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Abril quer que projeto garanta competitividade

O diretor comercial dos canais Abril, Ricardo Rhan, defendeu há pouco um limite de 30% à concentração do mercado de TV por assinatura. A medida, segundo ele, deveria constar do Projeto de Lei 29/07 , em análise na Câmara. Rhan participa de audiência pública para discutir a proposta na Comissão de Defesa do Consumidor. "Hoje, Net e Sky juntas possuem 80% do total de assinantes do mercado de TV por assinatura, ambas têm um sócio em comum (a Globo)", denunciou.

Ele alertou ainda para a concentração em todos os elos da cadeia produtiva do setor: produção, programação, empacotamento e distribuição. "Um único grupo econômico domina todos os elos da cadeia. Na programação, os canais da Globosat têm a maior base de assinantes. O programador dominante, portanto, é do mesmo grupo que controla o acesso à distribuição", explicou.

O PL 29/07 permite que as teles ingressem no mercado de TV por assinatura. O diretor da Abril ressaltou que essa medida deveria vir acompanhada de garantias de competitividade. "Em nenhum setor podemos conviver com uma situação dessas. É como se no setor de viação aérea, uma empresa que tem como sócios TAM e Gol controlasse 80% do mercado."

A audiência ocorre no plenário 4.

Seminário discute direito autoral de olho na economia da cultura

Francisco Simplício, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), afirmou que o direito autoral passa por um momento especial no cenário internacional, o de debater. “Direitos Autorais é uma força motriz para alavancar o desenvolvimento nos países”, defende Simplício. A declaração foi feita na abertura do Seminário Internacional sobre Direito Autoral, realizado em Fortaleza (CE) a partir desta quarta-feira (26) até sexta (28).

O evento integra a série de encontros promovido pelo Fórum Nacional de Direito Autoral e encerra o ciclo de debates sobre o tema, promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) neste ano. Além do PNUD, o encontro é promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).

Simplício também citou a presença do assunto na plataforma para os países em desenvolvimento da PNUD e chamou atenção para a importância da arrecadação dos direitos autorais para a economia dos países – ainda que eles não sabiam ao certo para onde vai o dinheiro. Dados do relatório de “Economia Criativa” de 2008, publicado em parceria de vários organismos internacionais, apontam crescimento do setor de 8,7% ao ano entre 2000 a 2005.

A posição foi reafirmada pelo representantes da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), Alejandro Roca Campañá. Para ele, o setor mais dinâmico da economia mundial é a Economia da Cultura, além de ser também o que mais cresce no mundo.

Segundo o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o Brasil está rediscutindo vários assuntos, mas ainda exista uma cota de problemas chamados “casa de marimbondo”, porém, para ele, não há como desviar da discussão dos direitos autorais. “No Brasil estamos evoluindo para além da economia tradicional, e o país pode ser emergente com uma grande economia da cultura”, avalia o ministro.

Ferreira também pondera a respeito da importância do Seminário no sentido de preparar os atores para esse crescimento. O MinC, desde dezembro de 2007, realiza encontros periódicos em diferentes capitais do país para levar o debate sobre a reformulação da legislação. “A lei que regulamenta atualmente o direito autoral é ultrapassada, foi importante na época em que foi elaborada, mas é de quando nem existia o videotape", lamenta. O desafio, para ele, e criar estruturas de apoio à "capacidade criativa do povo”.

Estiveram presentes na mesa, além do ministro Juca Ferreira, Alejandro Roca Campañá e de Francisco Silício, Francisco Pinheiro, representado o governador do Ceará, Cid Ferreira Gomes, e a secretaria de Cultura de de Fortaleza, Maria de Fátima.

Fórum

Em 2009, o MinC promete dar continuidade as discussão sobre o assunto, com mais dois seminários e oficinas de trabalho sobre o tema. As informações sobre datas e locais podem ser consultadas no blogue do Fórum Nacional de Direitos Autorais.

* A reportagem viajou a Brasília a convite do Ministério da Cultura.


Subcomissão mira parlamentares donos de rádio e TV

Se depender dos próximos passos planejados pela Subcomissão de Radiodifusão da Câmara, deputados e senadores não poderão mais ser donos ou sócios de rádios e TVs em todo o país. A presidente da subcomissão, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), confirmou ao Congresso em Foco que vai propor uma emenda constitucional ou até mesmo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) para fazer valer o que prevê a Constituição de 1988.

De acordo com o artigo 54 da Constituição Federal, deputados e senadores não podem ter participação nesse tipo de empresa, concessionária da administração pública. Na prática, até mesmo colegas da deputada na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), à qual a Subcomissão de Radiodifusão está subordinada, descumprem a Constituição.

Como revelou este site em março deste ano (leia mais ), um em cada cinco deputados da CCTCI tem ligações com emissoras de rádio ou TV. Dos 76 membros (titulares e suplentes) do colegiado, que tem o poder de analisar e aprovar projetos de outorga e renovação das concessões dos serviços de radiodifusão, 16 mantêm relações diretas ou indiretas com veículos de comunicação.

Junto com a relatora da subcomissão, deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), Erundina quer acabar com as discussões sobre a legalidade das concessões dos parlamentares e as interpretações sobre o artigo 54. Para conseguir organizar as mais de 100 propostas sobre a regulação do setor que tramitam na Câmara, a deputada também já decidiu pedir nova prorrogação dos trabalhos até o fim do ano legislativo.

Margem para desvio

"Há dúvidas na interpretação do artigo. E é isso que dá margem a esses desvios. Temos que criar essa vontade política. E essa vontade política precisa ser criada de fora para dentro e não aqui dentro", avalia a deputada do PSB ao ser questionada sobre a viabilidade da proposta diante do corporativismo e do interesse direto de seus colegas concessionários. "Eu acho que o artigo precisa ser cumprido. Esse será um ponto muito importante do meu relatório", avisa Maria do Carmo Lara.

E enquanto não dão a cartada final sobre o fim do apadrinhamento político na radiodifusão nacional, as deputadas pretendem tomar duas medidas nunca antes vistas na Câmara. A primeira delas é um pedido de auditoria, que deve ser entregue nos próximos dias ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o processo de concessão e renovação de outorgas de rádios e TVs na própria Câmara.

"Já estivemos com os auditores que devem mapear a rede de rádios comunitárias, todas as denúncias de irregularidades, ilegalidades e apadrinhamento político. O Tribunal já disse que vai acolher nosso pedido e dentro dos limites do prazo para ser aproveitado no relatório final da subcomissão", explica Erundina.

Em junho deste ano, a CCTCI aprovou o Ato Normativo nº 1, que promete reformular o processo de concessão na Câmara. Segundo a presidente da subcomissão, a medida ainda não mudou o modo como o Ministério das Comunicações envia os processos ao Legislativo. O artigo 7º da norma interna prevê que essa auditoria do TCU seja realizada anualmente.

"O poder Executivo não incorporou as sugestões do ato normativo, mas nós fizemos indicações claras do que dever ser feito. Talvez o tempo ainda seja curto e vamos dar um voto de confiança. Mas vai depender também de se fazer uma pressão para que essas inovações, que não são tão grandes, comecem a engrenar e dar maior transparência ao processo", afirma Erundina.

Controle social

Para aumentar o controle social sobre o processo, o artigo 8º do ato normativo prevê a criação de um sistema público de informações. Segundo o texto, o mecanismo deve permitir "acesso facilitado a dados sobre processos de apreciação dos atos de outorga e renovação de concessão, permissão ou autorização submetidos à apreciação da Câmara dos Deputados".

De acordo com a presidente da Subcomissão de Radiodifusão, o departamento de informática da Câmara está na fase final de criação de um software para dar transparência na tramitação dos processos e instalar a consulta na página da CCTCI na internet.

O Ministério das Comunicações retirou de seu site a base de dados que possibilitava a consulta ao Relatório de Sócios e Dirigentes das Entidades de Radiodifusão. Oficialmente o ministério informa que a busca deverá “ser realizada através do link http://sistemas.anatel.gov.br/siacco/ , onde os dados são atualizados periodicamente”.

O novo sistema, segundo entidades do setor ouvidas pelo site, diminuiu a transparência, pois a pesquisa só pode ser feita a partir do nome da emissora ou do seu número de cadastro na Receita Federal. O Congresso em Foco entrou em contato com o Ministério das Comunicações, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição sobre a mudança no processo de consulta na internet e as declarações da deputada Luiza Erundina.

Mas, mesmo com um longo caminho pela frente e a resistência dos parlamentares concessionários de rádio e TV, há quem acredite na viabilidade das mudanças propostas pela subcomissão. “A eficiência das medidas têm sido supreendentemente positivas do ponto de vista político, o que era inimaginável antes da criação da subcomissão", acredita Venício A. de Lima, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília (UnB).

Estudo realizado por Venício no Projor, a entidade mantenedora do “Observatório da Imprensa”, mostrou que na legislatura passada integrantes da CCTCI donos de emissoras de rádio votaram na renovação das suas próprias concessões. O caso gerou, recentemente, uma representação ao Ministério Público Federal que ajuizou cinco ações civis públicas contra quatro ex-parlamentares e um deputado licenciado.

Suspeita de favorecimento

O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF), que propôs as ações no último dia 23 de julho, argumenta que "houve favorecimento pessoal nas concessões, uma vez que os parlamentares – sócios das empresas – participaram das votações em que foram analisados e deferidos os pedidos de concessão e renovação dessas outorgas".

Os processos tramitam na Justiça Federal no Distrito Federal. Os procuradores da República pedem, em caráter liminar, a suspensão imediata das concessões. No mérito, o pedido pretende anular definitivamente as outorgas. As empresas, segundo o MPF, podem ser condenadas a pagar multa por dano moral e os ex-parlamentares podem ainda ser processados por improbidade administrativa.

Os ex-deputados denunciados são: João Mendes de Jesus (sem partido-AL), apontado como sócio-diretor da Alagoas Rádio e Televisão (Maceió); Wanderval Santos (PL-SP), identificado como sócio da Rádio Continental FM (Campinas), Corauci Sobrinho (PFL-SP), sócio da Rádio Renascença (Ribeirão Preto), e João Batista (PP-SP), associado à Sociedade Rádio Atalaia de Londrina. A denúncia também se estende ao deputado licenciado Nelson Proença (PPS-RS). O atual Secretário de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais do Estado do Rio do Grande do Sul é relacionado pelo MPF como sócio da Emissoras Reunidas, de Caxias do Sul.

O levantamento feito pelo professor Venício A. de Lima, publicado pelo Congresso em Foco (leia mais ) ainda em 2005, também mostrou que 49 deputados da legislatura passada eram concessionários diretos de emissoras de rádio e TV, conforme dados oficiais do Ministério das Comunicações. Dos 81 senadores, 28 controlavam emissoras de rádio ou TV, em nome próprio ou de terceiros, de acordo com pesquisa feita pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom) (leia mais ). Ainda não há dados atualizados sobre a atual legislatura.

Telefónica de España quer a TIM, diz jornal italiano

O jornal italiano "Il Sole 24 Ore" noticiou que a Telecom Italia estuda vender a TIM Brasil ao grupo espanhol Telefónica, que já é acionista controlador da Vivo, maior empresa de telefonia celular do Brasil em número de assinantes e concorrente da TIM. A notícia surpreendeu executivos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) porque a Telefónica também é acionista da Telecom Italia, participando indiretamente da TIM Brasil.

As subsidiárias da TIM e da Telefónica no Brasil não confirmaram nem desmentiram a notícia. Limitaram-se a dizer que não comentam rumores.

No entanto, a compra da TIM pela Telefónica é dada como certa no Brasil e no exterior. Um diretor de uma operadora nacional afirmou, sob a condição de sigilo, que na sua estratégia de expansão o negócio sempre foi tratado como um fato que seria consumado.

Para ele, chegou-se a um momento decisivo, já que o endividamento da Telecom Italia -cerca de 2,8 vezes o seu Ebitda (lucro apurado antes do pagamento de juros, impostos, amortizações e depreciações)- cria barreiras para a ampliação de seus investimentos na Europa nos próximos cinco anos. Esse plano precisa ser anunciado aos investidores antes do final deste ano.

Com a crise financeira, que fez secar as fontes internacionais de financiamento, a opção de venda da TIM Brasil ganhou força.

A legislação brasileira permite a compra da TIM desde que a Telefónica abra mão de sua participação na Vivo. Pelas regras, não é possível ter mais de uma companhia na mesma área de cobertura. Mas as operadoras consideram que há chances de mudanças na regra, como ocorreu para a Oi comprar a Brasil Telecom.

Em fevereiro deste ano, o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, afirmou que, na esteira da atualização do Plano Geral de Outorgas (PGO), que define o marco regulatório para as concessionárias fixas, haveria também uma revisão das regras para a telefonia móvel.

Até o fechamento desta edição, a Anatel não informou se havia pedido formal de revisão das regras pelas empresas, um dos pontos de partida para que a atualização seja avaliada.

Na última sexta-feira, o presidente Lula decretou o novo PGO, permitindo a compra da Brasil Telecom pela Oi. A divulgação, cinco dias depois, da suposta venda da TIM à Telefónica é vista como um indicador de que os espanhóis podem reivindicar o mesmo tratamento.

Segundo o jornal italiano, a Telecom Italia quer 7 bilhões pela TIM, e o Conselho de Administração do grupo fará duas reuniões em 2 de dezembro: uma para discutir a venda da TIM e outra para aprovar o plano de negócios do grupo e a venda de outros ativos.

Em abril de 2007, a Telefónica pagou 4,1 bilhões pela participação no controle acionário da Telecom Italia, mas, como tem a Vivo no Brasil, está impedida pela Anatel de interferir na gestão da TIM. Por isso, os representantes da Telefónica não participarão da reunião que tratará da venda da TIM.

Analistas de telecomunicações vêem sentido na suposta negociação. Julio Püschel, do Yankee Group, diz que não há convergência de atuação entre a Vivo e a Telefônica. Na América Latina, a oferta de pacotes integrados de telefonia celular, TV paga e acesso à internet ocorre com a Movistar (operadora móvel).

A Folha apurou que, no Brasil, essas ofertas emperram em negociações com os sócios da PT (Portugal Telecom) na Vivo. Há vários anos, especula-se sobre o interesse da Telefónica em comprar a participação dos portugueses, mas eles não abrem mão do negócio, que representa 40% do faturamento mundial da PT.

Eduardo Tude, presidente do site Teleco, especializado no setor, lembra que, mesmo sem poder influir na gestão da TIM, a Telefónica tem poder de veto na venda da tele. ""Ela não vai querer que a TIM seja vendida a um concorrente. Se comprá-la, a pergunta é sobre o passo seguinte: ela [Telefônica] sairá da Vivo ou buscará fundir as empresas?", diz Tude.

Existiria ainda a chance remota de fusão entre Vivo e TIM, com restrições da Anatel e dos órgãos de concorrência devido à concentração. A empresa resultante teria 62,7% do mercado de celular no Estado de São Paulo, 75,2% no Espírito Santo, 71,1% no Paraná, 68,3% em Santa Catarina e 85,9% em Roraima.

PPS apresenta projeto para derrubar novo PGO

Dois deputados do PPS apresentaram nesta terça-feira (25), um Projeto de Decreto Legislativo (PDC) para suspender as mudanças feitas no Plano Geral de Outorgas (PGO). O novo PGO está em vigor desde a última sexta-feira (21), com a publicação do decreto presidencial validando as mudanças. O problema constatado pelo deputado Arnaldo Jardim (SP), principal autor do PDC, é que a alteração do PGO aumentará a concentração no mercado de telefonia, ao permitir que uma concessionária atue em mais de uma região definida no decreto. No campo prático, o novo texto permite à Oi finalizar a compra da Brasil Telecom, anunciada em abril deste ano.

De acordo com a argumentação apresentada por Jardim na proposta, o decreto presidencial exorbita as atribuições dadas ao Executivo pela Constituição Federal e a Lei Geral de Telecomunicações (LGT). Pela Carta Magna, é prerrogativa do presidente da República regulamentar o serviço de telecomunicações, mas este poder estaria restrito a subsidiar o cumprimento das leis na opinião de especialista citado pelo deputado. Acontece que a LGT estipula que é dever do Executivo "adotar medidas que estimulem a competição". E, na visão do deputado, a alteração do PGO visa o exato oposto.

"O decreto que aprovou o novo Plano Geral de Outorgas caminhou exatamente na direção contrária à que é indicada pela Lei Geral de Telecomunicações, na medida em que faz com que a concentração prevaleça em detrimento da concorrência", argumenta o parlamentar na proposta encaminhada à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. O deputado Raul Jungmann (PPS/PE) subscreve o PDC, reforçando o cunho partidário da proposta. Antes de apresentar o projeto, Jardim havia dito a este noticiário que tinha o apoio do PPS na iniciativa e que buscaria aliados em outros partidos de oposição.

O PDC

Usado para sustentar a análise do Legislativo sobre questões que são prerrogativas do Executivo – como a indicação de autoridades e concessão de serviços públicos -, os PDCs poucas vezes contestaram decretos presidenciais com sucesso. Entre outras funções, o instrumento permite sustar a vigência de decretos do Executivo, como é o caso do PGO. Mas, neste caso, os deputados ficam restritos à suspensão, não podendo propor nenhuma nova redação para o decreto.

A íntegra do Projeto de Decreto Parlamentar está disponível na homepage do site TeleTime.