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Anvisa recebe carta do Criança e Consumo e do Idec

Desde 2006, a Consulta Pública nº 71 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) gera debates intensos entre representantes do mercado, do governo e de organizações em defesa do consumidor e dos direitos da criança. Trata-se de um levantamento de informações e sugestões para a publicação de uma resolução que pretende regular a publicidade de alimentos dirigida a crianças e que fazia parte da agenda de compromissos da Anvisa em 2009.

No entanto, depois de diversas audiências públicas para discutir a questão, a agência ainda não tem previsão de quando irá publicar a nova regra. Por conta desse atraso, o Projeto Criança e Consumo e o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) enviaram uma carta ao presidente Anvisa, Dirceu Raposo de Melo, e à gerente de monitoramento e fiscalização da publicidade de produtos sujeitos à vigilância sanitária, Maria José Fagundes Delgado, cobrando a publicação da resolução o quanto antes.

“Já existem diversos estudos acadêmicos que comprovam a forte influência da comunicação mercadológica dirigida a crianças nos altos índices de obesidade infantil. Por isso, a regulação de publicidade de alimentos exige medidas imediatas”, diz Isabella Henriques, coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo. Segundo estudo da Universidade de Oxford (Inglaterra), divulgada em março de 2009, já existem evidências suficientes relacionando publicidade à obesidade infantil: uma em cada sete crianças norte-americanas obesas não teria problemas de sobrepeso se não tivesse sido exposta a publicidade de alimentos não saudáveis na TV.

No Brasil, a obesidade já atinge 15% das crianças e os índices só crescem, o que aumenta a necessidade de regulação da publicidade nesse sentido. Em 2008, pesquisa realizada pela UnB a pedido do Ministério da Saúde apontou que as publicidades de alimentos com alto teor de gordura, sal e açúcar predominam nas TVs e revistas.

Reforço

O Idec reforçou a cobrança e encaminhou uma carta ao ministro da Saúde, José Temporão. O documento sugere que o Brasil apresente propostas em relação às recomendações da OMS relativas ao problema na próxima reunião do Conselho Executivo da Assembléia Mundial da Saúde, que acontecerá entre 18 e 23 de janeiro, que reunirá 34 países.

Leia carta enviada para a Anvisa pelo Projeto Criança e Consumo em conjunto com o Idec

http://www.alana.org.br/banco_arquivos/arquivos/docs/legislacao/brasil/carta%20c&c%20e%20idec.pdf

Veja o reforço do Idec

http://www.idec.org.br/pdf/coex-02-2010.pdf

Deputada Erundina afirma que mídia preza por “descaso” aos direitos humanos

Artigos do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), anunciado pelo governo no final de 2009, têm gerado discussões e divergências entre deputados.

Um dos temas responsáveis pelas controvérsias em relação ao PNDH-3 é a regulamentação do artigo 221 da Constituição Federal para exigir que emissoras de rádio e televisão respeitem os direitos humanos. De acordo com o programa, a comprovação de respeito às diretrizes do plano poderá ser um requisito para renovação das concessões de emissoras.

Além disso, segundo informações da Agência Câmara, o programa prevê a aplicação de penalidades administrativas que vão de advertências até mesmo à cassação da outorga.

Na avaliação do presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), a Constituição já prevê mecanismos de controle dos meios de comunicação, o que tornaria o Plano de Direitos Humanos redundante neste sentido.

No entanto, no entendimento da deputada Luíza Erundina (PSB-SP), as empresas de comunicação são arredias a qualquer prática que as submeta ao controle público. As empresas, para a deputada, tem interesse em manter a situação atual de "descaso" e "desrespeito" aos direitos humanos e aos direitos de cidadania.

"As concessões de rádio e TV são concessões de um serviço público, e o Brasil é o único país que não tem nenhum mecanismo de controle, de fiscalização e de participação da sociedade civil", afirma.

A deputada lembra, ainda, que o Conselho de Comunicação Social deveria atuar nesse controle. No entanto, está desativado há três anos.

MP quer que consumidor seja informado sobre tempo de publicidade na TV paga

O Ministério Público Federal abriu uma consulta pública sobre o tempo de publicidade nos canais de TV por assinatura. A ideia, explica o procurador da República Marcio Schusterschitz da Silva Araújo, não é regular a exibição de publicidade nos canais, mas a forma como o consumidor é informado. Com o nome "Televisão por assinatura e transparência das relações de consumo: quantidade de programação, quantidade de publicidade e o direito do consumidor à informação", a consulta, aberta por 60 dias, tem o objetivo de colher informações e opiniões de todos os interessados no tema para instruir procedimento do MPF sobre o assunto.

Segundo o procurador, o consumidor precisa ser informado sobre a quantidade de programação e de publicidade para escolher o serviço e para decidir se deve manter a assinatura. "O contrato estabelece uma relação duradoura entre operador e assinante, e o consumidor precisa saber pelo que está pagando para decidir pela manutenção ou não do serviço", diz. Ele lembra que a TV por assinatura tem mídias concorrentes, e que cabe ao consumidor optar por uma mídia. "Não se trata de uma opção apenas entre algumas operadoras de TV. O que o consumidor busca é conteúdo, e o conteúdo pode ser buscado em outras mídias, como locadoras ou novas mídias que usam a Internet", diz Schusterschitz. Em mídias que tratam da compra de títulos avulsos, o consumidor sabe exatamente o que vai receber. Na TV por assinatura, o consumidor é informado apenas nos casos dos canais premium, que não contam com intervalos comerciais. Nos outros canais, a proporção publicidade/programação não é divulgada.

Para o procurador, o infomercial é o maior problema, que pode ser interpretado até como uma distorção do contrato. A prévia informação seria uma forma de evitar a distorção.

A forma como o consumidor deve ser informado, se nas revistas de programação, ou nos sites das operadoras, e se a informação deve ser dividida por canal ou não, são objetos da consulta. Portanto, não há ainda uma fórmula desenvolvida.

Além de abrir a consulta pública, o procurador oficiou sobre o mesmo tema à Anatel, à ABTA e a organismos de defesa do consumidor como o Idec e a Associação Pró-Teste.

As contribuições podem ser enviadas por e-mail, no endereço consultapublica_mssa@prsp.mpf.gov.br, ou por carta, para o endereço R. Peixoto Gomide, 768, São Paulo-SP, CEP 01409-904, com o assunto "Consulta pública procedimento 1.34.022.000025/2007-04" no envelope.

Minc discorda de jornais e diz que Conferência Nacional tem foco em cultura

O Ministério da Cultura (Minc), por meio de sua assessoria, afirmou nesta terça-feira (19) que a Conferência Nacional do setor, prevista para ocorrer entre os dias 11 e 14 deste mês, tem por objetivo prioritário debater a cultura no país. A informação surge após questionamento de parte da imprensa sobre a divulgação do texto base do encontro.

A polêmica ocorre em meio a editoriais publicados nesta terça-feira pelos jornais O Globo e O Estado de S.Paulo. Nos textos, os veículos ressaltam o caráter "autoritário" do documento e o associam à tentativas de cerceamento ao direito de informação e expressão. "O texto-base da conferência poderia figurar num museu de teratologia política, como alcance da estupidez humana. Antes de enviá-lo para lá, no entanto, será preciso evitar a sua conversão em roteiro oficial de uma política de comunicação, ciência e cultura", diz o texto de O Estado.

Dois dias antes, no último domingo (17), o jornal havia divulgado o documento que define a organização da Conferência. O texto sugere regionalização de conteúdo nos meios de comunicação e rechaça a formação de grupos dominantes no setor.

"O monopólio dos meios de comunicação (mídias) representa uma ameaça à democracia e aos direitos humanos, onde a televisão e o rádio são os equipamentos de produção e distribuição de bens simbólicos mais disseminados, e por isso cumprem função relevante na vida cultural", informa o item 1.4 do texto, que aborda Cultura, Comunicação e Democracia.

De acordo com o editorial do Estadão, apesar de questionado, nunca houve a existência de "monopólio" no país e em estados constituídos por regimes democráticos. O jornal cita ainda o presidente Lula e partidários do atual governo como defensores do cerceamento "à opinião e ao confronto livre de ideias".

"Muitos dos companheiros do presidente Lula, entre eles alguns de seus ministros, nunca desistiram da implantação de algo semelhante no país. Segundo Lula, sua carreira política teria sido impossível sem a liberdade de imprensa, mas hoje essa liberdade é um empecilho a seus projetos de poder".

O Globo cita países vizinhos com polêmicas relações atuais entre mídia e governo para criticar o documento da Conferência. "Este encontro, assim como o de comunicação (Confecom), usa o mesmo kit aplicado, por exemplo, na Argentina, importado originalmente da Venezuela, para dar tinturas de legitimidade a propostas autoritárias de controle da mídia".

Ao final, O Estado ainda reafirma a posição crítica da imprensa na questão e pede empenho de políticos e agentes do poder público no questionamento do texto da Conferência. "O governo insistirá, a imprensa continuará resistindo. A oposição poderia ajudar a conter esse projeto insano, se deixasse o comodismo e mostrasse mais disposição para defender a democracia do que mostrou diante do ameaçador decreto dos direitos humanos".

Por sua vez, a assessoria do Minc fez a ressalva de que apenas um item do documento cita a comunicação no país. A pasta ressalta ainda que em nenhum momento o texto informa que há a existência de monopólios na comunicação, mas sim que os mesmo são indesejados pelo Estado democrático

Fenaj diz que entidades patronais impedem o avanço da democracia

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) demonstrou seu apoio ao texto da 2ª Conferência Nacional de Cultura e criticou as entidades patronais que contestam o documento. De acordo com a Fenaj, a “postura reacionária” contra qualquer proposta impede o avanço da democracia no País. O documento-base do encontro diz que o monopólio das empresas de comunicação no Brasil é uma ameaça à democracia e aos direitos humanos.

“Toda iniciativa, venha de onde vier, é sempre rechaçada sem mesmo uma discussão. São propostas para o debate, não são resoluções, mas eles já atacam. Essa postura reacionária impede o avanço democrático no Brasil”, criticou Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Fenaj.

Andrade diz que as propostas não são novidades e estranha tantas manifestações contrárias ao documento. “Isso não é nada novo nos Estados Unidos, na Europa. A comunicação no Brasil se concentra nos Marinho, Mesquita, Frias, Sirotsky e o poder deles tem que ser questionado”.

A Associação Brasileira de Emissoras de Radio e TV (Abert) discorda do texto da Conferência e alega que a concentração não ocorre como descrita no documento.

“No Brasil, passamos longe de ter monopólio e oligopólio, o que até a Constituição proíbe. É uma falácia dizer que há. São pouco mais de nove mil rádios e TVs, que estão nas mãos de milhares de proprietários. Há, na legislação, regramentos que limitam o número de veículos nas mãos de uma mesma pessoa”, afirmou o assessor jurídico da Abert, Rodolfo Moura Machado, ao jornal O Globo.

Moura disse também que não conhece “nenhum país que tenha tamanha diversidade na distribuição de emissoras”.