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Aprovado projeto que cria regras para TVs públicas se digitalizarem

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTI) da Câmara dos Deputados aprovou, na tarde desta quarta-feira (29), um projeto que organiza a entrada das TVs públicas nos canais do sistema digital de radiodifusão. O projeto 277/2007, do deputado Inocêncio Oliveira (PR/PE), teve substitutivo favorável do deputado Jorge Bittar (PT/RJ), que acrescentou outros detalhes à proposta.

O texto que seguirá agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) define claramente a faixa de canais que deverão ser designadas, com exclusividade, às TVs do Judiciário, do Legislativo e do Executivo. Ao todo são oito canais, que vão do 60 ao 67 do UHF, e devem atender os canais do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, do Supremo Tribunal Federal, do Poder Executivo, da Radiodifusão Pública, da Educação, da Cultura e da Cidadania. Esta designação de canais deve ser gratuita.

O relator acrescentou ao projeto a possibilidade de veiculação das programações das Assembléias Legislativas estaduais, da Câmara Legislativa do DF e das Câmaras de Vereadores nos canais destinados ao Poder Legislativo. Para poder transmitir sua programação, estas instâncias do legislativo deverão dividir custos de manutenção do canal com o Senado e com a Câmara.

Os canais escolhidos para a veiculação dos canais públicos digitais, no entanto, têm enfrentado problemas de interferência. Como o espectro está bastante congestionado, especialmente em São Paulo, canais já em uso dentro dessa faixa estão enfrentando dificuldades na transmissão. É o caso do canal 69. A TV Brasil, que usa o canal, vem reclamando de interferências em sua programação. Bittar disse hoje que o substitutivo aprovado foi amplamente discutido com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), especialmente em relação ás questões técnicas. A própria agência tem trabalhado na reorganização das faixas já atribuídas em São Paulo para poder acomodar os canais digitais sem o problema de interferência.

Relator no Conselho Consultivo da Anatel não propõe mudanças drásticas no PGO

O parecer do conselheiro Walter Faiad de Moura, que relata a proposta de um novo Plano Geral de Outorgas no Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), não entra em nenhuma grande polêmica. Basicamente, o texto, que será votado no próximo dia 3, ratifica o que foi aprovado pelo Conselho Diretor da agência, com pequenas alterações, e endossa a posição majoritária tomada pela Anatel em relação às principais polêmicas. Segundo documento obtido por este noticiário, Faiad propõe apenas algumas mudanças no texto do PGO.

1) Para o conselheiro, o conceito mais amplo do STFC [serviço de telefonia fixa] existente no PGO atual, que vai além da simples definição das modalidades proposta no novo PGO, seria mais adequada. Para Faiad, a simplificação do conceito de STFC transferiria para a agência essa tarefa, o que ele considera salutar. Mas entende que o PGO não pode deixar de ter uma conceituação pronta e acabada, por se tratar do instrumento que rege a outorga de STFC. Nesse sentido, a proposta de Faiad está em linha com o que quer o Ministério das Comunicações e as concessionárias locais.

2) A outra alteração proposta por Walter Faiad em seu relatório é a reinclusão da referência ao Plano Geral de Metas de Competição no artigo 9º e a obrigação de que ele seja editado no prazo não superior a um ano.

Onde o parecer de Faiad avança um pouco mais sobre temas polêmicos é na questão das recomendações. Aliás, as principais sugestões feitas pelo conselheiro estão justamente no conjunto de seis recomendações genéricas e não necessariamente vinculadas ao prosseguimento do PGO. Ou seja, o governo e a Anatel cumpririam estas recomendações se quiserem. São elas:

1) Reforçar a agência em seu aparato fiscalizatório e em relação à análise dos Procedimentos de Apuração de Descumprimento de Obrigações (PADOs), visando celeridade e efetiva recuperação dos débitos constatados.

2) Que as concessionárias de STFC atendam às metas de compartilhamento de centrais de pontos de controle e presença de interconexão, desagregação de elementos de rede com precificação transparente, desagregação total de elementos e venda de capacidade de rede, na forma de regulamento a ser editado pela Anatel. O conselheiro critica a demora da agência na edição do regulamento de unbundling, aliás.

3) Adequação do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) à percepção real de satisfação do consumidor, com base nos procedimentos do Departamento de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça.

4) Recomendação para que, em caso de fusão entre concessionárias, se mantenha o padrão de qualidade daquela que estiver prestando o melhor serviço em relação, entre outros, aos níveis de atendimento e reclamação.

5) Impedir que as concessionárias de STFC explorem, em sua área de concessão, o serviço de autenticação de usuário acesso à Internet, oferecendo aos provedores preços justos e condições de acesso às redes.

6) Edição do PGMC no prazo de um ano (único item que deve ser incluído no PGO, segundo Faiad).

Ao longo de seu relatório, Faiad faz questão de reforçar o discurso pró-consumidor, com frases contundentes como "a ponta final deste mercado está ocupada por pessoas físicas que precisam ter aumentados, em relação aos serviços de telecomunicações, tratamento consigno e direito de acesso".

Além da regulamentação do unbundling, Faiad cobra da Anatel a definição do Fator X, mas diz que o PGO não pode ser o "repositório de todas as demandas". Ele diz que a proposta de separar empresarialmente a exploração do STFC e do SCM, colocada pelo conselheiro Pedro Jaime Ziller, carece de estudos econômicos e tem a sua legalidade questionada.

Novos conselheiros

Os três novos integrantes do conselho consultivo da Anatel tomam posse na próxima sexta, e devem, portanto, votar na segunda, dia 3. Serão empossados conselheiros Luiz Francisco Tenório Perrone (Brasil telecom), Átila Souto (Ministério das Comunicações) e Luiz Fernando Fauth (Senado).

Funcionários decidem entrar em greve

Em assembléia realizada no início da tarde desta quarta-feira (29) em Brasília, os funcionários da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) decidiram entrar em greve. Segundo informações da Comissão de Funcionários, as rádios que integram o grupo estão apenas tocando música e a TV Brasil funcionando com material que já estava produzido. A direção da empresa nega que a programação dos veículos tenha sido afetada.

Em comunicado interno, a presidente da EBC, Tereza Cruvinel, considera a greve como “intempestiva e intransigente”. Diz ainda que os funcionários “que deixarem de cumprir suas funções sem justificativa apropriada estão sujeitos às regras disciplinares previstas no estatuto da Empresa e na legislação trabalhista vigente”.

Existem duas reivindicações principais: a renovação de acordo coletivo firmado com os empregados da antiga Radiobrás que vence na próxima sexta-feira (31) e a reposição salarial de 7,1%. Em reunião realizada nesta manhã, a direção da empresa aceitou a prorrogação do acordo coletivo por 30 dias para que, nesse período, questões pontuais fossem debatidas, e também a concessão do reajuste, mas pediu que as negociações continuassem na tarde desta quinta-feira.A proposta feita pela direção da EBC foi apresentada para os cerca de 300 funcionários que estavam reunidos em assembléia. Quase todos votaram pela greve.

“Duas propostas foram feitas na assembléia: a de continuar negociando e a de paralisar. Quase todos os presentes votaram pela paralisação. Nós já estamos negociando há muito tempo”, explica o representante da comissão de funcionários Eduardo Mamcasz.

Com a deflagração da greve, a direção retira a proposta de prorrogação do acordo coletivo. Diz ainda que as negociações estão suspensas até o fim da paralisação. Os funcionários voltam a se reunir em assembléia na próxima sexta para decidir pelo fim ou não da greve.

Minicom mostra disposição em realizar Conferência Nacional

Durante o ano de 2007, entidades envolvidas com a luta pela democratização da comunicação realizaram intensa mobilização pela realização de uma conferência nacional para a área. Em outubro do mesmo ano, o Ministério das Comunicações promoveu no Congresso Nacional evento que ganhou o nome de Conferência Preparatória das Comunicações, indicando que tal iniciativa faria parte de um processo de preparação para o evento oficial nos moldes de outras conferências já realizadas pelo governo federal sobre temas como saúde, segurança alimentar e direitos das mulheres.

Ao final da conferência preparatória, representantes do Ministério das Comunicações afirmaram que a pasta estava comprometida com esta causa. No entanto, desde então pouco ou nada foi dito por membros do governo federal sobre a viabilidade da proposta. Algumas declarações, como as do ministro da Secretaria de Comunicação Social do Governo (Secom), Franklin Martins, vinham apontando na direção contrária, sugerindo que tal processo deveria ser convocado pelo Legislativo.

Em uma aparente inflexão, na semana passada o ministro das comunicações, Hélio Costa, afirmou em cerimônia de inauguração da TV Digtal na cidade de Curitiba que sua pasta está comprometida com a realização da conferência. A fala do ministro foi motivada por manifestantes de sindicatos e entidades da cidade que estiveram presentes ao ato com faixas e dizeres pela convocação imediata da Conferência Nacional.

Segundo Costa, sua equipe estaria apenas esperando o final do segundo turno para instensificar as articulações junto ao Congresso, uma vez que o presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), Walter Pinheiro, estava disputando a segunda etapa do pleito na cidade de Salvador. A anuência do Legislativo foi apontada por Costa como condição à realização da Conferência.

Dinheiro para realização

Em entrevista a este Observatório, o consultor jurídico do ministério, Marcelo Bechara, disse que Câmara e Senado têm importância política como co-organizadores do processo mas, fundamentalmente, são aqueles que podem garantir os recursos para concretizar a iniciativa. A CCTCI reservou R$ 20 milhões em seu orçamento no Plano Pluri-Anual 2008-2011 para a Conferência. No entanto, é preciso que estes recursos sejam previstos nas Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovada anualmente pelo Congresso.

"É real que os parlamentares precisam incluir na LOA o dinheiro previsto no PPA para a Conferência, mas isso não exime o governo da responsabilidade de garantir a verba para realizar a conferência. Quando há vontade política, o Executivo aprova no orçamento aquilo que considera importante", coloca Carolina Ribeiro, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

Outro ponto destacado por Bechara é a necessidade de o processo ser amplo, abrangendo municípios e estados para culminar em um evento nacional. Tal formato, que reproduz os modelos das outras conferências do governo federal, vem sendo defendido pela Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação desde seu documento de fundação, em junho de 2007.

"Para as organizações que compõem a comissão, a capilaridade da conferência é fundamental para que o debate seja efetivamente amplo e democrático. A afirmação do governo sobre a necessidade do processo abranger os municípios e estados é positiva, pois acompanha a concepção que vem sendo defendida pela Comissão Pró-Conferência desde sua criação", completa a representante do Intervozes.

Compromisso assumido

Para Celso Schroeder, coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), as falas recentes de Hélio Costa e de outros representantes do Ministério das Comunicações reafirmam disposição já assumida anteriormente mas marcam uma inflexão frente à omissão e ao silêncio sobre o tema que imperaram nos últimos 12 meses. Uma vez recolocado o compromisso por Hélio Costa, continua, é preciso passar das palavras à ação.

"Entendo as sinalizações do ministro como continuidade do compromisso e não acredito que ele estaria empenhado em vão. Estamos apostando nisso, só que o tempo está cada vez mais curto e nós temos que realizar ainda este ano a instalação do grupo do trabalho", pondera o representante do FNDC.

A expectativa das organizações da Comissão Pró-Conferência é que a convocação ocorra o mais rápido possível por meio da publicação de um decreto. Este deve também estabelecer como instância organizadora um Grupo de Trabalho composto por integrantes dos ministérios relacionados ao tema, por associações de empresários e por entidades sindicais, ONGs e movimentos sociais ligados ao assunto.

Próximos passos

Mesmo antes das declarações do ministro, as entidades da Comissão já haviam iniciado a organização de um novo encontro nacional para articular os segmentos, organizações e forças sociais que lutam pela causa. O evento está agendado para o dia 2 de dezembro na Câmara dos Deputados. Além de ampliar a organização dos setores progressistas para aumentar o coro pela realização da conferência, a Comissão irá realizar incursões junto ao Executivo para pressionar pela sua convocação ainda neste ano.

Ministério quer mudar PGO para manter controle sobre características do serviço de telefonia

O governo está preocupado com a tendência que começa a surgir de que o conceito do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) deve ser "atualizado". A possibilidade de que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) embarque nesse pensamento e flexibilize o conceito do único serviço prestado em regime público fará com que o Ministério das Comunicações mexa na proposta de um novo Plano Geral de Outorgas (PGO) redigida pela agência reguladora. A principal alteração será a inclusão do conceito de STFC já estabelecido no plano de outorgas em vigor.

O texto aprovado pelo Conselho Diretor da Anatel contém apenas uma definição geral do serviço, excluindo o detalhamento de como ele é provido e suas características técnicas. Uma característica na definição contida no PGO atual é considerada fundamental pelo governo: a que a prestação do STFC é entre pontos fixos.

Apesar de o texto final da Anatel não falar sobre o método de prestação, a agência reguladora já teria dado sinais de que apóia uma flexibilização no conceito. Antes de ir para consulta pública, a proposta da agência continha o conceito, mas retirava a expressão "entre pontos fixos" da redação.

Segundo fontes governamentais, o conceito mais amplo beneficiaria atualmente a Embratel. Longe de ser uma retaliação aos interesses da concessionária, a preocupação do governo está na divisão de poder com a agência reguladora. O entendimento é que, por ser um serviço prestado em regime público, cabe ao Executivo a definição e conceituação do STFC. À agência reguladora caberia a classificação de serviços privados.

Competência legal

O governo respalda-se não só no atual PGO mas também na própria Lei Geral de Telecomunicações (LGT) para garantir sua prerrogativa de conceituar o STFC. Pelo artigo 18 da LGT, o Executivo pode, por decreto, criar outros serviços públicos. Por uma questão de lógica, se o Executivo pode criar novos serviços públicos, caberia também a ele conceituá-los.

Mas nem todos concordam com esta leitura da legislação. Em seu parecer sobre a proposta de PGO, a procuradoria especializada da Anatel sugeriu a retirada do conceito, daí o texto final ter ficado apenas com a definição mais geral do STFC. O entendimento da procuradoria é que a LGT dá à Anatel o poder de conceituar os diversos serviços e, portanto, esses detalhes da prestação não devem estar contidos no PGO, um documento do Executivo.

"Quanto ao artigo 1º da proposta de revisão, que define o STFC e as diversas modalidades desse serviço, esse dispositivo extrapola o conteúdo delimitado para o PGO, pois o Poder Executivo não tem competência para apresentar essas definições, uma vez que o art. 69 da LGT prevê que cabe à agência a definição das diversas modalidades de serviços de telecomunicações, em função de sua finalidade, âmbito de prestação, forma, meio de transmissão, tecnologia empregada ou de outros atributos", avalia a procuradoria.

Limites do STFC

Outro aspecto que gera preocupações ao deixar com a Anatel a definição do STFC é a possibilidade de se mexer, no futuro, do conceito de "processos de telefonia". É neste conceito que se encontra o limite de velocidade de 64 kbps na transmissão de dados que caracteriza o STFC. O temor é que, sem qualquer provocação do Executivo, a agência altere mais profundamente esses conceitos, mudando assim a natureza da telefonia fixa no Brasil. Para o governo, uma discussão sobre aumentar ou não o escopo do STFC é válida, mas deve ser feita por provocação do Executivo e com a devida consulta à sociedade.

Capital aberto

As tais "gordurinhas" a que o ministro das Comunicações Hélio Costa se referiu ao dizer que poderia mexer no texto do PGO proposto pela Anatel são, na verdade, apenas uma: retirar a obrigatoriedade de que as concessionárias mantenham seu capital aberto. Segundo fontes, manter este artigo (7º da proposta final) seria uma intervenção desnecessária na livre iniciativa, uma vez que já existiriam regras de transparência e gestão aplicáveis inclusive para empresas limitadas ou sociedades anônimas de capital fechado.

A retirada deste artigo também não afetaria as limitações já previstas no processo de desestatização. Quando houve o leilão da Telebrás, as empresas tinham que ter capital aberto para participar da disputa. Foi dentro deste entendimento que a Anatel negou o pedido da Telmex de fechar o capital da Embratel há alguns anos.

Além do mais, se a medida visa dar mais transparência à gestão das concessionárias, existiriam outros meios para o controle das contas destas empresas no âmbito da regulação. O entendimento do governo é que a separação contábil prevista nos contratos e a criação de um modelo de custos são ferramentas regulatórias eficazes para garantir a fiscalização das companhias.