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Lei torna obrigatório diploma para jornalistas da Prefeitura e da Câmara de BH

Foi sancionado nesta quarta-feira (20/01) o Projeto de Lei 667/09, que torna obrigatório o diploma de jornalismo para a atuação como assessor de imprensa ou jornalista nos poderes Legislativo e Executivo de Belo Horizonte. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM).

A lei, de autoria dos vereadores Adriano Ventura (PT) e Luzia Ferreira (PPS), presidente da Câmara Municipal, tramitou nas comissões de Legislação e Justiça e de Administração Pública e foi aprovado em 2º turno no dia 23/12, durante reunião plenária. Um dos autores do PL, o vereador Adriano Ventura, é jornalista e professor de comunicação da PUC-Minas.

Apenas o artigo 2º do projeto foi vetado pelo prefeito Marcio Lacerda, porque definia quais seriam os atos privativos do jornalista, considerando exercício específico do jornalista uma série de atividades que não estariam de acordo com a Constituição, além de ultrapassar a competência do Legislativo.

"Entendemos como essencial a formação acadêmica e técnica aprendidas em faculdades especializadas para o desenvolvimento do trabalho jornalístico. O diploma representou um avanço para o país, profissionalizando a categoria cuja atuação era condicionada por relações pessoais e interesses outros distintos do verdadeiro sentido do Jornalismo, que é zelar pela qualidade da informação repassada à sociedade”, diz o texto de justificativa do PL apresentado pelos vereadores.

De acordo com a Câmara Municipal de Belo Horizonte, o objetivo da lei é valorizar a formação universitária especializada dos profissionais da imprensa, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão.

As atividades de comunicação no FSM da Grande Porto Alegre

No ano em que o Fórum Social Mundial completará dez anos, a pauta da comunicação segue ganhando destaque na programação do evento. No Fórum da Grande Porto Alegre, que vai acontecer de 25 a 29 deste mês, estão previstas treze atividades da área, entre oficinas e debates. Elas acontecerão em quatro cidades.

 

Organizamos abaixo a lista das atividades, retirada do site do Fórum. Havendo mudanças, vamos procurar atualizar nosso site com correções. A responsabilidade pelas informações é da organização do evento e dos proponentes das atividades.

 

FÓRUM SOCIAL 10 ANOS GRANDE PORTO ALEGRE

26 DE JANEIRO (TERÇA-FEIRA)

O que? Oficina de música e comunicação e de teatro
Horário e local: 15h às 16h, Tenda da Juventude, Espaço Margarida Alves – Praça 20 de Setembro (da Biblioteca), São Leopoldo

Espetáculo de dança infantil da AMMEP
Promotores: Trilha Cidadã, Programa de Apoio a Meninos e Meninas (PROAME)/CEDECA Bertholdo Weber, Associação Meninos e Meninos de Progresso (AMMEP), Conselho Estadual da Criança e do Adolescente (CEDICA), Diretoria de Juventude de São Leopoldo, Maristas.
Informações: executiva@cedecaproame.org.br

O que? Balanço da Confecom e a agenda para 2010

Horário e local:10h às 13h, Centro Universitario La Salle, Canoas
Participantes: Gerson Almeida (Secretaria Geral da Presidência da República); Marcelo Bechara (Ministério das Comunicações); Celso Schröder (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC); Rosane Bertotti (CUT/FNDC); Carolina Ribeiro (Coletivo Intervozes); Octavio Pieranti (Ministério da Cultura); Walter Ceneviva (Associação Brasileira de Radiodifusores – ABRA).  Mediação: Nascimento Silva (Fitert/FNDC)
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC

O que? Cultura, digitalização e desenvolvimento econômico: em busca de uma política industrial sustentável

Horário e local: 15h, Centro Universitario La Salle, Canoas
Participantes: Geber Ramalho (Pólo de Conteúdo Midiático do Recife), James Görgen (Ministério da Cultura); André Barbosa (casa Civil);
Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Mediação: Berenice Mendes (FNDC)
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC

O que? Políticas públicas para mídia comunitária

Horário e local: Tarde, Porto Alegre
Responsável: Fernando Gadret
Entidade: Jornal do Centro

27 DE JANEIRO (QUARTA-FEIRA)

O que? Comunicação e Educação: Capacitando a Sociedade para uma Leitura Crítica da Mídia.
Horário e local: 13h30, Parque do Imigrante – Espaço Jacobina (Av. Mauá, 287, Centro), Sapiranga

Participantes: Roseli Goffman (Conselho Federal de Psicologia/FNDC); Christa Berger (Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos); Maria Helena Weber (Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS)

 

O que? Palestra Cultura e Comunicação: ações colaborativas para políticas públicas
Horário e local: 09h às 12h, Fundação Cultural de Canoas, Canoas

Entidade: Pontão de Cultura Digital Ganesha

O que? Oficina de mídia

Horário e local: 10h, Parque Eduardo Gomes, Canoas
Áudio, vídeo e educação para a mídia  com Professor Luis Antônio e Celso Schröder
Entidade: HOCOUNO, AOSOL e FNDC

O que? Debate Liberdade de Expressão e de Imprensa

Horário e local: Tarde, Salão Nobre da ARI (Borges de Medeiros, 915, 8°andar), Porto Alegre
Responsável: Vilson Romero
Entidades: ARI (Associação Riograndense de Imprensa)

28 DE JANEIRO (QUINTA-FEIRA)

O que? Cultura e Comunicação: ações colaborativas para políticas públicas
Horário e local: 9h às 12h, Câmara Municipal de Vereadores, Canoas
Entidade: Pontão de Cultura Digital Ganesha

O que? Radiofusão Comunitária e a Possibilidade de Montar redes de baixo custo via Internet

Horário e local sugerido: Noite, UFRGS, Porto Alegre
Responsável: Alan Camargo
Entidade: Centro de Cultural Social e libertária

O que? Debate: "A grande mídia afinada: os ataques ao PNDH-3 e às Conferências Nacionais de Cultura e de Comunicação"

Horário e local: 11h às 13h, Associação Riograndense de Imprensa (Avenida Borges de Medeiros, 915b, 7º andar), Porto Alegre
Convidados/as: entidades de defesa de direitos humanos, movimento de comunicação, representantes do governo federal

 

O que? TV Pública: Uma opção para o Brasil e a América Latina

Horário e local: Assembléia Legislativa do RS – Plenarinho (Praça Marechal Deodoro, 101, Centro), Porto Alegre

Participantes: Tereza Cruvinel (Empresa Brasil de Comunicação); Pedro Luiz S. Osório (Conselho Deliberativo da TVE); Gustavo Granero (Federação Argentina dos Trabalhadores de Imprensa)

 

 

29 DE JANEIRO (SEXTA-FEIRA)

O que? A comunicação Social no Brasil após a 1ª Confecom rumos e perspectivas

Horário e local sugerido: Noite, UFRGS, Porto Alegre
Responsável: Bruno Lima Rocha
Entidade: Centro de Cultural Social e libertária

O que? A Radiofusão Comunitária e a possibilidade de montar redes de baixo custo via internet

Horário e local sugerido: Noite, UFRGS, Porto Alegre
Responsável: Alan camargo
Entidade: Centro de Cultural Social e libertária

 

 

A comunicação nos dez anos do Fórum Social Mundial

O ano de 2010 marca um importante período para a unidade dos movimentos sociais em âmbito mundial. Neste janeiro comemora-se uma década de realização do Fórum Social Mundial (FSM), que teve a sua primeira edição em 2001, em Porto Alegre, com milhares de pessoas de diferentes lugares do mundo contrapondo-se a cartilha do Fórum Econômico de Davos, que se reúne anualmente para determinar políticas para o mundo ao sabor do capital e das grandes potências mundiais.

O resultado desses dez anos de mobilização contra-hegemônica vai ser avaliado este ano com o modelo de Fórum, mais uma vez, descentralizado. Ele tem início com as edições comemorativas que acontecem na Grande Porto Alegre, a partir da próxima segunda-feira (25), e em Salvador a partir do dia 29, além de Kpomassé (Benin), Madri (Espanha) e Praga (República Checa). As atividades comemorativas dos dez anos do Fórum vão durar todo o ano até a edição de 2011, em Dakar (Senegal).

Comunicações

O debate sobre as comunicações se inseriu aos poucos e de diferentes formas no contexto do Fórum Social Mundial ao longo desses dez anos. Foi aos poucos adquirindo a centralidade que hoje lhe é dada ao lado de outras importantes pautas, como desenvolvimento sustentável, economia, meio ambiente e pobreza. Nas primeiras edições, como lembra Bia Barbosa, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, o debate sobre a comunicação era bastante pontual. “Poucas organizações pautaram este tema nas atividades autogestionadas e a mídia seguiu fora dos ‘grandes painéis’ do Fórum”.

Com o passar do tempo e também em função da cobertura que a grande mídia passou a fazer do Fórum, acrescenta a jornalista, ficou evidente que outra divulgação e outra comunicação do Fórum também eram necessárias. “Ao mesmo tempo, o debate sobre o papel da mídia na construção de outro mundo começou a ganhar força, em paralelo à organização da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação. Articulações internacionais, ao lado de organizações brasileiras, passaram a pautar este debate no seio da programação do Fórum”.

Celso Schröder, coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), avalia também que no primeiro Fórum o debate da comunicação não teve o merecido destaque. Contudo, “no segundo Fórum houve o início dos debates sobre as formas imperialistas de comunicação no mundo, em uma atividade articulada por mim, pelo Daniel Hertz e pelo Ignácio Ramonet”, lembra.

Assim como na maioria das outras temáticas debatidas, o desafio dos participantes do Fórum na discussão da comunicação sempre foi ir além da crítica ao modelo estabelecido. Para a organização do Fórum e os militantes da democratização da comunicação, tão importante quanto identificar os problemas do modelo vigente era pensar em soluções possíveis e sustentáveis para um novo mundo e também uma nova forma de fazer comunicação. A começar pela cobertura daquele evento.

Colaboração

Como lembra Rita Freire, do Coletivo Ciranda, uma das entidades fundadoras da experiência de comunicação colaborativa no FSM, “a ideia inicial foi escapar ao crivo da grande imprensa, na produção de informações para o universo FSM, e de somar esforços humanos, já que não tínhamos os recursos materiais”. O que fez o projeto nascer, ressalta Rita, foi a aceitação enorme que a proposta de trabalhar em conjunto, em vez de competir, provocou entre as mídias, jornalistas e articulistas mobilizados. “Já era um exercício de outro mundo possível rejeitar a supremacia do jornalismo de mercado”, reafirma.

Na opinião de Bia Barbosa, um ano chave para o debate da comunicação no Fórum Social Mundial foi 2005, quando o tema da comunicação junto com a cultura ganhou espaço em um eixo específico e as experiências de compartilhamento conseguiram aglutinar mais pessoas e transmitir mundialmente. Além da Ciranda, lembra Bia, “em 2005, aconteceram o Fórum de Rádios, o Fórum de TVs e o Laboratório de Conhecimentos livres, que divulgaram outro olhar, muito mais plural e diverso do próprio FSM. E essa outra cobertura ganhou alcance, sendo difundida via satélite para vários continentes”.

Rita, por sua vez, lembra que os resultados colhidos em 2005 tiveram início em 2004, na Índia. “Tivemos uma ação compartilhada em Mumbai, em 2004, e os movimentos de software livre, tanto do Brasil quanto da Índia, fizeram uma cobrança forte que resultou em alianças decisivas quanto à tecnologia e filosofia utilizada. Em 2005 foram diferentes projetos de acolhida feitos pela e para a imprensa alternativa, TVs e rádios comunitárias e desenvolvedores de tecnologias livres”, pontua. A Ciranda, que foi a primeira experiência, já não reunia só mídias e se somava a outras iniciativas colaborativas, como Viração, no Brasil, Minga na América Latina, Flamme D'Afrique, na África, e várias outras.

Essas experiências geraram, ainda de acordo com Rita, conceitos que influenciaram as práticas de comunicação no universo FSM e ajudaram a organizar uma cobertura difícil, como em 2008, quando houve um Fórum sem centro algum e era preciso conectar atividades espalhadas pelo mundo de modo colaborativo e articulado.

Em 2008 – e em 2010 também deverá ser assim – a comunicação e a cobertura compartilhada desempenharam um papel central para reunir o planeta na edição descentralizada do FSM. “Não fossem as iniciativas e a troca permanente de informação entre as várias cidades que estavam participando do Dia Global de Ação de Mobilização, a repercussão e os resultados de 2008 seriam muito menores, e tudo nos leva a crer que este exercício também será necessário para o sucesso das comemorações dos 10 anos do FSM”, avalia Bia Barbosa.

Construção de Políticas Públicas

Para além das experiências de comunicação compartilhada, o debate das comunicações no Fórum Social Mundial fez crescer também o debate em torno das políticas públicas para a comunicação e o papel dos Estados Nacionais na garantia do direito à informação e à comunicação. Na opinião do Schröder, esses dez anos de FSM consagraram um modelo que os movimentos sociais imaginaram de produção de políticas públicas que a sociedade incide sobre os Estados Nacionais, articulando políticas nacionais e internacionais.

Países como o Uruguai e a Argentina, lembra o coordenador do FNDC, estão repensando as suas políticas de comunicação. A Argentina, por exemplo, já fez mudanças e em 2009 aprovou uma nova lei para os serviços de radiodifusão que atualizou o marco regulatório das comunicações do país. Schröder acredita que esses avanços podem também ser atribuídos às idéias geridas e difundidas pelos processos do Fórum Social Mundial e deve continuar pautando como uma onda as ações de outros países nessa direção.

Entre as atividades que o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação está propondo para a edição do FSM que acontece na Grande Porto Alegre, uma delas é sobre os resultados da 1ª Conferência Nacional de Comunicação e a agenda para 2010. “A ideia desse painel é justamente trazer a Conferência, que foi um grande acerto dos movimentos sociais e do governo, para um debate internacional para consolidar o que lá foi discutido e quem sabe para pautar outros países que ainda não aderiram a essa agenda”, pontua Schröder. Ele ressalta ainda que “precisamos de uma ação pós-conferência a exemplo do que aconteceu na Argentina, quando os movimentos colocaram 40 mil pessoas nas ruas e só depois disso a lei foi implementada. Precisamos dar essa força, esse suporte para que as resoluções tornem-se políticas”.

Um dos eventos mais esperados de comunicação compartilhada, além da própria produção de notícias e informações, é o encontro das Rádios Koch, de Nairóbi, e Favela, de Belo Horizonte, há muito esperado. A rádio africana surgiu em um contêiner da favela de Korogocho porque seus criadores conheceram pelo filme Uma Onda no Ar a história de resistência da rádio mineira. Essa atividade das rádios comunitárias, que vai se repetir em Salvador, já é fruto de esforços da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias, Associação Mundial de Rádios Comunitárias, Ciranda e coletivos da comunicação compartilhada. “Em 2010 vamos compartilhar não só a ação midiática, mas reflexões quanto ao futuro. Será o início de uma articulação com a África, rumo à cobertura compartilhada do FSM 2011, em Senegal. E vamos cobrir as atividades do FSM 10 Anos de forma conjunta”, anuncia Rita.

Já o Intervozes fará uma atividade centrada na avaliação das ações da mídia tradicional frente às mudanças que pretendem colocar o debate do direito à comunicação na ordem do dia. A ideia, segundo Bia Barbosa, é debater e analisar a cobertura e os pontos apresentados como polêmicos da I Conferência Nacional de Comunicação, do III Programa Nacional de Direitos Humanos e da Conferência Nacional de Cultura, pelos veículos da mídia tradicional.

 

Veja a lista das atividades do FSM da Grande Porto Alegre. 

Pessoas com deficiência e a 1ª Conferência Nacional de Comunicação

Ednilson Sacramento, militante com deficiência visual, foi o representante da ONG Arcca (Acesso e Reintegração à Comunicação, Cultura e Arte) na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), e também das pessoas com deficiência que, apesar de não terem marcado a Conferência de forma massiva, conseguiram chamar atenção para as suas reivindicações. Uma série de propostas sobre o tema foram aprovadas, como recursos para acesso à comunicação (audiodescrição, legendagem para surdos e intérprete de Libras) e adaptação de infocentros para receber essa população.

Segundo o Censo 2000, aproximadamente 14% da população possui algum tipo de deficiência, o que “só é visível quando tem algum evento, alguma organização pública. No dia a dia elas [pessoas com deficiência] são invisíveis”, analisa Ednilson, que foi um dos poucos delegados com deficiência presente na Confecom. Além de integrar a Arcca, Ednilson faz parte da rede Comissão Civil de Acessibilidade de Salvador, e é conselheiro titular do Conselho Estadual das Pessoas com Deficiência do Estado da Bahia (Coed). 

Na opinião dele, a Confecom não ofereceu muitas possibilidades de ação, “mas pautamos a questão de acesso na comunicação, isso ficou evidente na maioria dos GTs (grupos de trabalho). A Confecom serviu como uma grande mesa redonda onde pautamos nossas questões”. Outra vitória foi a sensibilização de militantes de outras causas pelas reivindicações das pessoas com deficiência, de modo que suas pautas estiveram presentes em muitas discussões.

Quem também acompanhou a Confecom foi Paulo Romeu Filho, analista de sistemas da Prodam ETIC e militante com deficiência visual. A principal reivindicação aprovada na Conferência, segundo ele, foi a implementação imediata do que determina o decreto 5296 de 2004 – que aprova a lei de acessibilidade. A proposta contra a "protelação, procrastinação, enrolação do Ministério das Comunicações em relação à audiodescrição", não precisou nem ser votada na plenária final, por ter mais de 80% de aprovação nos GTs.

"Na prática tenho desconfianças de que (a Confecom) vai influenciar muito pouco", analisa Paulo. Ele lembra da situação inconstitucional em que se encontra o Brasil, ao não pôr em prática a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, cujo Brasil é signatário, e que fala de acessibilidade na comunicação. "A emenda 45 da Constituição, diz que os tratados internacionais de direitos humanos que forem aprovados pela Câmara e pelo Senado sobre determinadas condições, vigoram no Brasil com status de emenda constitucional. Portanto, como a Convenção foi aprovada estamos em fase de descumprimento no supremo Tribunal Federal", esclarece.

Diferentemente de outros participantes, os desafios para os militantes com deficiência não foram só políticos. “As pessoas com deficiência precisam vencer quatro obstáculos para participarem como os outros: saúde, transporte especializado, a acessibilidade do local do encontro e o material precisa ser acessível para se participar de um GT”, explica Ednilson.

“Queremos ser incluídos plenamente”

A Confecom não poderia pretender ser mais prática que o decreto 5296/04, que regulamenta os critérios de acessibilidade. “Tivemos cinco anos para por em prática o decreto, e infelizmente o Ministério das Comunicações não se tocou. Pouco se fez, algo em torno de 10% ou 15% do que se previa. Os prazos de tolerância expiraram em 2008, e estamos no buraco entre a aprovação e o cumprimento da lei”, compartilhou desanimadamente Ednilson.

Quanto à audiodescrição, desde a última portaria do dia 27 de novembro de 2009, que abriu a quarta consulta pública sobre o assunto (ver matéria), diminui-se as horas de programação acessível em relação ao que estava previsto na primeira versão da norma.

As regras para a aplicação da audiodescrição só valerão para as emissoras que funcionarem com o sinal digital. Para as poucas que já operam digitalmente, foi estabelecida a obrigação para que elas comecem a transmitir seus conteúdos com a audiodescrição até 1º de julho do ano que vem.

No começo, será preciso exibir apenas duas horas semanais e, depois de onze anos, devem chegar a 24 horas semanais de conteúdo audiodescrito. Na primeira versão da norma, em 10 anos, as TVs teriam de ter 100% da programação acessível ao fim do prazo. 

Essas metas, considera Paulo, desestimulam a formação de trabalho para audiodescritores. "Em vez de a TV servir como um indutor da audiodescrição, acessibilidade, ela faz é o contrário. Quer que 100% do cinema e teatro dêem esse passo, pra só depois ela aplicar, sem correr nenhum risco financeiro". Um agravante disso é o fato da TV ser o meio mais "democrático" de cultura, presente na quase totalidade dos municípios. Além de pessoas com deficiência, mesmo nos grandes centros, as pessoas não têm o costume de ir a teatros e cinemas, pelas dificuldades de compreensão e locomoção. E apenas 8,7% dos municípios do país possuem cinemas.

Ednilson classifica a acessibilidade como um “calcanhar de aquiles” da comunicação, “embora já estejam regulamentados por decreto, as emissoras de TV insistem em não aplicá-las”. Acrescentou também as mazelas de se ter um ministério como o das Comunicações, que não é um aliado para fazer valer os direitos das pessoas com deficiência. 

Cenário Pós-Confecom

Ednilson acredita que a Conferência, que aconteceu entre os dias 14 e 17 de dezembro passado, pautará as discussões daqui para frente, tendo ela aguçado o olhar dos governos, empresários e sociedade civil para as pautas. “Nem tudo será resolvido em 2010, como a questão da banda larga, da aceleração do processo de outorga de rádios comunitárias, os critérios de uso dos espectros de TV e rádios…”. Porém, ele acredita que, para uma área com atraso de quarenta anos, o ano de 2010 pode vir com algum sinal de mudança.

Rádio digital no Brasil deverá ter padrão europeu

Tudo indica que o governo brasileiro vai adotar o modelo europeu de rádio digital. O prazo para a entrega do relatório final dos testes com a tecnologia europeia de radiodifusão terminou na segunda-feira e, segundo um funcionário do alto escalão do governo, o anúncio deve ocorrer em fevereiro. Segundo a fonte, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, ficou impressionado com a qualidade das transmissões tanto em FM quanto em AM, consideradas “muito satisfatórias”. Outra vantagem do modelo europeu, segundo o funcionário, é que cada aparelho receptor de rádio digital é praticamente uma central multimídia, que permitirá não só a transmissão de áudio, mas também a de imagem.

“Com a adesão ao sistema europeu, a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e a Rádio Nacional vão poder fazer transmissões para o país inteiro”, destacou a fonte. Os testes com o Digital Radio Mondiale (DRM), denominação técnica do modelo europeu (leia quadro) foram feitos em São Paulo. Agora, serão executados também em Belo Horizonte. Quando a transição do modelo de rádio analógico para digital começou a ser discutida, a tendência era que fosse escolhido um padrão norte-americano. Porém, como os testes detectaram muita interferência nas transmissões em AM, a tecnologia teria sido abandonada.

Ronald Siqueira Barbosa, engenheiro técnico da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), ficou surpreso com a possível escolha do modelo europeu de rádio digital. “A gente continua optando pelo modelo americano. Ao optar por uma tecnologia, temos que levar em conta vários fatores: ter receptores no mercado, facilidade de acesso e tecnologia de transmissão. O americano é o melhor”, afirmou. Ele observa que no europeu existe essa dificuldade, pois há menos de 100 estações em operação no mundo. “Nossa preocupação é que o modelo europeu está aprovado desde 2003 e não deslancha nem na Europa.”

Preço

Outra preocupação da Abert é com o custo. Enquanto os equipamentos de transmissão do modelo americano custam cerca de US$ 35 mil, o europeu fica entre US$ 70 mil e US$ 90 mil. Barbosa alerta ainda que essa proporção deve ser repetir para os receptores, ou seja, o rádio que o consumidor ouve. “Essa é a nossa preocupação. Rádio é o produto mais barato do mundo que usa radiofrequência. Só no Brasil, são cerca de 250 milhões”, pondera.

Arthur Luis Cardoso, gerente das rádios dos Diários Associados no Distrito Federal, observa que as emissoras terão que fazer grandes investimentos e questiona até que ponto eles trazem retorno para as empresas. “Com exceção do Japão — onde além de a população ter uma renda alta, há um forte consumo de tecnologia —, nos lugares onde a rádio digital foi implantada não houve aumento de audiência para as emissoras”, compara. Para Eduardo Tudo, presidente da Teleco, consultoria especializada em telecomunicações, o mais importante é decidir rapidamente. “O principal é definir logo. As redes AM dependem muito de ter a digitalização para ter qualidade semelhante à FM”, ressaltou.

 

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Saiba mais

O que é?

Com o rádio digital, os sinais de áudio serão digitalizados antes de serem transmitidos, o que torna possível obter uma melhor qualidade de som e aumentar o número de estações.

 

Tecnologia

Os sistemas de rádio digital podem ser divididos entre os que usam um mesmo canal, conhecido como In-band on-channel (Iboc), e os que utilizam um segunda banda. Os mais conhecidos usam o Iboc: os modelos HD Radio e FMeXtra, norte-americanos, e o Digital Radio Mondiale (DRM), europeu.

 

Discussão

Falta escolher entre os modelos norte-americano ou europeu. Cada radiodifusor poderá iniciar a transição conforme sua disponibilidade e estratégia e o ouvinte, sintonizar a rádio pelo antigo sistema analógico, sem a necessidade imediata de adquirir novos receptores.

 

Com informações da Teleco