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Comissão de Defesa do Consumidor conclui votação de projeto

[Título original: Comissão conclui votação do PL 29, com dois destaques aprovados]

A Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) da Câmara dos Deputados cumpriu a promessa feita na semana passada e concluiu nesta quarta-feira, 2, a votação do PL 29, que consolida regras para o ramo de TV por assinatura e para a veiculação de conteúdo audiovisual produzido no Brasil. Agora o projeto segue para a Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática.

A votação acabou sendo mais tranquila do que o esperado e dois dos 11 destaques apresentados foram aprovados pelos parlamentares. As outras nove propostas de alteração no texto básico do projeto sequer foram votadas: um acordo com os autores garantiu que os pedidos fossem retirados de pauta.

Dessa forma, apenas os destaques 9 e 11 foram analisados e aprovados pelos deputados. O destaque nº 11 retirou do projeto o conceito de "espaço qualificado restrito", deixando apenas a definição mais ampla de "espaço qualificado". Vale lembrar que, para definir regras e, principalmente, cotas, o PL trabalha com o conceito de espaço qualificado na grade dos canais, que seria formado por teledramaturgia e programas de variedades, sendo excluído o tempo dedicado ao jornalismo. A diferença entre espaço qualificado e espaço qualificado restrito é que, no espaço restrito, eram excluídos também as horas de veiculação de programas de auditório e de debates.

Já o segundo destaque aprovado, de nº 9, fala das polêmicas cotas de veiculação de conteúdo nacional. Os deputados acabaram concordando em alterar a redação do PL seguindo a proposta do deputado Walter Ihoshi (DEM/SP).

A nova redação do projeto define que, em todos os canais com programação majoritariamente ocupada por espaço qualificado (filmes, seriados etc), devem ser veiculadas no mínimo três horas e meia semanais de conteúdo brasileiro, sendo metade desta produção criada por produtoras independentes. Também define que 10% do conteúdo vendido na modalidade avulsa ou em catálogo deve ser brasileiro. Com isso, praticamente todos os canais estrangeiros terão que destinar espaço à produção nacional.

A estratégia do deputado Wladimir Costa (PMDB/PA) de apresentar um voto em separado, após ter perdido o prazo para entregar destaques, não funcionou. Como o texto base já havia sido aprovado há duas semanas, não cabia mais a deliberação sobre "votos em separado". Assim, questões como a venda a la carte e a proibição de cobrança mensal do ponto extra, que eram contestadas apenas no voto de Costa, não foram discutidas.

De volta à CCTCI

A reunião de hoje põe fim à tramitação do PL 29 na CDC, onde ficou pouco mais de um ano. Agora o projeto retornará à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), considerada a comissão de mérito do projeto. Por isso mesmo, os deputados acreditam que questões polêmicas como a regulação de Internet devem ser reacendidas na CCTCI. Este e outros assuntos sensíveis tiveram passagem livre na reunião desta quarta na CDC. Além da regulação da Internet, permanece no texto final a possibilidade de compra a la carte de canais, as próprias cotas de conteúdo nacional, tópicos sobre ponto extra entre outros assuntos polêmicos.

TV comunitária de Vitória é dirigida por ex-secretário estadual

Enquanto sobram conteúdos na TV que não contribuem para incentivar a cidadania, uma oportunidade de mudar o foco dos conteúdos televisivos é mal aproveitada. Poucas são as pessoas que sabem que as entidades da sociedade civil têm uma emissora de televisão, o canal comunitário previsto pela Lei do Cabo, de 1995. As limitações do modelo – que disponibiliza um único canal para o conjunto das organizações –, as dificuldades de articulação entre entidades, a pouca disposição das operadoras para de fato ofertar o canal e a falta de informação fizeram com que, em Vitória, ele só fosse ocupado dez anos depois, em 2005. Desde então, ele passou a hospedar a TV Ambiental e é gerenciado por um grupo liderado pelo biólogo e ex-secretário estadual de Meio Ambiente Almir Bressan Júnior.

A TV Ambiental é transmitida pelas operadoras Net (canal 10) e RCA (canal 2). A grade de programação conta com sete programas que, segundo Almir Bressan, são feitos por uma produtora chamada Dinâmica Produções. “Fala-se em cultura, comércio-exterior, logística, de desenvolvimento sustentável e da vida da cidade”, relata. Se de um lado exalta a programação, a falta de objetividade para responder questões sobre a gestão do canal deixa claro que ao menos de uma qualidade a TV ainda carece: transparência. Não é fácil conseguir informações sobre o funcionamento desse canal que é público e, segundo a legislação, deveria ser gerido pelo conjunto das entidades interessadas.

Segundo Bressan, que afirma estar licenciado de função pública, existe uma entidade que coordena o uso da TV comunitária. É a Associação dos Canais Comunitários de Vitória, que tem o próprio Bressan como presidente. No entanto, a lista de quem participa dessa associação não é pública. Ela não possui nem ao menos um site e seu presidente restringe-se a dizer que são “várias entidades”.

Até uma informação básica como o local de funcionamento da associação é omitida. Perguntado sobre o endereço da organização, Bressan se limita a dizer que ela se situa no centro de Vitória. Independente da desconfiança que a falta desta informação possa gerar em relação à gestão do canal, no mínimo esta omissão impede que uma organização social que deseja participar do canal, o que é seu direito, consiga contatar a associação. Mesmo assim, o diretor da TV afirma que o grupo que quiser participar de alguma forma no canal pode procurá-lo “para conversar sobre a proposta”.

“Se o canal não for utilizado pelas entidades, ele fica como qualquer outro canal comercial”, critica Fernando Trezza, representante da Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCom).

Outra informação que deveria ser pública é a forma de financiamento do canal. O modelo mais comumente adotado pelos canais comunitários é que a entidade que realiza um determinado programa banca seu custo de produção. É uma saída encontrada pelas organizações, já que é proibida a propaganda comercial nesses canais e também não existe nenhum tipo de mecanismo de financiamento público para eles.

No caso capixaba, não foi possível conhecer a forma com que a TV consegue sustentar sua programação. O diretor da TV Ambiental afirmou que os custos de produção são elevados, mas também não disse quem paga a confecção dos programas.

A autorização

Diferente do que ocorre com os canais abertos de rádio e TV, o grupo interessado em coordenar o uso de um canal comunitário não precisa passar por avaliação do governo Federal e do Congresso Nacional. Ele entra em contato direto com a operadora de TV a cabo local, que analisa o pedido e depois distribui a programação para os seus assinantes. Quando há mais de um grupo pleiteando o canal, é feita uma tentativa de acordo entre eles para que haja um consenso em relação ao seu uso.

A autorização para ocupação do canal comunitário pela TV Ambiental foi dada em 2005. A forma como isso foi feito, porém, também não é clara. A operadora Net não quis explicar como foi o processo para a concessão da autorização. Não soube informar nem qual a data correta em que a autorização foi emitida.

Sabe-se que, para conseguir a autorização, a entidade que pretende gerenciar o canal deve cumprir alguns critérios. Um deles diz que empresas privadas não podem participar da gestão da emissora comunitária. Outro, afirma que o gestor não pode proibir que outras entidades públicas tenham espaço na programação.

Em caso de denúncia de mau uso do canal, o Ministério Público ou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) podem ser acionados, por intermédio da Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCom).

Histórico

O grupo de Almir Bressan não foi o único interessado em usar a TV comunitária. Antes da ocupação do canal, houve uma tentativa de várias entidades da sociedade civil de fazer isso. O Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo foi um dos principais agentes da articulação, que terminou frustrada.

A jornalista e coordenadora de Comunicação do Sindicato dos Bancários Sueli de Freitas era presidente do Sindicato dos Jornalistas na época. Ela conta que as entidades estavam organizadas e conseguiram até avançar na questão burocrática. “Chegamos a fazer uma proposta de estatuto e a criar uma associação”, diz Sueli. A associação foi batizada com o nome do jornalista morto em um acidente de trânsito José Carlos Luz Marques.

A diretoria provisória era formada por pessoas como Paulo Buback, representando o Sindicato dos Engenheiros, David Protti, professor universitário, e a própria Sueli. A organização, porém, nunca chegou a se efetivar. Existiu apenas no papel.

A legislação também complicou o funcionamento do canal àquela época. A lei que cria a TV comunitária não são estabelece alternativas de captação de recursos, por exemplo, já que o uso de publicidade comercial é proibido. “Pensamos em criar uma contribuição das entidades que participavam da discussão”, afirma Sueli. Iniciativa que também não foi em frente.

As questões financeiras e organizativas não foram os únicos problemas que impediram a associação não funcionou. “A maioria das pessoas não tinha tempo de se dedicar. Não sei se a construção do canal era prioridade para as entidades. Nem do Sindicato dos Jornalistas era”, avalia Sueli.

A idéia era ocupar a programação inicialmente com vídeos já produzidos pelas entidades. No entanto, uma tela com a frase “Canal Comunitário em Construção” e o telefone do Sindicato dos Jornalistas foi a única “programação” que esse grupo de pessoas conseguiu colocar no ar.

A atual presidente do Sindicato dos Jornalistas, Suzana Tatagiba, vê com preocupação a forma como é ocupado hoje o canal comunitário em Vitória. Ela afirma desconhecer a associação que gerencia o canal e acredita que o tema deve voltar à pauta de discussão dos interessados na democratização da comunicação.

Legislação

As TVs comunitárias surgiram por meio da lei 8.977 de 1995. Conhecida como Lei do Cabo, ela regulamenta todo o serviço. Além disso, é nela que surge a obrigação das operadoras em oferecer os chamados “canais cidadãos”, um deles, a TV para uso comunitário.

São seis canais de utilização gratuita previstos em lei, divididos da seguinte forma: um canal legislativo municipal/estadual, reservado para o uso compartilhado entre as câmaras de vereadores e a Assembléia Legislativa do respectivo Estado; um canal reservado para a Câmara dos Deputados; um canal reservado para o Senado Federal; um canal universitário; um canal educativo-cultural e um canal comunitário aberto para utilização livre por entidades não governamentais e sem fins lucrativos.

Assessor da Casa Civil diz que lei permite apenas cópia única na TV digital

[Título original: Legislação atual só permite cópia única de conteúdo da TV digital, diz Barbosa]

A norma da ABNT que controla as cópias de conteúdos transmitidos pela TV digital, tema de inquérito civil público instaurado pelo MPF-SP (Ministério Público Federal de São Paulo), ainda não tem o aval do Comitê de Desenvolvimento, que reúne os ministros, e do Fórum Brasileiro da TV Digital, que engloba indústria, radiodifusão e governo. É o que informa o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa. “Essa discussão é muito séria e ainda está aberta”, disse.

Entretanto, há uma espécie de consenso sobre a possibilidade de permitir uma única cópia de tudo que for transmitido pelo ar, em alta definição, para uso doméstico ou nobre, como para educação e treinamento. “Isso é o que a legislação vigente permite, mais do que isso, será preciso mudar a Lei de Direito Autoral”, diz Barbosa. Além disso, o uso do DRM (em inglês Digital Rights Management), previsto na norma em questão, é defendido como forma de permitir a interface com outros equipamentos que já usa o mesmo sistema, como o Blu-ray (sucessor do DVD).

Segundo Barbosa, o debate evoca também a decisão sobre quem tem o direito de brecar ou não a realização de cópias na TV digital. “A idéia do governo é de que essa decisão não pode ser dos radiodifusores. Permitir mais de uma cópia pode até ser feita pelo radiodifusor, que pode deixar o conteúdo livre do código que restringe a cópia, mas isso respeitando os direitos do autor”, disse.

Sobre o questionamento da procuradora da República, Ana Cristina Bandeira Lins, responsável pelo inquérito sobre a norma da ABNT, Barbosa disse que ainda não teve conhecimento do teor, mas que é sua intenção incluir a opinião dela nos debates. “De qualquer forma, o entendimento sobre a 'copy one' resultou da soma de opiniões das áreas jurídicas dos ministérios e dos integrantes do Fórum”, disse. Ele lembra que a multiplicidade de cópias com finalidade comercial, já é previsto na lei como contrafação.

Pelos pareceres apresentados, o uso do DRM permitindo uma única cópia em alta definição de conteúdos distribuídos pela TV digital pode ser recepcionado na lei do Direito Autoral em vigor, que permite apenas a cópia livre de trechos de obras, além de ser possível a adaptação dessa regra ao Código de Defesa do Consumidor. “Acho que essa discussão não vai gerar muita polêmica”, minimizou Barbosa.

FCC estuda tecnologias para que pais controlem conteúdo em todas as mídias

[Título original: EUA querem proteger crianças de programas com sexo e violência]

A Comissão Federal de Comunicações dos EUA vai iniciar um estudo para examinar as várias tecnologias disponíveis para evitar que crianças assistam a programas com sexo e violência, disse o chefe da agência nesta segunda-feira.

"Os pais devem ter meios de controlar as tecnologias que limitem de forma apropriada a exposição de seus filhos a materiais impróprios", disse Julius Genachowski, presidente da comissão, na publicação de um relatório da agência que detalha essas tecnologias.

O relatório conclui que nenhum mecanismo isolado de controle funciona para todas as mídias, como televisão convencional, por cabo e satélite, serviços sem fio e internet.

Em julho o Comitê de Comércio do Senado realizou uma audiência durante a qual Genachowski disse que as regras existentes para controlar a programação de TV para crianças serão revistas à luz da proliferação de vídeos na internet e outras mudanças tecnológicas.

John Rockefeller, democrata da Virgínia do Oeste e presidente do comitê, disse que os legisladores, a indústria e o governo devem fazer mais para ajudar os pais a bloquear conteúdo impróprio para as crianças.

"Devemos oferecer as ferramentas e políticas que tornem fácil para as pessoas ser bons pais e supervisionar o que é assistido em seus lares", disse Rockefeller em um comunicado.

"Precisamos fazer mais do que simplesmente recolher informações e esperar que só isso proteja nossas crianças".

Sindicato do DF e Fenaj divulgam nota repudiando matéria da IstoÉ contra jornalista Beto Almeida

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal e da Federação Nacional dos Jornalistas divulgaram nota de repúdio à publicação de matéria sobre a atuação do jornalista Beto Almeida, coordenador da TV Comunitária do DF, frente ao projeto da Telesur. Segundo as entidades representativas dos jornalistas, a matéria é “ um ataque violento à liberdade de manifestação e pensamento do cidadão e jornalista Beto Almeida”.

Veja a íntegra da nota:

“As diretorias do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal e da Federação Nacional dos Jornalistas repudiam a matéria intitulada “O Lobista de Chávez”, assinada pelo repórter Cláudio Dantas Sequeira, publicada na edição da revista IstoÉ de 22 de agosto, por considerá-la um ataque violento à liberdade de manifestação e pensamento do cidadão e jornalista Beto Almeida, e uma tentativa de criminalizar a atuação política do presidente venezuelano em favor da integração latino-americana. Confira o conteúdo da nota:

A Constituição brasileira garante o direito à liberdade de expressão a todos os cidadãos, independentemente de eles serem ou não servidores públicos, como é o caso de Beto Almeida. Compartilhamos com o nosso companheiro o ideal de integração da América Latina e não vemos nenhum deslize ético, moral ou profissional no trabalho que Beto Almeida executa à frente da TV Comunitária de Brasília. O seu profissionalismo é irrepreensível no Senado, na Telesur e em todos os veículos onde já trabalhou. A matéria da Istoé, além de ser inconsistente, é um contrabando ideológico que não esconde seus objetivos políticos interesseiros.

Beto Almeida já foi diretor da FENAJ e do Sindicato dos Jornalistas do DF e tem mantido, ao longo de sua militância política, uma coerência irretocável, não havendo qualquer elemento que possa caracterizá-lo um ‘lobista’ de quem quer que seja.

Tornamos pública nossa manifestação de solidariedade ao companheiro jornalista Beto Almeida e exigimos que a revista dê a ele o direito constitucional de resposta.

Brasília, 31 de agosto de 2009
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal
Federação Nacional dos Jornalistas “