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Sindicato pede reuniões deliberativas abertas ao público

O Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação (Sinagências) resolveu aderir ao grupo de defensores de que as reuniões deliberativas das agências sejam abertas ao público. O Sinagências divulgou nota nesta segunda-feira (11) argumentando em favor do aumento da transparência decisória e regulatória e sugerindo a adoção de medidas administrativas que ampliem o acesso às informações das agências. "O Sinagências entende como necessária e urgente a abertura das reuniões decisórias dos colegiados das agências reguladoras conforme vem cobrando a opinião pública, a imprensa e alguns setores do governo", declaram os representantes do sindicato na nota, também encaminhada aos presidentes das autarquias de regulação.

O documento reforça que o aumento da transparência fortalece a democracia e abre espaço para a participação e fiscalização da sociedade dos atos do governo. Para o sindicato, uma das grandes preocupações da Anatel, o constante vazamento de informações sobre os processos, seria solucionado se as agências adotassem processos mais abertos de deliberação. "O acesso à informação é um direito de todo cidadão e reforça as políticas de atendimento público e publicidade. Ações desse tipo eliminam ou reduzem as especulações e vazamento de informações."

Além disso, o sindicato rememora que a regra constitucional é dar publicidade aos atos dos agentes públicos e que o sigilo é a exceção e só pode ser adotado em casos específicos detalhados na Carta Magna. O entendimento do Sinagências é que a abertura das reuniões ao público pode ser definida pelos próprios conselhos e diretorias das agências, sem a necessidade de mudanças nas leis ou decretos que criaram essas autarquias. No caso da Anatel, as regras com relação às reuniões deliberativas estão no regimento interno da agência e pode ser alterada pelo próprio Conselho Diretor.

Na nota do sindicato, apenas uma agência foi poupada dos pedidos por mais transparência. Trata-se da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), incluída entre os exemplos a serem seguidos na divulgação de suas ações. Além de fazer suas reuniões abertas ao público, a Aneel transmite o encontro pela internet ao vivo. Também foi citada como exemplo a transparência nas deliberações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, do Tribunal de Contas da União (TCU), do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outras instâncias da Justiça.

Título original: "Sinagências quer mais transparência em autarquias".

Entidades sindicais dos jornalistas criticam relatório da OEA

Repercutiu negativamente entre as entidades sindicais dos jornalistas o relatório da Divisão Especial para Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA), divulgado na semana passada. Além de relatar casos de agressão à liberdade de expressão no Brasil em 2008, a relatoria posicionou-se contra a exigência do diploma para o exercício da profissão no País.

Na página 41 do relatório, é mencionado o processo em curso no Supremo Tribunal Federal e a informação equivocada de que o Decreto Lei 972/69, que regulamenta a profissão de jornalista, “regulamenta a Lei de Imprensa”. O registro se sustenta em informações da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e em matéria publicada pelo site Congresso em Foco no dia 21 de outubro de 2008, “A Relatoria Especial recorda ao Estado que, de conformidade com a jurisprudência da Corte Interamericana, este tipo de requisitos constitui uma restrição à liberdade de expressão incompatível com o artigo 13 da Convenção Americana”, diz o relatório, referindo-se à exigência do diploma para o exercício do Jornalismo.

Para o presidente da Federação dos Jornalistas da América Latina e Caribe (Fepalc) e 1º vice-presidente da FENAJ, Celso Schröder, uma das falhas do relatório é não apontar que as restrições à liberdade de expressão no Brasil ocorrem principalmente pela influência dos poderes político e econômico sobre os meios de comunicação. “Já no ano passado formalizamos a crítica, em Washington, de que a OEA silencia sobre o processo de concentração da propriedade da mídia no Brasil – esta sim uma violação da liberdade de expressão – e acaba se transformando em tribunal de exceção, violando o princípio da soberania, sem o direito ao contraditório”, diz.

Schröder estranha, também, a aproximação da posição da OEA com as bandeiras históricas da SIP, que combate sistematicamente o direito à livre organização e colegiamento dos jornalistas em toda a América Latina. “E não é demais lembrar que as duas entidades se omitiram ou apoiaram abertamente as ditaduras nas décadas de 60 e 70”, ressalta.

Já o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, põe em dúvida se é “ingenuidade ou distorção deliberada” a confusão que normalmente é feita em relatórios similares sobre a regulamentação profissional dos jornalistas brasileiros, a liberdade de expressão e o direito da sociedade à informação. “É absurda a confusão que se quer fazer entre cerceamento à liberdade de expressão com o direito dos jornalistas terem uma regulamentação profissional que exija o mínimo de qualificação”, protesta. Ele lembra que no Brasil qualquer pessoa pode expor seu conhecimento e que prova disso são os artigos de profissionais de diversas outras áreas que estão na mídia diariamente. “Agora, se o dono do veículo não publica determinados fatos ou posições porque é contra, a culpa não é do diploma”, lembra.

Para Murillo, ser contra o diploma significa favorecer o poder desmedido dos proprietários das empresas de comunicação. “Sem o requisito do diploma, o que teríamos seria uma sociedade ainda mais distante das condições ideais de acesso à informação de qualidade, ética e pluralista, em função do monopólio dos meios de comunicação”, avalia. Ele acredita, no entanto, que isso não ocorrerá, baseado no julgamento unânime do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, ocorrido em 2005, de que a exigência do diploma para o exercício da profissão não é inconstitucional.

Auditoria sobre concessões apresenta relatório nesta semana

No próximo dia 19 de maio, a Comissão de Auditoria das Concessões de Freqüências de Rádio e Televisão no Equador apresentará o seu ”informe definitivo” e as “recomendações” ao Ministério de Coordenação dos Setores Estratégicos e ao Conselho Nacional de R&TV sobre os dispositivos para democratizar o setor. A iniciativa é medular e joga na ofensiva contra os reiterados abusos de uma mídia que, lá como aqui, insiste em confundir liberdade de imprensa com a de empresa, tentando – de forma tão histérica quanto estéril – conter a primavera de mudanças que cobre o Continente.

No Brasil, atendendo ao clamor dos movimentos sociais e de uma necessidade histórica, o presidente Lula convocou a Conferência Nacional de Comunicação para os dias 1, 2 e 3 de dezembro, processo que estabelece pontos de contato com a linha do Equador, mas também apresenta seus nós, principalmente frente à disparidade dos instrumentos manipulados pela mídia hegemônica para pautar o debate.

A complexidade do desafio aponta para a necessidade das entidades, partidos e governos populares estreitarem cada vez mais seus laços e compreensões sobre o tema, qualificando sua intervenção e driblando obstáculos e cascas de banana lançados pelos que querem manter intocado o seu latifúndio, improdutivo do ponto de vista social, mas extremamente lucrativo, comercialmente falando. Romper o manto de silêncio que cobre este debate é, portanto, um passo essencial, neste momento.

A experiência equatoriana vista de perto

Para conhecer de perto a experiência equatoriana, visitamos o país em meados de abril, compartilhando vivências e impressões com trabalhadores, técnicos e especialistas da área, o que fortaleceu nossa convicção da sua importância para os desdobramentos da luta política no país, bem como para o aprofundamento da integração e da própria democracia na América Latina.

Na avaliação do brasileiro João Brant, um dos “estrangeiros” que compõem a Comissão de Auditoria instituída pelo presidente Rafael Correa, a decisão equatoriana “aponta no sentido de acertar contas com graves ilegalidades ocorridas em passado recente, marcado pela extrema concentração de concessões públicas nas mãos do sistema financeiro”. Conforme Brant, que integra o Coletivo Intervozes, a definição de colocar em xeque as perversões dessa lógica mercantil “só foi possível pela nova Constituição, que estabelece claramente a separação dos poderes midiático e econômico-financeiro”. “O que podemos pegar de lição é que os equatorianos defendem o direito à comunicação como algo central para a democratização do Estado”, informou.

Tráfico de privatizações por concessões

Conforme esclareceu o pesquisador e psicólogo Oswaldo León, da Agência Latino-Americana de Informação (Alai), a auditoria equatoriana põe a nu a orgia de concessões realizadas entre 1995 e 2008, “o ápice do neoliberalismo, quando a entrega de freqüências, que são um bem limitado, se multiplicaram, de forma comprovadamente corrupta, com as privatizações sendo aprovadas por parlamentares que saíam do Legislativo com a sua concessão debaixo do braço”.

Como medida profilática, foi acertado que a auditoria determinará “a constitucionalidade, legitimidade e transparência das concessões, considerando os enfoques legal, financeiro, social e comunicacional”. A Comissão responsável por averiguar as irregularidades foi estabelecida por decreto no final de 2008, após a aprovação da nova Constituição, onde se “considera o espectro radioelétrico como um dos setores estratégicos que, por sua transcendência e magnitude, influi nos aspectos econômico, social, político e ambiental”, e se reserva ao Estado o direito de administrá-lo, regulá-lo e controlá-lo, “em conformidade com os princípios de sustentabilidade ambiental, precaução, prevenção e eficiência”.

De acordo com o parágrafo primeiro do artigo 17 da Constituição equatoriana, “o Estado deve garantir a liberação dessas concessões públicas através de métodos transparentes e em igualdade de condições, para a administração das emissoras de rádio e televisão públicas, privadas e comunitárias, assim como o acesso a canais livres para a exploração de redes sem fios, fazendo com que prevaleça o interesse coletivo”.

O parágrafo terceiro determina que “será proibido o oligopólio e o monopólio direto e indireto da propriedade dos meios de comunicação e do uso das freqüências, e a participação no controle do capital, investimento ou patrimônio dos meios de comunicação social, de entidades ou grupos financeiros, seus representantes legais, membros da direção e acionistas”.

Dando o tiro de misericórdia nos bancos, que são os donos diletos da mídia naquele país, os constituintes estabeleceram que os antigos beneficiários de concessões públicas que estejam em choque com tais determinações terão o prazo de dois anos para se desfazer delas a partir da entrada em vigência da nova lei – aprovada no final de 2008.

Conexão mídia-banqueiros

Como na maioria dos países da América Latina, no Equador, os meios se encontram concentrados em poucas mãos, “vindo a substituir os partidos da direita neoliberal, fracionados, debilitados e derrotados eleitoralmente”, lembrou o jornalista Eduardo Tamayo, integrante do Fórum Equatoriano da Comunicação. “No que diz respeito à televisão aberta, 19 famílias controlam 298 frequências das 348 existentes (86%). No campo da rádio a propriedade está menos concentrada, no entanto, as mesmas famílias concessionárias das freqüências de TV dominam grande parte das estações de rádio FM. Quarenta e cinco famílias detêm 60% das concessões de rádio AM e FM, que somam 1.196”.

Porém, o mais escandaloso, advertiu Tamayo, “tem sido a relação incestuosa entre os bancos e a mídia, especialmente na televisão. Fidel Egas, um dos principais acionistas do maior banco do país (Banco del Pichincha) é proprietário da cadeia Tele Amazonas, que tem 43 concessões em nível nacional. Além disso, possui as revistas Gestión e Diners”. “Outro grupo econômico poderoso (El Juri – Banco del Austro) é proprietário da rede de televisão Telerama, beneficiária de 14 freqüências.

Outros canais nacionais (Gamavision, Telecentro, Cablevision e várias rádios) que formavam parte de um grupo de 193 empresas de propriedade dos banqueiros foragidos William e Roberto Isaías, foram intimados no ano passado por terem endividado o Estado em 661 milhões de dólares”. Para Tamayo, “a concentração de meios em mãos dos bancos é um aspecto negativo para a democracia, pois se anula a diversidade informativa, os meios deixam de cumprir sua função social e passam a defender os interesses dos grupos econômicos que fazem parte”.

Na avaliação de Oswaldo León, um dos grandes avanços do processo equatoriano, “de vanguarda na democratização dos meios”, é que assume explicitamente a comunicação como um serviço social. “A política do neoliberalismo não se sustentava somente com o garrote imposto pela política econômica, mas pela base ideológica, buscando eliminar do imaginário social o sentimento de coletividade, de nacionalidade, afirmando o individualismo, o salve-se quem puder. Daí não haver nos grandes meios de comunicação espaço para o direito à réplica, condições para uma central sindical se contrapor a determinada medida antipopular. Na verdade, a mídia tentou eliminar toda e qualquer reflexão, acabar com a massa crítica”, acrescentou.

Correa acusa: a mídia é mentirosa

Para Oswaldo León, as ações que vêm sendo levadas a cabo pelo governo equatoriano, com o apoio dos movimentos que atuam pela democratização da comunicação, busca pôr fim ao ”descalabro institucional generalizado”. “O governo não se deixou imobilizar, pois esta era a fórmula do sistema financeiro para inviabilizá-lo. Com apoio da ampla maioria da população, Correa acusa a mídia de mentirosa, citando exemplos de abusos e distorções que são fáceis de reconhecer. O desafio maior, agora, é que este seja um bem público apropriado pelo conjunto da sociedade”, declarou.

Logo após a maiúscula vitória de Rafael Correa e do Movimento Aliança País nas eleições do dia 10 de abril, pudemos constatar que os principais jornais e emissoras de rádio e televisão expuseram com toda a força seus interesses de classe, mantendo uma orientação esquizofrênica, como se nada tivesse acontecido. Pior, mobilizaram um batalhão de repórteres para pinçar todo e qualquer êxito parcial da oposição, tratando de transformá-lo em triunfo magistral. Ao mesmo tempo, “orientavam” o presidente, via editoriais e articulistas, a ter mais “calma” e “moderação” com o seu projeto socialista, já que o país saiu das urnas “dividido”.

Na avaliação da mídia (anti)equatoriana, Correa fez “somente 52% dos votos”, embora tenha aberto margem de 24 pontos sobre o segundo colocado, que fez 28%. Vale registrar que a vitória não encontra paralelo em mais de duas décadas no país.
Diante desse padrão de comportamento, plugado à virtualidade dos desejos e aspirações das transnacionais, do sistema financeiro e dos vende-pátria, um primeiro dado importante a assinalar é a negação da realidade e de qualquer objetividade.

“Os meios de comunicação no Equador perderam muito de sua credibilidade nos últimos anos, em grande parte pela defesa que fizeram do modelo neoliberal e dos governos que o implementaram”, enfatizou a jornalista e escritora Sally Burch, diretora executiva da Alai, lembrando que “o presidente Rafael Correa ganhou com folga as últimas eleições, mesmo tendo toda a mídia contra ele, em oposição frontal”. Reagindo à campanha midiática, explicou Sally, o presidente tem apresentado argumentos e fatos inquestionáveis, que acabam desacreditando constantemente o discurso monocórdico de jornais, rádios e tevês contra o governo.

O direito constitucional à comunicação

A forma com que a mídia nega a realidade e se esmera em moldar no  imaginário coletivo valores que atentam contra os interesses nacionais e populares foi uma das causas pelas quais na nova Constituição se esquadrinha o tema comunicacional. Conforme esclareceu Eduardo Tamayo, “os direitos à comunicação, à informação e à cultura, se incorporam à Constituição no mesmo nível que outros direitos igualmente vitais para o ser humano como são a saúde, a educação, o bem-viver, e outros”. Direito plenamente reconhecido para as pessoas, tanto em forma individual como coletiva, a “uma comunicação livre, intercultural, inclusiva, diversificada e participativa, em todos os âmbitos da interação social, por qualquer meio e forma, em sua própria língua e em seus próprios símbolos”.

Na avaliação dos movimentos pela democratização, se supera a visão limitada e instrumental da comunicação que a identificava como “meios”, resgatando a dimensão interativa e participativa da mesma, ou seja, ”que as pessoas não somente têm direito a receber programas e serviços informativos, mas que também têm direito ao uso e acesso aos recursos da comunicação”. Para as diversas comunidades que compõem o país, se reconhece o direito a “criar seus próprios meios de comunicação social em seus idiomas e o acesso aos demais sem nenhuma discriminação”, garantindo que o direito à “dignidade e diversidade de suas culturas, tradições, histórias e aspirações” se reflitam na educação e na mídia.

Assim, de aplicar-se o espírito que prevalece na Constituição, este processo deve levar a que o Estado reverta as freqüências entregues irregularmente a meia dúzia de famílias e as destinem fundamentalmente aos setores públicos e comunitários, “a fim de romper o desequilíbrio atualmente existente”, esclareceu Tamayo. Segundo ele, “o desafio para universidades, organizações sociais e coletivos que aspiram contar com freqüências para criar seus próprios meios é enorme, pois não somente deverão dispor da infraestrutura e dos equipamentos necessários – recursos que sempre são escassos -, mas também deverão desenvolver políticas estratégias e capacidades profissionais e técnicas para operá-las”.

A invisibilidade a que é relegado o processo equatoriano e o seu inequívoco compromisso com a diversidade e a pluralidade – palavras malditas para o dicionário entreguista e desintegracionista da mídia hegemônica -, contrasta com a colcha de retalhos e mentiras que tecem seus donos para desqualificar a construção da democracia real no Continente. Afinal, crêem – e praticam diuturnamente seu fundamentalismo – que contra Lula, Rafael, Chávez, Evo, Lugo e Cristina, vale tudo.

Título original: "Linhas e nós do Equador e Brasil para democratizar a mídia".

Ginga-NCL é agora recomendação H.761 da UIT

Confirmado. Ao apagar das luzes do mês de abril, mais precisamente no dia 29, o grupo da União Internacional de Telecomunicações (UIT) que trabalha na normatização do IPTV (distribuição de serviços de televisão utilizando protocolo IP) aprovou a linguagem NCL e seu ambiente de apresentação Ginga-NCL, tecnologias genuinamente brasileiras, criadas para oferecer interatividade plena em sistemas de TV Digital, como recomendação internacional, sob o número H.761. Além de definir a linguagem NCL, a recomendação descreve os requisitos para a construção da máquina de apresentação Ginga-NCL, responsável pela exibição e controle de aplicações NCL.

Significa que o Ginga-NCL, especificação aberta de de propriedade intelectual da universidade PUC do Rio de Janeiro, resultado de pesquisas realizadas no Laboratório TeleMídia de seu Departamento de Informática, passa a compor agora uma série de recomendações para IPTV, aprovadas no mesmo dia, que já estão sendo consideradas pelos especialistas um marco importante, que permitirá aos fabricantes começar a aplicar as especificações dos seus produtos.

Ou seja: o Ginga-NCL passa a ser o primeiro framework de aplicações multimídia para serviços IPTV aprovado pela UIT-T. A UIT defende um ambiente padronizado para IPTV, com objetivo de pôr um ponto final na profusão de abordagens incompatíveis acaba tornando os assinantes reféns de conteúdos produzidos por determinados fornecedores de serviços. Seria mais fácil para o usuário IPTV, por exemplo, consumir o conteúdo de seus países de origem.

Entre as normas aprovadas recentemente pela UIT estão ainda, além do NCL e do Ginga NCL, (1) a recomendação ITU-T H.720 que dá a visão geral do a arquitetura e componentes funcionais de um terminal IPTV e fornece uma descrição de alto nível funcionalidade necessária para suportar serviços de IPTV; (2) a ITU-T H.721, que descreve e especifica o funcionalidades do terminal IPTV dispositivos como set-top boxes e televisores digitais para serviços básicos IPTV e estabelece também condições sobre qualidade de serviço (QoS) para entrega de conteúdos IPTV; (3) a H.701 – sobre recuperação de erros na entrega de conteúdos IPTV; (4) a H.760 – que dá uma visãop geral sobre a aplicação multimídia para IPTV; (5) a H.750, que aborda a especificação de metadados para Serviços de IPTV; (6) e a H.622.1, que aborda a arquitetura e os requisitos funcional para redes domésticas de apoio a serviços IPTV.

Na prática, apesar da nova Recomendação H.761 – Nested Context Language (NCL) and Ginga-NCL for IPTV Services definir a linguagem NCL como padrão UIT-T para a construção de aplicações multimídia destinadas ao ambiente de TV interativa, a adoção de fato pelo mercado é uma tarefa que pode ser muito auxiliada pela expansão, no Brasil, das aplicações interativas para o SBTVD.

O esforço de padronização internacional teve início há quase dois anos, quando pesquisadores brasileiros presentes às primeiras reuniões do então chamado "focus group on IPTV" da UIT foram convidados por delegados japoneses a apresentar a arquitetura Ginga do SBTVD. A partir de então, pesquisadores da PUC-Rio começaram a participar das delegações brasileiras organizadas pela Anatel para a defesa da proposta brasileira junto aos delegados da UIT-T no "study group 16 – codificação, sistemas e aplicações multimídia".

Merchandising toma conta da TV brasileira

Se nos velhos tempos a prática ainda era tímida, hoje ela passeia de forma extrovertida na TV brasileira. O merchandising (propaganda feita dentro do programa, pelos próprios apresentadores) vem sendo cada vez mais usado pelas emissoras como tática de fisgar a audiência em frente à telinha. A "onipresência" do formato na TV foi confirmada pela empresa Controle da Concorrência, que monitora e presta serviços ao mercado publicitário. Dados divulgados pelo diretor da empresa, Fábio Wajngarten, ratificam o que é visto pelos espectadores.

Um levantamento realizado a pedido da Agência Estado monitorou as inserções de “merchan” entre os dias 15 e 31 de março nos programas nos programas "CQC" (Band); "Domingão do Faustão" e "Big Brother Brasil 9" (Globo); "Domingo Legal" (SBT); "Hoje em Dia" (Record) e "Pânico na TV!" (Rede TV). O resultado é que o modelo publicitário está presente com força em todos eles. "Há formatos inovadores como o do 'CQC' e há aqueles que incomodam muito o telespectador", explica Wajngarten.

De acordo com o estudo, a Globo foi apontada como a mais adepta à tática. "Domingão do Faustão" e "BBB9" foram os campeões, percentualmente falando, de inserção desse tipo de anúncio. Cerca de 16% do tempo do "Faustão" foi ocupado por anúncios nos dias 16 e 29 de março. Já no "Big Brother", nos dias 19 e 20 de março, nada menos que 30% do programa teve "merchan".  Em nota, a Central Globo de Comunicação disse que a "principal regra que orienta o merchandising é a adequação." A pesquisa mostrou que nas outras emissoras, o tempo médioocupado pelo formato ficou em torno de 6%.

O apresentador do "CQC" também se pronunciou. Assumiu a importância do “merchan” em seu programa, mas ressaltou que há regras para nortear a inserção. "Nenhum integrante do programa fala do produto, ou seja, não dizemos: beba, compre, use. Aparecemos em ação nos camarins ou saindo do programa, nunca na bancada." E assume: "É claro que recebemos cachê para fazer isso. Não dá para o programa se manter sem o ‘merchan’", diz.

Números

Se fosse usado como base o valor da tabela, por exemplo, o banco Bradesco teria investido, em 15 dias, R$11 milhões em "merchan" no "Domingão do Faustão". Mas o valor real (não divulgado) é menor. Já a Tecnomania, no mesmo período, no valor de tabela, teria investido R$ 1,3 milhão em "merchan" no "Hoje em Dia", e a Ambev e a Fiat, cada uma, R$4 milhões no "BBB9". O tipo de merchan que mais incomoda o telespectador, segundo os próprios setores de marketing das emissoras, é o que interrompe a atração para o apresentador dar "um recadinho".

Marcus Vinicius Chisco, diretor de merchandising da Record, explica que dentro do "Hoje em Dia" há tanta demanda por publicidade porque os apresentadores abordam vários segmentos. "Entendemos que o 'merchan' interruptivo afeta o programa, por isso nos preocupamos em fazer de uma forma que haja integração com a pauta."

Em defesa

O jornalista e apresentador de TV Milton Neves fez jus à fama e defendeu o modelo. Ele se diz orgulhoso dos resultados que obtém com a prática. "Combater a publicidade e o merchandising é utopia. Na TV, você só fica no ar se tiver faturamento ou audiência. Em 2002, durante a Copa do Mundo, fiz 22 inserções, um recorde."

Números

Na pesquisa do Controle da Concorrência, o levantamento dos principais anunciantes, da quantidade de inserção e do tempo que a marca ficou no ar permitiu ter ideia de quanto cada empresa teria investido, caso pagasse o valor de tabela. "Há um valor de tabela para cada ‘merchan’, mas este número dificilmente é usado como base. As emissoras praticam descontos; os valores dependem da quantidade, do cliente e da negociação", diz Wajngarten.

No SBT, a empresa AMD gerencia os merchandisings do "Domingo Legal". Na opinião do diretor Arnaldo Mendes, Gugu, com sua "linguagem didática", consegue transmitir de form agradável os ‘merchans’. Só faltou perguntar ao telespectador…