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Começa mobilização por realização de etapas estaduais

A expectativa de que o Ministério das Comunicações publique dentro de alguns dias o decreto que torna oficial a convocação da I Conferência Nacional de Comunicação coloca um novo desafio para organizações e movimentos sociais que já se reuniam em vários estados em torno da demanda pela realização do encontro nacional. Agora, é preciso atuar para garantir a realização das etapas estaduais, que elegem os delegados que participam da conferência nacional e definem as propostas que serão apreciadas em Brasília.

Se em alguns estados, já havia o compromisso dos governos com a realização de um Conferência Estadual, em outros, as perspectivas ainda são nebulosas. Na região Sul, por exemplo, enquanto o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), já fez declarações públicas de apoio à convocação do processo nacional e de compromisso com a realização da etapa estadual, no Rio Grande do Sul, a Comissão Estadual Pró-Conferência prevê dificuldades.

“A experiência com o governo Yeda (Crusius, PSDB) em outras conferências não foi boa”, relata Cláudia Cardoso, representante da comissão. “A etapa estadual da Conferência Nacional GLBT, por exemplo, quase não sai por conta da falta de apoio do governo estadual.” A preocupação de Cláudia diz respeito tanto ao financiamento da etapa gaúcha, como à sua convocação. A comissão estadual espera que o decreto que vai estabelecer os parâmetros para realização da Conferência Nacional de Comunicação preveja que, caso o governo estadual não convoque a etapa estadual, ela possa ser organizada diretamente pela sociedade civil.  

A comissão gaúcha deve marcar para breve uma reunião para discutir a estratégia de pressão sobre o governo estadual. Cláudia acredita que ela deve passar, invariavelmente, pela ampliação do número de entidades comprometidas com o processo da Conferência Nacional de Comunicação, o que garantiria poder de barganha e também uma boa participação da população na etapa gaúcha do processo. Hoje, cerca de 15 organizações fazem parte da comissão. “Em 2008, fizemos atividades no interior do estado e tivemos boa resposta. Agora, já há indicações de entidades – como a Ordem dos Advogados do Brasil e a Associação Software Livre – em se somarem à comissão.”

No Paraná, apesar do compromisso público do governador, o Comitê Paranaense Pró-Conferência Nacional de Comunicação também deve apostar no envolvimento de um número maior de organizações e movimentos para garantir que o processo estadual seja dirigido pelo interesse público. “Nossa primeira reunião após o anúncio de que a conferência deve ocorrer nas próximas semanas e tratará da reestruturação da nossa estratégia de ação neste cenário, inclusive em relação ao diálogo com o governo do estado”, explica Rachel Bragatto, membro do comitê e do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

Mais participação

A estratégia de ampliar a mobilização apontada pelas organizações gaúcha e paranaense deve ser facilitada agora que a conferência vai se tornando realidade. No Rio de Janeiro, a primeira reunião da Comissão Estadual Pró-Conferência após o anúncio da convocação, realizada na terça-feira (17), reuniu mais que o dobro de pessoas que comumente vinham participando dos encontros. Também houve uma diversificação das entidades para além das representações locais das entidades que fazem parte da Comissão Nacional Pró-Conferência – como o Conselho Regional de Psicologia e a Associação das Rádios Públicas do Brasil. Do encontro da terça-feira, participaram, por exemplo, as TVs Comunitárias do Rio e de São Gonçalo, a Confederação Nacional dos Químicos, o Conselho Comunitário de Maricá e a Rede de Mulheres em Comunicação.

No Maranhão, o anúncio de que a Conferência Nacional de Comunicação será realizada este ano serviu de estopim para a convocação de uma ampla reunião nesta quarta-feira (18) para formar a Comissão Estadual Pró-Conferência. “Estávamos trabalhando apenas com um embrião de comissão em 2007 e 2008, mas agora temos condição de criar de vez um grupo sólido e partir para a realização da etapa estadual”, avalia Luciano Nascimento, do Intervozes.

Em Minas Gerais, a representante da comissão local Lidyane Ponciano acredita que a resposta ao convite para a reunião marcada para esta quarta-feira (19) também deva ser bastante positiva. A comissão já conta com 22 representações, entre sindicatos, centrais sindicais, iniciativas de comunicação alternativa, mandatos de parlamentares, partidos políticos e entidades do campo da comunicação.

“Vamos colocar em pauta as estratégias de mobilização e a nossa proposta para a realização da conferência estadual, com etapas regionais ou municipais”, disse Lidyane. Segundo a representante da comissão, as demais conferências da área social foram realizadas em Minas primeiro em regionais, reunindo vários municípios, que preparam a participação na etapa estadual.

Segundo Luciano Nascimento, há uma sinalização da Secretaria Estadual de Cultura do Maranhão no sentido de encampar a realização da conferência estadual. Já em Minas, como no Rio, ainda não houve contato oficial com representantes dos governos estaduais. “Conversar com o governo do estado faz parte da diplomacia da construção de uma conferência, mas até agora ainda dependemos do governo federal soltar o decreto convocatório”, diz Lidyane. “Mas esperamos que o governo de Minas dê este apoio, afinal é a I Conferência Nacional de Comunicação realizada no Brasil.”

MPF abre inquérito contra Maurício de Sousa Produções por publicidade infantil

A Promotoria de Justiça do Consumidor e a Promotoria de Justiça de Defesa dos Interesses Coletivos e Difusos da Infância e Juventude de São Paulo abriram um inquérito civil contra a empresa Maurício de Sousa Produções Ltda – responsável pelas revistas em quadrinhos da Turma da Mônica – por publicidade voltada a crianças.

No dia 5 de março de 2008, o Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, enviou uma notificação sobre publicidade infantil à Maurício de Sousa Produções e à editora Panini, que publica as revistas em quadrinhos.

Segundo a entidade, a Panini reconheceu "a necessidade de preservação da infância contra os apelos publicitários". No entanto, a Maurício de Sousa Produções não respondeu a solicitação, informou o Instituto Alana.

Por isso, foi apresentada uma denúncia ao Ministério Público do Estado de São Paulo em agosto do ano passado, o que gerou a abertura do inquérito. No documento, os promotores Paulo Sérgio Cornachionni e Laila Shukair entendem que a comunicação das revistas "tem-se valido de linguagens, personagens, imagens e outros elementos de comunicação altamente atrativos a esse público, para promover práticas publicitárias em suas publicações capazes de persuadir as crianças e explorar sua extrema vulnerabilidade e suscetibilidade aos apelos comerciais e publicitários".

"Toda e qualquer comunicação mercadológica dirigida à criança, incluindo-se a publicidade, vale-se da própria ingenuidade e, portanto, deficiência de julgamento e experiência da criança, para seu sucesso, ou seja, para formar convencimento na criança no sentido de que consuma ou influencie o consumo de produtos e serviços", diz ainda o texto do inquérito – que cita artigos da Constituição Federal, do Estatuto da Criança e do Adolescente, do Código de Defesa do Consumidor e do Código de Autorregulamentação do Conar.

Para Isabella Henriques, advogada e coordenadora geral do Criança e Consumo, "o argumento de que o produto depende de publicidade para manter a saúde financeira é frágil", pois outras publicações do gênero da revistinha Turma da Mônica não têm publicidades voltadas ao público infantil no meio das histórias.

O Portal Imprensa entrou em contato com a assessoria de imprensa da Maurício de Sousa Produções Ltda., mas ainda não obteve resposta.



360 trabalhadores são demitidos na nova Oi em todo o país

As demissões na nova Oi já começaram. A empresa anunciou na semana passada o corte de 400 cargos de gerência e coordenação como parte do processo de reestruturação com a compra da Brasil Telecom (BrT) e, segundo a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel), cerca de 360 pessoas foram demitidas em todo o país ontem.

“Só em Brasília, as informações que temos é que são mais de 100”, observa João de Moura Neto, secretário-geral da Fittel. Há rumores porém de que o número de pessoas desligadas da matriz da BrT na capital federal seja ainda maior. Segundo Brígido Ramos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações do Distrito Federal (Sinttel-DF), ainda não se sabe ao certo o impacto no DF, mas as informações que chegaram à entidade apontam para até 250 dispensas em Brasília.

O corte de postos de trabalho na Oi traz à tona a polêmica se as condicionantes impostas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a aprovação da compra da BrT estão sendo cumpridas. Todas as vezes em que o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, foi questionado sobre o assunto, ele fez questão de frisar que o número de postos de trabalho seriam mantidos, mas que eram necessários ajustes. A conselheira Emília Ribeiro, relatora do processo de anuência prévia, porém, sempre afirmou que nenhum funcionário poderia ser demitido nas duas empresas até 24 de abril de 2011.

Na visão da conselheira, o anúncio do corte de 400 postos na empresa já configuraria descumprimento das contrapartidas da anuência prévia, mas teria que haver provas de que isso ocorreu para a adoção das providências cabíveis. “Nem eu nem a Anatel podemos tomar qualquer providência baseada só no que tem saído na imprensa”, explicou.

Fiscalização

Emília Ribeiro disse ao Correio que a Anatel vai criar uma comissão para fiscalizar o cumprimento de todos os pontos da anuência prévia. “Se qualquer um dos pontos for descumprido, a anuência cai por terra”, alerta. Segundo Emília, o presidente da agência, Ronaldo Sardenberg, disse que ia criar essa comissão, mas sua formação ainda foi não concluída. “A comissão tem que ir lá na ‘BrOi’ para ver a real situação e abrir um processo administrativo”, enfatizou. Emília disse que já pediu ao setor de fiscalização orientação sobre como a agência deve agir nesse caso.

“Amanhã (18) a rotina vai ser outra”, disse ao Correio um funcionário que trabalhava na BrT há quase 22 anos, ocupava cargo de coordenação e foi demitido ontem. Segundo ele, a justificativa da Oi é a sobreposição de cargos das duas empresas. “Se não acontecesse agora, ia acontecer depois. Mas o clima (na empresa) está tenso, é inegável. As pessoas não sabem como vai ser daqui para a frente”, diz.

As entidades que representam os trabalhadores temem o pior. “Está só começando. E em Brasília será o maior ataque, pois temos 1,8 mil empregados na matriz”, alertou Brígido Ramos, do Sinttel-DF.

João de Moura Neto, da Fittel, criticou a postura do governo. “A gente quer manutenção de empregos, não de postos de trabalho. A empresa pode demitir gerentes e coordenadores e contratar operadores de call center, que têm salário bem menor e piores condições de trabalho”, alerta. No anúncio feito pela Oi, a empresa informou que a redução de 400 posições e a criação de aposentadoria incentivada é consequência “de adequação à nova estrutura e da sobreposição de cargos gerenciais”.

Gigantes da internet e da telefonia celular divergem sobre modelo de negócios

O casamento entre internet e telefonia celular mal começou e já é abalado por brigas em público. Um painel dedicado à internet móvel no Mobile World Congress, em Barcelona, nesta quarta-feira (18) reuniu representantes de três gigantes desses dois mundos: Google, Skype e a operadora australiana Telstra, dona da rede celular mais rápida do planeta atualmente (21 Mbps).

O tema que mais gerou polêmica foi a cobrança pelo tráfego de dados. O vice-presidente de engenharia do Google, Vic Gundotra, expôs gráficos de tráfego de dados móveis comparando uma operadora que adota tarifa plana e outra que cobra por Mb trafegado. Obviamente, a primeira registra um tráfego muito maior. Gundotra argumentou que a tarifa plana é um dos fatores imprescindíveis para o crescimento da internet móvel. A Telstra, que adotou um modelo de cobrança por tráfego, pensa diferente. "Tráfego de dados consome muita infraestrutura. Para dar conta disso, não podemos oferecer o acesso de graça ou ilimitado. Tarifa plana pode sobrecarregar a rede", contra-argumentou o presidente da operadora australiana, Solomon Trujillo.

O representante do Google tentou contemporizar: "Não precisa necessariamente ser tarifa plana ou tarifa baixa. Mas precisa pelo menos ter uma cobrança compreensível pelo usuário. A maioria dos consumidores não sabe o que é 1 Mb. Muito menos quanto cada aplicativo consome de tráfego de dados". O CEO do Skype, Josh Silverman, sugeriu que houvesse algum tipo de medidor de consumo, idéia rebatida pelo presidente da Telstra com uma analogia: "Quando dirigimos um carro não sabemos quantos litros de gasolina serão consumidos para ir até determinado lugar. Mas conforme ganhamos experiência, aprendemos mais ou menos a ter uma idéia se o que temos no tanque dará para chegar em determinado lugar". E concluiu com uma alfinetada: "Os aplicativos móveis precisam ser cada vez mais eficientes para consumir menos tráfego".

Browser e latitude

Outro fator que pode contribuir para o desenvolvimento da internet móvel, segundo Gundotra, do Google, é a adoção de browsers mais modernos nos celulares. Ele recomenda especialmente aqueles desenvolvidos em HTML5, que permite armazenar aplicativos web na memória do celular, tornando possível acessá-los mesmo quando se está sem cobertura. Os browsers do iPhone, dos celulares com Android e de um novo modelo da Palm já usam essa linguagem.

O representante do Google arrancou aplausos espontâneos da platéia ao demonstrar em um iPhone uma nova aplicação de busca por voz. O aplicativo é acessado com o simples movimento de se levantar o iPhone e levá-lo à orelha. Uma vez pronunciada a palavra para busca, o sistema de reconhecimento de fala transforma aquilo em texto e realiza a pesquisa em segundos. Além disso, a aplicação automaticamente usa a informação da localização do usuário. Se ele procurar por "previsão do tempo", a pesquisa informa as condições meteorológicas para cidade onde ele está. "Os novos aplicativos móveis precisam aproveitar ao máximo as habilidades dos novos telefones. Os celulares têm olhos, ouvidos, tato e sabem onde nós estamos", disse Gundotra. Ele aproveitou para informar que após apenas uma semana de seu lançamento o "Latitude", serviço de localização pelo celular do Google, já tem mais de 1 milhão de usuários registrados.

Skype

Como se não bastasse a pressão do Google por tarifas planas e abertura de redes, as operadoras celulares precisam lidar com o uso do Skype em telefones móveis. A empresa já oferece versões do Skype em Java, Android e Windows Mobile. E agora alguns fabricantes estão embarcando a aplicação nos handsets: foi anunciado durante a feira que os novos modelos da NSeries da Nokia virão com Skype, a começar pelo N97.

O CEO da Skype, contudo, acha que é possível conviver em paz com as operadoras. Ele discorda que seu aplicativo canibalize o tráfego de voz das teles e usa como exemplo o "Skype phone", aparelho lançado com exclusividade pela operadora inglesa 3 e que vem com um botão para acesso direto ao software de comunicação por VoIP. "O ARPU dos assinantes com esse telefone na 3 é 20% acima da média da operadora. E 79% deles são novos assinantes, que foram para 3 por causa desse telefone", informou.

Deputados decidem divisão das comissões; PSDB reassume CCTCI

Os deputados decidiram na tarde desta terça-feira (17) a nova configuração partidária das comissões da Câmara. Responsável pela análise dos principais projetos envolvendo o setor de telecomunicações, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) voltou para as mãos de PSDB. O partido ainda está discutindo quem assumirá a presidência do grupo, mas o nome mais cotado no momento é do deputado Eduardo Gomes (TO). No entanto, ainda há chances de que Júlio Semeghini (SP) reassuma o comando da CCTCI.

Outra comissão relevante para o setor – e que hoje está analisando o PL 29/2007, que altera as regras de TV por assinatura e do audiovisual – é a Comissão de Defesa do Consumidor (CDC). Este grupo ficou sob a responsabilidade do PSB, que também tem dois candidatos no momento para a presidência: Ana Arraes (PE) e Júlio Delgado (MG). Alguns nomes para as comissões já estão sendo anunciados pelos partidos, mas a expectativa é que a composição final de todas as comissões só seja definida depois do Carnaval. As lideranças têm até o dia 3 de março para fazer as indicações de presidentes.

As comissões mais disputadas pelos partidos ficaram com o PMDB (Constituição e Justiça – CCJ) e com o PT (Finanças e Tributação – CFT). O líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN) anunciou após a reunião partidária que Tadeu Filippelli (DF) assumirá a CCJ. O PT também se antecipou e o líder Cândido Vaccarezza (SP) indicou o deputado Vignatti para a presidência da CFT. O Senado Federal ainda discute a divisão de suas comissões.

Veja a lista completa da distribuição das comissões entre os partidos da Câmara dos Deputados:

* Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural – DEM
* Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional – PSC
* Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – PSDB
* Constituição e Justiça e de Cidadania – PMDB
* Defesa do Consumidor – PSB
* Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio – PSB
* Desenvolvimento Urbano – DEM
* Direitos Humanos e Minorias – PT
* Educação e Cultura – PT
* Finanças e Tributação – PT
* Fiscalização Financeira e Controle – PSDB
* Legislação Participativa – PP
* Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – PSDB
* Minas e Energia – PMDB
* Relações Exteriores e de Defesa Nacional – PDT
* Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado – PPS
* Seguridade Social e Família – PMDB
* Trabalho, de Administração e Serviço Público – PTB
* Turismo e Desporto – PP
* Viação e Transportes – PR