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Entidades de São Paulo reclamam da demora para obter concessão de rádio

Entidades comunitárias de São Paulo reclamam da demora para a obtenção de licença do Ministério das Comunicações para colocar suas emissoras de rádio no ar. Desde dezembro de 2006, quando o governo lançou o edital do processo de concessão para o município de São Paulo, o pedido para operar rádios comunitárias de centenas de entidades comunitárias e culturais da capital paulista tramitam no ministério. No entanto, até o momento, somente a comunidade da favela de Heliópolis, localizada na zona sul da capital, foi atendida. A rádio Heliópolis atualmente é a única emissora comunitária com concessão na cidade.

“A situação nossa é que estamos muito abandonados pelo Ministério das Comunicações. Já tem os canais 198 e 199 disponíveis [faixas disponíveis para a operação de rádios comunitárias], mas nós não somos chamados, não tem nada. O prazo era o final do ano passado [2007], mas até agora, nada. Não dão prazo, não comunicam nada. Você entra no site do ministério, não encontra nada”, queixou-se o presidente da Central Única de Associações (CUA), José Luiz Nodar Ribeiro. A entidade presidida por ele, que atua no bairro do Jabaquara, zona sul, apresentou em 2006 toda a documentação exigida pelo ministério, mas ainda não obteve uma resposta do governo.

Na mesma situação da CUA, encontram-se mais de 100 entidades comunitárias do município, à espera de uma definição do ministério. O governo alega que existem regiões da cidade que possuem cinco, seis ou até sete entidades que disputam a mesma área de emissão. Nessas situações, o edital do ministério prevê que as entidades interessadas “associem-se” a outras da mesma região para dividir a programação da emissora. Não havendo entendimento, receberá a concessão a entidade que for mais representativa.

“É um processo bem longo, que já dura por volta de dois anos. Essa é uma fase bastante crítica, que é justamente a de negociação entre as entidades. Eu acho que está faltando a figura do intermediador do ministério para que mais entidades possam participar e a programação das rádios possa ser realmente dividida segundo critérios minimamente racionais”, afirmou Wagner Romão, diretor de comunicação da Associação Casa da Cidade, que funciona na Vila Madalena, região oeste do município.

Em setembro, diversas entidades envolvidas no processo manifestaram, em carta aberta, a preocupação de que o sistema utilizado pelo ministério para a seleção das entidades, que receberão a concessão, viesse a diminuir a quantidade de rádios comunitárias na cidade.

“O processo deixou evidente que a alocação de apenas um canal por município e a distância obrigatória de quatro quilômetros entre as rádios fazem com que elas se encontrem em situação de indesejável competição, ao mesmo tempo em que criam áreas de sombra entre elas. Estudos técnicos mostram que, nessas condições, a cobertura das rádios comunitárias ficará entre 2,5% e 10% do total da área urbana do município”, informa o documento assinado, entre outras, pela Associação Brasileira de Imprensa – representação em São Paulo, o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e pela Oboré – Escritório Paulista da Associação Mundial dos Radiodifusores Comunitários (Amarc).

O Ministério das Comunicações informou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que os processos de concessão de rádios comunitárias em São Paulo estão em andamento e que um dos entraves para a demora são “problemas técnicos”. Foi solicitada pela reportagem uma entrevista com um representante do ministério para elucidar os pontos levantados pelas entidades comunitárias mas, até o momento, o pedido não foi atendido.

Governo Lula monta estratégia mais agressiva

A partir de 12 de janeiro, o governo mudará o processo de aquisição de produtos e serviços de tecnologia para acelerar a implantação de software livres no serviço público federal. A informação foi dada nesta quinta-feira (11) pelo gerente de projetos da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Corinto Meffe, que participou de seminário na Câmara.

De acordo com o especialista, não é possível fazer uma estimativa precisa da economia proporcionada pelo uso de programas livres, pois a compra de software quase sempre é feita em conjunto com outros produtos. Segundo ele, apenas o Ministério da Previdência Social estima em R$ 170 milhões a economia já conseguida com o uso de sistemas de domínio público.

Autonomia

Meffe observa que, apesar de o corte de gastos ser importante, o maior benefício da substituição de programas pagos por outros livres é a independência em relação aos fornecedores: "O objetivo principal é investir em um formato melhor, que nos conceda mais autonomia."

A partir de janeiro, antes de comprar produtos de informática os gestores do serviço público federal deverão investigar se não há programas livres que atendam às suas necessidades. Também será proibida a aquisição de blocos de serviço de um único comprador. "Isso muda toda a sistemática de contratação pública, o que, por si só, estimula o uso de programas livres", afirmou Meffe.

Economia

A economia com a substituição de programas convencionais por produtos de domínio público é significativa, como mostra uma experiência do governo paranaense. De acordo com o assessor da Companhia de Informática do Paraná (Celepar) Vitorio Furusho, somente com o cancelamento de contratos com fornecedores de softwares o estado poupou cerca de R$ 500 milhões a partir de 2003.

Com a substituição dos programas de correio eletrônico, no mesmo período, a economia chegou a R$ 30 milhões, segundo Furusho. Além disso, ele sustentou que "só com o BrOffice a economia foi de cerca de R$ 70 milhões desde 2003". O BrOffice é um pacote gratuito de programas como os processadores de texto.

Furusho adiantou que o governo estadual pretende substituir, em 2009, todos os contratos de telefonia pela tecnologia VoIP, de uso livre. A economia esperada é de R$ 60 milhões por ano.

Outro benefício do uso de programas gratuitos, segundo o assessor, é a redução da corrupção. "No governo do Paraná, a área de informática era onde havia mais corrupção. Isso acabou", garantiu. Ele disse que as medidas evitaram desvios de verbas da ordem de R$ 8 milhões.

Estímulo

De acordo com o diretor de Relações com o Governo da empresa de informática Red Hat Brasil, Ricardo Bimbo, apenas mudar o processo de compras do governo não adianta. Para ele, é necessário alterar a concepção dos editais. "Enquanto se exigir das empresas contratadas patrimônio líquido de R$ 1 milhão, nada mudará", argumentou.

Na opinião dele, é necessário encontrar uma forma de permitir que o governo invista em quem desenvolve programas livres. "Precisamos colocar o projeto do software livre em votação no Plenário desta Casa", reivindicou. Ele se referiu ao Projeto de Lei 2269/99, do deputado Walter Pinheiro (PT-BA), que obriga a administração publica a usar softwares com código livre ou aberto.

O deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE) também lamentou a morosidade na votação da proposta, que tramita há quase dez anos. Segundo ele, "o simples fato de existir um projeto já faz o governo editar normas e regulamentos que trazem avanço ao setor".

Lustosa foi o moderador da tarde do seminário "Software Livre e os Desafios do Legislativo para a Internet e as Tecnologias da Informação", realizado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

Conselho Consultivo da Anatel debate regulamentação do PLC

Fabricantes de equipamentos, pesquisadores, dirigentes de distribuidoras de energia, representantes de entidades e de empresa de fornecimento de infra-estrutura cobraram hoje, durante reunião no Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a regulamentação do PLC (Power Line Comunication). Uma proposta para normatizar o uso da tecnologia – que permite a transmissão de dados, voz e imagens pela rede elétrica – foi objeto de consulta pública na agência em agosto, e deve ser apreciada pelo Conselho Diretor em fevereiro, informou o gerente de Engenharia de Espectro da Anatel, Marcos de Souza Oliveira.

Segundo o presidente da Companhia Elétrica de Goiás (Celg), Ênio Andrade Branco, o uso dessa tecnologia pode ser um importante instrumento de inclusão digital. A companhia, que está testando com sucesso o uso do PLC para levar a banda larga a escolas, postos de saúde e policiais de Goiânia e de outro município, espera autorização para o uso comercial da tecnologia. Para fazer os testes, com 90 pontos, a empresa obteve uma licença para fins científicos e experimentais da Anatel. "Nós já temos um modelo de negócio para exploração desse serviço, absolutamente sustentável, que reduziria inclusive os prejuízos com perdas técnicas e comerciais de energia", disse.

O diretor da Hypertrade, empresa especializada em implantar infra-estrutura de PLC, inclusive última milha, Maurício Guaiana, se queixa, sobretudo, da carga tributária incidente sobre os equipamentos, calculada em 120%. Ele também destacou a dificuldade de negociação com operadoras de serviços de telecomunicações.

O pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Moacyr Martucci Júnior, defende o uso do PLC de forma convergente, para reduzir custos e aumentar a competição no setor de telecomunicações. Ele coordena o projeto Samba, que experimenta a tecnologia como canal de retorno para interatividade da TV digital.

O presidente da Associação de Empresas Proprietárias de Infra-estrutura e de Sistemas Privados em Telecomunicações (Aptel), Pedro Jatobá, diz que a aplicação do PLC em locais onde não há infra-estrutura de telecom ajudará sobremaneira o esforço do governo em programas de inclusão digital. "Os desafios ainda são grandes, mas as soluções, inclusive brasileiras, surgem de todos os lados", disse.

O representante da Panasonic, Koichi Kitamura, disse que sua empresa fabrica equipamentos para uso do PLC completamente adaptáveis ao sistema de distribuição de energia elétrica do Brasil.

Os radioamadores, que se pronunciaram contra a regulamentação do PLC por considerarem que interfere na freqüência usada por eles, não compareceram ao debate, mesmo tendo sido convidados.

Anatel reconhece concentração no controle sobre infra-estrutura, mas não exige contrapartidas

O acesso à infra-estrutura das concessionárias do Serviço de Telefonia Fixa Comutada (STFC) por outras empresas talvez seja um dos pontos mais complexos do mercado de telecomunicações. Tanto que a própria Lei Geral de Telecomunicações (LGT) traz indicativos para a criação de medidas pró-competitivas, como a implantação do unbundling. No parecer produzido pela área técnica da Anatel sobre a compra da Brasil Telecom pela Oi, o tema "infra-estrutura/redes de telecomunicações" mereceu uma detalhada análise regulatória e concorrencial. No entanto, o capítulo surpreende ao não oferecer proposta para a inserção de contrapartidas na validação da anuência.

A omissão não significa que a agência não tenha visto potenciais riscos à concorrência na criação da BrT-Oi. Ao contrário, os técnicos reforçaram o entendimento consolidado no setor de que a infra-estrutura de telecomunicações é um monopólio natural e, por isso, necessita de acompanhamento regulatório para a preservação da concorrência. E mais. Concluem que a Exploração Industrial de Linha Dedicada (EILD) é uma essencial facility. Em outras palavas, um insumo básico, necessário a todo novo competidor disposto a entrar neste mercado.

Duplicação

Parte da aparente contradição nas considerações feitas pela área técnica da Anatel e a falta de uma conclusão restritiva à compra da BrT pela Oi está no fato de as superintendências terem constatado que atualmente existem meios diversos para romper o monopólio das concessionárias com relação à rede. A análise é que, em mercados de alto consumo de serviços ou grande concentração, tornou-se economicamente viável a duplicação das redes. Assim, não haveria mais um "monopólio" quando se observam estes mercados concentrados.

O problema estaria concentrado na oferta de dados à clientela difusa, ou seja, fora das regiões mais concentradas e dos núcleos de alto consumo, onde a EILD ainda mantém suas características plenas de essencial facility. Os possíveis problemas concorrenciais, nas palavras dos técnicos, se ressaltam no fato de que as companhias trabalham hoje verticalizadas, o que lhes confere poder de mercado local suficiente para a adoção de medidas anticompetitivas como a imposição de barreiras à entrada de novos concorrentes.

REILD como solução

No entanto, a área técnica surpreende ao trazer à tona o Regulamento de Exploração Industrial de Linha Dedicada (REILD), editado em 2005, como uma salvaguarda regulatória suficiente e eficaz para evitar danos à concorrência na oferta de infra-estrutura de telecomunicações. Segundo a Anatel, a REILD "representa uma salvaguarda regulatória para prevenir qualquer tentativa de práticas anticompetitivas por parte do Grupo Econômico resultante da presente operação". Empresas competitivas, contudo, reclamam que a Anatel não faz cumprir os dispositivos do regulamento com eficácia.

Além disso, ironicamente, o mesmo parecer lembra que há uma disputa ainda em análise na Anatel entre a Embratel e a Telemar sobre a interpretação de artigos da REILD, demonstrando assim, mesmo que involuntariamente, a fragilidade do regulamento em solucionar todas as disputas sobre acesso às redes de telecomunicações.

Mesmo com a ressalva da própria área técnica de que haverá uma concentração da BrT-Oi e a existência de um "elevado poder de mercado na esfera da EILD", a equipe sugere a aprovação da compra sem oferecer nenhuma medida para preservar ou estimular a concorrência do mercado. Apenas cita, no início do texto, a importância da oferta isonômica da rede, uma obrigação legal das concessionárias, sem qualquer referência à realização de unbundlig ou outra medida mais contundente. Ou seja, no entendimento da Anatel, nada precisa mudar no cenário competitivo do acesso industrial à rede de dados das teles.

Fusão gerará concentração no mercado de dados

A oferta de serviços de dados tornou-se nos últimos anos um dos ramos mais sensíveis nas análises concorrenciais que envolvem o setor de telecomunicações. No processo de avaliação do pedido de anuência prévia para que a Oi possa assumir o controle da Brasil Telecom, este tema também mereceu dedicação especial por parte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). E a constatação foi de que a nova empresa gerará, sim, concentração horizontal na oferta destes serviços.

Do ponto de vista do número de acessos feitos pelas empresas de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), o parecer técnico da Anatel encaminhado ao Conselho Ddiretor sobre a anuência alerta para uma alta concentração do mercado em favor da BrT-Oi. Juntas, Brasil Telecom e Oi passarão a deter 42,41% dos acessos de dados no Brasil, dada a força que suas operadoras de SCM (serviço de banda larga) já possuem em suas respectivas áreas de atuação. A baixa concorrência entre as empresas não evitou o laudo negativo, uma vez que o percentual resultante é alto o suficiente para ser considerada "parcela substancial de mercado".

Pelo manual de análise concorrencial, empresas com parcela substancial de mercado têm potencial para praticar abusos de poder econômico, como alterar artificialmente preços por períodos longos o suficiente para gerar danos graves à concorrência. Apesar da constatação da Anatel de que a BrT-Oi possuirá efetivo poder de mercado nesse ramo, a área técnica da agência foi bastante condescendente com as teles e optou por ponderar que a nova concessionária pode não ser capaz de exercer esse poder de mercado de forma negativa.

Para chegar a esta conclusão, a Anatel considerou que a posse de parcela substancial do mercado é condição "necessária, mas não suficiente" para a prática de medidas anticompetitivas. E complementou que a existência de outras operadoras de SCM significa uma "concorrência efetiva" no mercado de dados, capaz de reagir agressivamente à qualquer conduta anticoncorrencial por parte da BrT-Oi.

Com 42,41% dos acessos, a BrOi será a grande líder na comunicação de dados brasileira, batendo a Telefônica (23,79%) e a Embratel (16,46%). A Embratel, no entanto, continuará sendo a líder em receitas neste setor, deixando a BrT-Oi em segundo lugar. Analisando esse cenário geral, a Anatel considera que a "operação não gerará prejuízos à concorrência, uma vez que o exercício de poder de mercado gerado pela concentração não é provável". Assim, mesmo com a concentração constatada, a área técnica não sugere nenhuma contrapartida para minimizar eventuais riscos ao mercado neste item da análise.

Vale lembrar que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) assinou um Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação (Apro) com as concessionárias Brasil Telecom e Oi nesta semana e que visa exatamente a proteção do mercado na oferta de dados. Pelo Apro, as companhias são obrigadas a informar ao Cade qualquer aquisição de licenças onde forem usadas tecnologias com possibilidade de oferta de serviços em banda larga, em especial de MMDS, WiMAX e 3G. Foi dada atenção também para os provedores das concessionárias, nome comumente usado para designar as operadoras de SCM.