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Hélio Costa diz que quer contrapartidas sociais no PGO

O Ministério das Comunicações vai enviar sexta-feira a minuta do novo Plano Geral de Outorgas (PGO) à Presidência da República, com alterações em relação ao texto aprovado no Conselho Diretor da Anatel (Agência Nacional das Telecomunicações). A principal delas diz respeito a introdução de obrigações sociais, como cobertura de áreas remotas, de fronteira e região rural, no artigo 6º, que trata da atuação obrigatória nas demais regiões, pela concessionária que vier atuar em duas regiões.

"Será uma espécie de contrapartida para autorização de ampliação de sua atuação", disse o ministro Hélio Costa, que apresentou hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma prévia do assunto, em reunião no Palácio do Planalto. "Nós estamos preocupados com a questão social. Nós não queremos que digam que o ministério viu tudo, mas deixou de se preocupar com as questões socias", disse.

A segunda observação do Minicom será no artigo 7º, que trata da expansão das redes pelas concessionárias e da assegurar o acesso isonômico a suas redes. "Essa questão de expansão não cabem no PGO, mas no Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU)", disse Hélio Costa. Com relação a unbundling, ele acha que o Conselho Diretor apenas copiou o artigo 155 da LGT (Lei Geral de Telecomunicações), que trata do mesmo assunto. "Isso já está na lei, não tem porque repetir", justifica.

O Minicom também está estudando a alteração do parágrafo único do artigo 7º, que obriga a concessionária a manter o capital aberto. "O ministério quer recuperar o que determinava o edital de licitação da concessão, mantendo a coerência com o que foi pedido naquela época", disse Roberto Pinto Martins, secretário de Telecomunicações do ministério.

Outra mudança que o Minicom defende, e que já era esperada, é a volta da definição do que é o STFC (Serviço Telefônico Fixo Comutado), que foi tirada do artigo 1º da proposta do PGO da Anatel. O ministro disse que aproveitará a sugestão do Conselho Consultivo da agência, que propôs a restauração do texto do decreto ainda em vigor.

De acordo com Costa, a proposta de alteração do PGO deve ser entregue pela Anatel amanhã de manhã, mas afirmou que já há no ministério um estudo praticamente pronto, feito pelas áreas técnicas e jurídicas.

Ministério quer retirar unbundling e abertura de capital do PGO

As mudanças que o Ministério das Comunicações pretende fazer no texto do Plano Geral de Outorgas (PGO) elaborado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não devem ficar apenas na reinclusão do conceito de STFC, ausente na proposta da reguladora. O ministro Hélio Costa disse nesta quarta-feira (5), que alguns artigos devem ser retirados do texto por fazerem referência a exigências já previstas na base legal do setor. Assim, o Minicom deverá fazer basicamente quatro mudanças no texto da Anatel:

* Inclusão do conceito detalhado do STFC, repetindo o artigo 1º do PGO em vigor (sugestão na mesma linha já foi feita pelo Conselho Consultivo da Anatel)

* Retirada do artigo sobre o unbundling, pois a medida já está prevista na LGT;

* Retirada da exigência de abertura do capital das concessionárias porque essa regra consta do edital de desestatização do setor de telecomunicações; e

* Alteração do artigo 7º, que reforma a exigência de cumprimento das metas de universalização. A idéia do Minicom é tornar o texto mais aderente ao decreto de trocas de metas do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU), que incluiu como obrigação o investimento em backhaul (o Conselho Consultivo também fez sugestão nesse sentido).

Sobre a alteração do artigo 7º, o Minicom não detalhou como ficará a redação final. Talvez o ministério opte por retirar o termo "banda larga" inserido pela Anatel na exigência de cumprimento do PGMU, segundo fontes ministeriais. O texto do PGO ainda não chegou oficialmente no Minicom, mas a expectativa do ministro é que a proposta possa ser encaminhada à Presidência da República até a sexta-feira.

Contrapartidas fora do PGO

O ministro Hélio Costa disse ainda que está preocupado com a questão social e que sua equipe está analisando a possibilidade de inclusão de contrapartidas à união de empresas com este foco. "Não queremos que alguém diga: 'O ministério viu tudo, mas deixou de se lembrar que ele tem preocupações sociais também'", afirmou o ministro.

Essa idéia, no entanto, não deve provocar mudanças no texto do PGO. A proposta do ministério, segundo esclareceu uma fonte, é analisar possíveis contrapartidas sociais que poderão ser negociadas com as concessionárias durante a análise de atos de concentração, e não no Plano Geral de Outorgas, como deu a entender o ministro.

Em termos práticos, o governo sinaliza que, ao analisar a anuência prévia para a compra da Brasil Telecom pela Oi, será colocada à mesa de discussões a implementação de contrapartidas sociais, além de eventuais remédios para equilibrar a concorrência. O Minicom ainda está pensando quais seriam estas contrapartidas, mas há um entendimento de que elas não poderão ser simplesmente impostas às concessionárias, mas sim negociadas.

Método parecido já tem sido usado pela Anatel na validação de licenças de TV paga para concessionárias de STFC. Apesar de não ser uma obrigação, as concessionárias têm aceitado distribuir kits multimídia em escolas públicas ou entidades sociais como contrapartida à autorização da agência reguladora.

Após um ano, TV digital chega a 0,3% da população brasileira

A TV digital atingirá 645 mil espectadores até o final deste ano, quando completará um ano em operação desde sua estréia oficial. O dado, que corresponde a 0,3% da população, foi divulgado nesta terça-feira (4) pelo Fórum SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital), com base nos dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).

O número de 645 mil telespectadores surge da estimativa de venda de receptores. De acordo com a associação, a previsão de vendas até o fim de 2008 é de 150 mil receptores fixos (conversores embutidos ou externos). A associação considera que cada aparelho atinge 3,3 telespectadores e ainda acrescenta nesta conta 150 mil receptores móveis (como de celulares), para os quais se calcula uma pessoa por dispositivo.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, divulgada em 2006 indicam que 93% dos domicílios possuem televisores no país. Para fins de comparação: 42 milhões de pessoas têm acesso a internet (23%), de acordo com pesquisa do Ibope do segundo trimestre deste ano.

As cidades de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia já recebem oficialmente o sinal digital. As próximas a estrear serão Porto Alegre, ainda neste mês, e Salvador, no próximo.

O fórum já confirmou que a transmissão chegará a 2009 sem a interatividade. Isso porque o Ginga, sistema que leva ao aparelho o uso interativo, ainda está em fase de especificação por parte da equipe que colabora com o fórum. Depois, as especificações para a tecnologia ainda precisam ser aprovadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

A previsão mais otimista é que a interatividade funcione em algum momento do próximo semestre.

A reportagem entrou em contato com o Ministério das Comunicações, que não quis se pronunciar sobre os dados.

Entidades do PR e MG definem ações pela Conferência Nacional de Comunicação

Uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Paraná e o lançamento de uma Comissão formada por entidades da sociedade civil em Minas Gerais foram dois recentes movimentos para fortalecer a luta pela convocação da Conferência Nacional de Comunicação. Movimentos sociais de todo o país preparam-se para o Seminário Nacional a ser realizado em dezembro, que definirá estratégias de ação unificada pela democratização da comunicação.

A audiência pública na Assembléia Legislativa do Paraná aconteceu no dia 28 de outubro e definiu estratégias locais de mobilização. A mesa de trabalhos da audiência pública foi composta pela presidente do Sindicato dos Jornalistas do Paraná e Vice-presidente Sul da FENAJ, Aniela Almeida, pelos deputados estaduais Péricles Mello e Tadeu Veneri (ambos do PT), pela jornalista Rachel Bragatto, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social -, pelo presidente da CUT-PR, Roni Anderson Barbosa, e pela representante da Coordenação dos Movimentos Sociais de Curitiba, Maria Izabel Machado.

Entre as ações apontadas na audiência definiu-se a minuta de uma moção de apoio à convocação da Conferência a ser encaminhada para aprovação Assembléia Legislativa e posterior encaminhamento ao governo federal, a quem cabe o chamamento da Conferência, um pedido de audiência com o governador Roberto Requião para que ele convoque uma Conferência Estadual de Comunicação como prévia à nacional e a criação do Comitê Paranaense Pró-Conferência Nacional de Comunicação.

Já em Minas Gerais, no dia 23 de outubro foi lançada, na sede do Conselho Regional de Psicologia, a Comissão Mineira Pró-Conferência Nacional de Comunicação. O lançamento foi veiculado pela TV Comunitária de BH e por outras TVs comunitárias do Brasil. O programa/reunião também foi veiculado ao vivo pela Rádio FAE (web) com link para aproximadamente 60 repetidoras.

A Comissão realizou sua primeira reunião nesta segunda-feira (3), na sede do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais. Foram discutidas as formas de organização e participação das diversas entidades no movimento, a construção de um Seminário Estadual e a participação no seminário nacional a realizar-se em Brasília no dia 02 de dezembro. Os participantes debateram, também, estratégias para a realização de conferências municipais e da Conferência Estadual, com foco na Conferência Nacional de Comunicação.

BNDES não irá interferir se anuência da Anatel para a negociação atrasar

Pelo menos oficialmente, a Oi terá que correr sozinha para conseguir, até 21 de dezembro, a anuência da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para comprar a Brasil Telecom sem ter que pagar a multa milionária prevista no contrato de acionistas assinado em abril. O chefe do Departamento de Telecomunicações do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Alan Fischler, descartou nesta terça-feira (4), qualquer ajuda da instituição para que a Oi consiga cumprir o prazo do negócio.

"Acho que dá tempo de a Anatel conceder a anuência prévia. Mas se por ventura isso não ocorrer, as empresas terão que resolver isso, já que o BNDES não pode interferir", comentou o diretor. Fischler participou do Fórum de Telecomunicações, realizado pela Câmara dos Deputados para debater o futuro do setor.

Para ele, o negócio entre a Oi e Brasil Telecom tem tempo hábil para ser concluído antes do prazo determinado no acordo. Fischler fez questão de frisar que o banco não financiou a compra da Brasil Telecom pela Oi; a entidade apenas financiou uma reestruturação na Telemar Participações.

Na opinião dele, mesmo com a crise financeira, o negócio ainda é viável, mas quem tem que avaliar isso são as empresas. Fischler disse que mesmo num cenário catastrófico, em que a operação não saia, a reestruturação na Telemar já aconteceu, que é o mais importante para o banco. O negócio entre a Oi e a Brasil Telecom foi fechado pelo valor de R$ 5,86 bilhões. Os recursos do BNDES para a reestruturação acionária da Telemar foram de R$ 2,569 bilhões.

PGO

Sem apresentar maiores detalhes, o conselheiro da Anatel, Antônio Domingos Bedran, que também participou do Fórum, informou que o trâmite do Plano Geral de Outorgas (PGO) deve ser rápido a partir de agora. "O Conselho Consultivo da agência deverá remeter o processo ao Conselho Diretor com sua manifestação. Em seguida a agência encaminha o documento como um todo ao ministro das Comunicações", informou.

Outro participante do evento, Antônio Carlos Valente, presidente da Telefônica, disse que a empresa está muito tranqüila em relação às deliberações do PGO e que as sugestões apresentadas pelo Conselho Consultivo contribuem para a robustez do plano. "São aperfeiçoamentos que só contribuem para que todos do setor tenham mais tranqüilidade e segurança para os passos que serão dados adiante", opinou.

PGMC

Ao comentar a criação de um Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), Valente disse que o novo plano será um instrumento adicional para o setor e poderá trazer mais segurança para as empresas, já que ele estabelece com clareza quais serão as regras. "Nós somos defensores de infra-estrutura e, desde que existam medidas que organizem o mercado e façam com que haja mais investimentos e desenvolvimento, podem contar com nosso apreço", comentou.