pessoas participaram do debate, que contou com as contribuições do presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, Romário Schettino, e do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil seccional DF (OAB-DF), Jomar Alves Moreno.

Schettino defendeu a importância de uma nova regulamentação da profissão, inclusive a exigência do diploma, e lamentou a ausência das entidades patronais.

“É preciso que saia desse grupo um projeto de consenso. Só haverá consenso se todos participarem”, avalia.

O representante da OAB-DF também se mostrou favorável à criação de uma nova regulamentação e à exigência do diploma.

A audiência que estava marcada para esta sexta-feira (10/10) em Belém foi adiada por causa dos festejos do Círio de Nazaré. Em princípio, as outras datas estão mantidas: Rio de Janeiro, 20/10, e São Paulo, 29/10.

Zulu Araújo assume a Funarte e promete diálogo com servidores

Foi publicada nesta quinta-feira (9), no Diário Oficial da União, a nomeação do presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, como presidente interino da Fundação Nacional de Arte (Funarte). Os dois órgãos são ligados ao Ministério da Cultura (MinC).

O novo presidente esteve nesta quinta na sede do órgão federal no Rio e conversou com os funcionários, para se inteirar da atual situação da Funarte.

Em entrevista à Folha Online, por telefone, Araújo disse que quer reestabelecer o diálogo com servidores do órgão. "Minha mensagem para os funcionários da Funarte é que vou reestabelecer o diálogo com todos os setores: dirigentes, técnicos e servidores, além da representação dos servidores."

Araújo ocupa a vaga deixada por Celso Frateschi, que renunciou ao cargo após a denúncia feita pelo jornal "O Globo" de que ele teria favorecido a companhia teatral Ágora, grupo do qual foi fundador e que é dirigido por sua mulher, a cenógrafa Sylvia Moreira, e pelo diretor Roberto Lage.

Funcionários da Funarte comemoraram a saída de Frateschi com festa –com direito a bolo e refrigerante. Apesar desse clima recente de hostilidade, os servidores receberam bem o presidente interino, que chegou com um discurso pacificador.

"Do mesmo modo que o ministro da Cultura Juca Ferreira disse quando ocupou a vaga deixada pelo ministro Gilberto Gil, eu pretendo ouvir, ouvir e ouvir", declarou Araújo.

"Os funcionários me procuraram hoje para se colocar à disposição. Todos me receberam muito bem. Quero fazer uma direção colegiada, como faço na Fundação Cultural Palmares, com a participação de todos, sem abrir mão de minhas responsabilidades."

Araújo afirmou que ficará à frente da Funarte "enquanto for necessário" e previu sua permanência no órgão por cerca de 30 dias, "até o ministro [Juca Ferreira] escolher um titular que contemple todas as propostas da administração do MinC e tenha legitimidade junto à classe artística". Ele disse que não acredita que será esse nome. "Estou muito bem na presidência da Palmares e ainda tenho uma missão a cumprir lá", declarou.

A assessoria da Fundação Cultural Palmares informou à Folha Online que, por enquanto, Araújo não deixa o órgão e acumula as duas funções.

Quem é Zulu Araújo

Baiano formado em arquitetura pela Universidade Federal da Bahia, Edvaldo Mendes Araújo, conhecido por Zulu Araújo, tem 55 anos e acumulou experiência na gestão de programas culturais voltados aos negros.

Entre outros cargos, foi conselheiro do Olodum e assessor especial da Secretaria de Cultura da Bahia. Ele foi responsável pelas atividades de comemoração dos 300 anos de Zumbi, em 1995. Ele assumiu a presidência da Fundação Cultural Palmares em março de 2007, órgão do qual já fazia parte da diretoria desde 2003.