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TV Brasil apresenta nova estratégia de programação

Recém-empossado como superintendente de programação da TV Brasil, o jornalista e publicitário Roberto Faustino apresentou no 10 Forum Brasil – Mercado Internacional de TV nesta quarta, 3, as estratégias do canal em relação à programação. Entre os objetivos, estão a revelação de talentos, o privilégio à produção independente e o desenvolvimento de conteúdos regionais. Apesar de seu caráter público, a TV não deixa de almejar a competitividade e de disputar audiência, informou Faustino.

Parte da programação é produzida internamente, já que a TV Brasil herdou todo o parque de equipamentos e a infraestrutura da TVE Rio. Mas pretende investir bastante na coprodução, em modelos similares aos da TV aberta. “Entramos com recursos ou ativos e nos tornamos coproprietários dos direitos”, explicou.

A TV Brasil deve lançar em breve um pitching de programação mas, segundo Faustino, não será aberto, mas sob demanda, ou seja, seguindo as necessidades de programação do canal. Programas sobre meio ambiente, para uma nova faixa recém-criada, e ficção para jovens considerados importantes no momento.

Em relação ao licenciamento, a TV Brasil vai implantar um sistema de inscrição pelo site. Durante um certo período, o site fará uma chamada pública para programas com as características desejadas naquele momento. Depois a janela se fecha, anunciando a próxima abertura. A intenção é abrir o processo quatro vezes por ano.

Outra possibilidade levantada é a de aquisição de formatos estrangeiros para produção no Brasil, especialmente voltados para o público infanto-juvenil. Por não ter intervalos comerciais, os microprogramas e pílulas para os intervalos também são bem-vindos.

Estudo mostra que poucos usuários geram conteúdo do Twitter

Uma pequena fração dos usuários do fenômeno das redes sociais, o Twitter, gera quase todo o conteúdo do serviço, que registra rápido crescimento. Isso torna difícil para as empresas usar o site de microblogs como um indicador acurado da opinião pública, aponta estudo da Harvard Business School.

O Twitter é um site de redes sociais no qual os usuários publicam mensagens com até 140 caracteres (conhecidas como "tweets", pios em português) que podem ser acompanhadas por outros usuários. O estudo da Harvard analisou as mensagens de um grupo aleatoriamente selecionado de 300 mil usuários do Twitter. Os pesquisadores estudaram em maio o conteúdo gerado durante todo o período de uso do site pelos usuários.

O resultado indica que 10% dos usuários do Twitter respondem por mais de 90% do conteúdo, de acordo com Mikolaj Jan Piskorski, diretor da pesquisa. Mais de metade dos usuários do Twitter enviam mensagens no site menos de uma vez a cada 74 dias. O número médio de "tweets" por usuário é de apenas um, de acordo com a pesquisa.

As empresas estão recorrendo cada vez mais ao Twitter como forma de melhorar sua compreensão quanto ao modo pelo qual os consumidores as vêem, disse ele. Mas alguns usuários são muito mais ativos e falantes do que outros, o que limita a informação que pode ser extraída de mensagens no site, disse Piskorski, professor assistente de estratégia da escola de negócios.

"Se você está tentando obter uma representação estatística aceitável quanto ao que a média do público está pensando, o melhor é evitar o Twitter", disse ele. Piskorski disse que o Twitter pode continuar a ser útil na resposta a preocupações específicas dos consumidores. Também pode permitir marketing efetivo, já que empresas com contas no Twitter podem anunciar liquidações e ofertas aos usuários que as acompanham no site.

Internet ficará liberada nas eleições de 2010

A legislação sobre o uso da internet em eleições vai sofrer grandes modificações para a campanha de 2010. A ideia central é derrubar as proibições. Tramitam na Câmara pelo menos cinco projetos de lei que permitem o acesso virtual dos políticos aos eleitores brasileiros. Entre as propostas, destaca-se a possibilidade de os candidatos arrecadarem dinheiro pela rede mundial de computadores.

O uso da internet está sendo discutido pela comissão formada na última quinta-feira (4) na Câmara para elaborar a reforma eleitoral (leia mais). A expectativa é de que na próxima terça-feira (9) os deputados já tenham um texto pronto. Ele irá liberar os políticos a usarem a rede para fazer campanha e conseguir doações de eleitores, no que será chamado de “financiamento cidadão”. “As duas propostas vão entrar no texto final”, antecipou ao Congresso em Foco o deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), que faz parte da comissão.

Um dos projetos apensados à proposta é de autoria da deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS). Ele prevê a possibilidade de doar dinheiro para campanhas com pagamento por cartões de crédito pela internet, além da possibilidade de realizar propaganda eleitoral na rede mundial de computadores.

Hoje, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) só permite que os candidatos tenham um site oficial, com a extensão ".can", vedando-se a possibilidade de criarem blogs ou entrarem em redes sociais como Orkut e Facebook. Também estão proibidas ferramentas como Flickr (álbum de fotos) e Twitter (microblogs).

Na justificativa do projeto, Manuela afirma que a divulgação de informações é “extremamente veloz por causa desse meio de comunicação”. “O sistema eleitoral se torna obsoleto à medida em que ignora os benefícios que a internet pode trazer para a divulgação de candidatos, de suas informações, de suas ideias, de suas propostas”, escreveu a deputada.

Ela reforça que a ideia do projeto nasceu justamente das restrições apresentadas pelo TSE na resolução que disciplinou as eleições de 2008. “Nas recentes eleições municipais, prevaleceu uma jurisprudência extremamente restritiva, baseada na equiparação da internet ao rádio e à televisão (que são concessões do poder público)”, completou.

Prestação de contas

Outro projeto, já aprovado no Senado e que tramita atualmente na Câmara, de autoria do ex-senador Jorge Bornhausen (DEM-SC), obriga os candidatos a divulgarem diariamente na internet relatórios com as doações e os gastos de campanha. Também trata do tema proposta, elaborada por Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que obriga os envolvidos na disputa eleitoral a colocarem sua contabilidade na rede.

A matéria recebeu um texto substitutivo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O relator do projeto, Rubens Otoni (PT-GO), sustenta que colocar os dados na internet “poderia contribuir muito para a transparência do processo eleitoral tal como se dá hoje”. Entretanto, ele aponta que é preciso ampliar o prazo – “o prazo de 24 horas após o recebimento da doação é extremamente curto” – e definir melhor as responsabilidades. Como, por exemplo, a quem caberia fazer o registro da doação.

“A discussão está só começando, mas deveremos construir uma ampla maioria em torno de uma proposta. O projeto de revisão eleitoral estará pronto em uma semana”, afirmou o líder do PT na Câmara, Candido Vaccarezza (SP).

O petista João Paulo Cunha (SP), que relatou a reforma política na CCJ, participa da comissão. Para ele, é preciso adotar mudanças urgentes. “O modelo atual deixa todos os políticos reféns do poder econômico, que banca campanhas milionárias interessado em futuras benesses junto à administração pública”, afirmou.

Doações

Na semana passada, Dino apresentou aos líderes partidários duas minutas com propostas para as campanhas políticas. Uma trata da atualização da lei eleitoral e a outra do financiamento público de campanha (veja mais). “O papel da Câmara é fixar o que deve ser feito. Os parlamentares querem usar mais a internet como ferramenta”, disse Dino.

Enquanto a Câmara discute o que pode ou não ser feito, o TSE estuda formas de transformar a doação na internet em realidade. As áreas de prestação de contas e de informática do tribunal fazem um levantamento, a pedido do presidente da corte eleitoral, Carlos Ayres Britto, para viabilizar a ideia. A exemplo do que acontece nos Estados Unidos, Britto considera que a rede pode ser uma maneira de fiscalizar com maior eficácia as prestações de contas dos políticos.

Entretanto, o TSE coloca que a maior dificuldade encontrada até agora é a diferença entre os sistemas bancários brasileiro e norte-americano. Por conta disso, os técnicos do tribunal ainda não fecharam uma proposta que possa dar origem a uma resolução sobre o tema. Como Ayres Britto já externou a vontade de aplicar a novidade nas eleições de 2010, os funcionários da corte trabalham em “regime de urgência”.

Ayres Britto, em entrevista ao Congresso em Foco em outubro do ano passado, já deixava claro sua intenção nesse sentido (leia mais). Mesmo não ocupando a presidência no próximo pleito, o presidente do TSE pretende dar os primeiros passos nessa direção. Ele considera que “é possível trabalhar com financiamento via internet, porém com plena identificação dos doadores, dos destinatários, o modo pelo qual a quantia foi doada e a prestação de contas”.

Programa apoiará pesquisas sobre novas tecnologias

As pesquisas de novas tecnologias para TV digital brasileira ganharam força, hoje, com a criação do ProTic (Programa de Apoio à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação). Além do apoio à promoção do SBTVD-T, o programa vai incentivar, coordenar e avaliar atividades e projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovações, de formação de recursos humanos em decorrência dessas atividades e projetos, de eventos técnico-científicos e de programas de cooperação internacionais, inclusive na produção de conteúdos, na área de tecnologias digitais de informação e comunicação.

As diretrizes estratégicas e critérios para a análise, aprovação e aplicação de recursos em programas, ações e projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação do ProTic serão estabelecidos por um comitê gestor, que será presidido, alternadamente, pelos representantes dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, das Comunicações e do Desenvolvimento pelo período de um ano cada, devendo se reunir ordinariamente pelo menos uma vez a cada seis meses. A Presidência da República também tem assento no comitê gestor do Programa, junto com o BNDES, Finep e CNPq.

Os recursos para o programa virão das dotação orçamentárias do Ministério da Ciência e Tecnologia, do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel). Poderá , ainda, receber recursos adicionais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, da FINEP e do BNDES, bem como de outras instituições nacionais e estrangeiras.

O decreto com a instituição do ProTic foi publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União.

Reativação da Telebrás vira assunto proibido no governo

Quanto mais o projeto de reativar a Telebrás avança, menos informações circulam sobre os planos do governo. No mês passado, a Casa Civil encaminhou à Anatel um pedido de 50 funcionários (sendo 15 engenheiros) que devem ser devolvidos à estatal para que ela possa reiniciar suas atividades no setor. A ideia é concluir a transferência em dois meses. Mas o fato de o projeto estar próximo de um "pontapé inicial" concreto fez com que a cúpula responsável pelo assunto se calasse.

O tema tornou-se praticamente proibido. "Não posso responder sobre isso porque há uma recomendação de reserva neste assunto", esquivou-se Rogério Santanna, secretário de logística e tecnologia da informação do Ministério do Planejamento. Santanna é tido como o "pai" do projeto e apontado nos balcões de aposta do setor como o futuro presidente da estatal reativada. A reserva se dá por dois motivos: um pedido claro do governo para que o assunto seja tratado com discrição e a preocupação de que a veiculação de informações mexa com as ações da Telebrás, como ocorreu no passado.

O assunto que Santanna disse não poder responder tem, de fato, potencial explosivo. Fontes deste noticiário contam que o governo teria encontrado um "plano B" para reativar a Telebrás sem ter que esperar a solução do contencioso da Eletronet. O uso da rede de fibras que compõe a Eletronet aguarda a execução de uma decisão tomada pela Justiça no ano passado, em que a Telebrás passaria a ser a responsável pela infraestrutura enquanto a disputa entre os acionistas é resolvida.

A nova alternativa que está sendo estudada pelo governo é o uso das redes da Petrobras e de Furnas. Ambas as estatais possuem uma malha considerável de fibras ópticas para seu próprio uso, como teleproteção de linhas (no caso de Furnas) e transmissão interna de dados (no caso da Petrobras). No setor elétrico, as fibras compõem os cabos para-raios nas redes de alta tensão. Já no caso da Petrobras, é comum usar a faixa de servidão dos oleodutos e gasodutos. Ao ser questionado se acordos estão sendo negociados entre a Telebrás e as outras duas estatais, Rogério Santanna desconversa: "não confirmo nem desminto".

Mesmo a devolução de funcionários é tratada com sigilo pelos envolvidos, direta ou indiretamente, no projeto. O presidente da Telebrás, Jorge da Motta e Silva, diz que só tem conhecimento da movimentação da Casa Civil pela imprensa, mas confessa que não participa diretamente das negociações para a reativação da empresa. Novamente, o argumento para não comentar o assunto foi o temor de que as ações da estatal voltem a ser objeto de especulação na bolsa de valores.

"Essa questão é delicada. Como além de presidente, sou diretor de relações com investidores da Telebrás, tudo o que eu falar necessariamente tem reflexo no mercado", declarou. Apesar do silêncio da estatal, fontes próximas dos arquitetos do projeto asseguram que a realocação dos 50 funcionários está em pleno andamento.