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Rádios comunitárias de São Paulo serão obrigadas a pagar direitos autorais

O juiz Maurício Campos da Silva Velho, da 16ª Vara Cível de São Paulo, determinou que o Sindicato de Emissoras Comunitárias de São Paulo deve pagar direitos autorais ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).

O sindicato havia entrado com um pedido para revogar o pagamento alegando que transmissão de músicas por suas rádios serve apenas a fins culturais, e não econômicos. Portanto, a entidade queria impedir o envio de boletos de pagamento para as emissoras.

No entanto, o juiz considerou a ação improcedente, por entender que o pagamento de direitos autorais é obrigatório mesmo que não haja lucro na transmissão de músicas. "Sendo incontroversa a execução pública, por suas associadas, de obras variadas cuja propriedade intelectual pertence a terceiros, cabe a elas, por sua vez, efetuar o pagamento dos direitos autorais", declarou o magistrado.

Segundo o site Consultor Jurídico, o gerente executivo jurídico do Ecad, Samuel Fahel, disse que a decisão judicial reafirma "o que a Lei dos Direitos Autorais expressa com clareza, o dever da retribuição autoral, quando da execução pública das obras musicais".

Conselho Consultivo da Anatel renovará quadros

O Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) se reunirá na próxima sexta-feira (13) para avaliação dos trabalhos realizados no ano passado e despedida de quadro de seus componentes, cujos mandatos vencem dia 16 de fevereiro. O presidente Vilson Vedana, representante da Câmara; o vice-presidente Marcelo Bechara, representante do Executivo; Luiz Fernando Fauth, representante do Senado; e Flávia Lefèvre, representante dos usuários, deixam o Conselho. Por ser mais velho, o representante das prestadoras, Luiz Perrone, deve assumir interinamente a presidência do órgão, até que haja nova eleição.

As novas indicações sairão por meio de decreto presidencial, mas já há alguns nomes praticamente confirmados para substituir. Um deles é o do secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins, que deve substituir Marcelo Bechara. Outros dois nomes também são dados como certo, Bernardo Felipe Lins, consultor da Câmara, para substituir Vedana, e Leonardo José Guimarães, ex-consultor do Senado, para o lugar de Fauth, que substituiu Emília Ribeiro por poucos meses.

Para a vaga de Flávia Lefèvre ainda não há consenso. E ainda há uma vaga não preenchida no conselho, de representante da sociedade, que poderá ser nomeado junto com os outros. O nome cogitado é de Paulo Gomes Castelo Branco, da NEC.

O Conselho Consultivo é o órgão de participação institucionalizada da sociedade nas atividades e nas decisões da Anatel. Nos últimos meses, passou a debater assuntos que estão em análise pela agência e foi o responsável pela polêmica causada sobre a reversibilidade do backhaul (infraestrutura de rede), que substituiu os Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs), na revisão do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU). Até hoje a questão não foi resolvida.

Associação antipirataria tira do ar sites que oferecem legendas para filmes e seriados

Aumentou nos últimos dias o cerco aos sites que trazem, de maneira irregular, legendas em português para filmes e seriados que acabaram de estrear nos Estados Unidos e ainda são inéditos no Brasil.

Em pedido enviado aos datacenters que hospedam esses sites, a Associação Antipirataria Cinema e Música (APCM) solicitou – e conseguiu -, com a alegação de violação de direitos autorais, a retirada do ar de três dos mais populares sites do gênero no Brasil.

Juntos, eles são responsáveis pela tradução de todos os episódios de seriados como "House", "Lost", "Heroes" e "Desperate Housewives", e de filmes que acabaram de estrear nos cinemas daqui, como o indicado a cinco prêmios Oscar "Dúvida", com Meryl Streep, que entrou em cartaz na sexta-feira passada e antes disso já estava disponível para download ilegal.

No pedido, a APCM, agindo como representante de grandes empresas de entretenimento, entre elas a Universal, a Warner Bros., a Sony-BMG, a Disney, a Paramount Pictures e a 20th Century Fox, afirma que esse tipo de site prejudica "os interesses dos detentores de direitos autorais em um ou mais trabalhos protegidos por direitos autorais".

O comunicado, assinado por Edner de Toledo Alves Bastos, gerente de antipirataria na internet da APCM, diz também que "os itens estão sendo oferecidos de uma maneira que não é autorizada" pelos "membros [da APCM], agentes ou pela lei". A reportagem da Folha entrou em contato com Bastos e enviou perguntas por e-mail, mas foi informada de que não haveria resposta da APCM.

Traduza, por favor

Como explicação pelo cancelamento do serviço, o datacenter americano Softlayer enviou por meio de mensagem para o legendas.tv a seguinte explicação: "De modo a prevenir mau uso de nossos termos de serviço, bloqueamos o acesso ao IP associado ao relatório de mau uso e solicitamos que este site seja removido da nossa rede", e retirou o endereço sem ter recebido notificação jurídica.

No mesmo bolo acabaram entrando, posteriormente, o legendando.com.br e o insubs.com, arrancados da rede no último dia 4.

Segundo o principal porta-voz do legendas.tv, que se identifica apenas como Junior Lovesick, o site voltou à internet em versão "lite". "O datacenter em que estamos agora é provisório e provavelmente lá não sabem que se trata de um site de legendas; não sabemos ainda como eles lidam com isso", explica o "legender", que já achou uma empresa que hospedará o site definitivamente.
"Já o nosso datacenter para valer sabe que se trata de um site de legendas e afirmou que reclamações feitas por entidades de defesa de direitos autorais serão ignoradas", conta.

De acordo com o advogado Eduardo Senna, especialista em propriedade intelectual, disponibilizar legendas desse tipo é proibido. "Do ponto de vista legal, a realização de uma obra derivada precisa de autorização do dono dos direitos autorais da obra, e a tradução é uma obra derivada", explica.

O troco

O contra-ataque não tardou, e o site da APCM (www.apcm.org.br) foi invadido por hackers que retiraram todo o seu conteúdo do ar e redirecionavam quem o acessava para sites populares -e ilegais- de trocas de arquivos digitais, do tipo "torrent" (até o início da tarde de ontem, o site ainda estava em manutenção).

Em nota, a APCM ameniza o ataque -"uma falha de segurança e devido a isso [o site] foi retirado do ar". Não se sabe quem são os autores do ataque.

Os serviços de legendas ainda acusam, por meio de blogs e de comunidades em sites de relacionamento, os estúdios de usarem sem autorização legendas feitas por seus integrantes.

Novos serviços de telecom põem em xeque modelo regulatório

Ao longo do ano de 2008, agentes do setor de telecomunicações e dirigentes de órgãos estatais indicaram recorrentemente que a telefonia fixa, como conhecemos hoje, estaria chegando ao seu fim por conta das novas possibilidades tecnológicas trazidas pela convergência midiática. Esta "morte anunciada" e seus desdobramentos dominaram os debates do seminário "Política de (Tele)Comunicações", organizado anualmente pela revista especializada TeleTime, em parceria com o Centro de Economia, Tecnologia e Políticas das Comunicações (CCOM) da Universidade de Brasília.

No evento, foi colocada a seguinte questão: se a telefonia fixa é hoje o único serviço de telecomunicações prestado em regime público, portanto sujeito a obrigações como universalização, continuidade e controle de suas tarifas, uma suposta superação deste em novos serviços de voz convergentes implicaria também no fim do regime público para as atividades de telecomunicações? Se isso ocorresse, conseguiria apenas o mercado, operando em regime privado, atender o direito da população à comunicação por voz e dados?

A provocação foi apresentada pelo coordenador do Laboratório de Políticas de Comunicação da UnB, Murilo Ramos. Segundo ele, a troca das metas de universalização previstas nos contratos das concessionárias de telefonia fixa (de pontos de serviços de telecomunicações por backhauls) e a compra da Brasil Telecom pela Oi esgotam o modelo político-regulatório construído no processo de privatização da Telebrás. Neste quadro, é imperativa uma revisão da Lei Geral de Telecomunicações (LGT) para responder a estes desafios. "No atual modelo, os benefícios da universalização foram centrados no STFC [Serviço Telefônico Fixo Comutado]. No novo modelo, entre muitas dúvidas, coloco uma obrigação ao Estado: cabe oferecer à sociedade a melhor alternativa possível ao finado conceito de telefonia", defendeu.

Por fim, Ramos questionou os presentes se faria sentido a distinção entre telefonia fixa e móvel, se seria sustentável manter um serviço de comunicação multimídia quando caminha-se para a hegemonia do simples tráfego de dados, se deve ser mantido um modelo de TV por assinatura por pacotes quando há possibilidades de consumo mais personalizadas e se, frente aos limites do mercado, não seria necessário retomar a idéia de uma infra-estrutura estatal de telecomunicações.

Os representantes empresariais tergiversaram, mas acabaram por apresentar sua visão sobre o desafio central apresentado por Ramos. Alguns, como Antônio Carlos Valente, da Telefônica, foram mais entusiastas entoando o cântico da cobertura quase universal das comunidades em todo o país pela telefonia fixa. O secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins, desconstruiu o argumento com uma constatação evidente sobre os limites do STFC no país. "A universalização, e este é um ponto de reflexão, foi colocada apenas no nível da oferta. Precisamos trabalhar outro lado: quais mecanismos temos que utilizar para fazer com que pessoas tenham acesso a isso", disse.

Outros representantes empresariais, frente à evidência do problema, preferiram defender o modelo e criticar a falta de renda da população. "O que falta no Brasil é mercado. Onde há mercado tem competição e penetração", pontuou José Pauletti, da Associação Brasileira de Prestadoras de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix). Ou seja, se há um país com 180 milhões de pessoas no qual menos de 40 milhões têm telefones fixos e 150 milhões possuem celulares e fazem uma média de ligações feitas baixíssima, o desafio não está em adequar o modelo à realidade brasileira, mas o contrário.

A resposta de Pauletti ao dilema revelou a questão central. "Tem um mercado em que haverá competição, que pode pagar. E tem um mercado, que não pode pagar, que só será atendido ou com incentivo ou com obrigação. A questão é quem financia", afirmou. Na opinião unânime dos agentes empresariais, a conta deve ser paga pelo Estado.

Subsídios estatais

Um caminho seria o provimento de subsídios às empresas por meio da redução da carga tributária. "Você pode fazer uma desoneração seletiva, cobrando, assim como no imposto de renda, para o pessoal de mais baixa renda as tarifas mais baixas", sugeriu Roberto Blois, da Oi. "Hoje, do custo do serviço 50% são de impostos. Nós temos feito esforços com relação às fazendas públicas para que, em algumas regiões, tenhamos carga tributária menor. Infelizmente, não foi possível avançar nisso", reclamou Antônio Carlos Valente, da Telefônica.

Outro caminho seria o subsídio direto às pessoas de baixa renda, que poderia se dar por um programa específico ou mediante aplicação dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). Emília Ribeiro, conselheira da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), lembrou que, pela atual legislação, o subsídio na forma de tarifas diferenciadas é proibido. "Sobre os subsídios, eu achei que isso era possível e logo descobri que não. A Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] tem toda uma legislação específica para tarifa social, mas em telecom isso não existe", afirmou, apontando como solução o uso dos recursos do Fust. "Devemos utilizá-lo para garantir acesso aos serviços para o maior número possível de cidadãos", concordou o representante da Oi.

Não sendo possível o uso destes instrumentos, restaria a imposição de obrigações às operadoras. Roberto Pinto Martins, do Ministério das Comunicações, citou como exemplo o leilão da faixa de espectro usada para o chamado 3G da telefonia celular, que obrigou as concorrentes a ofertarem o serviço em áreas não rentáveis para obterem as licenças para locais com grandes mercados. A troca das metas de universalização das concessionárias de telefonia fixa também foi mencionada, uma vez que deve levar a infra-estrutura de tráfego de dados em alta velocidade até todos os municípios brasileiros.

Uma terceira frente de massificação da banda larga, acrescentou Emília Ribeiro, será o leilão das faixas de Wimax. Com toda esta oferta, concluiu, a tendência é que haja uma redução dos preços, ocasionando condições mais favoráveis de acesso ao serviço. "Os preços serão moderados conforme oferta do mercado, e é óbvio que, como estamos expandindo, os preços tendem a cair", previu.

Sem regime público

Em nenhuma das soluções apontadas por empresários ou por representantes dos órgãos reguladores, figurou a possibilidade de se criar uma nova modalidade de serviço de telecomunicações, que abarcasse a transmissão de voz e dados, em regime público. "Tenho uma série de restrições sobre até onde vai o serviço prestado em regime público", refletiu de maneira reticente Roberto Pinto Martins. Apenas Gustavo Gindre, integrante do Comitê Gestor da Internet do Brasil, defendeu explicitamente a necessidade de transformar a banda larga em um serviço público.

Sobre a possibilidade de implantar uma rede estatal com foco no atendimento da população de baixa renda, a resposta uníssona dos executivos foi "não", explicitando o receio da concorrência potencial de tal infra-estrutura. "Eu não vejo que seja viável que uma única infra-estrutura pública poderia disponibilizar todos os tipos de acesso para todos os prestadores privados. Se isso fosse possível, perderíamos vantagens da competição entre diversos meios de acesso e da exploração eficiente de rede", disse Roberto Blois.

Ao final do seminário, nenhuma surpresa. Se, durante a privatização e quebra do então monopólio estatal da Telebrás, os grupos empresariais aceitaram colocar a telefonia como serviço em regime público, não há nenhuma disposição neste sentido agora, em um cenário de liberalização e concentração crescente. Na racionalidade capitalista, as obrigações de universalização, o controle dos preços e os condicionamentos que visam adequar os serviços às necessidades das pessoas são vistos como empecilhos. Entre o direito das pessoas se comunicarem e o lucro, não há dúvida na opção pelo segundo.

Grupo de pesquisa tem servidor apreendido na Unicamp

Os integrantes do grupo multidisciplinar Saravá foram surpreendidos no dia 6 de agosto com a notícia de que seu servidor, hospedado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade de Campinas (Unicamp), havia sido apreendido pela Polícia Civil do 7º DP do distrito de Barão Geraldo, em Campinas.

A apreensão se deu por conta de uma denúncia feita pela reitoria da Unicamp à Polícia Federal com base em uma reclamação sobre a divulgação de dados pessoais de cidadãos holandeses. "A reclamação veio da Comissão Holandesa de Proteção à Informação, que entrou em contato com a Unicamp comunicando que havia detectado conteúdo com dados privados de autoridades holandesas no servidor do grupo", informou a universidade.

O grupo explica que o sítio em questão estabelecia a "cadeia produtiva" da indústria da deportação holandesa, relacionando os executivos e políticos envolvidos nessa política de Estado e divulgando suas informações pessoais. Ao tomar conhecimento de que o site havia gerado insatisfação na Holanda, porém, o grupo retirou-o do ar.

O grupo destaca que após receber a denúncia a reitoria determinou o desligamento do servidor e comunicou o fato à Polícia Federal sem ao menos contatá-los. O caso foi transferido para a Polícia Civil que requisitou o servidor para averiguação e o apreendeu sem, no entanto, ter um mandado judicial.

Em sua defesa, a Unicamp afirma que "segundo o Código de Processo Penal, a apreensão de coisa móvel, para finalidade de constituir prova, pode ser feita por autoridade policial na fase de inquérito, neste caso com dispensa de mandado judicial". Para integrantes do grupo, no entanto, a ação feriu a autonomia da universidade e atenta contra a liberdade de expressão de seus pesquisadores. "Por conta de um único sítio, todo um servidor foi retirado do ar, como se toda uma biblioteca fosse lacrada por causa de um único livro", afirma o grupo em nota.

O Saravá pesquisa a interação entre política e tecnologia e utilizava como campo de estudo seu próprio servidor, que operava desde maio de 2005 e era utilizado por diversos grupos sociais.

Segundo levantamento do grupo, cerca de 110 sítios sobre arte, novas mídias, economia solidária, antropologia, ecologia, software livre, cultura, cinema, geografia, literatura, história e direitos humanos estavam hospedados no servidor.

Além disso, o servidor hospedava os sítios de grupos de pesquisa como o próprio Saravá, o CTeMe (Conhecimento, Tecnologia e Mercado) – liderado por Laymert Garcia dos Santos -, o Antropologias e o Cooperativas . Alguns ainda se encontram fora do ar e outros foram recuperados a partir de um backup.

Veja a página do grupo de estudos Saravá

Leia regulamento sobre recursos de Tecnologia da Informação e da Comunicação da Unicamp